thumb|350px|Fachada do Palácio de Eguemberga com o portal de entrada

O Palácio de Eggenberg ou Palácio de Eguemberga (), em Graz, é o mais significativo complexo palaciano barroco na Estíria.Das Joanneum – Österreichs Universalmuseum. 2006. Com os seus preservados complementos, os extensos jardins cenográficos, assim como algumas colecções adicionais do Universalmuseum Joanneum alojadas no palácio e parque, o Palácio de Eguemberga conta-se entre os mais valiosos bens culturais da Áustria. Com a história da sua construção e dos seus equipamentos, mostra as mudanças e o mecenato da nobre Casa de Eguemberga, a outrora mais poderosa família da Estíria, da qual foi sede.

O palácio está localizado a limite oeste de Graz, a capital da Estíria. Além dos jardins históricos e das salas de aparato, o Palácio de Eguemberga também oferece a oportunidade de visitar outras colecções: o canto norte do parque do palácio apresenta o Jardim dos Planetas (Planetengarten), e o lapidário de cantaria romana, assim como a entrada para o novo Museu Arqueológico, o qual acolhe a Carroça de Culto de Strettweg. A colecção de numismática, localizada nas antigas salas de cunhagem imperial de que remontam à Baixa Idade Média, e a colecção da Alte Galerie ("Galeria Antiga"), constituída por obras de arte datadas desde a época medieval até à Idade Moderna, também estão expostas no próprio palácio.

História e arquitectura Construção thumb|esquerda|Perspectiva ideal de Eguemberga. Gravura em cobre por Andreas Trost, antes de 1700

Actualmente, apresenta-se à primeira vista como uma única nova construção do . No entanto, grande parte dos edifícios remontam à Baixa Idade Média e a construção continuou até ao início da Idade Moderna.

, financeiro de Frederico III, Sacro Imperador Romano-Germânico, comprou, entre 1460 e 1463, o "Orthof" nos campos de Algersdorf, a oeste de Graz. Esta residência nobre fortificada adquiriu o nome da família, sendo remodelada e ampliada nos anos seguintes. Ainda antes de 1470 foi construída uma capela quadrada na torre autónoma. Uma indulgência papal datada de 30 de maio de 1470 confere certos privilégios à "Capella Beate Marie Virginis Sita In Castro Eckenperg" - a Capela da Virgem Maria no Castelo de Eguemberga. Este documento prevê o "terminus ante quem" para a sua conclusão. Baltasar doou para esta capela um magnífico políptico, cujos painéis estão actualmente de volta ao local original. Esta capela tornar-se-ia no núcleo do novo palácio construído pelo bisneto de Baltasar, João Ulrico de Eguemberga.Becker, U. "The Eggenberg Altarpiece" in Schloss Eggenberg. Graz: Christian Brandstätter Verlag, 2006, p. 14.

thumb||180px|Gravura em cobre com o retrato de João Ulrico de Eguemberga,

No , este castelo medieval, provavelmente em forma de "L", com uma torre foi repetidamente ampliado e adaptado à posição social da família. Características no edifício, a parte desta fase de construção ainda hoje visível, são os caixilhos das janelas, que dão informação sobre a antiga altura dos pisos, janelas bíforas travejadas e enquadradas com folhas de acanthus e pitorescas decorações em salas separadas.

Como este edifício já não podia atender as exigências da nova família principesca, começaram em 1625 renovações fundamentais. Durante a Guerra dos Trinta Anos, João Ulrico de Eguemberga, o jovem primo do General Ruprecht de Eguemberga, conduziu, como um soberbo diplomata e estadista, a política externa do seu imperador, Fernando II,Schloss Eggenberg. 2006, p. 43.The Thirty Years War. 1961, p. 60. enquanto o seu homólogo e adversário político, o Cardeal Richelieu, guiava a do rei Luís XIII de França.The Thirty Years War. 1961, p. 183.Schloss Eggenberg. 2006, p. 105. Como chancelerA sua verdadeira posição era Obersteminister e Presidente Conselho Privado, o que fez dele um primeiro-ministro inicial na terminologia política contemporânea. e confidente pessoal próximo de Fernando II, João Henrique desejou uma grandiosa residência representativa do seu novo estatuto e autoridade quando foi nomeado "Gubernator" (Governador) da Áustria Interior, depois do imperador escolher Viena como sua capital imperial.Schloss Eggenberg. 2006, p. 97. As partes mais antigas já existentes foram habilmente integradas no novo edifício. A sede da família não foi completamente destruída, por um lado, provavelmente devido ao elevado custo dos materiais de construção e, ao mesmo tempo, por um desejo manifesto. A capela gótica de Santa Maria manteve-se inalterada, sendo mesmo designada como ponto central da nova disposição.

