O Festival Terras sem Sombra é um um evento cultural de carácter nacional e internacional que abarca a música erudita, o património e a biodiversidade do Alentejo. Organizado em torno do conhecimento e da memória, constitui uma temporada que se estende ao longo de vários meses e percorre diversos concelhos alentejanos.

Fundado em 2003 por José António Falcão, atual diretor-geral, o Festival mantém desde a sua criação o carácter itinerante, pondo a tónica na descentralização cultural, na formação de novos públicos, na inclusão e na sustentabilidade. A programação abrange concertos e recitais, master classes, conferências, visitas ao património cultural e ações de salvaguarda da biodiversidade, todos de acesso gratuito..Ana Santos, “Festival Terras sem Sombra de Música Sacra do Baixo Alentejo”, em Invenire, II, Lisboa, 2011, pp. 64-65.

A dimensão internacional do Festival tem-se consolidado com a participação de países convidados como por exemplo os Estados Unidos da América, Brasil, Espanha, Hungria, República Checa, Bélgica, Áustria. De igual modo, o desenvolvimento de novos projetos – como o Terras sem Sombras Kids ou Onde a Vida Acontece – visam reforçar uma oferta cultural, de carácter lúdico e didático, especialmente dirigida a novos públicos e às famílias.

Foram atribuídos ao Terras sem Sombra, entre outras distinções, o: Prémio Vasco Vilalva, da Fundação Calouste Gulbenkian, em 2009; o Prémio Árvore da Vida – Padre Manuel Antunes, em 2010; o Prémio ao Melhor Evento, da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, em 2011“Festival Terras sem Sombra recebe Prémio Turismo do Alentejo para o Melhor Evento 2011”, em Diário do Sul, Évora, 26 de Abril de 2011, p. 15.; e o Prémio Mais Alentejo, da revista homónima, em 2007 e 2012.

Vertentes

Música miniaturadaimagem|249x249px|Concerto na Igreja do Convento de São Domingos do Grupo Voces Caelestes com a orquestra Músicos do Tejo miniaturadaimagem|250x250px|Ação de salvaguarda da biodiversidade em Mourão Em cada edição o Festival Terras sem Sombra programa uma temporada de música erudita que conta com participações internacionais e nacionais. Conta com repertórios que abarcam da Idade Média à contemporaneidade, apresentados em igrejas, castelos, palácios e outros monumentos, escolhidos pelo seu valor histórico e pelas condições acústicas, em diferentes concelhos do Alentejo e da vizinha Espanha.

Património O Festival Terras sem Sombra celebra e promove a salvaguarda das expressões identitárias, materiais e imateriais, das gentes e do território. Do cante à arte chocalheira, do património edificado à arqueologia, do montado às práticas piscatórias, o legado histórico, artístico e antropológico do Alentejo é objeto de atividades que levam os participantes a conhecer a riqueza e diversidade cultural da região orientados por peritos e guias locais.

Biodiversidade O Festival Terras sem Sombra dá a conhecer a paisagem, os ecossistemas e os recursos naturais dos territórios que percorre numa tentativa de contribuir para a sua preservação e valorização. Assim, as comunidades locais, o público e os artistas são convidados a participar em ações que, em plena natureza, visam dirigir o olhar para os aspetos mais críticos, interessantes e genuínos dos territórios com vista à sensibilização para a salvaguarda da biodiversidade.

Prémio Internacional Terras sem Sombra O Festival atribui anualmente o Prémio Internacional Terras sem Sombra. Instituído em 2011, este prémio homenageia uma personalidade ou uma instituição que se tenham notabilizado em diferentes categorias: a promoção da Música; a valorização do Património Cultural e a salvaguarda da Biodiversidade.

O Prémio consta de um diploma e de uma obra de arte assinada por um artista contemporâneo, entregue no final da temporada, numa cerimónia formal presidida por uma personalidade de renome nacional ou internacional. Uma Breve Eternidade: Emoção e Comoção na Música Europeia (Séculos XII-XXI), Santiago do Cacém, Pedra Angular, 2020, pp. 278-281

Até à data foram atribuídos os seguintes galardões:

Data NomePaís Área2011 Cheryl Studer | SopranoEUAMúsica2011Pontificia Accademia Romana de ArqueologiaVaticanoPatrimónio Cultural2011 Mário Ruivo | OceanógrafoPortugal Biodiversidade2012 Dimitra Theodossiou | Cantora líricaGrécia Música2012Maria Helena Mendes Pinto | Conservadora de museusPortugal Património Cultural2012 Miguel Ángel Simón | BiólogoEspanhaBiodiversidade2013 Enzo Dara | Cantor líricoItáliaMúsica2013Associação dos Arqueólogos Portugueses PortugalPatrimónio Cultural2013 Pedro Vaz Pinto | AmbientalistaAngolaBiodiversidade2014 Cantora líricaEspanhaMúsica2014 Angelo Oswaldo de Araújo Santos | Curador de ArteBrasilPatrimónio Cultural2014 Serafim Riem | AmbientalistaPortugalBiodiversidade2015 Ismael Fernández de la Cuesta | MusicólogoEspanhaMúsica2015Centro Nacional de CulturaPortugalPatrimónio Cultural2015World Wide Fund for Nature para o Mediterrâneo InternacionalBiodiversidade2016 Diretor do Festival de LucernaSuíçaMúsica2016 ArqueólogoSíriaPatrimónio Cultural2016Associação dos Amigos do Parque Ecológico do Funchal PortugalBiodiversidade2017 Diretor Musical ItáliaMúsica2017Campo Arqueológico de Mértola PortugalPatrimónio Cultural2017Fundação Stiftung Schloss Dyck AlemanhaBiodiversidade2018 Compositor e diretor musical HungriaMúsica2018Fundación Santa María de Albarracín EspanhaPatrimónio Cultural2018Associação Portuguesa para a Diversidade da Videira – PORVID PortugalBiodiversidade2019Carmen Linares | CantaoraEspanhaMúsica2019João de Almeida | Arquiteto e artista plásticoPortugalPatrimónio cultural2019Jardim Botânico Nacional Grandvaux BarbosaCabo VerdeBiodiversidade

Edições A memória de cada uma das edições fica registada num livro-catálogo, que é um repositório de conhecimento produzido nessa temporada. Reúne textos de especialistas em música erudita, património artístico e biodiversidade.

Da tutela diocesana ao âmbito da sociedade civil

O Terras sem Sombra resulta de uma parceria iniciada pelo Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja (DPHADB) e que, após a extinção deste organismo (2017), é prosseguida pela associação Pedra Angular, com a colaboração do Centro UNESCO de Arquitetura e Arte, dos serviços regionais de Cultura e de Turismo, dos municípios e de outras “forças vivas”, mormente instituições de ensino, associações, empresas e famílias.Ângela Ataíde, “O Cante e o Bispo”, em Diário do Alentejo, Beja, 16 de Fevereiro de 2018, p. 3.

Uma investigação do jornal Público, em Junho de 2020, avançou que o sucedido poderá ter estado relacionado com alegadas controvérsias na gestão de José António Falcão, ocorridas alguns anos antes da referida extinção. A direção do Festival refutou esta leitura a posteriori dos factos e prestou esclarecimentos sobre o assunto.https://www.publico.pt/2020/07/31/culturaipsilon/noticia/projecto-nao-serviu-nada-custou-500-mil-diocese-beja-1926277/

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