O hermafroditismo (forma adjetiva: hermafrodita), ou monoicia (forma adjetiva: monoico), se refere ao fenômeno no qual o mesmo indivíduo pode funcionar tanto como macho ou fêmea, ou seja, cada animal pode conter ovários e testículos e, desse modo, é capaz de produzir ovócitos e espermatozoides (ainda que não necessariamente ao mesmo tempo). Quando os gametas masculinos e femininos estão presentes ao mesmo tempo no animal, diz-se esse ser “hermafrodita simultâneo”, mas em outros casos existe uma reversão do sexo funcional durante o ciclo de vida e o animal é dito “hermafrodita sequencial”. miniaturadaimagem|Indivíduos hermafroditas (Oligochaeta) realizando fecundação cruzada. (Autor:Jackhynes). Dentro do hermafroditismo sequencial, podemos encontrar o hermafroditismo sequencial protândrico, ou simplesmente protandria (do grego, proto, “primeiro”; e andro, “macho”), por meio da qual um indivíduo é primeiramente um macho funcional, mas depois torna-se uma fêmea funcional,por meio de alterações sexuais, ao longo da vida. Além disso, também há a situação contrária, que é menos comum, onde o indivíduo primeiramente é fêmea e depois se torna macho, sendo conhecida como hermafroditismo sequencial protogínico, ou, simplesmente protoginia (do grego, gynos, “fêmea”).

Hermafroditismo em invertebrados

Filo Porifera A reprodução sexual dos integrantes do filo porifera apresenta uma série de característica peculiares. Existem tanto espécies hermafroditas, como gonocoristas, embora a maioria delas seja hermafrodita, produzindo espermatozoides e óvulos, em épocas diferentes. Esse hermafroditismo sequencial pode adquirir a forma de protoginia ou protandria, e a mudança de sexo pode ocorrer apenas uma vez, ou o organismo pode alternar repetidamente entre as formas masculinas e femininas. Em algumas espécies, os organismos parecem ser permanentemente machos ou fêmeas. Em outras, alguns organismos  são permanentemente gonocoristas, enquanto outros, da mesma população, são hermafroditas.

Em todos os casos, a fecundação cruzada  provavelmente é regra. Os óvulos e espermatozoides originam-se a partir de coanócitos e arqueócitos. A produção de gametas, dependendo das espécies, parece ter início devido à temperatura da água, fotoperiodismo ou regressão celular. Os espermatozoides abandonam a esponja através das correntes de água e penetram em outras esponjas da mesma forma. Depois do espermatozoide ter chegado a uma câmara flagelada, ele penetra em coanócito, que o transporta para um óvulo. Quando a célula transportadora e seu espermatozoide atingem o óvulo, a célula transportadora se funde a ele e transfere seu espermatozoide.

Filo Cnidaria

Subfilo Anthozoaria

Classe Anthozoa Os antozoários são tipicamente gonocoristas, embora a maioria dos corais escleractíneos seja hermafrodita. As espécies hermafroditas são protândricas.

O hermafroditismo é mais comum nos antozoários do que nos Medusozoa, mas as colônias podem conter pólipos machos e fêmeas, ouhermafroditas de acordo com a espécie. É muito comum a existência de hermafroditismo sequencial, ou seja, separação temporal na produção de gametas masculinos e femininos, em um mesmo indivíduo.

Subfilo Medusozoa

Classe Hydrozoa Os Hydrozoa se reproduzem sexuadamente, sendo a maior parte das espécies gonocóricas.

Classe Scyphozoa Com poucas exceções, os cifozoários são dioicos.

Filo Ctenophora Com exceção de duas espécies gonocóricas de Ocyropsis, todas as espécies de ctenóforos são hermafroditas.

