Linha 15-Prata do Metrô de São Paulo é um ramal metroviário de média capacidade que adota a tecnologia de monotrilho, sendo o primeiro desse tipo implantado no Brasil. Integra o sistema metroviário paulistano como sua sexta linha em operação e foi concebida para complementar a rede estrutural de transporte sobre trilhos da Região Metropolitana de São Paulo. Quando totalmente concluída, contará com 26,6 km de extensão e 18 estações, ligando os distritos de Ipiranga e Cidade Tiradentes.
Com custo total de R$ 6,40 bilhões, deveria atender uma demanda estimada em 550 mil passageiros por dia e integrar os terminais de ônibus de Vila Prudente, Sapopemba, São Mateus e Cidade Tiradentes.
O primeiro trecho, entre as estações Vila Prudente e Oratório, foi inaugurado em 30 de agosto de 2014. Durante onze meses, a linha funcionou em horários reduzidos, em caráter de teste e sem cobrança de tarifa. Em 10 de agosto de 2015, teve início a operação comercial da linha, e seu horário diário de funcionamento passou a ser das 7h às 19h. Em 26 de outubro de 2016 a linha passou a operar no mesmo horário de funcionamento das demais linhas do metrô: das 4h40 até a meia-noite, mas com testes frequentes e não funcionando aos domingos por quase todo o dia.
Mais quatro estações (São Lucas, Camilo Haddad, Vila Tolstói e Vila União) foram entregues em 6 de abril de 2018, em operação assistida, passando a operar normalmente em dezembro, ainda em horário reduzido, e em janeiro de 2019 no horário normal. A Estação Jardim Planalto foi entregue em 26 de agosto de 2019 e opera no horário normal da rede metroviária desde a sua inauguração. As estações Sapopemba, Fazenda da Juta e São Mateus foram inauguradas em 16 de dezembro de 2019, em operação assistida, passando a funcionar em horário normal a partir de 6 de janeiro. A estação Jardim Colonial foi inaugurada em 29 de dezembro de 2021.
O trecho entre as estações Boa Esperança e Hospital Cidade Tiradentes não está em obras, embora a viabilização de sua construção até o ano de 2022 tenha sido prometida pelo governador João Doria.
O trecho até a Estação Ipiranga, incluindo a estação, teve o início de suas obras prometido para 2020, no começo do mesmo ano, a fim de dividir a demanda por transferências para o resto do sistema metroferroviário, que seria insustentável somente com a estação Vila Prudente. Porém, as obras foram iniciadas somente em 7 de agosto de 2024, e têm previsão inicial de conclusão para 2027.
História thumb|esquerda|Vista área da Cidade Tiradentes, com destaque para os conjuntos habitacionais implantados pela Cohab, BNH e CDHU. Com cerca de 40 mil unidades, abriga o maior complexo de conjuntos habitacionais da América Latina Essa região começou a ser povoada no final do século XIX e início do século XX, tendo sido a antiga Estrada de Sapopemba criada para ligar a Fazenda homônima à cidade de São Paulo. Às margens da Estrada, foram surgindo algumas fazendas e sítios, porém a ocupação maciça dessa região se daria apenas na metade do século XX.
Na década de 1920, começaria a povoação do atual parque São Lucas. Vinte anos depois, e os primeiros núcleos urbanos seriam criados em Sapopemba. Nas décadas de 1950 e 1960, ocorre a progressiva ocupação da região de São Mateus. Conforme essa região foi sendo povoada, loteamentos são implantados, porém o sistema viário era implantado de forma lenta e irregular, e a distância entre o centro da capital e essa região dificultava seu povoamento.
A migração de nordestinos para São Paulo atingiu seu auge no início da década de 1970 e forçou a ocupação dessas áreas distantes do centro de São Paulo. Nos anos 1970 e 1980, a região do Iguatemi e Cidade Tiradentes eram ocupadas. Na década de 1980, a prefeitura de São Paulo investiu na construção de dezenas de conjuntos habitacionais na Cidade Tiradentes, ocupando cada vez mais essa região localizada a 32 km da Praça da Sé.
O povoamento desordenado dessa região aliado ao baixo desenvolvimento econômico tornaria grande parte da Zona Leste região dormitório e diversos problemas de infraestrutura começam a surgir, sendo o transporte o mais grave de todos. Por conta da grande distância dessa região do restante da cidade (onde se concentram os empregos), seus moradores perdem mais de 3 horas em longas viagens de ônibus, seja para trabalhar e ou estudar.
