A temporada de ciclones Índico Sudoeste de 2009-2010 foi um evento do ciclo anual de formação de ciclones tropicais. A temporada começou em 15 de novembro de 2009 e terminou em 30 de abril de 2010. Maurícia e Seychelles consideram que a temporada termina em 15 de maio de 2009. Estas datas delimitam convencionalmente o período de cada ano quando a maioria dos ciclones tropicais se forma na bacia do oceano Índico sudoeste. A bacia é delimitada pelo meridiano 90°L e pela Linha do Equador, ficando no quadrante sudoeste destas limitações. Os ciclones tropicais que se formam nesta bacia são monitorados pelo Centro Meteorológico Regional Especializado em Reunião, controlado pela Météo-France. Resumo sazonal O gráfico abaixo mostra de forma clara a duração e a intensidade de cada ciclone tropical:

Tempestades

O Centro Meteorológico Regional Especializado (CMRE) de Reunião é o órgão designado pela Organização Meteorológica Mundial para o monitoramento de eventuais sistemas que se formam no Oceano Índico sudoeste. O CMRE de Reunião, assim como as suas sub-regionais em Madagascar e Maurícia, utilizam um método próprio na classificação de ciclones tropicais: a intensidade máxima de um ciclone é determinada pela média máxima dos ventos num intervalo de 10 minutos, semelhante ao método utilizado pela Agência Meteorológica do Japão (AMJ). Sistemas tropicais com ventos máximos constantes inferiores a 52 km/h são considerados perturbações tropicais. Sistemas com ventos constantes máximos entre 52 km/h e 61 km/h são considerados depressões tropicais. Sistemas com ventos máximos constantes entre 62 km/h e 87 km/h são considerados tempestades tropicais moderadas. Sistemas com ventos máximos constantes entre 88 km/h e 117 km/h são considerados tempestades tropicais intensas (ou severas). Sistemas com ventos máximos entre 118 km/h e 165 km/h são considerados simplesmente ciclones tropicais. Sistemas com ventos máximos constantes entre 166 km/h e 211 km/h são considerados ciclones tropicais intensos. Por fim, sistemas com ventos máximos constantes com mais de 212 km/h são considerados ciclones tropicais muito intensos.

Perturbação tropical 01

Em 18 de agosto, o Centro Meteorológico Regional Especializado (CMRE) de Reunião classificou uma área de perturbações meteorológicas a leste do Território Britânico do Oceano Índico para uma perturbação tropical, atribuindo-lhe a designação "01", tornando-se assim o primeiro sistema tropical da temporada de 2009-2010. No entanto, as condições meteorológicas estavam desfavoráveis, e o sistema logo perdeu suas áreas de convecção profunda associadas. Com isso, o CMRE de Reunião desclassificou a perturbação para uma área de perturbações meteorológicas e emitiu se aviso final sobre o sistema ainda naquele dia.

Zona de perturbações meteorológicas 02

Em 20 de setembro, o Centro Meteorológico Regional Especializado (CMRE) de Reunião classificou um sistema que já havia sido classificado como uma baixa tropical pelo Centro de Aviso de Ciclone Tropical de Perth, Austrália, que havia deixado sua área de responsabilidade, para uma área de perturbações meteorológicas, e lhe atribuiu a designação "02". No entanto, o sistema já estava em enfraquecimento, e o CMRE de Reunião emitiu seu aviso final sobre o sistema horas depois.

Perturbação tropical 03

Em 7 de novembro, uma área de perturbações meteorológicas a norte-noroeste do Território Britânico do Oceano Índico começou a mostrar sinais de organização, e o Centro Meteorológico Regional Especializado (CMRE) classificou o sistema como uma perturbação tropical. No entanto, o sistema estava situado numa região com forte cisalhamento do vento e não foi capaz de se intensificar. Em 10 de novembro, o sistema se dissipou e o CMRE de Reunião emitiu seu aviso final sobre o sistema.

