Geografia de Coronel Fabriciano se refere às características naturais do município brasileiro supracitado, localizado no interior do estado de Minas Gerais, como relevo, hidrografia e outros aspectos de sua composição física. Coronel Fabriciano está situado no Vale do Rio Doce, no leste mineiro, abrangendo uma área de 221 quilômetros quadrados. A população de cerca de 100 mil habitantes está distribuída sobretudo na zona urbana, que corresponde a 7% da área total e se localiza a cerca de 200 quilômetros a leste da capital do estado, Belo Horizonte.
O município apresenta relevo predominantemente acidentado, sendo que cerca de 80% da área municipal é coberta por mares de morros. As maiores elevações do território fabricianense se encontram no interior da Serra dos Cocais, onde a altitude máxima alcança os metros acima do nível do mar. Nos Cocais, também estão situadas diversas nascentes de pequenos córregos e ribeirões, a exemplo do ribeirão Caladão, que corta o perímetro urbano da cidade. A sul de Coronel Fabriciano, delimitando sua divisa com o município de Timóteo, está o rio Piracicaba.
O clima de Coronel Fabriciano é tropical quente semiúmido, caracterizado por uma estação seca e amena nos meses de inverno em contraste com o período quente e chuvoso do verão. A vegetação nativa do município pertence ao domínio da Mata Atlântica, porém a monocultura de reflorestamento com eucalipto ocupa quase 60% da área municipal, tendo como objetivo a produção de madeira destinada às indústrias da Região Metropolitana do Vale do Aço (RMVA), a qual a cidade está incluída e que corresponde a um dos maiores polos urbanos do estado de Minas Gerais.
Localização O município de Coronel Fabriciano ocupa uma área de quilômetros quadrados. Está localizado no interior de Minas Gerais, na região leste da unidade federativa. De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária e Imediata de Ipatinga. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Ipatinga, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Vale do Rio Doce. Limita-se com Joanésia e Mesquita a norte, Ferros a oeste, Antônio Dias a sudoeste, Timóteo a sul e Ipatinga a leste.
Da área total, constituem o perímetro urbano, que se situa entre os paralelos 19°31'08" de latitude sul e 42°37'44" de longitude oeste e está a da capital mineira. Administrativamente, constitui-se pelo distrito-sede e pelo distrito de Senador Melo Viana, que ocupa a porção norte da zona urbana e tem área total de . A cidade também é dividida em bairros oficiais e "setores de planejamento", de acordo com a prefeitura.
Região metropolitana
thumb|esquerda|Imagem de satélite mostrando Coronel Fabriciano (ao meio da imagem) e parte de suas vizinhas Ipatinga (acima) e Timóteo (abaixo) O intenso crescimento dessa região tem tornado inefetivas as fronteiras políticas entre seus municípios, formando-se a Região Metropolitana do Vale do Aço, envolvendo Coronel Fabriciano juntamente com as cidades de Ipatinga, Santana do Paraíso e Timóteo, além dos outros 24 municípios que fazem parte do chamado colar metropolitano. A região se tornou conhecida internacionalmente em virtude das grandes empresas que sedia, a exemplo da Cenibra (em Belo Oriente), Aperam South America (em Timóteo) e Usiminas (Ipatinga), todas com um considerável volume de produtos exportados, sendo um dos maiores pólos urbanos do estado de Minas Gerais. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os quatro principais municípios reuniam, em 2022, um total de habitantes.
Coronel Fabriciano sediava os complexos industriais da Aperam South America (antiga Acesita) e Usiminas. Na época da implantação das grandes siderúrgicas na cidade houve um grande crescimento populacional desordenado na região e em 1964 os municípios de Ipatinga e Timóteo se desmembraram, o que incluiu os territórios das indústrias. Vários trabalhadores dessas empresas, entretanto, continuaram a morar em Coronel Fabriciano, enquanto as receitas tributárias e a maior parte das ações sociais promovidas pelas indústrias eram destinadas às cidades vizinhas, que as sediam. A partir disso, Fabriciano ficou carente de recursos e estrutura para promover as políticas públicas necessárias e o crescimento urbano não foi acompanhado pelo desenvolvimento econômico e social que fosse capaz de suprir às necessidades da população.
Geologia e relevo
Coronel Fabriciano tem a altitude média de 250 metros. O ponto culminante do município está na Serra dos Cocais, que chega aos metros, enquanto que a altitude mínima se encontra no rio Piracicaba, com 220 metros. No município predomina um relevo acidentado, sendo que cerca de 80% do território fabricianense é de terras formadas por mares de morros, 15% são áreas onduladas e nos 5% restantes há terrenos planos.
A região do município de Coronel Fabriciano está inserida na depressão interplanáltica do Vale do Rio Doce, que tem de comprimento e de largura, cujo relevo é resultado de uma dissecação fluvial atuante nas rochas granito-gnáissicas do período Pré-Cambriano. Em grande parte da bacia do rio Doce predominam solos acentuadamente drenados que ocorrem principalmente nos planaltos dissecados. Este conjunto apresenta, na região, solos com baixa saturação de bases (distróficos) e alta saturação com alumínio (álicos), sendo formados de rochas predominantemente gnáissicas, leuco e mesocráticas, porém de caráter ácido, magmáticos charnoquitos, xistos e de depósitos argilo-arenosos. Outros tipos de solo que ocorrem em menor percentagem são: latossolo húmico, solos litólicos, cambissolos e afloramentos de rochas.
