miniaturadaimagem|Estatua do Jaguar trouvé à Oaxac A(s) Língua(s) Zapoteca(s) é um grupo de Línguas mesoamericanas muito próximas entre si faladas pelos Zapotecas das regiões elevadas do centro-sudoeste do México. Hoje, estima-se que mais de 500 mil pessoas falem essas línguas, na sua maioria no estado do Oaxaca. Comunidades falantes de ‘’Zapoteca’’ podem ser encontradas também nos estados mais próximos como Puebla e Guerrero. A emigração para os Estados Unidos de Zapotecas nativos resulta numa certa quantidade de falantes dessas línguas no país, em especial na Califórnia.
Nome O nome do próprio idioma Zapotec varia de acordo com a variante geográfica. Por exemplo, em Juchitán (Istmo) é chamada Diidxazá ,Pickett et al. (2007), em Mitla é Didxsaj ,Stubblefield & Stubblefield (1991:18) em Zoogocho é Diža'xon ,Long & Cruz (1999) e em Santa Catarina Quioquitani é Tiits Së Ward, Zurita Sánchez & Marlett (2008)A simbologia IPA para vogal laringealizada não existe. A primeira parte dessas expressões é a palavra que significa "palavra" (Diid), por vezes reduzida para se adaptar à palavra composta.
Classificação Externa Zapotec e sua correlata Língua chatina forma juntas as Línguas Zapotecanas da família das Línguas Oto-mangueanas, as quais ainda se classificam como Línguas mesoamericas, numa convergência linguística que se desenvolveu por milênios de interação entre povos da América Central. Como consequência, os idiomas adquiriram características de línguas da área cujas gênesis eram diversas. Interna Não há uma única Língua zapoteca. A divergência dos dialetos falados pelas diversas comunidades Zapotecas é grande e complicada.Ver Marlett (2009) para os dados dos diversos dialetos apresentados numa única tabela. Muitas das variantes não são inteligíveis entre si, enquanto que há outras com várias similaridades. Há, por vezes, grandes diferenças, com escassa inteligibilidade, mesmo entre comunidades hoje geograficamente bem próximas. Desse modo, as variantes não formam um "continuum" no seu senso estrito.Ver Egland (1983:66-81) para relatório dos resultados dos testes de inteligibilidades mútuas feitas nas comunidades, na comparação feita entre as diversas variáveis. Nenhum outro estudo desse tipo foi feito nas áreas Zapotecas. O estudo de Egland é a base para as listas Ethnologue acerca do dialetos. A partir daí, o governo mexicano passou a reconhecer cerca de sessenta línguas Zapotecas.Instituto Nacional de Lenguas Indígenas. 2008. “Catálogo das línguas indígenas nacionais: Variantes linguísticas do México com suas autodenominações e referências geo-estatísticas”. http://www.inali.gob.mx/catalogo2007/html/v_zapoteco.html.
As línguas e/ou dialetos Zapotecas podem ser agrupados em quatro grandes grupos geográficos: Zapoteco "de la Sierra Norte" - da região montanhosa de Oaxaca, e de "Sierra Madre" norte. Zapoteca do Vale de Oaxaca Zapoteco "de la Sierra Sur" - da região montanhosa sul de Oaxaca, e de "Sierra Madre" Sul.. Zapoteca do Istmo de Tehuantepec.
Há certas características que servem para classificar as variantes Zapotecas de forma independente das divisões geográficas. Uma dessas é a distinção entre raízes dissilábicas e monossilábicas. O proto-Zapoteca tinha raízes dissilábicas; a vogal da segunda sílaba pode ser qualquer uma das vogais da língua. Uma inovação que se apresenta em muitas das variantes Zapotecas é a perda (ainda que parcial) dessa vogal da segunda sílaba. A palavra para 'água' ilustra bem esse fato. Nas variantes mais conservadoras as vogal da segunda sílaba se mantém: /nisa/ em Zapotec do Istmo - /inda/ em Zapoteca de Sierra de Juárez, por exemplo. Nas variantes mais novas, a vogal desapareceu: /nis/ em Zapotec Amatlán e Mitla Zapotec, por exemplo: A perda da vogal /i/ com frequência resultou em consoantes palatizadas; a perda da vogal /u/ muitas vezes resultou em constantes labializadas. Ver, por exemplo, a palavra "cão" nas variantes conservadoras (Istmo /beʔkuʔ/, Sierra de Juárez /bekuʔ/) e nas mais modernas (Amatlán /mbak/ e Mitla /bæʔkʷ/). Nesse caso particular , a palavra do Amatlán não apresenta consoante labializada no fim e, ao contrário, a palavra da variante mais recente, Yatzachi, mantém a vogal final: /bekoʔ/. Essas são as complexidades nas comparações entre diferentes formas do Zapoteca.
