Beijos de dona Dondon é um doce feito nas casas-grandes dos engenhos de açúcar pelas escravas africanas com receitas das sinhás, guardadas como segredo de família: "Os dois começos de realizações culturais de lusos em terras brasileiras", diz o sociólogo Gilberto Freyre.História Viva, nº 14, p. 11. Editora Duetto. São Paulo (2004).

À doçaria de engenho de influência portuguesa - que por sua vez tem influência moura e árabe, e que incorporou os valores ameríndios e africanos - se uniram os produtos autóctones, como a mandioca, o caju e a castanha. Ingredientes vieram, então, acrescentar-se a esse "cruzamento cultural": a canela do Oriente; a noz-moscada; e o cravo da Índia.O engenho de açúcar no Nordeste. Manuel Diégues Júnior. Maceió. EDUFAL (2006)

Origem thumb|250px|direita|Um engenho de cana-de-açúcar em Pernambuco colonial, pelo pintor neerlandês Frans Post (século XVII).

Em meio século da introdução da cana-de-açúcar no Brasil, Pernambuco já abrigava o que viria a ser a "doçaria dos engenhos": com origem nas casas-grandes do Nordeste, tomava nomes de famílias ou de engenhos, como Souza Leão, Guararapes, tia Sinhá, Fonseca Ramos ou suspiros do "Noruega". Mas tudo condicionado pela realidade tremenda da escravidão. Sem a escravidão não se explica o desenvolvimento, no Brasil, de uma "arte de doce".Açúcar: em torno da etnografia, da história, e da sociologia do doce no Nordeste canavieiro do Brasil. Gilberto Freyre. Editora Fundação Joaquim Nabuco. (1987).

Ver também Bolo Souza Leão Bolo de rolo Nego bom Cartola Pé de moleque Rapadura Culinária de Pernambuco Engenho de açúcar no Brasil colonial

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