A praça Franklin Roosevelt, mais conhecida apenas como praça Roosevelt, é um logradouro situado na área central da cidade brasileira de São Paulo, entre as ruas da Consolação e Augusta. Nela havia um conjunto arquitetônico de concreto construído na década de 1960 sobre a passagem subterrânea entre o Elevado Presidente João Goulart e a Ligação Leste-Oeste.

Seu nome é uma homenagem ao 32.º presidente dos Estados Unidos Franklin Delano Roosevelt (1882–1945). Anteriormente era denominada praça das Guianas e ainda antes praça da Consolação.

História 240px|thumb|left|Praça Roosevelt, vista da esquina das ruas Martinho Prado e Martins Fontes. À esquerda é possível ver o prédio da Escola Caetano de Campos. No centro da foto encontra-se um dos acessos ao Minhocão. A área onde hoje fica a praça pertencia a Dona Veridiana Prado no século XIX. Ela possuía um sobrado ao lado da antiga Igreja da Consolação, onde costumava ficar quando estava na capital. Na época, a região era considerada um dos subúrbios de São Paulo. Quando Dona Veridiana começou a construir seu palacete em Higienópolis, no final dos anos 1880, a chácara começou a ser loteada, dando origem a ruas e, mais tarde, àquela que ficou conhecida como praça da Consolação.

No início do século XX ali funcionava o Velódromo de São Paulo, primeiro estádio de futebol do Brasil, desapropriado em 1915 para dar lugar à Rua Nestor Pestana. Quando começou a ser construída a Igreja Nossa Senhora da Consolação, de frente para a Rua da Consolação,"Só igreja resistiu ao moderno na Praça Roosevelt", O Estado de S. Paulo, 1992 em 1910, o terreno ao lado da nova igreja passou a ser usado como estacionamento e espaço para feiras livres. O terreno da praça foi cedido pelo Estado à prefeitura em 1942 e descrito assim: "A área sita entre as ruas Consolação, Martinho Prado, Augusta e Olinda, e o terreno fechado remanescente da antiga Chácara Marinho Prado, área essa já ocupada para melhoramentos municipais e necessária à abertura da praça terminal da Avenida Ipiranga."

Criada originalmente sem planejamento, a praça foi asfaltada na década de 1950 sem o devido nivelamento de terreno, o que passou a causar deslizamentos que acabavam com parte do asfalto."Praça Roosevelt precisa de reparos no terreno", Folha da Noite, 27 de agosto de 1957, republicado na Folha de S.Paulo em 2 de novembro de 2007 (acessado em 14/7/2009). Foi a partir dessa urbanização que nos registros oficiais da cidade passou a constar o nome do logradouro como Praça Roosevelt. A área livre atrás da igreja passou a ser um estacionamento para setecentos carros.

No local também funcionava uma feira livre às quartas-feiras e aos sábados; nos outros dias da semana o trecho asfaltado servia como estacionamento."Feira coloria a Praça Roosevelt", Leandro Modé, O Estado de S. Paulo A feira das quartas-feiras seria extinta em maio de 1961, com a intenção de melhorar o trânsito da região, enquanto a dos sábados seria extinta em janeiro de 1968. Já a partir dos anos 1950 o bairro em torno da praça começou a ver seus casarões ser demolidos, embora tenha tido árvores até antes do projeto de que seria alvo no final da década de 1960. Ao longo dos anos 1960 a região viveu sua "fase áurea", com cinemas de arte e boates frequentadas por artistas. "A Roosevelt era uma comunidade", lembrou em 2011 a atriz e diretora Dulce Muniz. "Na ditadura, fizemos daqui o nosso reduto. Todas as pessoas ligadas à arte vinham aqui. Com a construção da praça, a região foi decaindo."

