Penguin Books Limited é uma editora britânica fundada em 1935 por Allen Lane com seus irmãos Richard e John.Os irmãos de Allen, Richard e John, foram cofundadores e acionistas, embora Allen fosse a figura dominante da empresa. John morreu em serviço em 1942 e Richard vendeu sua participação a Allen antes de a companhia abrir seu capital em 1961. The Penguin Companion, pp. 80-81, Penguin Collectors' Society, 2006. Criada inicialmente como um selo da The Bodley Head, a Penguin tornou-se uma empresa independente no ano seguinte. Na década de 1930, seus livros de bolso baratos, vendidos pela Woolworths e por outras lojas por seis pence, levaram obras de ficção e não ficção a um público muito maior.O tamanho original era o formato "A", de 111 × 181 mm. Quando os primeiros livros de bolso da Penguin chegaram às lojas em 1935, custavam apenas seis pence, o mesmo preço de um maço de cigarros, o que tornou obras literárias de qualidade acessíveis ao mercado de massa. O sucesso mostrou que havia um grande público para livros de conteúdo mais exigente. As publicações da editora sobre política, artes e ciência também alcançaram ampla circulação na sociedade britânica.Joicey, Nicholas, "A Paperback Guide to Progress: Penguin Books 1935-c.1951", Twentieth Century British History, vol. 4, n.º 1, pp. 25-56, 1993. Ver também Ross McKibbin, Classes and Cultures: England 1918-1951, Oxford, 1998, .

Penguin Books é um selo da multinacional Penguin Random House, grupo formado em 2013 pela fusão do Penguin Group com a editora norte-americana Random House, então subsidiária do grupo alemão de mídia Bertelsmann.Mark Sweney, "Penguin and Random House merger to create biggest book publisher ever seen", The Guardian, 29 de outubro de 2012. O Penguin Group pertencia integralmente à Pearson PLC, empresa britânica de mídia que também controlava o Financial Times."About Penguin: Publishing structure". Penguin Books. Arquivado em 15 de abril de 2012. Na criação da Penguin Random House, a Pearson ficou com 47% da nova companhia. Sua participação caiu para 25% em julho de 2017. Desde abril de 2020, a Penguin Random House pertence integralmente à Bertelsmann. A empresa integra o grupo das cinco maiores editoras de língua inglesa, ao lado de Holtzbrinck-Macmillan, Hachette, HarperCollins e Simon & Schuster.

A sede registrada da Penguin Books fica em Westminster, em Londres."26. What is Penguin Books Limited's company registration number?". Penguin Books. Arquivado em 11 de julho de 2009. Consultado em 28 de agosto de 2009."Maps". City of Westminster. Arquivado em 5 de setembro de 2011. Consultado em 28 de agosto de 2009.

Origens

miniaturadaimagem|Placa que assinala o cinquentenário da fundação da Penguin Books por Allen Lane, no número 8 da Vigo Street

Os primeiros livros de bolso da Penguin foram publicados em 1935, inicialmente como um selo da The Bodley Head, que tinha sede na Vigo Street, em Londres. Os livros eram distribuídos a partir da cripta da igreja Holy Trinity Church Marylebone.Primeiros 30 livros publicados, com base em Byrne, Donn, Hangman's House, Londres, Penguin Books, 1936. A lista de livros 1-30 figurava na quarta capa e incluía Ariel: a Shelley Romance, de André Maurois, Adeus às Armas, de Ernest Hemingway, Poet's Pub, de Eric Linklater, Madame Claire, de Susan Ertz, The Unpleasantness at the Bellona Club, de Dorothy L. Sayers, Gone to Earth, de Mary Webb, e Carnival, de Compton Mackenzie.

