thumb|100px|Inscrição da estela de Nicer Clutosi. O galaico ou galeco, também conhecido como hispano-celta do noroeste ou hispano-celta ocidental, foi uma língua celta (do tipo Q)Villar F., B. M. Prósper. (2005). Váscos, Celtas e Indoeuropeos: genes y lenguas. Ediciones Universidad de Salamanca. pp. 333-350. . ou um grupo de línguas e dialetos, aparentados ao celtibero, falado no início da era cristã no quadrante noroeste da Península Ibérica, mais especificamente entre as costas oeste e norte do Atlântico e uma linha imaginária que corta a Península de norte a sul, ligando as atuais cidades de Oviedo e Mérida, na Espanha. Hoje inclui a Galiza, Oeste das Astúrias, Oeste de Leão e o Norte de Portugal.

Visão Geral Assim como ocorre com o ilírio e o lígure, o seu corpus é composto de palavras isoladas e frases curtas encontradas em inscrições locais (em latim), ou glosadas por autores clássicos, juntamente com diversos nomes - antropônimos, etnônimos, teônimos, topônimos - também encontrados em inscrições, ou que sobreviveram até os dias de hoje em nomes de locais, rios ou montanhas. Diversas palavras de origem céltica foram também preservadas pelas línguas românicas locais, e que podem ter sido herdadas destes dialetos celtas-Q.Palavras do galego, como crica ("vulva"), do proto-celta *kīkwā ("sulco"), laxe ("laje"), do proto-celta *(p)lagēnā ("ponta de lança"), leira ("canteiro", "campo"), do proto-celta *(p)lāryo- ("piso", "chão"), ou alboio ("cabana", "curral"), do proto-celta *(p)are-bowyo- ("em torno de vacas").

História A língua foi falada até aos séculos IX e X.

Galeria

Características

Características compartilhadas com o celtíbero e outras línguas celtas (as formas reconstruídas são proto-célticas, salvo indicação em contrário)

Os encontros consonantais*-ps- e *-ks- indo-europeus tornaram-se *-xs- e foram então reduzidos a -s-: nome do lugar AVILIOBRIS de *Awil-yo-brix-s < proto-céltico *Awil-yo-brig-s 'Colina Ventosa (forte)',Curchin 2008: 117Prósper 2002: 357–358  nome de lugar moderno Osmo, em Celhe na Galiza (registro de Osamo 928 em DC) de *Uχsamo- 'o mais alto'.Prósper 2005: 282 Do PIE, a *p original desapareceu, tornando-se um som *φ antes de ser perdida completamente:

Exemplos nomes de lugares C(ASTELLO) OLCA de *φolkā- 'Tombado', C(ASTELLO) ERITAECO de *φerito- 'cercado, fechado'; nome pessoal ARCELTIUS, de *φari-kelt-y-os, com a raiz CELT no nome; nome do lugar C (ASTELLO) ERCORIOBRI, de *φeri-kor-yo-brig-s 'Forte (ou Citadela) Além do Limite'; nome do lugar C(ASTELLO) LETIOBRI,Curchin 2008: 123  de *φle-tyo-brig-s 'forte largo', ou *φlei-to-brig-s 'forte cinzento';Prósper 2005: 269 nome de lugar Iria Flavia , de *φīweryā- (nominativo *φīwerī ) 'fértil' (forma feminina, cf. sânscrito feminino pīvari- "gordo");Delamarre 2012: 165 nome do local ONTONIA, de *φont-on- 'caminho';Delamarre 2012: 2011 nome pessoal LATRONIUS,Vallejo 2005: 326  para *φlā-tro- 'lugar; calça' nome pessoal ROTAMUS, para *φro-tamo- 'principal', 'dianteiro';Koch 2011:34 nomes de lugares modernos Bama ( Touro , Vama 912) para *uφamā-Cf. Koch 2011: 76  'o mais baixo,o mais fundo' (forma feminina), Iñobre ( Rianjo ) para *φenyo-brix-s'Prósper 2002: 377  'Colina (forte) por a água', Bendrade ( Oza dos Ríos ) para *Vindo-φrātem 'Fortaleza Branca', e Baiordo ( Coristanco ) para *Bagyo-φritu- , onde o segundo elemento é proto-céltico para 'vau,' 'baixio'.Búa 2007: 38–39  Palavras apelativas galego-portuguesas leira 'peça plana de terra' de *φlāryā ,cf. DCECH s.v. lera  lavego 'arado' de *φlāw-aiko- ,cf. DCECH s.v. llaviegu  laxe/lage 'laje', de lagena medieval, de *φlagĭnā ,cf. DCECH s.v. laja  rega e rego 'sulco' de *φrikā .cf. DCECH s.v. regar Os exemplos frequentes do preservado /p/ do PIE atribuem-se por alguns autores, nomeadamente Carlos Búa Búa 2007 e Jürgen Untermann, a uma única e arcaica língua celta falada na Galécia, Astúria e Lusitânia, enquanto outros (Francisco Villar, Blanca María Prósper, Patrizia de Bernado Stempel, Jordán Colera) consideram que pertencem a um dialeto ou grupo de dialetos lusitanos ou semelhantes ao lusitano falados no norte da Península Ibérica juntamente com — mas diferentes do — hispano-céltico ocidental: na Galiza: nomes e epítetos de divindades PARALIOMEGO, PARAMAECO, POEMANAE, PROENETIAEGO, PROINETIE, PEMANEIECO, PAMUDENO; topônimos Lapatia , Paramo , Pantiñobre se de *palanti-nyo-brig-s (Búa); Palavras apelativas galego-portuguesas lapa 'pedra, rocha' (cfr. Lat. lapis) e pala 'cavidade de pedra', de *palla de *plh-sa (cfr. Germ. fels, O.Ir. All). nas Astúrias o nome étnico Paesici ; nomes pessoais PENTIUS, PROGENEI; nome de divindade PECE PARAMECO; em Leão e Bragança topônimos PAEMEIOBRIGENSE, Campo Páramo , Petavonium . em outras áreas do noroeste: topônimos Pallantia , Pintia , Segontia Paramica ; nome étnico Pelendones .