Projeto Nos anos 1960 o prefeito da cidade, José Vicente Faria Lima, decidiu construir no local um grande conjunto arquitetônico,"Investigação ameaça marca Faria Lima", Otávio Cabral, Folha de S.Paulo, 15 de agosto de 1999 (acessado em 14-7-2009). em projeto de urbanização anunciado em 1967, que incluía um centro cultural com auditório para duas mil pessoas e um conjunto educacional. O projeto foi realizado pelo paisagista Roberto Coelho Cardozo, português radicado no Brasil e professor de paisagismo na FAUUSP. O conjunto era formado por duas grandes estruturas de concreto. O projeto, com muito concreto e pouco verde, foi criticado desde sua concepção, como também posteriormente: pela revista Veja em São Paulo, que em 1985 classificou-o de "monstrengo arquitetônico", e pelo jornal Folha de S.Paulo, que em 2006 chamou-o de uma "intervenção desastrada"."Minhocão - Nem consenso nem dissenso", Guilherme Wisnik, Folha de S.Paulo, 20 de março de 2006 (acessado em 14-7-2009). Em matéria sobre obras "equivocadas" em São Paulo, o projeto da Praça Roosevelt foi criticado novamente pela Veja em São Paulo em 1987: "O problema está mesmo na superfície. A praça tem excesso de cimentos, de escadas, de becos e construções. É feia. Não tem árvores nem jardins." Essa mesma matéria traz uma declaração de Paulo Mendes da Rocha, então presidente da sede paulista do Instituto de Arquitetos do Brasil: "A Praça Roosevelt é um bom exemplo do que nunca deve ser uma praça." Em maio de 2010 a praça foi qualificada como "ociosa" e "um ponto abandonado em meio a avenidas importantes da cidade" pelo portal Último Segundo.

240px|thumb|right|Trecho da Ligação Leste-Oeste sob a Praça Roosevelt, com a "Praça do Pentágono" acima. Quando Jânio Quadros assumiu a prefeitura de São Paulo pela segunda vez, em 1986, anunciou a ideia de construir garagens subterrâneas sob diversas praças da cidade, e a Praça Roosevelt foi citada como precedente negativo durante a polêmica que se criou. Em matéria publicada pelo portal R7 em maio de 2010, Rita Gonçalves, gerente de intervenção urbana da Emurb, disse que a praça "ficou a desejar em questão de conservação". Ela também criticou a falta de acessibilidade do projeto, que teria sido pautado apenas por uma "reinvenção da paisagem", característica dos projetos da época em que as estruturas de concreto foram erguidas.

Numa das estruturas, mais próxima à Rua da Consolação e ao lado da Igreja Nossa Senhora da Consolação — que quase foi demolida quando da reforma —, havia duas rampas em formato cilíndrico que rodiavam um respiradouro da Ligação Leste-Oeste"A praça é assim", Jornal da Tarde, 24 de janeiro de 1970, pág. 6 e davam acesso ao nível superior, batizado de "Praça dos Pombos", onde estavam projetados um pombal, um lago e muita vegetação. A outra estrutura, com ,21 metros quadrados e em um nível acima da "Praça dos Pombos", era chamada de "Praça Pentagonal" e tinha alguns bancos de concreto. Para dar lugar às estruturas foram demolidos casarões que existiam nas laterais da igreja.

Construção e inauguração O contrato para a execução do projeto de reforma foi assinado em 27 de maio de 1968, por Faria Lima. Com um investimento de onze milhões de cruzeiros novos, era o maior contrato já firmado pela Prefeitura até então. A obra para passagem da Ligação Leste–Oeste por baixo da Rua da Consolação, entretanto, fazia parte de outro projeto e já estava em fase de conclusão.

O prazo inicial era de conclusão da reurbanização da praça em trezentos dias, e em julho ainda se previa que a conclusão se daria antes do fim do mandato do prefeito, em abril de 1969. Naquele mês de julho, cerca de seiscentos operários estavam trabalhando nas obras "24 horas por dia", segundo o jornal Diário Popular. Em 2 de agosto, a adjacente Rua Martinho Prado foi interditada pela Prefeitura para facilitar as obras, causando uma série de mudanças nos sentidos de várias ruas próximas.

O prazo não foi respeitado, e, em abril de 1969, um dos últimos atos de Faria Lima na Prefeitura — ele deixaria o cargo no dia 8 — foi uma confraternização com os operários da obra, após o encontro das frentes de pavimentação do subsolo. Os cerca de seiscentos funcionários foram homenageados com uma "chopada" oferecida pelo consórcio que tocava os trabalhos.