Lane contou que a baixa qualidade do material de leitura à venda na estação ferroviária Exeter St Davids lhe dera a ideia de criar livros baratos, bem projetados e de boa qualidade para um público amplo.Morpurgo, 1979, p. 80. A questão de como as editoras poderiam alcançar mais leitores fora discutida em uma conferência em Rippon Hall, Oxford, em 1934, da qual Lane participou. Naquele período, a publicação de literatura em brochuras de baixo preço era ligada sobretudo à ficção popular barata. A marca Penguin, porém, também tomou como referência o breve selo Albatross, que publicou reedições britânicas e norte-americanas em 1932.Baines, Penguin by Design, p. 13. A Albatross, por sua vez, tinha como antecedente os livros em inglês publicados pela Tauchnitz, de Leipzig, desde o início da década de 1840. Ver também Wood, Dignified Flippancy, pp. 1-6, para uma história do livro de bolso anterior à Penguin. Quando Lane disse que queria um mascote "digno, mas irreverente", sua secretária Joan Coles propôs o pinguim. Os irmãos Lane, Allen, Dick e John, escolheram então o nome Penguin Books.

Os livros de bolso baratos não pareciam inicialmente viáveis para a Bodley Head, pois o preço deliberadamente baixo de seis pence tornava incerta a obtenção de lucro. Essa percepção permitiu que Lane comprasse direitos de publicação de algumas obras por valores menores do que provavelmente conseguiria em outras circunstâncias, já que os editores não esperavam que o negócio durasse. A resistência do comércio livreiro tradicional começou a ceder quando a Woolworths comprou 63.000 exemplares. A encomenda pagou o projeto, confirmou sua viabilidade comercial e permitiu que Lane criasse a Penguin como empresa separada em 1936.Lewis, Penguin Special, 2005, cap. 5, par. 30. Em março de 1936, dez meses depois do lançamento da empresa em 30 de julho de 1935, um milhão de livros Penguin já haviam sido impressos.

A Penguin publicou apenas edições em brochura até a estreia da série King Penguin em 1939. Mais tarde iniciou a Pelican History of Art. Como o comprimento e o grande número de ilustrações impressas em papel especial tornavam essas obras pouco adequadas ao formato de bolso, elas receberam encadernação em tecido.Baines, Penguin by Design, 2005, p. 76. Editados por Pevsner, os volumes foram "concebidos para agradar ao gosto geral por objetos de recordação", Susie Harries, Nikolaus Pevsner: The Life, p. 321, e tomavam como modelo os livros de arte da Insel-Verlag.

A Penguin Books Inc. foi constituída em 1939 para atender à legislação de direitos autorais dos Estados Unidos. Apesar de entrar tarde em um mercado de livros de bolso já estabelecido, teve bons resultados sob o vice-presidente Kurt Enoch com títulos como What Plane Is That e The New Soldier Handbook. A expansão trouxe Eunice Frost para a empresa. Ela entrou como secretária, tornou-se editora e depois diretora, participando da condução da companhia. Em 1945, recebeu a tarefa de reconstruir a Penguin Inc. depois da saída de seu primeiro diretor-geral, Ian Ballantine.Lewis, Penguin Special, 2005, cap. 11, par. 12.

O projeto gráfico foi uma parte central da fórmula da Penguin. Em vez das capas ilustradas e chamativas de outras editoras de livros de bolso, a empresa adotou um desenho simples formado por três faixas horizontais. As faixas superior e inferior recebiam cores diferentes conforme a série a que o título pertencia, desenho às vezes chamado de grade horizontal. No painel branco central, o nome do autor e o título eram impressos em Gill Sans. Na faixa superior havia um cartucho com a inscrição "Penguin Books". O primeiro desenho foi criado por Edward Young, então com 21 anos e funcionário iniciante do escritório, que também desenhou a primeira versão do logotipo do pinguim. Séries como Penguin Specials e The Penguin Shakespeare receberam desenhos próprios. Em 1937, apenas S1 e B1-B18 haviam sido publicados.

