A seleção soviética de ginástica artística feminina foi o grupo composto pelas seis atletas principais mais a primeira ginasta suplente. Foram elas as representantes do bloco durante os eventos internacionais.
Até o desmembramento da União Soviética em 1991, As ginastas que a representavam foram a força dominante em todas as competições oficiais das modalidades. Entre os anos de 1952 e 1991, as equipes soviéticas conquistaram quase todas as medalhas coletivas dos Campeonatos Mundiais e Jogos Olímpicos, bem como as dos eventos individuais. Especificamente para a seleção feminina, as exceções coletivas foram os Jogos de 1984 em Los Angeles - no qual não competiram devido ao boicote do Bloco do Leste - e os Campeonatos Mundiais de 1966 (Tchecoslováquia), 1979 (Romênia) e 1987 (Romênia).
Seus maiores destaques durante esses quase quarenta anos foram a ucraniana Larissa Latynina - a maior medalhista na história olímpica (18) -, seguida de Olga Korbut - que deu à ginástica um grande crescimento popularCOLLI, Eduardo. UNIVERSO OLIMPICO: UMA ENCICLOPEDIA DAS OLIMPIADAS. p. 244 - 253. Editora: Conex, Brasil 2002. ISBN 8575940295 - Ludmilla Tourischeva e Nellie Kim. Com a dissolução da União Soviética, a seleção esportiva desmembrou-se para os Jogos Olímpicos de Atlatanta, em 1996. Anteriormente, ainda em fase de organização, a ginástica fora representada, nas Olimpíadas de Barcelona, pela Equipa Unificada.
Como maiores destaques, estão as seleções ucraniana e russa, representadas por ginastas como Tatiana Gutsu, Lilia Podkopayeva, Svetlana Khorkina e Ksenia Semenova. Entre as competidoras individuais, destacou-se a uzbeque Oksana Chusovitina, que compete até os dias atuais.
História: surgimento e evolução Nascida em meio ao regime da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, a história desta seleção teve início após a Grande Guerra Patriótica no bloco e em meio a descentralização do regime da Era Khrushchov-Brejnev, estendendo-se por toda a Guerra Fria, que durou de 1952 a 1991.
Sua primeira aparição deu-se nos Jogos Olímpicos de 1952, realizados em Helsinque, na Finlândia. Desta data em diante, as soviéticas foram a potência dominadora de todas as grandes competições internacionais, que incluíam as Olimpíadas, os Campeonatos Mundiais e os Campeonatos Europeus. A estabilidade econômica e tecnológica desta nova nação refletiu-se nos esportes, nos quais incluía-se a ginástica, tanto que, nos Jogos Olímpicos de 1960 foram quinze as medalhas conquistadas, o que caracterizou a mais bem sucedida campanha entre as disputadas. Um fator importante a ser destacado na evolução da URSS na ginástica, é a história da preparação física de suas atletas, que começou em 1956, antes dos Jogos de Melbourne e após a percepção da intensa preparação física japonesa. Seu conteúdo baseava-se no cansaço físico como aliado ao desenvolvimento da resistência e de possibilidades funcionais, desde que controladas corretamente em treino.
Estes métodos de treinamentos, apesar de rígidos e questionáveis, principalmente após os episódios que vitimaram a atleta Elena Mukhina, foram eficientes a ponto de, em 36 anos de existência, resultarem em 86 conquistas olímpicas em nove edições, incluído um octacampeonato consecutivo, feitos ainda não atingidos, que transformaram as soviéticas na maior potência dominadora da ginástica na época em que se manteve ativa.
Quadro de desempenho Abaixo, o quadro demonstrativo do desempenho das equipes soviéticas ao longo de suas participações em grandes competições internacionais até o último evento – entre Jogos Olímpicos, Campeonatos Mundias e Campeonatos Europeus – realizado. Ao longo de sua competitiva história, nenhuma medalha conquistada fora retirada.