Outra característica que distingue as variantes Zapotecas é a presença ou não de contraste entre alveo-palatais fricativas e retroflexivas fricativas. As variantes mais modernas introduziram esse contraste que inexiste nas variantes mais conservadoras.Fernández de Miranda 1995.
Fonética Fortis / Lenis Nas Línguas Zapotecas, a forma de consoantes "fortis" corresponde tipicamente à característica de mudez, pouca sonoridade, e ainda extra-longas em sonorantes e em obstruentes. Por sua vez, a forma lenis corresponde a sonoridade com menores durações nas sonorantes e obstruentes. Além disso, as vogais tônicas antes das consoantes lenis podem ser um pouco ou mesmo bem mais longas das que ficam antes de consoantes fortis.Ward, Zurita Sánchez and Marlett (2008), Pickett, Villalobos & Marlett (2008)
Consoantes retroflex Em algumas variantes Zapotecas há contrastes entre as alveopalatais fricativas e as retroflez fricativas. Em outras, essa distinção desapareceu, mantendo-se uma ou outra, dependendo das palavras.
Tons As língua Zapotecas são tonais, como o são geralmente as Otomangueanas. Diferem em quantidade de tons contrastantes. Como exemplo, temos a língua Zapotecana Texmelucan Zapotec, com seus quatro tons constrastantes, três de contorno e um de nível.
Fonação As línguas Zapotecas apresentam diferenças entre vogais por fonações contrastiva. No mínimo apresentam vogais simples contrastando com larigealizações e sons mais crepitantes. Isso ocorre, por exemplo em Zapotaca Quioquitani.Ward, Zurita Sánchez and Marlett (2008) (Essas vogais são indicadas com uma glotal "stop"; como não há aqui um símbolo para isso, usa-se uma sobrescrita glotal "stop" com símbolo reverso). Outras têm contrastes entre vogais simples, laringealizadas "checked" (que soam com terminam numa glotal "stop"); Isso ocorre no Zapoteca do Istmo, por exemplo. Pickett, Villalobos & Marlett (2008) Outras apresentam contrastes entre esses tipos e as vogais mais respiratórias. Nesse caso está o Zapoteca Mitla ZapotecStubblefield & Stubblefield (1991) e o de San Lucas Quiaviní Zapotec.Munro & Lopez, et al. 1999
Tonicidade Variedades descritas como apresentando várias tonicidades, como a do Istmo, têm essas tonicidade na penúltima sílaba da raiz. Os prefíxos e as clíticas não afetam essa regra. Muitas das variantes, porém, têm raízes monossilábicas e a acentuação cai nessa sílaba.
Gramática As línguas Zapotecas apresentam características bem váriaveis de gramática, conforme suas variantes. Características comuns a uma família de línguas (não necessariamente, porém, em todas as línguas) podem ser: extenso inventário de pronomes da terceira pessoa em função de classes de substantivos, tais como divindades, bebês, animais, objetos inanimados, etc. Há também distinções para a primeira pessoa do plural, que pode ser inclusiva (inclui com quem se fala) ou exclusiva (não inclui o interlocutor). Há muitas vezes indefinições quanto a singular ou plural.
Ordem das palavras Clausal Em Zapotec a ordem das palavras é VSO (Verbo-Sujeito-Objeto). Ver exemplo a seguir de Zapoteca de San Dionisio Ocotepec (Broadwell 2001):
Ù-dììny Juáàny bèʔcw. completivo - atingir Juan cão 'Juan atinge o cão'
Embora a ordem básica apresente o Verbo no início da sentença, todas as línguas Zapotecas apresentam posições "pré-verbais para indicar elementos de Tópico, Foco, Negação e/ou Interrogação. O exemplo a seguir se refere ao Zapoteca de Quiegolani (Black 2001) e mostra o elemento em "foco" e um Advérbio antes do Verbo:
Laad ʂ-unaa Dolf d͡ʒe z-u nga.FOCO POSSESSIVO-mulher Rodolfo já PROGRESSO-estar em pé ali ‘A mulher de Rodolfo já se encontra ("em pé") ali.’
