Memoirs of an Imperfect Angel é o décimo segundo álbum de estúdio da artista musical estadunidense Mariah Carey. Foi lançado primeiramente no México em 28 de setembro de 2009, com distribuição mundial feita posteriormente através da editora discográfica Island Records. Carey começou a gravação do projeto pouco tempo depois do término da promoção de seu trabalho anterior, E=MC² (2008), em meio ao cancelamento de uma turnê que o promoveria. O disco foi majoritariamente produzido por ela em parceria com os produtores The-Dream e Tricky Stewart, diferenciando-se dos álbuns anteriores de sua discografia, que ostentaram uma grande variedade de diferentes produtores. Além deste feito, Memoirs of an Imperfect Angel também caracteriza-se por ser o primeiro álbum de Carey sem apresentar artistas convidados desde Daydream (1995).

Após seu lançamento, Memoirs of an Imperfect Angel recebeu avaliações geralmente positivas. Alguns críticos disseram que o álbum era um dos mais sonoramente consistentes do catálogo da artista, enquanto outros sentiram falta de singles de maior impacto e entraram em discordância sobre a voz de Carey. Em termos comerciais, o álbum foi um sucesso, embora menor que o alcançado por E=MC². Nos Estados Unidos, o projeto estreou na terceira posição da tabela Billboard 200, vendendo 168.000 cópias na primeira semana e sendo posteriormente certificado como disco de platina pela Recording Industry Association of America (RIAA). Também foi bem sucedido mundialmente, figurando entre os 10 discos mais vendidos em países como Austrália, Dinamarca e Japão, e contabilizando cerca de 2 milhões de exemplares vendidos ao redor do mundo.

Para a promoção do álbum, seis canções do álbum foram lançadas como singles. "Obsessed" foi a melhor estreia da artista na tabela Billboard Hot 100 em mais de uma década, alcançando a sétima posição. "I Want to Know What Love Is", embora tenha obtido um sucesso moderado mundialmente, quebrou recordes ao figurar em primeiro lugar no Brasil por 27 semanas consecutivas. Outros singles lançados foram "H.A.T.E.U.", "Up Out My Face" e "Angels Cry", com os dois últimos sendo originalmente do álbum de remixes Angels Advocate, que foi posteriormente cancelado. "It's a Wrap" foi lançada como single em 2023 após viralizar através das redes sociais. Carey também promoveu o disco em uma variedade de aparições televisionadas em diversos países, antes de embarcar na Angels Advocate Tour, que visitou cidades nos Estados Unidos e Canadá entre 2009 e 2010.

Antecedentes e produção

Após o sucesso mundial de The Emancipation of Mimi (2005), que foi seu disco "de retorno" ao êxito comercial em sucessão a uma fase de fracassos comerciais e de crítica, Carey lançou seu décimo primeiro álbum de inéditas E=MC² em abril de 2008. O trabalho estreou no topo da tabela Billboard 200, com 463.000 cópias vendidas, a melhor semana de estreia de toda sua carreira, tornando-se também seu sexto disco a alcançar o primeiro lugar. A primeira faixa de trabalho de E=MC², "Touch My Body", alcançou a posição máxima da Billboard Hot 100, tornando-se o 18º pódio de Carey na tabela, fazendo dela a artista solo com maior quantidade de músicas em primeiro lugar na história dos Estados Unidos, superando o recorde até então pertencente a Elvis Presley. Carey passaria a perder somente para os Beatles, que detêm 20 lançamentos nessa posição. Para a promoção do trabalho, Carey planejou embarcar em uma extensa turnê no final de 2008, embora ela nunca veio a acontecer. Mais tarde, ela afirmou que estava grávida durante esse período e sofreu um aborto espontâneo, por isso cancelou a turnê.

