Jean-Baptiste de Machault d’Arnouville, Conde d'Arnouville, Senhor de Garge et de Gonesse, (Paris, 13 de dezembro de 1701 — Paris, 12 de julho de 1794) foi um político francês.
Filho de Louis Charles de Machault d'Arnouville, delegado geral de polícia, Jean-Baptiste de Machault d'Arnouville nasceu em uma família de parlamentares estabelecida em Paris desde o princípio do século XVI. Casou-se em 1737 com Geneviève Louise Rouillé du Coudray (1717-1794), em Paris. Tiveram quatro filhos :
Louis (1737-1820), Bispo de Amiens ; Armand (1739-1827), Coronel de Languedoc-Dragons ; Alexandre Jean Baptiste (nascido em 1741) ; Charles (1747-1830).
Foi conselheiro no Parlamento de Paris (20 de Junho de 1721) e depois chefe de petições (7 de Agosto de 1728). No cargo de relator do gabinete de Legislação, esteve estreitamente associado aos trabalhos de codificação realizados pelo Chanceler d'Aguesseau, que o tinha em alta estima. Foi a seguir presidente do Grande Conselho francês (22 de Janeiro de 1738-1742), antes de ser nomeado intendente da Província de Hainaut em Valenciennes, em 1º de Março de 1743, por recomendação do Duque d'Argenson. Estava ligado ao procurador geral Guillaume-François Joly de Fleury e era amigo íntimo de Daniel-Charles Trudaine.
O Rei Luís XV teve a ocasião de conhecer Machault d'Arnouville quando de sua estada na Intendência de Valenciennes em 1744 e 1745. Em 6 de Dezembro de 1745, o Rei o nomeia Controlador Geral das Finanças, substituindo Philibert Orry, que Madame de Pompadour havia conduzido à desgraça. A favorita, escreve Michael Antoine, « não tomou parte na nomeação do novo Controlador Geral, que, por certos traços, parecia-se com seu predecessor. Era também insensível às súplicas de interesses particulares, de um humor taciturno e de abordagem difícil, apropriada para desencorajar os solicitantes, apesar de sua extrema polidez. »
Como os quatro anos da Guerra de Sucessão Austríaca haviam esvaziado os cofres do estado, Machault precisou recorrer a empréstimos. Tentou, em 1749, fazer uma reforma nos impostos diretos que, se levada a cabo, teria talvez permitido reduzir uma das causas da explosão revolucionária que aconteceria quarenta anos depois, em 1789. Propôs a abolição do dízimo, do qual escapavam o clero e a maior parte da nobreza, e de substituí-lo por um novo imposto, o "vingtième" ("vigésimo"), que não sofreria qualquer restrição de classe. Mas este projeto suscitou um protesto dos privilegiados e a isenção obtida pelo clero fez com que o Controlador Geral abandonasse sua reforma em Dezembro de 1751.
Em 29 de Novembro de 1750, Machault d'Arnouville foi nomeado paralelamente Guardião dos Selos da França, concomitantemente à nomeação de Guillaume de Lamoignon de Blancmesnil como Chanceler da França, substituindo a Henri François d'Aguesseau que pedira demissão.
Secretamente atacado por seu colega, o Conde d'Argenson, comprometido perante o rei pela benevolência que lhe atribuía o Parlamento, entravado na execução de seus planos, foi demitido do controle geral das finanças em 28 de Julho de 1754, mas, em compensação, recebeu o Secretariado de Estado da Marina. Para conseguir as boas graças da Inglaterra, Machault foi o principal instigador da revogação de Dupleix na Índia, em 1757, desencadeando a perda definitiva da mais rica das conquistas francesas. Devido a isso, mereceu o título de "o mais burro de todos os ministros de Luís XV". Permaneceu como Guardião dos Selos e Secretário de Estado até 1º de Fevereiro de 1757, quando Madame de Pompadour o faz ser demitido.
« É certo que, de todos os ministros, Machault foi aquele que Luís XV mais amou e estimou, conta Michael Antoine. Viu nele o grande homem de Estado com que sonhava, no que foi, uma vez mais, perfeitamente lúcido. A decisão e a energia eram os traços dominantes de seu carater, a clareza e a precisão os de seu espírito, com uma consciência admirável das necessidades práticas maior que uma propensão para especulações teóricas, com um respeito pelas tradições, o que não impedia que suas reformas trouxessem enormes repercussões que causavam uma reformulação do Estado e da sociedade. O homem, desta forma, era profundamente íntegro e, apesar do que insinuaram e vociferaram seus inimigos, um bom cristão. Apesar de nunca haver desejado o poder e de nunca ter sentido sua falta após perdê-lo, nunca perdeu a habilidade de mantê-lo. Tendo notadamente percebido o quanto Madame de Pompadour podia ser nociva, teve o cuidado de assegurar-se de seu apoio e sua simpatia, sem que, em sua alma e consciência, aprovasse sua ligação com o Rei. »
Após cair em desgraça, durante mais de trinta anos viveu esquecido de todos, em suas terras de Arnouville-lès-Gonesse, onde tentara construir, em 1750, um moderno castelo em meio a um parque. O conjunto, que ficou inacabado provavelmente devido à desgraça de Machault, era grandioso. O Marquês d'Argenson fez notar em uma carta datada de 1751 : « ele faz despesas loucas em seu castelo de Arnouville-lès-Gonesse : fez construir uma vila e fez, em frente a sua casa, uma praça pública tão grande quanto a Praça Vendôme ; ele aguarda que o rei passe por lá, voltando de Compiègne, e fez com que o caminho passasse por aí. »
Fala-se que em sua subida ao poder em 1774, Luís XVI pensou em chamar de volta Machault. Porém uma intriga de última hora – vinda dos lados do Duque d'Aiguillon, que apadrinhava seu primo "à moda da Bretanha", o Conde de Maurepas, ou dos lados do clero com quem Machault havia se indisposto quando do episódio do "vingtième" – fez com que fosse preterido em benefício de Maurepas.
Em 1789, instala-se no Castelo de Thoiry, residência de seu filho Charles e herança da esposa deste, nascida Angélique de Baussan. Seu filho Louis, bispo de Amiens, recusou-se a prestar juramento à Constituição Civil do Clero e emigrou. Vítima do decreto de 17 de Setembro de 1793, já no auge da Revolução Francesa, decreto este que incluia os parentes de emigrados dentro da categoria de suspeitos, Jean-Baptiste Machault d'Arnouville, então com noventa e três anos, foi detido em Rouen e aprisionado em 1794 na Prisão das Madelonnettes onde veio a falecer pouco tempo depois.
Foi nomeado membro honorário da Academia de Ciências da França em 1746, comandante e tesoureiro das ordens do Rei em 16 de Novembro de 1747 e Ministro de Estado em 24 de Maio de 1749.
Bibliografia Michel Antoine, Louis XV, Paris, Fayard, 1989 Jules Michelet, Histoire de la Révolution française
Ligações externas Genealogia da família Machault d'Arnouville Notice sur le site du Comité pour l'histoire économique et financière de la France
Categoria:Políticos franceses do século XVIII Categoria:Pessoas da Revolução Francesa Categoria:Prisioneiros e detidos franceses