miniaturadaimagem|Liszt em 1843 Lisztomania ou febre de Liszt foi o intenso frenesi motivado pelo compositor húngaro Franz Liszt durante suas apresentações. A primeira vez em que se registrou tal frenesi ocorreu em Berlim em 1841, tendo o termo sido criado mais tarde por Heinrich Heine em um folhetim escrito por ele em 25 de abril de 1844, ao discutir a temporada de concertos daquele ano em Paris. Lisztomania foi caracterizada por níveis elevados de histeria de fãs, comparável ao tratamento dado às celebridades da música na atualidade, mas em um tempo não conhecido por tal agitação musical.
Contexto Franz Liszt começou a ter aulas de piano aos sete anos com seu pai Adam Liszt, um músico talentoso que tocava piano, violino, violoncelo e violão, além de ter conhecido pessoalmente compositores do quilate de Joseph Haydn, Johann Nepomuk Hummel e Ludwig van Beethoven. Aos 11 anos, Franz Liszt já compunha e se apresentava em concertos. Enquanto amadurecia, Liszt continuava a estudar e a desenvolver sua capacidade como pianista.
Em 1839 Liszt iniciou uma extensa turnê pela Europa, a qual se estendeu pelos próximos oito anos. Este período foi o período mais brilhante dele como concertista, tendo recebido muitas honrarias e adulação. Certos estudiosos descreveram esses anos como sendo de uma "execução transcendental" para Liszt. Durante esse período, apareceram os primeiros relatos de reações intensas dos fãs de Liszt, mais tarde referidas como Lisztomania.
Liszt chegou a Berlim por volta do Natal de 1841 e a notícia espalhou-se rapidamente. Naquela noite, um grupo de 30 estudantes fez-lhe uma serenata com uma performance de sua canção "Rheinweinlied". Seu primeiro recital na cidade ocorreu em 27 de dezembro de 1841, na Sing-Akademie zu Berlin, diante de uma multidão entusiasmada. Esta apresentação foi descrita mais tarde como o marco inicial da Lisztomania, que varreria boa parte da Europa após 1842.
Características A Lisztomania caracterizou-se como uma reação histérica a Liszt e seus concertos. Relatos descreviam o ato de ver Liszt tocar como algo que elevava a audiência a um nível comparável ao de um êxtase místico. Admiradores de Liszt juntavam-se em enxames, brigando por seus lenços e luvas. Fãs ostentavam seu retrato em broches e camafeus. As mulheres tentavam obter mechas de cabelo do compositor e sempre que uma corda do piano se rompesse, admiradores acorriam para pegá-la e fazer dela um bracelete. Algumas fãs carregavam ampolas de vidro para colocar a borra dos cafés por ele tomados. De acordo com um relato:
Criação e uso do termo O escritor Heinrich Heine cunhou o termo Lisztomania para descrever a descarga de emoções que acompanhou Liszt e suas apresentações. Heine escreveu uma série de folhetins musicais discutindo a música da época. Seu ensaio sobre a temporada musical de 1844, escrita em Paris em 25 de abril de 1844, é o primeiro lugar no qual ele usa o termo Lisztomania:O musicologista Dana Gooley argumenta que o uso por Heine do termo "Lisztomania" não foi usado da mesma forma que o termo "Beatlemania" foi usado para descrever a emoção intensa direcionada ao grupo The Beatles no século XX. Pelo contrário: a Lisztomania teve muito mais ênfase médica porque o termo "mania" era muito mais forte na década de 1840, ao passo que no século XX "mania" poderia referir-se a algo leve, como uma moda. A Lisztomania, por sua vez, era considerada por alguns como uma condição médica contagiosa, à qual os críticos sugeriam que se tomasse medidas para imunizar o público.
Alguns críticos da época pensavam que a Lisztomania, ou "febre de Liszt" como era às vezes chamada, refletiva as atitudes dos berlinenes e dos alemães do norte, uma vez que as cidades do sul da Alemanha não tiveram tais episódios, em função de diferença na constituição da população. Como relatado em um jornal de Munique em 1843:
Causas Não havia causa conhecida para a Lisztomania, mas houve tentativas de explicar a condição. Heine tentou explicar a causa da Lisztomania na mesma carta na qual usou o termo pela primeira vez. Assim ele escreveu:Dana Gooley argui que diferentes pessoas atribuem a causa da Lisztomania no público de Berlim de maneiras diversas, baseadas em suas propensões políticas; além disso, aqueles que tinham uma visão progressista acreditavam que a descarga emocional nas multidões berlinenses era principalmente um efeito colateral de um estado repressor e censório e que o entusiasmo por Liszt era algo "compensatório, uma substituição ilusória para a falta de ação e participação pública entre os berlinenses". A visão positiva oposta da Lisztomania era a de que se caracterizava como resposta à grande benevolência e caridade de Liszt. Esta visão era explicada como se segue:Um fator que contribuiu para a Lisztomania é assumir também que Liszt, em sua juventude, era conhecido por sua boa estampa.
Ver também
Síndrome de Stendhal Beatlemania
Bibliografia adicional
Walker, Alan: Franz Liszt, The Virtuoso Years (1811–1847), revised edition, Cornell University Press 1987.
Ligações externas
Lisztomania 2011 Festival, Burgenland, Áustria Lisztomania 2011, festival de sete concertos no Conservatório de Nova Inglaterra, Boston "How Franz Liszt Became The World's First Rock Star", história da NPR sobre a Lisztomania
Categoria:Década de 1840 na Europa Categoria:Década de 1840 na música Categoria:Franz Liszt