250px|thumb|esquerda|Representação pictórica de Mercúrio no Salão dos Planetas

Em 1625, o Príncipe João Ulrico de Eguemberga encarregou o arquitecto da corte Giovanni Pietro de Pomis com o planeamento do seu novo palácio. Natural de Lodi, perto de Milão, de Pomis tornou-se no mais importante artista da corte de Graz como arquitecto, pintor e medalhista.Schloss Eggenberg. 2006, p. 86. Juntamente com João Henrique, tinha acompanhado o arquiduque Fernando na visita da corte à Itália e à Espanha. Esta deslocação influenciou, com grande probabilidade, a linguagem formal arquitectónica de Pomis. O seu estilo baseia-se na arquitectura maneirista italiana, mencionando especialmente os edifícios de Palladio e o caracteristicamente sóbrio Estilo Herreriano. A disposição do piso térreo do Palácio de Eguemberga segue quase fielmente a do Palazzo Thiene, de Vicenza, enquanto o exterior, apesar das enormes diferenças de dimensão, recorda duma forma incrivelmente forte o Palácio e Mosteiro de El Escorial, perto de Madrid.Schloss Eggenberg. 2006, p. 98. Outros paralelos podem ser encontrados nas semelhanças estilísticas, como a sobriedade e a ênfase dada à horizontalidade das fachadas, a elevação duma torre em cada canto, assim como o confronto entre o salão de festas e a igreja. No entanto, a característica mais importante comum a estes dois edifícios encontra-se no simbolismo da arquitectura, que formulou as ideias dos respectivos proprietários sobre a natureza do universo numa global abordagem intelectual simbólica.

thumb|280px|O Palácio de Eguemberga no inverno

O próprio De Pomis conduziu os trabalhos de construção até à sua morte, ocorrida em 1631. O mestre construtor de fortalezas Laurenz van de Syppe continuou o trabalho por dois anos, até que a construção acabou por ser terminada por ambos os contramestres de De Pomis, Pietro Valnegro e Antonio Pozzo. A estrutura parece ter ficado concluída em 1635 ou 1636, a que se seguiram os trabalhos de ornamentação de pedreiros e carpinteiros, entre 1641 e 1646. Nessa época, o palácio já era utilizável e foi temporariamente habitado pela família. Com a morte repentina do segundo príncipe, Johann Anton, o trabalho de ornamentação do piso nobre foi temporariamente interrompido.

A partir de 1666, Johann Seyfried de Eguemberga, neto de João Henrique, desenvolveu o palácio de acordo com o esplendor e a grandeza do estilo barroco. Sob o seu patrocínio, foram realizadas em apenas sete anos as cerca de 600 pinturas do ciclo de tectos das salas de aparato. O palácio devia estar concluído em 1673, uma vez que nesse ano hospedou a noiva imperial, a Arquiduquesa Claudia Felizitas do Tirol, por ocasião do seu casamento em Graz com Leopoldo I, Sacro Imperador Romano-Germânico.Schloss Eggenberg. 2006, p. 68. Só o salão de festas não tinha qualquer decoração pictórica. Hans Adam Weissenkircher começou o seu serviço como pintor da corte principesca de Eguemberga em 1678, tendo concluído o ciclo de pinturas do salão de festas, agora chamado de Salão dos Planetas, em 1684/1685, completando, deste modo, a primeira fase dos trabalhos.