No início de 2009, o produtor The-Dream, com quem Carey já havia trabalhado em E=MC², declarou que estava trabalhando no futuro décimo segundo álbum da cantora, e que sua intenção era produzi-lo por completo. Ele disse que o plano era focar nos sucessos antigos da cantora como fonte de inspiração e dessa forma "fazer um álbum de maiores sucessos, sem utilizar seus maiores sucessos." No mês seguinte, The-Dream revelou em seu blog no MySpace que estava finalizando sete canções para o disco de Carey. A maioria do material foi coproduzida por ele em conjunto com Tricky Stewart; a artista comentou que gostou de colaborar com a dupla, uma vez que eles deram a ela "a liberdade de me expressar de uma forma que eu talvez não tivesse me sentido capacitada o suficiente para fazer no passado". Além da dupla supracitada, James "Big Jim" Wright foi um dos produtores do disco, sendo responsável pelas instrumentais gravadas ao vivo de algumas faixas, atendendo a um desejo dos fãs da cantora. Durante as sessões de Memoirs of an Imperfect Angel, Carey trabalhou com Timbaland pela primeira vez em sua carreira, bem como voltou a produzir material com seu antigo colaborador Jermaine Dupri. No entanto, nenhuma das canções produzidas por eles figurou na lista final de faixas, mas a artista assegurou que haviam planos futuros para elas.

Estrutura musical Temas e estilo

Carey revelou que em Memoirs of an Imperfect Angel, "cada música é seu próprio instantâneo de um momento em uma história", que "fluem perfeitamente umas nas outras", enquanto "outras são muito diferentes"; ela também destacou o senso de humor presente no álbum. Jody Rosen, da Rolling Stone, notou que no disco "ela entra em contato com seu lado engraçado", em que ela chega a zombar de sua própria extensão vocal. A artista mencionou que Memoirs of an Imperfect Angel era sobre o empoderamento feminino, dizendo: "Há músicas nele que estão apenas dizendo (aos homens), 'Eu não preciso de você.'" Rosen viu o disco "uma mistura de baladas e hinos atrevidos de separação", enquanto Sal Cinquemani, da revista Slant Magazine, descreveu o álbum como um "disco de separação", com Carey "chutando todos os tipos de homens para o meio-fio" durante quase todo seu curso. No entanto, Adam R. Holz escreveu no website Plugged In que "algumas de suas faixas refletem [a] felicidade conjugal" vivida por ela com seu então marido, Nick Cannon, apesar de não ter se esquecido de como "explorar velhas feridas emocionais para o máximo impacto emocional".

Memoirs of an Imperfect Angel difere-se dos trabalhos anteriores de sua discografia ao se opor ao uso de uma grande variedade de diferentes produtores e não apresentar artistas convidados, tornando-se seu primeiro álbum com tal feito desde Daydream (1995). Também foi percebido que Carey não fez uso de sua máxima potência vocal no disco, dando lugar a "vocais acessíveis com os quais humanos normais podem cantar junto". A maioria do material ostenta uma mistura de baladas, faixas de R&B de andamento mediano e slow jams, substituindo as canções influenciadas pelo hip hop presentes em seus álbuns anteriores, com "Obsessed" e "Ribbon" sendo o mais próximo que o álbum chega do gênero. Dan Aquilante, do New York Post, descreveu o material como tão diferente de seus últimos discos que até mesmo seus fãs mais devotos deveriam ter cuidado ao ouvir — e ouvir novamente — antes de julgá-lo.

