Days of Heaven é um filme norte-americano de 1978 escrito e dirigido por Terrence Malick e estrelado por Richard Gere, Brooke Adams, Sam Shepard e Linda Manz. Passando-se no início do século XX, conta a história de dois amantes, Bill e Abby, enquanto viajam até o Panhandle do Texas para trabalhar nos campos de trigo de um rico fazendeiro. Bill encoraja Abby a se casar com o agonizante fazendeiro para ficar com sua fortuna, criando um triângulo amoroso instável e iniciando uma série de infelizes eventos.

Days of Heaven foi filmado em Alberta, Canadá, na segunda metade de 1976 com um orçamento de três milhões de dólares e pouco planejamento. Malick e o diretor de fotografia Néstor Almendros usaram praticamente iluminação natural e decidiam no dia o que seria filmado, enfurecendo parte da equipe não acostumada a trabalhar dessa maneira. O estilo de direção de Malick também insatifez o elenco e a equipe, com ele sendo descrito como distante e inseguro. As filmagens acabaram atrasando muito a ponto de Almendros ter de sair e ser substituído por Haskell Wexler. Além disso, Malick demorou três anos para editar o filme, lutando para encontrar um ritmo e escolher cenas. Isso foi eventualmente resolvido quando foi adicionada a narração da personagem de Manz.

O filme não foi bem recebido à época de seu lançamento original, com muitos críticos achando que o único ponto digno de elogios era suas imagens. Days of Heaven não foi um sucesso comercial, mas mesmo assim foi indicado a quatro Oscars, vencendo na categoria de Melhor Fotografia, e o próprio Malick venceu o Prêmio de Melhor Diretor no Festival de Cannes. Apesar da recepção inicial pouco favorável, desde então o longa se tornou um dos filmes mais aclamados de todos os tempos, reverenciado particularmente pela beleza de sua fotografia. Em 2007, Days of Heaven foi selecionado para preservação pelo National Film Registry da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos por ser "culturalmente, historicamente ou esteticamente significante".

Enredo Em 1916, Bill, um trabalhador de Chicago, mata o chefe da aciaria em que trabalha e foge para o Panhandle do Texas com sua namorada, Abby, e sua irmã mais nova, Linda. Para evitar fofocas, Bill e Abby fingem serem irmãos. Os três são contratados em um grupo sazonal para trabalhar nos campos de trigo de um rico e tímido fazendeiro. O Fazendeiro descobre estar morrendo de uma doença não identificada. Quando apaixona-se por Abby, Bill encoraja sua namorada a casar-se com o Fazendeiro para herdar o dinheiro. Eles se casam e Bill fica na fazenda como o "irmão" de Abby. O feitor do Fazendeiro começa a suspeitar de alguma trama enquanto a saúde do Fazendeiro permanece estável, frustrando os planos de Bill. Eventualmente, o fazendeiro descobre a verdadeira relação de Bill e Abby. Ao mesmo tempo, Abby começa a apaixonar-se verdadeiramente por seu marido. Depois de uma infestação de gafanhotos e um incêndio terem destruído as plantações, o Fazendeiro persegue Bill com uma arma, porém Bill consegue matá-lo. Em seguida ele foge com Abby e Linda. O feitor e a polícia os perseguem, eventualmente matando Bill. Abby deixa Linda em um internato e vai embora sozinha, porém a menina acaba fugindo junto com uma amiga.Malick, Terrence (Diretor). Days of Heaven. Estados Unidos: Paramount Pictures, 1978.