thumb|250px|esquerda|Pavão frente à fachada principal do Palácio de Eguemberga

Depois da extinção da linha masculina da família de Eguemberga, as salas de aparato do Palácio de Eguemberga foram deixadas meias vazias e em estado de abandono. O marido da última princesa de Eguemberga, Conde Leopoldo, Conde Herberstein, ordenou uma profunda renovação do complexo.Schloss Eggenberg. 2006, p. 204. Entre 1754 e 1762, o edifício e o jardim passaram por uma importante segunda fase de decoração, desta vez em completo acordo com os gostos do rococó. Em particular, a apresentação do piano nobile foi modernizada. No entanto, o Salão dos Planetas e todo o ciclo das pinturas de tecto permaneceram quase inalterados. Desta forma, os trabalhos limitaram-se às decorações das paredes, lareiras e peças de mobiliário. De acordo com os gostos da época, foram introduzidos três gabinetes do leste asiático e cinco salas de aparato do lado norte receberam novos revestimentos de parede. A mais extensa alteração foi, provavelmente, a demolição do teatro do Palácio de Eguemberga, no lugar do qual foi erguida uma igreja palaciana barroca. O director destas obras foi o arquitecto da corte de Graz Joseph Hueber, um aluno de Johann Lukas von Hildebrandt.

A terceira fase de evolução ocorreu durante o e limitou-se às salas residenciais do primeiro andar do palácio. O piano nobile permaneceu intacto e sem uso por todo um século. O principal foco de atenção neste período foi a total transformação do jardim formal barroco num romântico jardim paisagístico em estilo inglês.

Todo o complexo permaneceu na posse da família Herberstein até 1939. Pouco antes da Segunda Guerra Mundial, o Palácio de Eguemberga foi adquirido com o seu parque pela província da Estíria. O mais antigo museu na Áustria, o Landesmuseum Joanneum, que havia sido instituído no dia 26 de Novembro de 1811, encarregou-se da administração do palácio e do parque. Foi este museu que conduziu os extensos trabalhos de restauro e reparação dos danos que ocorreram durante a Segunda Guerra Mundial e a subsequente ocupação pelos Aliados, tendo reaberto ao público o Palácio de Eguemberga e o seu parque em 1953.

Programa thumb|200px|esquerda|Vista aérea do Palácio de Eguemberga

Com a sua nova residência, o príncipe João Ulrico de Eguemberga, o criador intelectual do programa do palácio, realizou um conceito arquitectónico profundamente influenciado pelas noções humanistas da magia como a prática da filosofia natural e da ordem racional do mundo. Acima de tudo, a astronomia, a astrologia e a alquimia eram importantes componentes na educação dum príncipe urbano. Além de representar o novo estatuto do príncipe, todos estes aspectos foram incorporados no conceito do novo edifício como um símbolo do Universo como um sistema bem ordenado, hierarquizado e lógico-matematicamente explicável.

De planta rectangular, o centro geométrico é formado pela torre central que se ergue por cima da capela gótica. Em cada esquina eleva-se uma torre. A esquina exterior de cada uma das quatro torres indica precisamente um ponto cardeal. O número quatro representa ainda as quatro estações do ano e os quatro elementos. Uma outra base para a construção do Universo do Palácio de Eguemberga é o calendário. O sistema do calendário gregoriano representava uma grande inovação no momento da construção do palácio, ordenando a sua edificação lógica e matematicamente e reflectindo todos os valores da época. O Palácio de Eguemberga tem 365 janelas exteriores, uma para cada dia do ano. Destas, 52 encontram-se nas 24 salas do piano nobile, representando as semanas dum ano. O segundo andar contém essas 24 salas de aparato numa disposição em forma de anel, o que simboliza as horas de cada dia. Uma vez que todo o edifício está estruturado simetricamente, o segundo andar é formado por duas metades iguais, incluindo uma das metades 12 salas para o dia e a outra metade 12 para a noite. Cada piso no edifício contém exactamente 31 divisões, contando o número máximo de dias num mês do calendário. As 52 janelas do piano nobile com as 8 janelas do Salão dos Planetas formam um total de 60, representando tanto o número de segundos num minuto, como o número de minutos numa hora.