AnoJogos OlímpicosCampeonato Mundial de Ginástica ArtísticaCampeonato Europeu42px|Total de medalhas42px|Total de medalhas195245110 19544116 19564329 1957 5117195855212 1959 2103196055515 1961 4408196243310 196434310 1965 042619663238 1967 0224196832510 1969 1348197032611 1971 64010197243310 1973 5106197455414 1975 123619763418 1977 5241119785319 19791416222619804127 19813328031419833205301419855117513919872316112419883227 1989422841161990 540919913407 Total33292486504027117503625111 Legenda Representa o maior total de medalhas atingido e o maior número de medalhas de ouro conquistadas Representa o maior total de medalhas atingido Representa o maior total de medalhas de ouro atingidos
Aparelhos A seguir, quadro do desempenho em conquistas por aparelhos. Visualizando-se o quadro abaixo, chega-se à conclusão de que as soviéticas são melhor sucedidas nos exercícios de solo, em um somatório geral dos aparatos, em total de medalhas de ouro e em todas as competições, em nível de vitórias. A trave e as barras assimétricas, empatam em desempenho geral, embora as vitórias prevaleçam nas assimétricas em todas as parciais por campeonatos. Por outro lado, o salto apresenta um melhor somatório geral que os dois aparelhos anteriormente citados, além de um maior número de conquistas em Jogos Olímpicos e Campeonatos Mundiais.
Conquistas25px|Solo25px|Barras assimétricas25px|Trave25px|Salto sobre o cavaloJogos Olímpicos 7 6 4 17 3 7 4 14 2 5 6 13 6 5 4 15Campeonatos Mundiais 12 8 5 25 5 7 4 16 2 6 5 13 7 8 5 20Campeonatos Europeus 13 10 4 27 10 6 3 19 9 9 5 23 9 2 5 16Total 32 24 13 69 18 20 11 49 13 20 16 49 22 15 14 51
Seleções Seção dividida por trios de ciclos olímpicos, que marcam da evolução à dissolução da equipe representante do bloco europeu.
Primeiros ciclos (1952 - 1964) Durante os doze primeiros anos, a seleção soviética surgiu e aprimorou-se em formas de treinamento e conquistas. Entre suas ginastas mais destacadas, estavam Polina Astakhova - bicampeã olímpica das barras assimétricas - e Larissa Latynina - tricampeã olímpica do solo e maior medalhista olímpica de todos os tempos até os Jogos de 2008, com dezoito no total.
Jogos Olímpicos 200px|thumb|right|Larissa Latynina, a maior campeã da história dos Jogos Olímpicos Foi nas Olimpíadas de Helsinque, na Finlândia, que a equipe feminina fez sua estréia em competições internacionais de grande porte. Na disputa coletiva, as soviéticas superaram as favoritas tchecas, campeãs da edição anterior, e conquistaram a medalha de ouro com a nota 527,030. No evento seguinte, o concurso geral, as ginastas do bloco europeu foram as medalhistas de ouro e prata, com Maria Gorokhovskaya e Nina Bocharova. Nas finais por aparelhos, em um total de doze medalhas disputadas, as soviéticas conquistaram oito: no salto, a campeã foi Ekaterina Kalintshuk, seguida das compatriotas Gorokhovskaya e Galina Minaitsheva; nas barras assimétricas, Maria fora a segunda colocada, a frente da experiente húngara Ágnes Keleti; na trave, Nina e Maria inverteram as posições do individual geral e subiram ao pódio como primeira e segunda colocadas; na última disputa, do solo, Maria e Margit Korondi foram superadas por Keleti e completaram o pódio com a prata e o bronze. Assim, com o total de seis medalhas, incluídos dois ouros, Maria Gorokhovskaya tornou-se a maior medalhista soviética desta primeira campanha olímpica.
Quatro anos mais tarde, na segunda edição dos Jogos, as Olimpíadas de Melbourne, na Austrália, as soviéticas tornaram-se bicampeãs por equipes ao somarem 444,800 e permanecerem novamente a frente das húngaras, vice-campeãs do evento anterior. No individual geral, a estreante Larissa Latynina superou Ágnes Keleti e a compatriota Sofia Muratova ao totalizar 74,933, 0,300 ponto a frente da segunda ranqueada. Apesar de não subirem ao pódio, Tamara Manina (6), Ludmila Egorova (10), Polina Asthakova (17) e Lidia Kalinina (21) terminaram a disputa entre as 21 primeiras de um total de 65 competidoras. Nos aparelhos, foram duas medalhas a menos que em Helsinque: no salto, a vencedora foi Latynina, seguida da companheira de equipe Tamara Manina; nas assimétricas, Larissa não superou Ágnes e somou pontos para atingir a medalha de prata, a frente de Muratova, medalhista de bronze; na trave, Manina, empatada com a tcheca Eva Bosakova, foi a vice-campeã em prova vencida pela húngara Keleti; e, no solo, última final disputada, Latynina conquistou seu terceiro ouro a frente de Ágnes Keleti.