A posição pre-verbal para interrogativo é mistrada no exemplo abaixo, do Zapoteca de San Dionisio Ocotepec (Broadwell 2001). Trata-se uma mostra de palavras, formas, interrogativas Túú ù-dììny bè'cw? quem completivo - atingir cão 'Quem atingiu o cão?'
Ordem das palavras - outros exemplos
O substantivo que é de posse de alguém precede quem o possui, conforme ocorre nas línguas onde a palavra principal fica no início:
/betswiˤn/ bæˤdirmão mais novo Pedro ‘Irmão mais novo de Pedro’ (Mitla Zapotec)Stubblefield & Stubblefield 1991:200)
niˤ bæˤdpéPedro ‘Pé de Pedro’ (Mitla Zapotec)
O substantivo precede uma sentença resumida, o que é outro modo de indicar o possessor para o caso de substantivos que não são natural nem obviamente possuídos:
biˈsjaˤ [ ʃten bæˤd ]feijão [ possePedro ] ‘Feijão do Pedro’ (Mitla Zapotec)
ʐoaʔ [ dʒeʔ bed ] milho [ ofPedro ] ‘Milho de Pedro’ (Zoogocho Zapotec)Long & Cruz 1999:411)
O exemplo acima também ilustra que as línguas Zapotecas apresentam frases preposicionais, o que ocorre nas línguas de núcluo principal no início.
Numerais quantificadores, incluindo os números e também a palavra um usada como artigo indefinido, também precedem o substantivo.
tjoʔp beʰnː duas pessoa ‘duas pessoas’ (Mitla Zapotec)Stubblefield & Stubblefield 1991:208)
Demonstrativos, incluindo os que significam algo já mencionado (em algumas variantes), o qual muitas vezes é traduzível como artigo definido, ficam sempre no fim da frase (assim, por vezes são escritos como sufixos). niˈgiˤ ɾe homem este ‘este homem’ (Mitla Zapotec)Stubblefield & Stubblefield 1991:209)
Adjetivos descritivos ficam depois do Substantivo e quando ocorrem carregam a maior acentuação, a ênfase, da sentença. Assim, o substantivos perdem algumas caracteríticas de fonação. Observe-se a perda da característica respiratória da palavra /beʰnː/ no exemplo a seguir: benː sjoˤl pessoa alta ‘pessoa alta’ (Mitla Zapotec)
Morfologia verbal Passiva Poucas das variantes Zapotecas têm morfologia passiva, por meio de prefixo no verbo. Por exemplo, em Zapoteca Texmelucan a raiz /o/ 'comer' tem como raiz passiva /dug-o/ 'ser comido', com o prefixo apassivador /dug-/.Speck 1978:32, simplificando algo. Em muitos outros casos, os pares de verbos transitivos-intransitivos são descritos apropriadamente como causativos versus não-causativos e não como pareas de transaistivos-passivos.
Causativa A maioria ou talvez todas variantes das línguas Zapotecas apresentam pares de verbos intransitivo-transitivos que são analisáveis como causativos / não-causativos. A derivação pode ser óbvia ou ainda não depender dos sons envolvidos. Nos casos mais simples, a forma causativa é facilmente percebível com um prefixo, cognato com /s-/ ou com /k-/. Isso, porém, pode requerer o uso da vogal temática /u/, como nos exemplo a seguir da Zapotaca Mitla.Stubblefield and Stubblefield (1991:227)
Raiz do verbo Base Indicador - Causativo /juʔ/ ‘entrar’ /u-s-juʔ/ ‘colocar dentro' (i.e. 'fazer entrar') /ja/ ‘ser limpo’ /u-s-ja/ ‘limpar' (i.e., 'fazer ficar limpo')
Deixando de lado as análises abstratas, como a consideração de que há um prefixo /k-/ "subjacente" que causa mudanças perceptíveis, os seguintes exemplos podem ilustrar os tipos de pares de "Não-causativo / causativo": (Verbos Intransitivos Básicos são mais comuns do que verbos Transitivos Básicos, como ocorre em muitas línguas) A presença da vogal temática /u-/ deve ser percebida nos verbos causativos que, em alguns casos, é a única diferença entre os verbos. Mitla Zapotec (Stubblefield & Stubblefield 1991) Um exemplo de dupla causativa é incluído aqui a seguir, o que não é possível em todas as variantes.