Elenco Richard Gere como Bill, um trabalhador pobre que foge para o Texas junto com sua namorada e irmã depois de acidentalmente matar seu chefe. Ele vai trabalhar em uma fazenda na colheita de trigo e descobre que o Fazendeiro está apaixonado por Abby e morrendo de alguma doença, vendo essa situação como uma boa chance de conseguir enriquecer facilmente e subir na vida. Brooke Adams como Abby, a namorada de Bill. Ela foge junto com Bill e vai trabalhar na fazenda inicialmente recolhendo o trigo cortado, porém sua beleza chama a atenção do Fazendeiro, que a pede em casamento. Ela aceita depois de ser incentivada por Bill. Sam Shepard como o Fazendeiro, um homem tímido, solitário e dono de uma enorme fazenda de trigo que descobre estar doente e com apenas um ano de vida. Ele se apaixona por Abby e a pede em casamento para poder viver seus últimos dias feliz. Linda Manz como Linda, a jovem irmã de Bill. Ela vai para o Texas junto com o irmão e passa a realizar pequenos trabalhos na fazenda, como procurar gafanhotos nas plantações, enquanto observa todos os eventos e situações ao redor. Robert J. Wilke como Feitor do Fazendeiro, o homem responsável por cuidar dos trabalhadores da fazenda. Ele é a pessoa mais próxima do Fazendeiro e desconfia desde o início das intenções de Bill e Abby com seu empregador. Jackie Shultis como Amiga de Linda, uma garota que Linda conhece e fica amiga na plantação, e que mais tarde a ajuda escapar do internato. Stuart Margolin como Feitor da aciaria, o chefe de Bill em Chicago. Os dois homens acabam discutindo e ele morre acidentalmente ao levar uma pancada na cabeça. Timothy Scott como Trabalhador da plantação, um homem que Bill acaba se desentendendo por insunuar que ele e Abby são na verdade amantes. Gene Bell como Dançarina, uma dançarina do ventre que acompanha o grupo de vaudeviles em sua estadia na fazenda. Richard Libertini como Vaudevile, um artista que passa algum tempo vivendo na fazenda entretendo o Fazendeiro, Bill, Abby e Linda. Doug Kershaw como Violinista, um trabalhador da fazenda que também toca violino durante as festas.

Produção Desenvolvimento

O produtor Jacob Brackman apresentou em 1975 o também produtor Bert Schneider ao diretor Terrence Malick. Os dois viajaram para Cuba e conversaram sobre a possibilidade de fazerem um filme juntos. Biskind 1998, p. 296 Schneider concordou em produzir a obra e Malick tentou, sem sucesso, conseguir John Travolta, Dustin Hoffman ou Al Pacino para interpretar Bill. O produtor e o diretor acabaram escolhendo Richard Gere, o dramaturgo Sam Shepard e Brooke Adams para os papéis principais.

Barry Diller, o então presidente da Paramount Pictures, concordou em financiar e distribuir Days of Heaven porque queria Schneider produzindo filmes para o estúdio. Na época, a Paramount estava seguindo um novo rumo: novos chefes de produção, com passado na televisão, estavam sendo contratados e, de acordo com Richard Sylbert, estavam "[manufaturando] produtos mirados nos seus joelhos". Apesar da mudança, Schneider conseguiu fazer um acordo com o estúdio ao garantir o orçamento e assumindo responsabilidade total por todos os excedentes. "Esses eram os tipos de acordo que eu adorava fazer", disse Schneider, "porque assim eu poderia ter o corte final e não ter que falar com ninguém sobre o por quê de usarmos esta pessoa e não aquela".

Malick admirava o trabalho realizado pelo diretor de fotografia Néstor Almendros no filme L'Enfant Sauvage e o convidou para filmar Days of Heaven. Almendros ficou impressionado pelo conhecimento de Malick sobre fotografia e seu desejo de usar pouca iluminação artificial. Os dois moldaram a fotografia do filme baseados em filmes mudos, que frequentemente usavam luzes naturais. Eles também se inspiraram em fotodocumentários da virada do século e em obras de pintores como Johannes Vermeer, Edward Hopper e Andrew Wyeth.

