thumb|Liber AL vel Legis, o Livro da Lei|414x414px

O título completo (técnico) do livro é

Liber AL vel Legis

sub figurâ CCXXcomo entregue por XCIII = 418 para DCLXVI

O Livro da Lei

O título completo (técnico) do manuscrito do livro é

O movimento conhecido como Thelema foi estabelecido com a escritura de O Livro da Lei.

A Escritura de O Livro da Lei As Invocações De acordo com Crowley, a história do Livro da Lei teve início em 16 de março de 1904, quando ele buscava "invocar os Silfos" por meios ritualísticos para entreter sua esposa, Rose Kelly. Ainda que ela não tenha conseguido ver nada, pareceu entrar em uma forma leve de transe e repetidamente começou a dizer "Eles estão esperando por você!". Posto que Rose não tinha o menor interesse em magia ou misticismo, Crowley não lhe deu muita atenção. Porém, em 18 de março, após invocar a divindade egípcia Thoth (o deus do conhecimento), ele a ouviu mencionar outra divindade egípcia, Hórus, dizendo que este o estava esperando. Crowley, ainda cético, fez a sua esposa várias perguntas sobre Hórus, as quais ela respondeu acertadamente, ainda que sem nenhum conhecimento ou estudo prévio sobre aquela mitologia. A prova final de que a mensagem era verdadeira foi a identificação da figura de Hórus em uma peça funerária egípcia hoje conhecida como a Estela da Revelação, então exposta no Museu Bulaque, com o número de identificação 666 (que para os ocultistas está ligado não ao demônio, mas sim às divindades solares).

Em 20 de março Crowley invocou o deus Hórus, sendo bem sucedido na tarefa. De 23 de março a 8 de abril passou traduzindo os hieróglifos da Estela. Ainda, Rose revelou que seu "informante" não era Hórus por si, mas seu porta-voz, Aiwass. Finalmente, em 7 de abril, Rose deu a Crowley instruções sobre como proceder dali em diante. Por três dias ele entrou no "templo" no horário determinado e escreveu até as 13h.O Equinócio dos Deuses (O Livro Quatro parte IV)

A narrativa dos fatos históricos que levaram à escritura do Livro podem ser encontradas em The Equinox of the Gods (O Equinócio dos Deuses).

A Escritura Crowley escreveu o Livro da Lei nos dias 8, 9 e 10 de abril de 1904, entre o meio-dia e as 13h. Crowley descreve seu encontro com Aiwass no "The Equinox of the Gods" ("O Equinócio dos Deuses"). Ele conta que a Voz de Aiwass vinha por sobre seu ombro esquerdo, como se o orador estivesse parado em um dos cantos do quarto. A voz é descrita como

Posteriormente, a voz de Aiwass foi dita por Crowley como destituída de qualquer sotaque, nativo ou estrangeiro.

Ainda que ele não tenha olhado ao redor, Crowley teve a impressão de que Aiwass era feito de um corpo de "matéria fina" como um "véu de gaze". Posteriormente, após outras experiências de contato com essa entidade dita "preter-humana", ele o descreveu como "um homem alto e escuro, com cerca de trinta anos, composto, ativo e forte, com o rosto de um rei selvagem, cujos olhos eram velados pois seu olhar poderia destruir o que estivesse olhando". As roupas não seriam árabes mas vagamente sugerindo vestes assírias ou persas.

Crowley também deixou claro que a escritura não foi um ato de escrita automática ou psicografia e sim que ele apenas escrevia o que era ditado por uma voz real falando a ele. Isso é mostrado pelos vários erros de escrita no manuscrito original, corrigidos na hora por Crowley. Ele admitia que Aiwass podia ser uma manifestação de seu subconsciente, mas mesmo assim considerava que a mensagem ditada estava além da experiência ou conhecimento humanos, sendo necessária uma inteligência de nível superior que apenas um deus poderia possuir. Sobre isso, comentou:

Em sua introdução ao "The Law is for All" ("A Lei é Para Todos"), o discípulo e secretário de Crowley, Israel Regardie coloca que:

Mudanças ao Manuscrito Original A versão final do Liber AL vel Legis inclui textos que não apareciam no manuscrito original, incluindo muitas pequenas alterações de grafia. Em vários casos, trechos da Estela da Revelação foram inseridos no texto. Por exemplo, na segunda página do Capítulo I, na linha 9 está escrito "V.1. of Spell called the Joy", que foi alterado para:

Na página 6 do Capítulo I, o seguinte estava no manuscrito original:

Facismile do Manuscrito de Al

juntamente com uma nota: "Escrever isso com palavras mais claras. Mas seguir adiante."

