thumb|300px|Antiga sede do município da Pederneira e pelourinho Pederneira é hoje um bairro da vila da Nazaré. Foi sede de um dos concelhos dos coutos de Alcobaça, afirmando alguns historiadores que a povoação é anterior à fundação do mosteiro de Alcobaça. Após a exinção das Ordens Religiosas, em 1834, a Pederneira continuou a ser uma vila sede de concelho homónimo, o qual manteve a denominação até 1912, ano em que esta foi mudada para Nazaré.
A Pederneira, situa-se no cimo de um monte a nascente da Praia da Nazaré, mantendo ainda na sua praça central o edificio dos antigos Paços do Concelho, a Igreja Matriz e o Pelourinho. O lindíssimo cemitério municipal situado no cume do monte, ao lado da igreja da Misericórdia ocupa o local de uma quinta outrora pertença do mosteiro de Alcobaça. Até ao século XVI existiu uma grande extensão de água doce com ligação ao mar, a nascente da vila, a Lagoa da Pederneira o que permitiu a instalação de um importante estaleiro naval onde se utilizavam as madeiras do Real pinhal de Leiria e das matas monásticas de Alcobaça.
O topónimo Pederneira derivará do Petronero latino, inscrito numa carta romana, o qual deriva porventura da existência no local de uma rocha sedimentar, contendo grande quantidade de calhaus rolados de um tipo de rocha chamada pederneira, a qual quando percutida faz faísca. No parque da Pedralva (pedra alva) ou Monte Branco pode ver-se um importante afloramento deste tipo rochoso.
Igreja da Misericórdia No Largo da Misericórdia, na Pederneira, situa-se um templo de finais do século XVII, de feição maneirista, classificado como Imóvel de Interesse Público. Da primitiva Capela da Misericórdia, criada cerca de 1560, para albergar a Irmandade da Misericórdia da Pederneira cuja principal função era administrar o Hospital da Pederneira, quase nada resta pois foi substituída pelo actual templo o qual é caracterizado pela ampla fachada do barroco clássico tardio. O interior é de uma só nave, sem capela-mor, coberta por uma falsa abóbada de madeira, em arco abatido. Preserva do lado da Epístola a tribuna da Irmandade, constituída por cinco colunas jónicas, de fuste canelado que, em grupos de três, sustentam o entablamento clássico de mármore. Do mesmo lado, à entrada, vê-se uma lápide, datada de 1716, com as obrigações dos mesários da Instituição. As paredes ostentam algumas pinturas em tela, dos séculos XVII e XVIII, destacando-se o “Milagre das Rosas”, que documenta pela indumentária e estilo, a pintura regional de meados do século XVII. Sobre a porta de entrada existe um painel de azulejos policromos figurando N.ª Sra. da Misericórdia, enquadrada em barra tipo padrão, azul e amarela, de composição seiscentista, firmada pelas iniciais F.M.C., relativas, de certo, a Frei Miguel Contreiras. O púlpito merece destaque pelo belo dossel em talha dourada. O altar-mor está demarcado do corpo da igreja por dois degraus e por uma balaustrada de madeira. Os altares laterais, em talha dourada, ladeados de colunas estriadas, contêm as imagens do Senhor da Cana Verde, do lado direito, e de Nossa Senhora das Dores, do lado esquerdo. Nesta igreja guarda-se, no altar-mor de talha dourada barroca, uma bela imagem do Senhor dos Passos, de grande devoção popular, o qual é celebrado, em procissão, três semanas após o Carnaval. Por baixo deste, um altar de caixa envidraçado conserva uma imagem de Cristo morto.
Ver também Nazaré (Portugal) Praia da Nazaré Sítio da Nazaré Coutos de Alcobaça Lagoa da Pederneira Monte de São Bartolomeu
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