Ciclone tropical Anja

Em 14 de novembro, o Centro Meteorológico Regional Especializado (CMRE) de Reunião classificou uma área de perturbações meteorológicas para a perturbação tropical 04. Logo em seguida, o Joint Typhoon Warning Center (JTWC) classificou o sistema como o primeiro ciclone tropical significativo do hemisfério sul na temporada de 2009-2010, e lhe atribuiu a designação "01S". Mais tarde, a perturbação se intensificou para uma depressão tropical, e para a tempestade tropical moderada "Anja" naquela noite (UTC). No início da madrugada (UTC) de 15 de novembro, Anja intensificou-se para uma tempestade tropical severa e, a partir de então, começou a sofrer rápida intensificação, tornando-se um ciclone tropical, segundo o sistema de classificação de ciclones tropicais da Météo-France, ainda naquela manhã. Anja atingiu seu pico de intensidade ainda naquele dia, com ventos máximos sustentados de 195 km/h (1 min), segundo o JTWC, ou 155 km/h (10 min), segundo o CMRE de Reunião.

Anja manteve seu pico de intensidade até o início da madrugada de 17 de novembro, quando começou a se enfraquecer assim que encontrava águas mais frias e cisalhamento do vento mais intenso. Com isso, Anja se enfraqueceu para uma tempestade tropical severa mais tarde naquele dia, segundo o CMRE de Reunião. O cisalhamento do vento se intensificou, deteriorando ainda mais o ciclone, que se enfraqueceu diretamente para uma depressão tropical na manhã (UTC) de 18 de novembro. Anja continuou a se deteriorar naquele dia, e o CMRE de Reunião emitiu seu aviso final sobre o sistema no início daquela tarde. O JTWC fez o mesmo horas depois.

Tempestade tropical moderada Bongani

Em 22 de novembro, o CMRE de Reunião classificou uma área de perturbações meteorológicas a várias centenas de quilômetros a nordeste de Madagascar para a perturbação tropical 05. No início da madrugada (UTC) de 23 de novembro, o CMRE de Reunião classificou o sistema para uma depressão tropical, e para uma tempestade tropical moderada poucas horas depois. O novo ciclone ganhou o nome "Bongani". Ainda naquela manhã, o Joint Typhoon Warning Center (JTWC) classificou o sistema como um ciclone tropical significativo, e lhe atribuiu a designação "02S".

No entanto, Bongani começou a se enfraquecer rapidamente assim que as condições meteorológicas ficaram mais desfavoráveis, e o CMRE de Reunião desclassificou o sistema diretamente para uma perturbação tropical em 24 de novembro, e emitiu seu aviso final sobre o sistema no início da tarde (UTC) de 25 de novembro. O JTWC fez o mesmo naquela noite.

Ciclone tropical intenso Cleo

No início da madrugada (UTC) de 6 de dezembro, o Centro Meteorológico Regional Especializado (CMRE) de Reunião classificou uma área de perturbações meteorológicas a leste-sudeste do Território Britânico do Oceano Índico para uma perturbação tropical, atribuindo-lhe a designação "06R". O sistema continuou a se organizar, e se tornou um ciclone tropical significativo, segundo o Joint Typhoon Warning Center (JTWC), na madrugada (UTC) de 7 de dezembro. Logo em seguida, o CMRE de Reunião classificou a perturbação para uma depressão tropical, e para a tempestade tropical moderada Cleo no início daquela tarde. Cleo se intensificou para uma tempestade tropical severa no início da madrugada (UTC) de 8 de dezembro. A partir de então, Cleo começou a sofrer intensificação explosiva, e se tornou rapidamente um ciclone tropical intenso, segundo o CMRE de Reunião, tornando-se o ciclone tropical mais intenso no Índico Sudoeste desde o ciclone Hondo em 2009. Cleo atingiu seu pico de intensidade ainda naquele dia, com ventos máximos sustentados de 215 km/h (1 minuto sustentado), segundo o JTWC, ou 195 km/h (10 minutos sustentados), segundo o CMRE de Reunião.