O esquema de cores usava laranja e branco para ficção geral, verde e branco para ficção policial, rosa-cereja e branco para viagens e aventuras, azul-escuro e branco para biografias, amarelo e branco para obras diversas, vermelho e branco para teatro, o menos frequente roxo e branco para ensaios e belles-lettres, e cinza e branco para assuntos internacionais. Lane resistiu durante anos à introdução de imagens nas capas. Algumas edições mais recentes de obras daquela época reproduziram o visual original. Em 1937, a sede da Penguin foi instalada em Harmondsworth, Middlesex, área que passou a fazer parte da Grande Londres.

Anos de guerra

miniaturadaimagem|Edição inglesa da Penguin do romance The Tanker "Derbent", de Yuri Krimov

Durante a Segunda Guerra Mundial, a Penguin ganhou presença em todo o país. Embora não tivesse função oficial no esforço de guerra, participou dele com manuais de grande venda, entre eles Keeping Poultry and Rabbits on Scraps e Aircraft Recognition, e com o fornecimento de livros às Forças Armadas e a prisioneiros de guerra britânicos. A Penguin imprimiu cerca de 600 títulos e iniciou 19 séries.Lewis, Penguin Special, 2005, cap. 8, par. 1. A procura por livros cresceu enormemente e a editora ficou em posição especialmente favorável entre suas concorrentes.Lewis, Penguin Special, 2005, cap. 8, par. 8, cita George Orwell: "Um fenômeno da guerra foi a enorme venda de livros Penguin, livros Pelican e outros títulos baratos, a maioria dos quais teria sido considerada de um intelectualismo impossível poucos anos atrás."

O racionamento de papel foi um dos principais problemas das editoras durante a guerra. A queda da França interrompeu o fornecimento de esparto, uma das matérias-primas da celulose usada pela Penguin. Quando o racionamento começou em março de 1940, o Ministério do Abastecimento atribuiu a cada editora uma cota calculada como porcentagem da quantidade utilizada entre agosto de 1938 e agosto de 1939.Lewis, Penguin Special, 2005, cap. 8, par. 5. A regra favoreceu a Penguin, que imprimia em grandes tiragens e tivera um ano de vendas muito forte. Em outro acordo, desta vez com o Governo do Canadá, a Penguin aceitou publicar com exclusividade edições para as forças armadas canadenses e recebeu o pagamento em toneladas de papel.Wood, A Sort of Dignified Flippancy, 1983, p. 23.

Em janeiro de 1942 entraram em vigor as normas do Book Production War Economy Agreement, que determinaram regras para a qualidade do papel, tamanho da tipografia e margens. A Penguin eliminou as sobrecapas, reduziu as margens e substituiu encadernações costuradas por grampos metálicos. Além da piora visível no acabamento, tornou-se praticamente impossível publicar livros com mais de 256 páginas, e alguns títulos saíram de catálogo por falta de material.Lewis, Penguin Special, 2005, cap. 8, par. 7. Além de sua cota de papel, em 1941 a Penguin fechou um acordo com o War Office, por meio dos contatos de Bill William com o Army Bureau of Current Affairs e o Arts Council of Great Britain, para fornecer livros às tropas pelo chamado Forces Book Club. Em troca de dez títulos por mês, cada um com tiragem de 75.000 exemplares e preço de 5 pence, a Penguin recebia cerca de 61 toneladas de papel por mês.Wood, Dignified Flippancy, 1983, p. 23.

No início, cada livro de bolso trazia no rodapé da quarta capa a mensagem "PARA AS FORÇAS ARMADAS - Depois de ler este livro, deixe-o em uma agência dos correios, para que homens e mulheres em serviço também possam aproveitá-lo". O leitor era convidado a utilizar o envio gratuito de livros às tropas oferecido pelo Royal Mail. Como a procura no mercado interno ultrapassava a oferta, Lane buscou exclusividade sobre livros para o Exército produzidos especificamente para distribuição no exterior. O fornecimento de papel já garantido deixou a Penguin em posição favorável depois da guerra, quando o racionamento prosseguiu. Somada à popularidade da empresa, essa vantagem levou concorrentes a ceder à Penguin direitos para reedições em formato de bolso.

Depois da guerra