O crescimento da Zona Leste de São Paulo também traria complicações à Linha 3 do Metrô. Sendo a única linha de metrô da região, ela acabaria por receber a maior parte da demanda de passageiros da Zona Leste, o que contribuiu para que essa linha se tornasse superlotada, recebendo o título de linha mais cheia do mundo. Para atender a demanda dessa região, em 2005 seria revisado o projeto do Fura Fila. Transformado em Expresso Tiradentes, seria um corredor de ônibus que ligaria a Cidade Tiradentes até o Parque Dom Pedro II, através das avenidas do Estado, Luís Inácio de Anhaia Melo, Sapopemba, Ragueb Chohfi, Estrada do Iguatemi e Avenida dos Metalúrgicos. Após ter seu primeiro trecho concluído entre o Parque Dom Pedro II e a Vila Prudente, a prefeitura decidiu, em 2009, substituir o projeto do corredor no trecho seguinte por um projeto de sistema monotrilho a ser implantado pelo estado. Essa substituição foi motivada por conta da grande demanda de passageiros existente no eixo de implantação do sistema (estimado em cerca de 500 mil passageiros /dia), que não conseguiria ser atendida com o corredor de ônibus proposto.
Em 28 de abril de 2009, o prefeito Gilberto Kassab e o governador José Serra anunciaram convênio para alterar o projeto do corredor de ônibus Expresso Tiradentes, passando então a chamar-se Metrô Leve Expresso Tiradentes. No mês seguinte, uma comitiva conjunta da prefeitura de São Paulo e do governo paulista viajou para a Ásia e conheceu o monotrilho da cidade de Osaka.
O trecho entre as estações Boa Esperança e Hospital Cidade Tiradentes foi definido como "não prioritário". Além disso, a linha seria totalmente concedida à iniciativa privada até o fim de 2018. Em 11 de março de 2019, a linha foi leiloada para o consórcio ViaMobilidade, que também opera a Linha 5 - Lilás e operará a Linha 17 - Ouro. A previsão era de que o consórcio assumisse o ramal entre junho e julho de 2019, ainda com quatro estações faltantes, que ainda não tinham prazo para conclusão. A concessão, porém, foi anulada na justiça paulista em 14 de novembro de 2019, após ação movida pelo Sindicato dos Metroviários.
Implantação do sistema thumb|Monotrilho da Linha 15
Para acelerar o processo de implantação do sistema monotrilho, o governo paulista utilizou-se de uma licitação antiga (datada de 1992) de construção da Linha 2 do Metrô entre a Vila Prudente e o Oratório. Esse plano foi contestado pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, que tentou, sem sucesso, suspender as obras. Por conta do uso de licitação da Linha 2 - Verde, o governo anunciou para a imprensa que a construção dessa linha era a expansão da Linha 2 - Verde. Já o real projeto de expansão da Linha 2 (entre Vila Prudente e a rodovia Dutra) passaria a ser chamado de Linha 15 - Branca. Nos mapas mais recentes sobre a expansão do metrô, essa nomenclatura não estava sendo utilizada, sendo a linha de monotrilho representada de forma independente à Linha 2 - Verde. Na segunda semana de setembro de 2012, o então presidente da Companhia do Metropolitano, Peter Walker, conferiu nova denominação à linha, que agora é oficialmente conhecida como Linha 15 - Prata.