Posteriormente, isso foi alterado para:

Novamente, no Capítulo I, na página 19, Crowley escreveu "(Perdi uma frase) A forma de minha estrela é--". Posteriormente, foi Rose Kelly quem completou a frase perdida: "A Estrela de Cinco Pontas com um Círculo no Meio, & o círculo é Vermelho." (AL I:50)

O Capítulo II tem muito poucas correções. O Capítulo III tem algumas correções de grafia e inclui grandes pedaços de paráfrases da Estela da Revelação incluídos por Crowley.

Interpretação do Livro da Lei Considera-se que a interpretação do Livro da Lei - principalmente por causa do Comento - deva ser feita sempre de forma individual, a partir da leitura pessoal do texto e das vivências, conhecimentos e intuições particulares de cada um.Liber AL - O Comento De modo a não se criarem dogmas ou interpretações oficiais do texto é amplamente aceita entre os thelemitas a ideia de que não se devem escrever textos que expliquem ou interpretem as passagens do Liber AL vel Legis. Diz-se que ao ser questionado sobre um trecho do livro, a melhor resposta de um thelemita seria sempre "o que você acha?". Desta forma, toda e qualquer interpretação do Livro da Lei é considerada correta dentro do escopo individual e ninguém deveria impor sua própria leitura a outrem.

De acordo com o próprio Livro (especificamente em AL I:36), o único autorizado a escrever um comentário sobre o Livro da Lei foi o próprio Crowley. O método que ele geralmente utilizava para interpretar o Liber AL vel Legis era a Cabalá, especialmente através da ferramenta conhecida como Gematria, a numerologia cabalística. Ele escreveu:

No "Magick Without Tears" ("Magick Sem Lágrimas"), ele disse também:

Entenda-se que Crowley dá ao leitor de seus comentário sobre o Livro da Lei (o "Comento" e o "The Law is for All" ["A Lei é para Todos"]) não respostas prontas ou interpretações definitivas mas pistas e ferramentas que auxiliem o próprio leitor do Livro Sagrado a encontrar sua própria leitura.

Os Três capítulos Ainda que o "mensageiro" do Liber AL vel Legis seja Aiwass, o Livro apresenta várias personalidades que são as reais inteligências por trás das palavras dele. As três figuras principais são as divindades ligadas individualmente a cada um dos três capítulos do Livro: Nut, Hadit e Ra-Hoor-Khuit.Liber Al Capítulos I,II e III

Primeiro capítulo O Primeiro Capítulo é ditado por Nuit, a deusa egípcia do céu noturno, chamada Rainha do Espaço. Crowley a chamava de "Senhora dos Céus Estrelados, que é também Matéria em seu sentido metafísico mais profundo, que é o infinito em quem todos vivemos e nos movemos e possui nosso ser".

Este capítulo também introduz:

Ankh-af-na-khonsu, o sacerdote histórico que criou a Estela da Revelação A Besta, representativa do arquétipo masculino em sua natureza mais instintiva A Mulher Escarlate, também chamada de Babalon, a Prostituta Sagrada. Thelema como sendo a Palavra da Lei.

Segundo capítulo Este é ditado por Hadit, que refere-se a si mesmo como sendo o "complemento de Nu", sua noiva. Ele é o ponto infinitamente condensado, o centro da infinita circunferência de Nuit. Crowley diz dele:

Terceiro capítulo Ra-Hoor-Khuit é o terceiro a falar, identificado como a Criança Coroada e Conquistadora, e como um deus de Guerra e Vingança. Dos três Capítulos, este é o que costuma deixar impressões mais fortes nos que lêem o Livro da Lei de forma despreparada e superficial. Seus versículos iniciais são os que mais facilmente são vistos como conflituosos; contudo a segunda metade assume já um tom mais ameno, estabelecendo um equilíbrio.

Crowley une os três da seguinte forma:

Temos Nut, Espaço, Hadit, o ponto de vista; estas experiências se unem, e então produz-se Heru-Ra-Ha, que combina as ideias de Ra-Hoor-Khuit e Hoor-paar-Kraat.