Música e letras thumb|left|200px|Uma série de jornalistas apontaram referências ao rapper Eminem (foto) em mais de uma canção do disco. Memoirs of an Imperfect Angel inicia com "Betcha Gon' Know (The Prologue)", envolvendo Carey encontrando seu interesse amoroso a traindo com uma mulher nua, e compara a seriedade de seu coração partido com noticiários como 60 Minutes, 20/20 e The Oprah Winfrey Show. A segunda faixa e primeiro single do álbum, "Obsessed", detalha a raiva e a ansiedade por ser perseguida por um homem que alega de forma mentirosa que manteve relações sexuais com ela. Vários críticos acreditaram que o homem em questão era o rapper Eminem, que havia espalhado rumores sobre um suposto envolvimento amoroso entre os dois. "H.A.T.E.U." é um acrônimo para "Having a Typical Emotional Upset", e é sobre chegar ao ponto após um rompimento amoroso onde não se sente mais amor ou dor, com o sentimento transformando-se em ódio. Em "Candy Bling", Carey deseja poder reviver relacionamentos anteriores que lhe proporcionaram momentos felizes, enquanto em "Ribbon", ela canta de forma positiva sobre o amor, "Você dá calafrios no meu corpo… e garoto, eu tenho seu amor na minha mente", e em "Inseparable", a artista canta sobre o amor verdadeiro acompanhada pelo som de um baixo. Em "It's a Wrap", Carey se certifica de que um ex-namorado traidor saiba que a relação entre os dois acabou para sempre, e para isto usa "palavras particularmente duras" sobre uma batida de doo wop.

A próxima música "Up Out My Face" compartilha semelhanças líricas com a anterior, com a cantora declarando: "Se fôssemos dois blocos de Lego, nem mesmo a turma inteira de formandos de 2010 de Harvard conseguiria nos juntar novamente!". Foi observado que a parte da letra em que Carey canta "Eu sei que você não é um rapper, então você precisa parar de falar tanto assim" seria também uma referência a Eminem. A "reprise" da música segue, com uma coda de banda marcial. A faixa "More Than Just Friends" fala sobre se deleitar na glória do amor, cuja letra traz a cantora zombando de sua própria assinatura vocal: "Me ame até eu atingir o topo do meu soprano", ela arrulha. "The Impossible" foi escrita por Carey sobre seu casamento com Nick Cannon. Nela, ela explica sua ideia de uma noite romântica: "deitada na cama, ouvindo Jodeci". "Angel (The Prelude)" consiste apenas em Carey fazendo seu característico vocal de apito, enquanto na canção que segue, "Angels Cry", ela abriga esperança por um relacionamento rompido enquanto canta em tom agudo sobre piano e estalos de dedos, afirmando: "Estou disposta a viver e morrer por nosso amor/Baby, podemos recuperar esse brilho". Em "Languishing", Carey canta acompanhada por um piano. O álbum finaliza com uma regravação da canção da banda Foreigner, "I Want to Know What Love Is", lançada originalmente em 1984. A versão defendida por Carey apresenta um coral gospel e seus vocais de apito.

Lançamento e divulgação Carey revelou o título do álbum em maio de 2009 através da rede social Twitter, onde escreveu: "Porque eu amo vocês, eu quero que vocês saibam o título do meu álbum Memoirs of an Imperfect Angel", descrevendo-o como "pessoal" e dedicado aos fãs. Ela também revelou que ele foi inspirado no título do álbum Perfect Angel (1974), de Minnie Riperton, cantora que exerceu grande influência em seu jeito de cantar. Memoirs of an Imperfect Angel foi inicialmente projetado para ser lançado em 25 de agosto de 2009 nos Estados Unidos através da gravadora Island, mas teve seu lançamento adiado para 15 de setembro; no entanto, o álbum sofreu um novo adiamento para 29 de setembro de 2009, uma vez que as gravações não haviam sido concluídas. Em razão disso, as aparições promocionais que Carey faria em eventos como o MTV Video Music Awards de 2009 e VH1 Storytellers foram canceladas para que ela pudesse "dar os toques finais" ao material. Antes do lançamento do projeto, a gravadora de Carey organizou uma série de eventos em Tóquio, Hong Kong, Londres e Berlim para que membros da imprensa especializada pudesse ouvir antecipadamente seis faixas do álbum, sendo elas "Obsessed", "H.A.T.E.U.", "Candy Bling", "The Impossible", "Standing O" e "I Want to Know What Love Is".