Sonoras indo-europeias entre vogais, *n̥ e *m̥ tornaram-se an, am; *r̥ , e *l̥ tornaram-se ri, li:Prósper 2005: 342.  nome do lugar Brigantia de *brig-ant-yā <Proto-Céltico *br̥g-n̥t-y-ā <pós- Proto-Indo-Europeu (pós-PIE) *bʰr̥gʰ-n̥t-y-ā 'O imponente, o alto'; topônimos modernos em Portugal e na Galiza Braga , Bragança , Berganzo , Berganciños , Bergaña ;Moralejo 2010: 105  nomes de lugares antigos AOBRIGA, CALIABRIGA, CALAMBRIGA, CONIMBRIGA, CORUMBRIGA, MIROBRIGA, NEMETOBRIGA, COELIOBRIGA, TALABRIGA com segundo elemento * brigā < Proto-céltico * br̥g-ā < pós- PIE * bʰr̥gʰ-ā 'lugar alto (acrópole)',Luján 2006: 727–729  e AVILIOBRIS, MIOBRI, AGUBRI com segundo elemento *bris < *brix-s < Proto-céltico *brig-s < *br̥g-s < PIE *bʰr̥gʰ-s 'colina (forte)';Prósper 2002: 357–382  Confira (cf) o cognato inglês borough < Inglês antigo burg "citadela, forte" < Proto-germânico *burg-s < PIE *bʰr̥gʰ-s . Redução do ditongo *ei para ē: teônimo DEVORI, de *dēwo-rīg-ē < proto-céltico *deiwo-rēg-ei 'Ao rei dos deuses'. Lenição de *m no grupo *-mnV- para -unV-:  ARIOUNIS MINCOSEGAECIS, forma dativa de *ar-yo-uno- *menekko-seg-āk-yo- 'Aos (deuses) campos de muitas colheitas '<Proto-céltico *ar-yo-mno- ... . Assimilação *p .. kʷ > *kʷ .. kʷ : nome da tribo Querquerni de *kʷerkʷ- < PIE *perkʷ- 'carvalho, árvore'.  Embora este nome também tenha sido interpretado como lusitano por B.M. Prósper,  ela propôs recentemente para aquela língua uma assimilação *p .. kʷ > *kʷ .. kʷ > *p .. p . Redução do ditongo *ew para *ow e eventualmente para ō:  nomes pessoais TOUTONUS / TOTONUS 'do povo' de *tout- 'nação, tribo' < PIE *teut-; nomes pessoais CLOUTIUS 'famoso', mas VESUCLOTI 'tendo boa fama' < Proto-céltico *Kleut-y-os , *Wesu-kleut(-y)-os ;Prósper 2002: 211  CASTELLO LOUCIOCELO < PIE *leuk- 'brilhante'.  No Celtíbero, as formas toutinikum/totinikum mostram o mesmo processo. In Celtiberian the forms toutinikum/totinikum show the same process.Jordán Cólera 2007: 755 Superlativos em -is(s)amo:Wodtko 2010: 356  nomes de lugares BERISAMO < *Berg-isamo- 'O mais elevado',Prósper 2005: 266, 278  SESMACA < *Seg-isamā-kā 'O mais forte, o mais vitorioso'.Prósper 2002: 423  Propôs-se a mesma etimologia para os topônimos modernos Sésamo ( Culheredo ) e Sísamo ( Carballo / Carvalho ), de *Segisamo- ;;Prósper 2005: 282.  topônimo moderno Méixamo de Magisamo- 'o maior'.Moralejo 2010: 107 Síncope (perda) de vogais átonas na vizinhança de consoantes líquidas : CASTELLO DURBEDE, se de *dūro-bedo- . Redução do agrupamento proto-céltico *χt para hispano-céltico *t:  nomes pessoais AMBATUS, do celta * ambi-aχtos , PENTIUS < *k w enχto- 'quinto'.

Traços não compartilhados com o Celtíbero

Em contato com *e ou *i , a consoante intervocálica *-g- tende a desaparecer:  teônimo DEVORI de *dēworīgē 'Ao rei dos deuses'; adjetivo derivado de um nome de lugar SESMACAE < *Seg-isamā-kā 'O mais forte, o mais vitorioso'; nomes pessoais MEIDUENUS < *Medu-genos 'Nascido do hidromel', CATUENUS < *Katu-genos 'Nascido da luta', 'Preparado para a luta';Prósper 2005: 266  inscrição NIMIDI FIDUENEARUM HIC < *widu-gen-yā. Mas o topônimo celtíbero SEGISAMA e o nome pessoal mezukenos mostram preservação de /g/. Jordán Cólera 2007: 763–764. *-lw- e *-rw- tornam-se -lβ-, -rβ- (como em irlandês):Prósper 2005: 336  MARTI TARBUCELI < *tarwo-okel- 'Para Marte da Colina do Touro', mas TARVODURESCA celtibero. Preservação tardia de *(-)φl- que se torna (-)βl- e só mais tarde é reduzido a um simples som (-)l-:Prósper 2002: 422, 427Prósper 2005: 345  nomes de lugares BLETISAM(AM), BLETIS(AMA),Prósper, Blanca María. "El topónimo hispano–celta Bletisama: Una aproximación desde la lingüística". In: I. Sastre y F. J. Sánchez Palencia (eds.). El bronce de Pino del Oro Valladolid. 2010. pp. 217–23.  Ledesma moderno ( Boqueixom ) < *φlet-isamā 'mais largo'; BLANIOBRENSI,Sometimes it has been read ELANIOBRENSI  medieval Laniobre < *φlān-yo-brigs 'fortaleza na planície'.Luján 2006: 727  Mas nome de lugar celtibero Letaisama .Jordán Cólera 2007: 757. *wl- é mantido:Prósper 2002: 426  VLANA < PIE *wl̥Hn-eh₂ 'lã', enquanto Celtíbero tem l-: launi < PIE *wl̥H-mn-ih₂ 'lanoso' (?). Às vezes *wo- aparece como wa-:Prósper 2005: 346  VACORIA < *(d)wo-kor-yo- 'que tem dois exércitos', VAGABROBENDAM < *uφo-gabro-bendā 'montanha inferior de cabras' (veja acima). Desinência plural dativa -bo < PIE *bʰo , enquanto o celtíbero tinha -bos:  LUGOUBU/LUCUBO 'Para (os três deuses) Lugo'.