Naquele momento a previsão de entrega da nova versão da praça era o mês de agosto, mas ela só seria inaugurada em 25 de janeiro de 1970, dia do aniversário de 416 anos da cidade, com a presença do então presidente Emílio Garrastazu Médici, e após muita correria de funcionários da Prefeitura para aprontar a festa. Entre os eventos do dia da inauguração, houve uma exposição de obras do pintor Cândido Portinari, uma apresentação da Orquestra Sinfônica de São Paulo, regida pelo maestro Donald Johanos (o "quarto mais famoso do mundo" então),"Ah, os problemas", Jornal da Tarde, 24 de janeiro de 1970, pág. 6 da sinfônica de Dallas, e uma exposição de esculturas ao ar livre, com obras de Cláudio Tozzi e Nicolas Vlavianos, entre outros."Os estranhos habitantes que a praça terá", Jornal da Tarde, 14 de janeiro de 1970, pág. 13

Na verdade, apenas o espaço de 65 mil metros quadrados para passeio foi entregue. Outros itens do projeto, como um restaurante, quatro lojas, um estacionamento, um bar, um supermercado, uma agência de banco e um mercado de frutas e hortaliças ainda não estavam prontos,"A Roosevelt pronta para sua festa. Pronta?", Jornal da Tarde, 14 de janeiro de 1970, pág. 13 situação que não mudou nem cinco meses depois. "A praça continua a ser um fantasma de concreto armado, apesar das 'festinhas' promovidas pela Secretaria de Turismo da Prefeitura", escreveu O Estado de S. Paulo em junho.

Quando o estacionamento foi aberto, por um mês não foi cobrada tarifa dos usuários, sendo a concessão depois entregue à Serviços Automáticos Boa Viagem Ltda. Não demorou para a praça ser fechada para reformas por causa de infiltrações. "O melhor momento aqui era nos anos 1970 e 1980", lembrou, em entrevista ao portal G1, Renato Orbetelli, àquela altura o lojista mais antigo da Praça Roosevelt, com 43 anos no local. "Naquela época havia várias lojas, tudo ficava aberto. Essa região era de gente de alto padrão, alto poder aquisitivo. Depois dos anos 1990, quando o centro decaiu, tudo nos arredores foi junto."

A feira seguiu na praça e em 1985 foi usada para os testes de padronização das feiras paulistanas, que seriam aprovados e estendidos às demais feiras da cidade. Nessa época foram instituídos alvarás para as bancas, e só foi permitido obtê-lo quem tivesse recebido autorização para ali se estabelecer até 1964.

Degradação 240px|thumb|right|A estrutura da "Praça do Pentágono" em janeiro de 2010.

Nenhum dos empreendimentos instalados na praça a partir de sua inauguração deu certo."Praça condenada receberá artesãos", André Muggiati, Folha de S.Paulo, 25 de novembro de 1997 (acessado em 14-7-2009). Apesar da intenção de que a praça virasse um marco da cidade, apenas três anos após a inauguração o local já tinha goteiras por todo lado, causando infiltrações que abriam rachaduras nas paredes, o piso estava remendado e os canteiros ainda não tinham flores. Nessa época, o Estadão citou uma crítica de frequentadores ao local: "Construída para ser a praça do futuro, a Roosevelt transformou-se em mais um monstro de concreto inacabado, entre os muitos que existem em São Paulo." Nunca foram colocados os azulejos previstos para a coluna em frente ao supermercado, que já estava enegrecida pela fuligem da poluição.

Dez anos após a inauguração, ainda havia a discussão sobre o projeto adotado na praça, que o Estadão via como contaminada por "forte dose de saudosismo" e "enorme influência do espírito interiorano, acostumado a ver a praça principal da cidade repleta de árvores, sob as quais estão os bancos cercando o coreto". Apesar disso, o jornal reconhecia que havia se passado pouco tempo para que o local tivesse tantos problemas, como rachaduras nas paredes e defeitos nos sistemas hidráulico e elétrico, cujo custo inicial para as soluções estava orçado em três milhões de cruzeiros, enquanto a Paulistur montava um projeto para transformar a praça num centro turístico.