A reação internacional ao golpe militar em Honduras em 2009 foi extremamente negativa. Todas as nações das Américas, a União Europeia condenaram publicamente a remoção forçada do presidente de Honduras Manuel Zelaya pelo Exército; muitos se referiram à ação como um golpe de estado. Dez países da América Latina, assim como todos os países-membros da União Europeia concordaram em retirar seus embaixadores de Honduras até que Zelaya volte ao poder. A Venezuela suspendeu o envio de petróleo ao país e os vizinhos de Honduras — El Salvador, Guatemala e Nicarágua — suspenderam o comércio por terra por 48 horas. O Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento pausaram seus empréstimos ao país.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que "acreditamos que o golpe não foi legal e que Zelaya continua sendo o presidente de Honduras". Dentre as reações mais fortes, estava a do presidente venezuelano Hugo Chávez, que prometeu derrubar o novo governo. Organismos internacionais, como a Organização dos Estados Americanos, a Alternativa Bolivariana para as Américas, o Mercosul, a União de Nações Sul-Americanas e a Organização das Nações Unidas também condenaram a ação. A ONU aprovou uma resolução no dia 30 de junho condenando o golpe e pedindo a seus 192 Estados-membros que não reconheçam nenhum governo que não seja liderado por Zelaya. Assim sendo, nenhuma nação declarou apoio às ações militares em Honduras nem reconheceu o novo presidente. Representantes do presidente interino Roberto Micheletti disseram que o novo governo tinha recebido o apoio de Israel e Taiwan, mas os governos destes países negaram de forma veemente. Em 4 de julho, Honduras foi suspensa da OEA por 33 votos de 34 possíveis.

Organizações internacionais 150px|thumb|Ki-moon se disse preocupado com os direitos humanos em Honduras.

Todos os nove países-membros da Alternativa Bolivariana para as Américas anunciaram em uma declaração conjunta à imprensa que não irão reconhecer o novo governo de Honduras.

A Associação dos Estados do Caribe condenou o golpe em uma declaração à imprensa e pediu pelo retorno de Zelaya à presidência de Honduras. Também declarou que "sublinhamos nossa condenação ao tratamento brutal que os militares de Honduras deram à Ministra de Assuntos Exteriores, Patricia Rodas, assim como aos embaixadores de Cuba, Nicarágua e Venezuela. Esta situação é uma séria violação à lei internacional e à Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas".

20px: Em um comunicado à imprensa, a Comunidade do Caribe denunciou o golpe, pediu o retorno imediato de Zelaya e declarou sua preocupação ao tratamento dispensado à população hondurenha e aos diplomatas durante o golpe.

20px: Fernando Lugo, presidente do Paraguai e presidente pro tempore do Mercosul, condenou o golpe e afirmou que nenhum Estado-membro da organização irá reconhecer um governo hondurenho que não seja liderado por Zelaya. Lugo também disse que aqueles que planejaram o golpe merecem ser presos.

: Logo após a deposição de Zelaya, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, declarou "apoio às instituições democráticas do país e condenou a prisão do legítimo presidente da República", de acordo com um porta-voz. "Ele insiste no restabelecimento dos representantes democraticamente eleitos do país e no respeito aos direitos humanos", completou. Uma resolução de uma página foi aprovada, por aclamação, no dia 30 de junho condenando a remoção forçada de Zelaya e pedindo sua "restauração imediata e incondicional" ao poder. A resolução pede "firma e categoricamente a todos os Estados que não reconheçam nenhum governo que não seja o de Zelaya".

20px: A Organização dos Estados Americanos realizou uma reunião de emergência no dia 28 de junho para debater a situação em Honduras. Nela aprovou uma resolução pedindo o "retorno imediato, seguro e incondicional do presidente legítimo, Manuel Zelaya". O secretário-geral da organização, José Miguel Insulza, disse que a ação do Exército constitui um golpe militar. No dia 1 de julho, a OEA condenou "veementemente" a remoção forçada de Zelaya e lançou um ultimato ao novo governo; ou Zelaya seria reconduzido ao cargo em 72 horas ou a nação seria suspensa da organização. Honduras acabou sendo suspensa da OEA no dia 4 de julho.

: Assim que Zelaya foi preso, a União Europeia lançou uma nota pedindo ao Exército a soltura do presidente e a restauração da ordem constitucional.

20px : A presidente do Chile, Michelle Bachelet, falando em nome de seu governo e da União de Nações Sul-Americanas, condenou o golpe e se referiu a Zelaya como "presidente legitimamente eleito pelo povo".

Instituições financeiras O Banco Mundial pausou todos os empréstimos para programas de desenvolvimento em Honduras, estimados em cerca de 80 milhões de dólares para o próximo ano fiscal. O presidente da instituição, Robert Zoellick disse que "estamos tentando manter um papel coadjuvante na região e em sua meta comum de restaurar a democracia".

O presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento, Luis Alberto Moreno, declarou que o BID irá pausar todos os novos empréstimos a Honduras até que a democracia seja restaurada.

Países 150px|thumb|Para Kirchner, a ação relembrou os "tempos bárbaros" da América Latina. 150px|thumb|Lula (dir.) disse que é "inaceitável" um golpe militar em pleno século XXI na América Latina". Para Morales (esq.), "não é possível que alguns grupos ignorem" a democracia. 150px|thumb|Funes pede "a imediata restauração do presidente legítimo de Honduras". 150px|thumb|Para Hillary Clinton, a ação "deve ser condenada por todos".

: O ministro de relações exteriores, Frank-Walter Steinmeier, condenou a prisão e o exílio forçado do presidente, afirmando que é "um ato que viola a ordem constitucional da República de Honduras. É vital agora para Honduras retornar rapidamente à lei e à ordem. Peço às partes envolvidas no conflito que retomem o diálogo e achem uma solução pacífica que leve em consideração a democracia e o Estado de Direito".