Q-Celta Sob a hipótese Céltica P/Q , o Galécio parece ser uma língua Q-Céltica, como evidenciado pelas seguintes ocorrências em inscrições locais: ARQVI, ARCVIVS, ARQVIENOBO, ARQVIENI[S], ARQVIVS, todas provavelmente do Paleo-Hispânico Indo-Europeu *arkʷios 'arqueiro, arqueiro', mantendo o proto-céltico *kʷ .Abad, Rubén Abad. (2008). "La divinidad celeste/solar en el panteón céltico peninsular". In: Espacio, Tiempo y Forma. Serie II, Historia Antigua, 21: 101.  Destacam-se também os etnônimos Equaesi (< PIE *ek̂wos 'cavalo'), um povo do sul da Galécia,Cf. Vallejo 2005: 321, who wrongly assign them to the Astures.  e os Querquerni (< *perkʷ- 'carvalho'). No entanto, alguns topônimos e etnônimos antigos, e alguns topônimos modernos, foram interpretados como mostrando kw / kʷ > p: Pantiñobre ( Arçua , composto de *kʷantin-yo- '(do) vale' e *brix-s 'colina( fort)') e Pezobre ( Santiso , de *kweityo-bris ),Prósper 2002: 422, 378–379  etnônimo COPORI "os padeiros" de *pok w ero- 'cozinhar',  antigos nomes de lugares Pintia , na Galiza e entre os Vaccei , de PIE *penk w tó- > Celtic *k w enχto- 'quinto'.

Reavivamento

No século XIX um grupo de escritores, entre eles Eduardo Pondal e Manuel Murguía, lideraram um reavivamento céltico, inicialmente baseado nos testemunhos históricos dos escritores gregos e latinos (Pomponio Mela, Plínio Velho, Estrabão e Ptolomeu), que escreveram sobre os povos célticos que habitaram a Galécia (Galiza e Portugal); hodiernamente há um movimento de reavivo na Galiza que se estende às Astúrias, Portugal e às vezes Cantábria cujos fundos são custeados pela Liga Céltica na Galiza, tal movimento é capitaneado por Vincent F. Pintado, Fundador do Movemento de Renascemento da Língua Galaica, Membro da Nações Celtas Unidas (United Celtic Nations), Patrono da Liga Céltica Galaica, Autor do Dicionário de Celta Antigo.

Bibliografia Búa, Carlos (2007) O Thesaurus Paleocallaecus, in Curchin, Leonard A. (2008) Os topónimos da Galiza Romana: Novo Estúdio Estudios Gallegos (The toponyms of the Roman Galicia: New Study). CUADERNOS DE ESTUDIOS GALLEGOS LV (121): 109-136. DCECH = Coromines, Joan (2012). Dicionário crítico etimológico castelhano e hispánico (Diccionario crítico etimológico castellano e hispánico). Madrid: Gredos. .

Luján Martínez, Eugenio R. A Língua dos Callaeci. (2006) The Language(s) of the Callaeci . e-Keltoi 6''': 715-748.

Prósper, Blanca María and Francisco Villar (2005). Vascos, Celtas e Indoeuropeos: Genes y lenguas.'' Ediciones Universidad de Salamanca. .

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