Segundo estudos expedidos pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), podem ser encontradas no município pedras preciosas e semipreciosas como água-marinha, turmalina, quartzo, topázio, granada e grafite, no entanto a extração mineral ainda não é feita legalmente. Coronel Fabriciano faz parte da província geológica da Serra do Espinhaço, sendo sua principal unidade geológica a Serra dos Cocais, que corresponde à zona rural fabricianense e tem altitudes médias variando de 500 a 800 metros. Suas terras são formadas por blocos contínuos de granito, com rochas que sofreram alterações devido à pressão atmosférica e temperatura e têm idades superiores a 600 milhões de anos. Além da relevância geológica, divide três grandes bacias hidrográficas: dos rios Piracicaba, Santo Antônio e Doce, abrigando cerca de 300 nascentes.
Hidrografia
O município faz parte da sub-bacia do rio Piracicaba que, por sua vez, está inserida na bacia do rio Doce. No subsolo, abaixo do rio Piracicaba, está localizado um aquífero aluvionar, que é de onde é extraída a água utilizada para o suprimento da região do Vale do Aço. A demanda de água gira em torno de 292 litros por segundo e a captação e tratamento no município são realizados pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), na estação de tratamento localizada no bairro Amaro Lanari. A disponibilidade hídrica superficial no município é maior na parte sul. Enquanto nas demais áreas a capacidade máxima é de 0,008 a 1 litro por segundo, a região sul, mais próxima do rio Piracicaba, apresenta uma média de até dez mil litros por segundo.
De forma geral, o território municipal é abrangido por três sub-bacias menores, cujos cursos principais correm para o rio Piracicaba, sendo elas a do ribeirão Cocais Pequeno, que tem e se restringe à zona rural; do ribeirão Caladão (); e do ribeirão Caladinho (); das quais as duas últimas abrangem o perímetro urbano. Destes, os ribeirões Cocais Pequeno e Caladão nascem na Serra dos Cocais, mas o Caladão corta a cidade de norte a sul e, em seu trecho urbano, sofre gravemente com a degradação ambiental, principalmente com o despejo de lixo, assoreamento e erosão, favorecendo a ocorrência de enchentes durante o período chuvoso. O ribeirão Caladinho, cuja nascente se encontra próxima ao bairro Caladinho, também se encontra degradado. Além dos ribeirões Caladão e Caladinho, os córregos dos Camilos e São Domingos são leitos menores que cortam a zona urbana.
Durante a época chuvosa, que normalmente vai de outubro a março, são comuns enchentes em áreas baixas do município ao longo do curso do rio Piracicaba. Na cidade, o principal bairro afetado pelas inundações é uma parte baixa do Centro de Fabriciano, conhecida como Prainha, por se localizar às margens do rio. É comum suas ruas ficarem debaixo d'água durante o período chuvoso e já foi recomendada a desocupação dessas áreas. Outros bairros frequentemente afetados são o Mangueiras e Amaro Lanari. Na zona rural, por sua vez, são os principais cursos hidrográficos da Serra dos Cocais os córregos Alto, Cachoeira, do Cedro, do Cristal, dos Cocais, dos Gouveia, dos Machados, Frio, Lagoa, Melo Viana, Nova Estrela e Timirim, além do ribeirão Cocais Pequeno, segundo cadastros do IBGE em 1980 e da prefeitura em 2009. Em um trecho do Cocais Pequeno localizado a cerca de seis quilômetros do bairro Belvedere há uma praia de água doce: a praia do Cachoeirão, que é uma das atrações naturais da cidade.
Clima thumb|direita|Crepúsculo fotografado em Coronel Fabriciano em um dia de junho O clima fabricianense é caracterizado como tropical quente semiúmido (tipo Aw segundo Köppen), com temperatura média compensada anual de e pluviosidade média de , concentrados entre os meses de outubro e abril. A estação chuvosa compreende os meses mais quentes, enquanto que a estação seca abrange os meses mornos. Outono e primavera, por sua vez, são estações de transição. A passagem entre os períodos seco e chuvoso é marcada por tempestades e amplitude térmica elevada, sobretudo entre o fim do inverno e a primavera.
As precipitações caem principalmente sob a forma de chuva e, esporadicamente, de granizo, com registros desse fenômeno em 4 de setembro de 2006, 8 de março de 2010, 17 de dezembro de 2024 e 25 de novembro de 2025. As chuvas podem ainda vir acompanhadas de descargas elétricas e fortes rajadas de vento. De acordo com o Grupo de Eletricidade Atmosférica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (ELAT/INPE) em 2018, o município apresenta uma densidade de descargas de 2,382 raios por km²/ano, estando na 401ª posição a nível estadual e na ª a nível nacional.
A umidade do ar é relativamente elevada, sendo a média anual de 79%. No entanto, baixos índices de umidade podem ser registrados durante a estação seca ou em longos veranicos. Nesses períodos, o ar seco em associação à poluição favorece a concentração de poluentes na atmosfera, contribuindo com a piora da qualidade do ar. O vento dominante é originado na direção leste e, no período mais ventoso do ano, entre os dias 2 de agosto e 1º de dezembro, a velocidade média é de 10,6 quilômetros, tendo uma ligeira concentração entre setembro e outubro. Na época mais calma, de março a junho, a velocidade média varia entre 8 e 9 quilômetros por hora.
Mesmo com a queda da temperatura no inverno, eventos de frio em demasia são incomuns, ainda que nos dias mais frios do ano possam-se observar marcas próximas ou, com menor frequência, abaixo de . Apesar da presença de nebulosidade ocorrer na maior parte do ano e de eventuais condições de tempo nublado e chuvoso serem capazes de proporcionar dias com temperaturas amenas em qualquer estação, as máximas diárias dificilmente também ficam abaixo dos , mesmo no inverno. Por outro lado, os dias mais quentes do ano tendem a registrar temperaturas acima dos , podendo ocorrer picos próximos ou acima de .
Recordes climáticos thumb|esquerda|Tempestade se aproxima da cidade em uma tarde de fevereiro, no verão.