A partir de então Cleo começou a se enfraquecer gradualmente, e deixou de ser um ciclone tropical intenso no início da madrugada (UTC) de 9 de dezembro, e se enfraqueceu para uma tempestade tropical severa ainda naquele dia. Com a piora das condições meteorológicas, Cleo se enfraqueceu para uma tempestade tropical moderada em 10 de dezembro, e para uma perturbação tropical no dia seguinte. A partir de então, Cleo alternou-se entre depressão e perturbação tropical várias vezes. Finalmente, em 14 de dezembro, o CMRE de Reunião desclassificou Cleo para uma área de perturbações meteorológicas remanescente e emitiu seu aviso final.

Tempestade tropical severa David

Na manhã (UTC) de 13 de dezembro, o Centro Meteorológico Regional Especializado (CMRE) de Reunião classificou uma área de perturbações meteorológicas a leste-sudeste do Território Britânico do Oceano Índico como a perturbação tropical 07R. Poucas horas depois, o Joint Typhoon Warning Center (JTWC) classificou o sistema para um ciclone tropical significativo, e lhe atribuiu a designação 05S. No entanto, o sistema logo atingiu seu pico de intensidade, com ventos máximos sustentados de 65 km/h, segundo o JTWC.

A partir de então, o ciclone começou a se enfraquecer assim que as condições meteorológicas pioraram, e tanto o JTWC quanto o CMRE de Reunião emitiram seus avisos finais sobre o sistema em 14 de dezembro. No entanto, após vários dias de inatividade, a área de baixa pressão remanescente do sistema voltou a mostrar sinais de organização em 20 de dezembro, e o CMRE de Reunião voltou a classificar o sistema para uma perturbação tropical, enquanto que o JTWC voltou a emitir avisos regulares sobre o sistema. No início da tarde (UTC) de 21 de dezembro, o CMRE de Reunião classificou o sistema para uma tempestade tropical moderada, e lhe atribuiu o nome "David". Seguindo para leste-sudeste, David continuou a se intensificar gradualmente, e se tornou uma tempestade tropical severa, segundo o CMRE de Reunião, na manhã de 24 de dezembro. No entanto, as condições atmosféricas pioraram novamente e David atingiu seu pico de intensidade, com ventos de até 100 km/h, segundo o JTWC.

A partir de então, David começou a se enfraquecer, e deixou de ser uma tempestade tropical severa no início da madrugada (UTC) de 25 de dezembro. O rápido enfraqucimento continuou, e David se enfraqueceu para uma depressão tropical, e para uma perturbação tropical, mais tarde naquele dia. Enquanto isso, o JTWC emitiu seu aviso final sobre o sistema. Ainda no início da tarde de 26 de dezembro (UTC), o CMRE de Reunião emitiu seu aviso final sobre o sistema.

Ciclone tropical muito intenso Edzani

Em 4 de janeiro, um sistema tropical já conhecido como a baixa tropical 03U adentrou à área de responsabilidade do CMRE de Reunião, que o classificou imediatamente como uma perturbação tropical. Horas depois, a perturbação se intensificou para uma depressão tropical. Na madrugada (UTC) de 6 de janeiro, o Joint Typhoon Warning Center (JTWC) classificou o sistema para um ciclone tropical significativo e lhe atribuiu a designação 07S. Poucas horas mais tarde, o CMRE de Reunião classificou o sistema para uma tempestade tropical moderada e lhe atribuiu o nome Edzani. Seguindo para oeste-sudoeste, Edzani continuou a se intensificar gradualmente e se tornou uma tempestade tropical severa no início da madrugada (UTC) de 7 de janeiro. A partir de então, Edzani começou a sofrer intensificação explosiva e se tornou um ciclone tropical, segundo o sistema de classificação do CMRE de Reunião, seis horas depois. Edzani se tornou um ciclone tropical intenso, segundo o CMRE de Reunião, ainda no início daquela noite (UTC). A rápida intensificação continuou, e Edzani intensificou-se para um ciclon tropical muito intenso no início da tarde de 8 de janeiro. Edzani foi o primeiro ciclone tropical muito intenso no Índico Sudoeste desde o ciclone Juliet em 2005. Edzani atingiu seu pico de intensidade no início da tarde (UTC) de 8 de janeiro, com ventos máximos sustentados (1 minuto sustentado) de 260 km/h, segundo o JTWC, ou 220 km/h (10 minutos sustentados) segundo o CMRE de Reunião.