As gônadas se formam nas paredes dos canais meridionais, ou em seus divertículos, e os gametas femininos ficam de um lado e os masculinos, de outro. Os gametas são liberados para o meio exterior pelos gonodutos e gonóporos (um, dois, ou mais poros, conforme a espécie). Os óvulos são liberados logo após os espermatozoides. A fecundação é, portanto, externa, havendo grande possibilidade de autofecundação. Contudo, fecundação cruzada certamente ocorre, sobretudo entre as espécies que formam agregações.

Filo Xenacoelomorpha A maioria dos acelos é constituída de hermafroditas simultâneos, embora alguns sejam protândricos. Os ovários e testículos podem ou não ser pareados, mas os testículos geralmente são dorsais e os ovários, ventrais.

Filo Chaetognatha Os quetognatos são hermafroditas com um par de ovários, no tronco, e outro de testículos, na cauda. Os grupos de espermatogônias são liberados dos testículos, no celoma da cauda, onde circulam, enquanto os espermatozoides maturam.

Filo Platyhelminthes

Classe Turbellaria Todos os turbelários, exceto por poucas espécies parasitas especializadas, são hermafroditas.

As gônadas são em forma de saco e encerradas em um epitélio, sendo, dessa forma, separadas, do parênquima circundante. Os sistemas masculinos e feminino são complexos e variáveis, porém podem ser generalizados. A parte masculina do sistema consiste em um par de testículos, cada um dos quais leva a um duto espermático, uma vesícula seminal (uma bolsa para armazenar seu próprio esperma) e um pênis (órgão copulador). A parte feminina é especializada, com um gonóporo (vagina), bursa copulatória e receptáculo seminal.

Reproduzem-se por meio de copulação e fertilização internas. Produzem poucos ovos e têm desenvolvimento indireto, com larva planctônica.

Classe Trematoda Como os platelmintos de vida livre, os trematódeos são hermafroditas e, geralmente, fazem fecundação cruzada mútua. A autofecundação ocorre apenas em casos raros.

O sistema masculino inclui uma quantidade variável de testículos (em geral, muitos, nos trematódeos e monogêneos, e dois em digêneos), mas todos drenam para um espermoduto comum, que leva a um aparelho copulatório, geralmente um cirro eversível.

O sistema reprodutor feminino, geralmente, tem um único ovário, ligado por um oviduto curto à região conhecida como oótipo.

Classe Monogenea Os Monogenea são hermafroditas, mas incapazes de autofecundação. O sistema masculino pode apresentar testículo único e pós-ovariano, ou múltiplos testículos intercecais. O sistema feminino é formado por ovário, com formato variado, oviduto, que pode circundar o ceco direito, receptáculo seminal, oótipo pouco diferenciado, glândulas de Mehlis e útero.

Classe Cestoda Como outros platelmintos, os cestóides são hermafroditas e fazem fecundação cruzada mútua, quando existem parceiros sexuais disponíveis. Contudo, alguns cestóides são conhecidos por sua capacidade de autofecundação.

Os testículos são numerosos. Alguns estão dispersos por todo o mesênquima, mas a maioria concentra-se ao longo das margens laterais. Túbulos coletores levam dos testículos a um único espermoduto enrolado, que se estende lateralmente (na forma de uma vesícula seminal), até um cirro, abrigado dentro de um saco do cirro muscular. O sistema masculino se abre para um átrio genital comum.

O sistema feminino geralmente inclui dois ovários, dos quais um oviduto se estende para um oótipo circundado pelas glândulas de Mehlis. O útero é um saco em fundo cego, ramificado que se estende do oótipo. Um ducto estende-se do gonóporo feminino, no átrio genital, para o oviduto; sua junção com o oviduto, perto do tubo, é dilatada na forma de um receptáculo seminal. A parte do ducto que está perto do átrio genital é chamada vagina.

Filo Gastrotricha A maioria das espécies de gastrótricos é hermafrodita, ou mostra uma combinação hermafrodita-partenogenética. O sistema masculino inclui um ou dois testículos, com espermodutos associados, que levam a um ou dois gonóporos ventrais pareados. O sistema feminino inclui um ou dois ovários, na região posterior do corpo.

