A eleição presidencial do Brasil de 1894 foi a segunda eleição presidencial e a primeira eleição direta do país. Foi realizada em 1º de março. Nessa eleição, os estados do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina não participaram devido à Revolução Federalista (1893-1895). Essa eleição marca o fim da República da Espada (1889-1894) dos governos militares de Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto, marcando assim, o início da República Oligárquica (1894-1930) dos governos civis que na maioria das vezes representaram os interesses dos grandes cafeicultores.
Contexto Histórico O governo constitucional de Deodoro da Fonseca (aliado dos antigos conservadores do Império https://www.stoodi.com.br/blog/historia/quem-foi-marechal-deodoro/) foi marcado por forte tensão política entre suas tendências centralizadoras e as inclinações federalistas da sociedade civil e de parte dos militares, que levou à dissolução do Congresso Nacional. Sob a ameaça da Primeira Revolta da Armada, Deodoro renunciou à presidência em 23 de novembro de 1891.
Eleito vice-presidente em fevereiro de 1891, o veterano da Guerra do Paraguai e marechal Floriano Peixoto (que durante o período monarquico fora ligado ao Partido Liberal) https://atlas.fgv.br/verbetes/floriano-peixoto torna-se presidente do Brasil em novembro do mesmo ano, face à renúncia do então presidente Deodoro da Fonseca, em meio a uma grave crise política.
Seu governo foi marcado por um intenso clima de rebeliões. Em 1892, foi publicado o Manifesto dos 13 generais, que tinha por finalidade contestar a legitimidade do governo de Floriano — constitucionalmente, ele deveria convocar novas eleições, em vez de assumir a presidência até o término do mandato de Deodoro. A Segunda Revolta da Armada, resultado de diversos conflitos entre o Exército e a Marinha, e a Revolução Federalista, crise política de ideais federalistas que buscavam depor o governador gaúcho Júlio de Castilhos, eclodiram ambos em 1893. Floriano debelou estes conflitos violentamente, consolidando-se no poder, o que lhe fez ganhar a alcunha de "Marechal de Ferro".
Apesar da constituição de 1891 versar no artigo 42 novas eleições quando o presidente renunciasse antes de dois anos, Floriano permaneceu em seu cargo, alegando que a própria constituição abria uma exceção, ao determinar que a exigência só se aplicava a presidentes eleitos diretamente pelo povo, assumindo assim o papel de consolidador da República.
Na sucessão presidencial os "governistas" apoiaram Prudente de Moraes, candidato vitorioso no pleito de 1894. O florianismo "de rua", entretanto, defendia a continuidade de Peixoto no poder, mas diante do resultado inverso subsistiu como força política de oposição ao novo governo até a morte de Floriano Peixoto em 29 de junho de 1895, sete meses depois de entregar o governo ao sucessor. Outra corrente de oposição a Prudente de Moraes seriam os monarquistas remanescentes.
Processo eleitoral da República Velha (1889-1930)
De acordo com a Constituição de 1891 que vigorou durante toda a República Velha (1889-1930), o direito ao voto foi determinado a todos os homens com mais de 21 anos que não fossem analfabetos, religiosos e militares. Mesmo tendo o direito de voto estendido a mais pessoas, pouca parcela da população participava das eleições.Cidadania no Brasil: o longo caminho. José Murilo de Carvalho. Página 40. Google Books. Acessado em 14/10/2011. A Constituição de 1891 também declarou que todas as eleições presidenciais seriam realizadas em 1º de março.Constituição dos Estados Unidos do Brasil de 1891. Art. 47. Wikisource. Acessado em 14/10/2011.
Durante a República Velha, o Partido Republicano Paulista (PRP) e o Partido Republicano Mineiro (PRM) fizeram alianças para fazer prevalecer seus interesses e se revezarem na Presidência da República, assim, esses partidos na maioria das vezes estiveram a frente do governo, até que essas alianças se quebrassem em 1930. Essas alianças são chamadas de política do café com leite.Política do café com leite. História do Brasil - UOL Educação. Acessado em 14/10/2011.
Nessa época, o voto não era secreto, e existia grande influência dos coronéis - pessoas que detinham o Poder Executivo municipal, e principalmente o poder militar da região. Os coronéis praticavam a fraude eleitoral e obrigavam as pessoas a votarem em determinado candidato. Com isso, é impossível determinar exatamente os resultados corretos.Coronelismo. História do Brasil - UOL Educação. Acessado em 14/10/2011.
Candidaturas Duzentos e três (203) nomes foram indicados a presidência, os dois principais foram o advogado Prudente de Morais, ex-membro do Partido Liberal do período monarquíco e um republicano histórico, sendo membro do Partido Republicano Paulista desde o ano de 1873, apoiado pelo governo do presidente Floriano Peixoto, e o também advogado Afonso Pena, também ex-membro do Partido Liberal e que somente se filiou a um partido republicano (o Partido Republicano Mineiro) após a proclamação da república, sendo na época o principal representane da oposição. Para vice-presidente trezentos e trinta e cinco (335) nomes foram indicados, os três principais foram Manuel Vitorino Pereira, José Luís de Almeida Couto e José Paes de Carvalho.
Resultados Em 1894, com uma população de aproximadamente quinze milhões e quatrocentas mil pessoas (15.400.000), sendo um milhão e cinquenta mil eleitores (1.050.000), apenas 356 mil (356.000) compareceram à eleição, representando 2,2% da população.
Eleição para presidente do Brasil em 1894 Eleição para vice-presidente do Brasil em 1894CandidatoVotosPorcentagemCandidatoVotosPorcentagem Prudente de Morais 290.883(a) 88,38%(a) Manuel Vitorino Pereira 266.060(c) 78,36%(c) Afonso Pena 38.291 11,32% José Luís de Almeida Couto 31.819 9,37% José Cesário de Faria Alvim 3.719 1,08% José Paes de Carvalho 21.160 6,23% Rui Barbosa 3.718 1,08% Gaspar da Silveira Martins 2.467 0,72% José Luiz de Almeida Couto 3.437 0,99% Outros 33.912 9,99% Lauro Sodré 1.876(b) 0,54%(b) Outros 3.092 0,89% Votos nominais 345.016 Votos nominais 355.418 Votos brancos/nulos 10.903 Votos brancos/nulos 16.464 Total 355.919 Total 371.882 Fonte:Eleições Presidenciais - 25 de março de 1894 (Quinta-feira). "Pós 1945". Acessado em 14/10/2011
(a) O professor Walter Costa Porto evidencia 276.583 votos para Prudente. (b) O professor Walter Costa Porto evidencia 1.983 votos para Lauro Sodré. (c) O professor Walter Costa Porto evidencia 249.638 votos para Manuel Vitorino. Nota geral: os valores são incertos (ver processo eleitoral).
Bibliografia PIRES, Aloildo Gomes. ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS NA PRIMEIRA REPÚBLICA - UMA ABORDAGEM ESTATÍSTICA. Salvador: Autor (Tipografia São Judas Tadeu), 1995. PORTO, Walter Costa. O VOTO NO BRASIL: DA COLÔNIA À QUINTA REPÚBLICA (HISTÓRIA ELEITORAL DO BRASIL). Brasília: Senado Federal, 1989. DEPARTAMENTO DE PESQUISA DA UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ. PRESIDENTES DO BRASIL (DE DEODORO A FHC). São Paulo: Cultura, 2002.
1894 Brasil Categoria:1894 no Brasil Categoria:Prudente de Morais