Flordelis: Basta uma Palavra para Mudar é um filme brasileiro de 2009 em formato de docudrama.

Foi dirigido por Marco Antônio Ferraz e Anderson Corrêa, sendo lançado no dia 9 de outubro de 2009. O filme, que conta com grandes estrelas da dramaturgia brasileira, como Bruna Marquezine, Reynaldo Gianecchini, Cauã Reymond e Deborah Secco, foi realizado totalmente sem remuneração para os artistas envolvidos, que se propuseram a realizá-lo de forma voluntária pelo impacto da história real de Flordelis. A renda arrecadada foi utilizada na construção de um centro de reabilitação para jovens e na compra de uma casa para a então cantora.

O filme teve recepção negativa na crítica especializada. Em 2020, depois do caso Anderson do Carmo, o diretor e vários atores lamentaram suas participações no filme.

Enredo

Flordelis é uma mulher evangélica, moradora da favela do Jacarezinho, no Rio de Janeiro, e respeitada pelos traficantes e demais habitantes do local por seu trabalho humanitário ao ajudar jovens com problemas com drogas e vindos do mundo do crime. Buscando fazer a diferença no mundo, levou a sua casa 37 crianças e adolescentes abandonados, sem abrigo, em fuga de lares violentos ou desde cedo com problemas de dependência química, criando-os com amor e ensinando bons ideais para que não se envolvam com o mundo do crime e das drogas. "Mãe Flor", como passou a ser conhecida, dividiu opiniões no local onde morava. Enquanto alguns consideravam-na louca, outros a consideravam uma referência de afeto e caridade por ter criado cada um deles com boa índole e sem deixar que se envolvessem em coisas ilícitas.

Perseguida pela polícia e os órgãos públicos, Flor foi humilhada publicamente ao estampar diversos jornais como sequestradora, tendo de fugir de casa com os jovens para evitar que eles fossem retirados dela e enviados para abrigos sem estrutura, indo viver na rua para conseguir mantê-los unidos. Com a ajuda dos irmãos Werneck – que alugaram uma casa fora da favela que eles viveram – ela conseguiu fundar o Instituto da Criança, legalizando assim a situação perante a justiça e podendo receber doações, expandindo seu trabalho.

Ao longo do filme, cada ator conta uma das história dos jovens cuidados por Flordelis ou dos pais que abandonaram crianças e pessoas envolvidas na história em forma de depoimento.

Elenco

Flordelis como Flordelis dos Santos Marcello Antony como Pastor Anderson do Carmo dos Santos

Por ordem de aparição Giselle Itié como Cláudia Isabel Fillardis como Joana Pedro Neschling como Paulo Roberto Ana Furtado como Maria Reynaldo Gianecchini como Alex Thiago Rodrigues como Misael Rodrigo Hilbert como Israel Letícia Sabatella como Eliane Cauã Reymond como Carlos Fernanda Lima como Bianca Graziella Schmitt como Rose Bruna Marquezine como Rayane Cris Vianna como Vânia Deborah Secco como Simone (filha biológica) Guilherme Berenguer como Adriano (Pequeno) Erik Marmo como Flavinho Patrícia França como Mãe de Beá Roumer Canhães como Pai de Beá Eduardo Galvão como Carlos Werneck Thiago Martins como Pedro Werneck Fernanda Machado como Filha estuprada Alexandre Zacchia como Homem que estupra a filha Carolina Oliveira como a Tatiane Júlia Mattos como a Laís Letícia Spiller como Volúcia Alinne Moraes como Vanessa (Kikita) Sérgio Marone como Alan

Participações especiais Edílson Vieira como Traficante Adriano Vianna como Traficante Fabio Bianchini como Traficante Rafael Lozada como Médico Daniela Couto como Enfermeira Diego Rian como Traficante Ulisses Bonfim como Traficante Janice Brytis como Enfermeira Marcello Ferreira como Traficante

Recepção Andy Malafaya em sua crítica para o Cineplayers escreveu: "A geração [do filme] já explica bastante a bagunça na estrutura (...) Idealizado para ser um curta-metragem sem maiores aspirações, acabou se transformando um projeto maior com a entrada de astros da televisão (...) deu maior visibilidade ao filme, agora já rascunhado como um longa-metragem, a ponto deste conseguir distribuição - o que é missão hercúlea para filmes brasileiros -, mas a forma encontrada pelos diretores estreantes de encaixá-los no filme é completamente surreal: eles interpretam depoimentos de personagens reais da vida de Flordelis, frente a cenários emulando a favela. (...) Acaba tudo soando muito falso - os atores extremamente maquiados, a fotografia bem cuidada em preto e branco, os depoimentos decoradinhos, sem margem para erro ou hesitação."

Celso Sabadin do Cineclick disse que "jamais havia visto um filme tão errado. Da proposta à execução. Da trilha sonora à direção de arte. Do roteiro à direção. Da montagem a... Sei lá mais o que possam inventar. (...) É bizarro. Surge na tela a figura de, por exemplo, Reynaldo Gianecchini, e o crédito aparece, digamos, “José”. Surge Letícia Sabatella com o crédito “Fulana de Tal”. E assim por diante. E tem mais: os atores explodem na tela lindos, maravilhosos, maquiadíssimos, falando um português mais do que perfeito, com uma fotografia exuberante... Vestindo roupas humildes e emoldurados por um cenário que pretende sugerir que eles estão na favela. São depoimentos longuíssimos, quase sem cortes, enfadonhos, sem ritmo. E todos em preto-e-branco."

Repercussão em 2020 Depois do caso Flordelis, o diretor e diversos atores e atrizes afirmaram que se arrependeram de ter participado do filme.

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