O processo de implantação do sistema monotrilho foi dividido em três fases: TrechoExtensão (km)EstaçõesIntegraçõesInauguraçãoObservaçõesVila Prudente ↔ Oratório2,92Linha 2 - Verde do Metrô / Expresso Tiradentes30 de agosto de 2014Trecho com obras iniciadas em novembro de 2009Em operaçãoOratório ↔ São Mateus9,88Corredor Metropolitano EMTU6 de abril de 2018Trecho com obras iniciadas em 11 de junho de 2012Em operaçãoSão Mateus ↔ Jardim Colonial1,81Corredor Metropolitano EMTU29 de dezembro de 2021Trecho com obras iniciadas 27 de maio de 2019Em operaçãoJardim Colonial ↔ Jacu-Pêssego2,82-2027 (previsto)Trecho em obras desde 24 de fevereiro de 2022Jacu Pêssego ↔ Hospital Cidade Tiradentes6,94Sem previsãoTrecho com construção paralisadaIpiranga ↔ Vila Prudente1,81Linha 10 - Turquesa2027 (previsto)Trecho em obras desde 7 de agosto de 2024
Demanda
Alguns especialistas criticaram a decisão de se utilizar o sistema monotrilho, por causa do seu uso em regiões menos povoadas, da degradação visual do sistema (sendo comparado ao Minhocão) e da baixa capacidade de transporte se comparados aos sistemas de metrô convencionais. Além disso, alguns sistemas de monotrilho como os de Las Vegas, Dubai, Joanesburgo e Moscou se revelariam deficitários, levando as empresas que os operavam a falir ou a contrair grandes prejuízos. O estado rebateria essas críticas apresentado um projeto suficiente para atender a demanda da região, alegando ter um nível de degradação menor que o provocado pelo Minhocão e com implantação mais rápida, se comparado a um sistema de metrô convencional. Também seriam apresentados modelos de sucesso do monotrilho, como o de Tóquio (existente desde 1964) e o de Chonqqing, cidade chinesa com a maior rede de monotrilhos do mundo.
Embora atenda a demanda da região, o monotrilho terá uma demanda acima da já atendida pelos demais sistemas de monotrilhos no mundo, colocando o futuro sistema paulistano como o maior do mundo em número de passageiros transportados por hora (40 mil/hora) e segundo maior por dia (Linha 3 de Chongqing sendo o primeiro). O grande número de passageiros a ser transportado diariamente pelo monotrilho também supera a demanda de outros sistemas de metrô, trem urbano, BRT e VLT.
SistemaDemanda diária (x 1000) / AnoMeio de transporte Monotrilho Vila Prudente - Cidade Tiradentes550 (2016)Monotrilho Linha 2 do Metropolitano de São Paulo537 (2011)Metrô Linha 8 do Trem Metropolitano de São Paulo430 (2011)Trem suburbano Linha 17 do Metropolitano de São Paulo417 (2015)Monotrilhoborder|23px Monotrilho de Chongqing (Linha 2)383 (2009)Monotrilho BART (San Francisco)379 (2012)Metrô Monotrilho de Tóquio (Haneda)311 (2010)Monotrilho Corredor ABD (EMTU)300 (2012)BRT Monotrilho Walt Disney World (Orlando)250Monotrilho Metrô de Belo Horizonte215 (2012)Metrô Monotrilho de Mumbai125 (2016)Monotrilho Monotrilho de Tóquio (Tama)120Monotrilho Monotrilho de Osaka100 (2011)Monotrilho Monotrilho de Wuppertal87Monotrilho Expresso Tiradentes82 (2012)BRT23px Monotrilho de Kuala Lumpur57 (2011)Monotrilho Nota: sistemas em construção estão grifados em itálico.
Passageiros transportados
Passageiros transportados na Linha 15 - Prata por dia Média dos dias úteis (MDU)AnoQuantidadeAnoQuantidade2014N/D (a)202120152022201620232017202420182025 (b)20192020Notas: a - N/D Não disponível b - Recorde de passageiros Fontes: Cia. do Metropolitano de S. Paulo: 2015 2016, 2017 e 2018, 2019 e 2020, 2021 e 2022, 2023 e 2024 2025
Passageiros transportados na Linha 15 - Prata por anoAnoQuantidadeAnoQuantidade2014N/D (a)202120152022201620232017202420182025 (b)2019Total2020Notas: a - N/D Não disponível b - Recorde de passageiros Fontes: Cia. do Metropolitano de S. Paulo(relatórios anuais de 2015 a 2018e demanda de passageiros transportadospor linha em 2019), 2020, 2021 , 2022, 2023 e 2024 2025
Demanda por trecho TrechoDemanda diária (x 1000)Vila Prudente ↔ São Mateus340São Mateus ↔ Hospital Cidade Tiradentes210Vila Prudente ↔ Hospital Cidade Tiradentes550 (Total)
Arquitetura Todas as estações do monotrilho serão elevadas, com alturas variando entre 12 e 15 metros, tendo estruturas pré-moldadas de concreto e cobertura metálica.