Huceine Alcurdi (; m. ), designado Mirocém ou Mir-Hocém nas fontes portuguesas, foi um administrador e comandante militar mameluco que serviu como emir e naibe de Gidá no início do . Nomeado pelo sultão Cançu Algauri, destacou-se pela defesa da cidade diante da ameaça portuguesa no Mar Vermelho, tendo promovido a construção de suas fortificações, e participou de operações militares no Iêmem. Após a conquista do sultanato mameluco pelo Império Otomano, permaneceu brevemente no governo de Gidá, mas foi morto por ordem do xarife de Meca, incumbido pelo sultão de eliminá-lo.
Vida
Mirocém Alcurdi foi nomeado emir e naibe de Gidá pelo sultão mameluco Cançu Algauri no início do . Sua atuação ocorreu num período em que a expansão portuguesa pelo oceano Índico e pelo Mar Vermelho ameaçava as rotas marítimas e os portos da região. Participou com Meliqueaz como líder da frota mameluca que, na Batalha de Chaul de 1508, enfrentou e derrotou a frota de Lourenço de Almeida, filho do então vice-rei da Índia Francisco de Almeida. Na sequência dessa batalha, foi combatido e derrotado por Francisco de Almeida, que em 1509 investiu contra Mirocém na Batalha de Diu, procurando assim vingar a morte de seu filho. Diante da ameaça portuguesa, Algauri ordenou que Mirocém reforçasse as defesas de Gidá. Em 916 A.H. (1511), iniciou a construção de uma fortificação na cidade, concluída com o auxílio do xarife de Meca. A obra, erguida em nove meses segundo a TDV İslâm Ansiklopedisi, continuou a desempenhar importante função defensiva depois da incorporação de Gidá ao Império Otomano e permaneceu de pé até ser demolida pelas autoridades sauditas em 1948.
As fontes utilizadas por Aydeniz caracterizam Mirocém como um homem corajoso e audacioso, mas também registram sua impopularidade e acusações de crueldade contra a população. Durante a construção das fortificações de Gidá, teria submetido os trabalhadores a maus-tratos, episódio que posteriormente contribuiu para a hostilidade contra ele. Mirocém também atuou militarmente ao lado do navegador Salmane Reis, com quem participou de conquistas e obteve despojos, embora os dois tenham posteriormente entrado em conflito. Depois da conclusão das fortificações, Mirocém envolveu-se nos acontecimentos do Iêmem. Segundo a narrativa reunida por Aydeniz, o emir de Adem havia prometido contribuir para uma solicitação de auxílio proveniente da Índia. Quando o apoio esperado não foi fornecido, Mirocém marchou contra Adem e o Iêmem e entrou em Zabide. Ao regressar, em 11 de Rajabe de 922 A.H. (10 de agosto de 1516), transportou para seus navios bens, provisões e riquezas obtidos durante a campanha. As fontes citadas por Aydeniz também o acusam de ter confiscado propriedades da população após retornar a Gidá.
A conquista do Sultanato Mameluco do Cairo pelo sultão otomano alterou a posição de Mirocém. Depois da incorporação do Egito ao Império Otomano, permaneceu por breve período à frente de Gidá e procurou manter boas relações com Baracate II. Quando o xarife enviou seu filho ao encontro de Selim para declarar sua submissão, contudo, o sultão determinou que Mirocém fosse eliminado e encarregou Baracate de executar a ordem. A TDV registra igualmente que uma das primeiras medidas tomadas após a submissão do Hejaz aos otomanos foi a morte do naibe de Gidá por ordem do xarife de Meca. Quando Abu Numai, filho de Baracate, retornou a Meca, Mirocém participou da cerimônia realizada no Harame para a concessão do diploma de investidura do xarife. Logo após a cerimônia, foi detido sob o pretexto de que seria enviado a Selim I. Escoltado por alguns homens em direção a Gidá, foi morto antes de alcançar o porto: por ordem de Baracate II, uma pedra foi amarrada a seus pés e Mirocém foi lançado ao mar. Após sua morte, Selim nomeou para o governo de Gidá o comerciante de Meca Cácime Axiruani, que assumiu efetivamente o cargo em 925 A.H. (1519).
Bibliografia
Categoria:Pessoas do Sultanato Mameluco do Cairo Categoria:Pessoas do Império Otomano Categoria:História de Gidá