Na penúltima edição olímpica destes ciclos, deram-se os Jogos de Roma, na Itália. Na ocasião, as ginastas saáram campeãs por equipes. Individualmente, assim como na primeira participação, as soviéticas foram ouro prata e bronze: Larissa Latynina, que somou 77,031 após as rotações nos quatro aparelhos, Sofia Muratova, que totalizou 76,696, e Polina Astakhova, com 76,164. Nos aparelhos, três foram soviéticos: o salto, com Margarita Nicolaeva em primeiro, Sofia Muratova em segundo e Latynina em terceiro; as paralelas assimétricas, com 1 Polina Astakhova na primeira colocação, Larissa na segunda e Tamara Lyukhina na terceira; e, o solo Latynina, Polina e Tamara. Na trave, único aparelho cuja vitória não fora soviétiva, teve duas ginastas da nação: Larissa em segundo e Muratova em terceiro.
Na última edição dos Jogos destes primeiros quatro ciclos, as Olimpíadas de Tóquio, no Japão, as atletas soviéticas foram pela quarta vez consecutiva, as campeãs na prova por equipes. Todavia, no individual geral, pela primeira vez desde sua estréia em Olimpíadas, uma ginasta do bloco não saía vencedora: Larissa Latynina e Polina Astakhova completaram o pódio da disputa vencida pela tcheca Vera Caslavska. Nos aparelhos, as ginastas conquistaram dois ouros. O primeiro, com Astakhova nas barras assimétricas, e o segundo com Latynina, no solo. As provas do salto - cuja soviética melhor posicionada fora Larissa com a medalha de bronze - e da trave - com Latinina e Manina como segunda e terceira colocadas - foram conquistadas por Caslavska..
Desse modo, as atletas encerraram este ciclo com 45 medalhas em quatro edições olímpicas.
Campeonatos Mundiais Neste primeiro ciclo, foram disputadas três edições mundiais, que até 1978 decorriam a cada quatro anos. No primeiro, o Campeonato de Roma, as ginastas conquistaram a medalha de ouro, após superarem as equipes húngara e tcheca, prata e bronze. No individual geral, Galina Rudiko ultrapassou em nota a tcheca Bosakova e a polonesa Helena Rakoczy, para atingir a primeira colocação no pódio. Nos aparelhos, Tamara Manina e Maria Gorokhovskaia foram as medalhistas do solo, com Manina em primeiro e Maria em terceiro, atrás de Eva Bosakova; nas assimétricas, a húngara Keleti foi a vencedora e Rudiko, a segunda colocada;; no salto, Tamara conquistou sua terceira medalha de ouro na competição, e na trave, em disputa vencida pela japonesa Keiko Tanaka, nenhuma soviética subiu ao pódio. Na segunda edição, o Mundial de Moscou, as ginastas Polina Astakhova, Raisa Borisova, Lidia Kalinina, Larissa Latynina, Tamara Manina e Sofia Muratova tornaram o bloco bicampeão da disputa coletiva ao superarem as tchecas e as romenas. No concurso geral, Larissa e Tamara, conquistaram as medalhas de ouro e bronze, respectivamente, tendo Bosakova entre elas, como a medalhista de prata. Nas provas por aparelhos, as barras assimétricas repetiram as colocações do all around e somaram para Latynina sua terceira vitória na competição; no solo, em disputa vencida por Eva Bossakova, Larissa foi a única soviética no pódio, como a segunda colocada; no salto sobre o cavalo, as soviéticas ocuparam as três primeiras colocações: Latynina conquistou sua quarta vitória, enquanto Manina e Kalinina empataram na segunda posição; por fim, na trave de equilíbrio, Larissa Latynina atingiu sua quinta vitória, a sexta medalha, em seis disputadas, já Muratova, completou os pódios com uma medalha de prata.