O Comento Baseado em diversas passagens, incluindo "Meu escriba Ankh-af-na-khonsu, o sacerdote dos príncipes, não deve uma só letra mudar deste livro; mas a fim de que não haja tolice, ele comentará a respeito pela sabedoria de Ra-Hoor-Khu-It." (Liber AL I:36), Crowley sentiu-se compelido a interpretar por escrito o Livro da Lei. Ele deixou dois grandes grupos de comentários onde tentava decifrar linha por linha. Contudo, não se sentiu satisfeito com estas tentativas. Em 1912, preparou o Liber AL vel Legis e seus comentários de então para serem publicados em "The Equinox, vol I". Em seu livro "Confessions" ("Confissões") ele recorda-se ter considerado os comentários existentes como "vergonhosamente escassos e incompletos". Posteriormente, ele explica:

Mais do que isso, esse Comentário deveria ocorrer por inspiração, como o próprio Livro da Lei sugeria.

Anos mais tarde, em 1925, quando estava na Tunísia, Crowley recebeu sua inspiração. Publicou, então, o que foi chamado simplesmente de "O Comento" (também conhecido pelos nomes de "Breve Comento" ou "Comento de Túnis"), assinando-o como Ankh-f-n-Khonsu (que se traduz literalmente como "Aquele que vive em Khonsu", nome de um sacerdote real da 26.ª Dinastia egípcia, criador da Estela da Revelação). Nele, o leitor é advertido que "o estudo" do Livro é proibido e declara que aquele que "discutir seu conteúdo" deve ser evitado como um "centro de pestilência". O resultado é a ideia de que a interpretação por vezes críptica do Livro é de responsabilidade apenas do leitor.

Posteriormente, deu a seu amigo pessoal e companheiro da OTO, Louis Wilkinson, a tarefa de preparar uma versão editada dos comentários de Crowley que foram publicados após sua morte com o título de "The Law os for All" ("A Lei é para Todos").

No Brasil, Marcelo Ramos Motta publicou uma versão do Livro da Lei (curiosamente faltando dois versículos do Primeiro Capítulo, provavelmente por erro de revisão) onde ele fazia também a sua interpretação das passagens do Liber AL vel Legis versículo a versículo. Este livro, hoje considerado uma raridade, contudo vai de encontro a todos os conselhos de não se criar interpretações públicas.

Publicações As principais publicações do Livro da Lei são:

Ordo Templis Orientis, Londres, 1938, edição privativa (a edição estadunidense é de 1942, ainda que datada de 1938) Weiser Books (Reimpressão; maio, 1987; ISBN 0-87728-334-6) Weiser Books (Edição do 100.º Aniversário; março, 2004; ISBN 1-57863-308-7) Mandrake of Oxford (abril, 1992; brochura; ISBN 1-869928-93-8)

O Livro da Lei foi publicado também como parte de outros livros, dentre os quais:

The Equinox (III:10). (2001). York Beach, ME: S. Weiser. ISBN 0-87728-719-8 The Holy Books of Thelema (Equinox III:9). (1983). York Beach, ME: S. Weiser. ISBN 0-87728-579-9 Magick: Liber ABA, Book Four, Parts I-IV. (1997). York Beach, ME: S. Weiser. ISBN 0-87728-919-0

Em Português, as principais publicações do Livro da Lei são:

"O Equinócio dos Deuses", de Marcelo Ramos Motta (1976). Publicação particular "Os Livros de Thelema". Ed. Madras (1997). ISBN 85-7374-017-5 "Os Livros Sagrados de Thelema". Ed. Madras (1998). ISBN 85-86453-09-9 "Liber AL vel Legis - O Livro da Lei". Loja Quetzalcoatl/OTO (2004). Edição limitada comemorativa "O Livro da Lei - Liber Al Vel Legis". Ed. Chave (2017). Tradução de Marina Della Valle. ISBN 8595710171

Celebração Entre os thelemitas, os dias 8, 9 e 10 de abril são considerados como sagrados, chamados de "Três Dias da Escrita do Livro da Lei".Liber AL Capítulo II v38 Costuma-se celebrá-los lendo-se a cada dia o Capítulo correspondente.

Ligações externas

Versão em texto do Livro da Lei, em inglês Manuscritos originais do Liber AL vel Legis Versão em Português do Livro da Lei