Filmagens

thumb|left|290px|Malick durante as filmagens de Days of Heaven. As filmagens começaram na segunda metade de 1976. Biskind 1998, p. 297 Apesar do filme se passar no Texas, ele foi filmado em Whiskey Gap, uma cidade-fantasma localizada na pradaria de Alberta, Canadá. A cena final foi gravada no Heritage Park Historical Village em Calgary. O diretor de arte Jack Fisk projetou e construiu com madeira compensada a mansão do Fazendeiro e as casas dos trabalhadores nos campos de trigo. A mansão não era apenas uma fachada, como é costume em outras produções, mas sim uma residência autêntica dentro e fora e pintada com cores da época: marrom, mogno e madeiras escuras para o interior. A figurinista Patricia Norris desenhou e fabricou roupas da época a partir de tecidos usados e vestes velhas para evitar uma aparência artificial.

De acordo com Almendros, a produção não foi "rigidamente preparada", permitindo muita improvisação. As chamadas diárias não eram muito detalhadas e o cronograma mudava para se adequar ao clima. Isso enfureceu alguns membros da equipe de produção que não estavam acostumados a trabalhar de modo tão espontâneo. A maior parte da equipe estava acostumada a um "estilo lustroso de fotografia" e se frustraram porque o diretor de fotografia não lhes dava muito para fazer. Diariamente, ele pediria para a equipe desligar as luzes que haviam sido preparadas. Alguns membros da equipe disseram que Almendros e Malick não tinham a menor ideia do que estavam fazendo; a tensão fez com que muitos deixassem a produção. Malick não estava se importando com a insatisfação da equipe e, após ver alguns copiões, apoiou ainda mais o trabalho de seu cinematógrafo, tirou mais luzes e deixou a imagem nua.

Almendros não tinha permissão de operar a câmera por regulamentos de sindicato. Junto com Malick, ele planejaria e ensaiaria os movimentos com os atores e durante a gravação ficaria ao lado da câmera dando instruções ao operador. O diretor de fotografia estava gradualmente perdendo sua visão; para avaliar o que precisava ser feito, "ele faria com que um de seus assistentes tirasse uma foto polaroid da cena, e então a examinaria com lentes de aumento". De acordo com Almendros, Malick queria "um filme bem visual. A história seria contada pelos visuais. Poucas pessoas queriam dar tanta prioridade à imagem. Geralmente o diretor dá prioridade aos atores e a história, mas aqui a história seria contada pelas imagens". Glassman, Arnold; McCarthy, Todd; Samuels, Stuart (1992). Visions of Light: The Art of Cinematography. Kino International.

thumb|300px|Muitas cenas foram filmadas no início da manhã e fim da tarde, período chamado de "hora mágica", com o objetivo de alcançar uma qualidade mágica na estrutura e apresentação visual do filme. Muito do filme foi filmado durante a "hora mágica", que Almendros chamou de "um eufemismo, porque não é uma hora, mas sim 25 minutos no máximo. É o momento quando o sol se põe, após o sol se pôr e antes da noite. O céu tem luz, mas não há sol. A luz é bem suave, e há algo de mágico nisso. Nos limitava a por volta de vinte minutos por dia, mas valia a pena. Deu um visual mágico, uma beleza e romantismo". A luz era importantíssima para as filmagens e ajudava a evocar uma pictórica qualidade nas paisagens do filme. Filmava-se sempre que o céu estava nublado já que era possível simular o hora mágica apenas através da correção de cor. Muitas cenas foram filmadas no período da tarde ou após o pôr do sol, com o céu criando uma silhueta nos rostos dos atores, algo que seria difícil de recriar em outro momento. Days of Heaven, The Criterion Collection – Interview with cinematographer Haskell Wexler [DVD]. The Criterion Collection, 2007. Cenas interiores foram filmadas com luzes artificiais; por o sol estar em constante movimento, era necessário manter uma continuidade.

Para a sequência dos gafanhotos voando para o céu, a equipe jogou cascas de amendoim de helicópteros. Os atores tinham de andar para trás enquanto a película era passada ao contrário pela câmera. Quando as imagens eram projetadas, tudo se movia para frente com a exceção dos gafanhotos. Para os planos fechados, centenas de gafanhotos foram capturados e fornecidos pelo Departamento de Agricultura Canadense.