: O primeiro-ministro de Antígua e Barbuda, Baldwin Spencer, lançou um comunicado à imprensa denunciando a remoção de Zelaya. Ele pediu à comunidade internacional que rejeitasse o golpe.

: A presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, afirmou que os eventos em Honduras relembram os "tempos bárbaros" da América Latina.

: O presidente da Bolívia, Evo Morales, condenou a ação militar. "Não é possível que alguns grupos ignorem [a democracia], principalmente os militares", afirmou.

: Celso Amorim, ministro das relações internacionais do Brasil, lançou uma declaração na imprensa condenando "a ação militar que resultou na deposição do presidente de Honduras", pedindo seu "imediato e incondicional retorno ao poder" e expressando "solidariedade com o povo de Honduras". Mais tarde, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que "não temos como permitir que em pleno século XXI na América Latina tenha um golpe militar. É inaceitável. Nós não podemos reconhecer o novo governo. Nós temos que exigir a volta do governo eleito novamente. Porque senão daqui a pouco vira moda outra vez". A Câmara dos Deputados aprovou no dia 30 de junho duas moções de repúdio ao golpe militar em Honduras. Uma delas foi apresentada pelo líder do PT, Cândido Vaccarezza. A outra foi apresentada pelo deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) em nome do Fórum Interparlamentar das Américas, do qual é presidente.

: Peter Kent, ministro canadense de assuntos estrangeiros, declarou: "o Canadá condena o golpe de estado que ocorreu neste fim de semana em Honduras e pede a todas as partes envolvidas que mostrem constrangimento e que busquem uma resolução pacífica à atual crise política, que respeitem as normas democráticas. A governança democrática é um pilar central do engajamento reforçado do Canadá para as Américas, e estamos seriamente preocupados com o que transpareceu em Honduras".

: O governo chileno também condenou o golpe, se referindo a Zalaya como governante "legitimamente eleito pelo povo".

: O governo colombiano lançou uma declaração à imprensa em que se mostrou profundamente preocupado com a quebra da ordem constitucional, rejeitou a remoção forçada do presidente democraticamente eleito, pediu o retorno da ordem constitucional e legal, e apoiou as ações da OEA em sua tentativa de achar soluções democráticas para a crise em Honduras.

: Numa conferência de imprensa conjunta com o presidente exilado, o presidente da Costa Rica, Óscar Arias, condenou o golpe e disse que isto "indica que a democracia na América Latina e suas instituições são frágeis e vulneráveis". Arias disse que a Costa Rica iria oferecer a Zelaya "todas as cortesias que ele merece".

: O governo cubano também condenou o golpe de estado. O cubano Bruno Rodríguez afirmou que "a época das ditaduras militares na América Latina já passou". O ex-presidente Fidel Castro publicou um texto pedindo que as nações não negociem com o "alto comando golpista". Ele ainda apontou que "os golpistas [estão] encurralados e isolados", uma vez que "até a senhora Clinton declarou já que Zelaya é o único presidente de Honduras, e os golpistas hondurenhos nem sequer respiram sem o apoio dos Estados Unidos".

: Mauricio Funes, presidente de El Salvador, disse à imprensa que seu governo "pede a imediata restauração do presidente legítimo de Honduras, Manuel Zelaya". Funes disse ainda ter expressado sua solidariedade com Zelaya numa conversa que os dois mantiveram por telefone. O ministro da defesa salvadorenho, David Munguía, afirmou que o Exército de El Salvador irá reforçar três passagens de fronteira entre os dois países.

: Rafael Correa, presidente do Equador, disse que não reconhecerá nenhum governo novo em Honduras.

: Um porta-voz do primeiro-ministro espanhol José Luis Rodríguez Zapatero lançou a seguinte nota: "o chefe do governo expressa sua profunda condenação com a deteção ilegal e a expulsão do presidente legítimo da Repúblida de Honduras, Manuel Zelaya. A solução para qualquer disputa deve sempre se basear no diálogo e no respeito às regras democráticas. Não pode haver uma solução para a crise em Honduras fora da estrutura constitucional".

: O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, declarou estar "altamente preocupado" com a ação militar em Honduras. Ele pediu a todos os atores políticos e sociais do país que respeitem as normas democráticas e a Carta Democrática Interamericana da Organização dos Estados AmericanosReuters. "Obama se diz preocupado com o golpe de estado em Honduras", O Globo, 28 de junho de 2009. Visitado em 29 de junho de 2009.. Numa declaração por escrito, a secretária de Estado Hillary Clinton afirmou: "a ação contra o presidente hondurenho Mel Zelaya viola os preceitos da Carta Democrática Interamericana e, assim sendo, deve ser condenada por todos"EFE. "Hillary diz que golpe em Honduras viola Carta Democrática da OEA", G1, 28 de junho de 2009. Visitado em 29 de junho de 2009.. A embaixada dos Estados Unidos em Honduras anunciou a suspensão de programas de ajuda militar de 16,5 milhões de dólares por causa do golpe de Estado no país.

: O ministério das relações estrangeiras lançou a seguinte declaração: "a França condena firmemente o golpe que acabou de acontecer em Honduras. As prisões e expulsões de diplomatas são uma grave violação da Convenção de Viena. São inaceitáveis. A ordem constitucional deve ser restaurada na primeira oportunidade. A França pede a todas as partes envolvidas que atuem com respeito aos princípios e valores da democracia"AFP. "Paris condena golpe de Estado em Honduras" , Último Segundo, 28 de junho de 2009. Visitado em 29 de junho de 2009..