Filo Nemertea A maioria dos integrantes do filo Nemertea são dioicos, existindo hermafroditismo principalmente entre os hoplonemertinos terrestres e de água doce. O sistema reprodutor é simples.

Filo Mollusca

Classe Solenogastres/Neomeniomorpha Os Solenogastres apresentam uma única gônada dorsal, que se abre no pericárdio, em cuja região posterior inicia­-se um ducto (celomoduto), que transporta os gametas para a cavidade palial. Esses animais são hermafroditas protândricos, ou seja, a gônada produz gametas masculinos, quando os animais são jovens, e gametas femininos, quando mais velhos.

Classes Caudofoveata, Polyplacophora, Monoplacophora, Cephalopoda e Scaphopoda Os Caudafoveata, Polyplacophora, Monoplacophora, Cephalopoda e Scaphopoda são dioicos.

Classe Gastropoda A maioria dos gastrópodes é dioica, mas algumas espécies são hermafroditas simultâneos, protândricos ou partenogênicos.

Os opistobrânquios são hermafroditas simultâneos, com um extraordinário complexo de estruturas reprodutivas. Alguns nudibrânquios são hermafroditas protândricos. A cópula dos opistobrânquios é recíproca, ou seja, um insere o pênis no poro feminino do outro, havendo uma troca mútua de espermatozoides. Os ovos fecundados são depositados no ambiente, em cordões, ou fitas envoltas por uma grossa matriz gelatinosa.

Classe Bivalvia Os bivalves podem ser gonocóricos ou hermafroditas, sendo a maioria gonocórica.

Filo Annelida Os integrantes do filo Annelida são primitivamente animais gonocóricos, que liberam gametas através dos seus metanefrídios. As gônadas segmentares são agregados submesoteliais de células germinativas, que são liberadas e armazenadas nas cavidades celômicas (em indivíduos sexualmente maduros, as cavidades celômicas encontram-se completamente preenchida por gametas). A maioria dos anelídeos é gonocorística. O hermafroditismo é conhecido em alguns sabelídeos, serpulídeos, certos nereídeos de água doce e, em casos isolados, em outros clados, mas é encontrado principalmente em todos os clitelados.

Classe Polychaeta A maioria dos poliquetos é gonocórica, existem alguns anelídeos poliquetos hermafroditas, incluindo muitos vermes sabelídeos e serpulídeos. Na maioria desses, os segmentos abdominais anteriores produzem óvulos e os posteriores produzem espermatozoides. Entretanto, em Branchiomma, os espermatozoides e os óvulos são formados nos mesmos segmentos. Os raros casos de poliquetas hermafroditas são considerados especializações secundárias, uma vez que o grupo é primordialmente dioico. Em casos ainda mais raros, pode ocorrer protandria ou protoginia.

Classe Clitellata miniaturadaimagem|Oligochaeta sp. (Autor: Yosri).

Subclasse Oligochaeta Os oligoquetos são todos hermafroditas, possuindo gônadas distintas e bem desenvolvidas, e número de segmentos reprodutivos bastante limitado, ou seja, as gônadas são restritas a alguns segmentos genitais.

Na maioria dos grupos aquáticos, geralmente, observa-se um segmento ovariano e outro testicular. Em famílias terrestres, podem existir dois segmentos masculinos. Os segmentos reprodutores encontram-se na metade anterior do verme, e o segmento ou segmentos femininos estão localizados atrás dos masculinos. A localização exata dos segmentos férteis ao longo do tronco varia nas diferentes famílias.

Os ovários e testículos, sempre aos pares, estão situados nos segmentos férteis, na parte inferior do septo anterior, e se projetam no celoma. Como nos poliquetas, os gametas são liberados pelas gônadas como gametogônias e a maturação ocorre principalmente no celoma, onde os gametas não estão aderidos. Entretanto, nas minhocas, os óvulos desprendem-se como oócitos.