Vladimir Kirillovich da Rússia (em russo: Влад́имир Кир́иллович Ром́анов), (30 de agosto de 1917 – 21 de abril de 1992) foi o pretendente à Chefe da Casa Imperial da Rússia e ao extinto trono russo de 1938 até à sua morte.

Primeiros anos Nascido príncipe Vladimir Kirillovich da Rússia, em Porvoo no grão-ducado da Finlândia, foi o único filho do grão-duque Kiril Vladimirovich e da grã-duquesa Vitória Feodorovna (nascida princesa Vitória Melita de Saxe-Coburgo-Gota). Os seus avós paternos eram o grão-duque Vladimir Alexandrovich e a grã-duquesa Maria Pavlovna (nascida duquesa Maria de Mecklenburg-Schwerin). Os seus avós maternos eram o duque Alfredo de Saxe-Coburgo-Gota e a grã-duquesa Maria Alexandrovna da Rússia.

A família de Vladimir tinha fugido para a Finlândia depois da Revolução Russa de 1917 de onde sairiam apenas em 1920, quando se mudaram para Coburgo, na Alemanha. A 8 de agosto de 1922, o pai de Vladimir auto-declarou-se curador do trono russo. Dois anos depois, a 31 de agosto de 1924, o seu pai deu um passo mais longe e assumiu o título de "Czar e Autocrata de Todas as Rússias. Com a assumpção do título imperial, Vladimir passou a ser czarevich e grão-duque com o estilo de "Alteza Imperial". Em 1930, a sua família deixou a Alemanha para viver em Saint-Briac, na França, onde o seu pai montou a corte.

Nos anos 1930, Vladimir viveu por algum tempo na Inglaterra enquanto estudava na Universidade de Londres e trabalhava na fábrica de equipamento agrícola Blackstone em Lincolnshire. Mais tarde regressou à França, mudando-se para a Bretanha, onde se tornou senhorio.

Segunda Guerra Mundial Com a morte do pai a 12 de outubro de 1938, Vladimir assumiu a liderança da família imperial russa. Em 1938, houve sugestões de que ele fosse feito regente da Ucrânia, mas ele recusou a ideia, afirmando que nunca ajudaria à dissolução da Rússia.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Vladimir viveu em Saint-Briac-sur-Mer. Em 1942, tanto ele como a sua comitiva foram colocados num campo de concentração em Compiègne depois de Vladimir se ter recusado a escrever um manifesto onde incentivasse os refugiados russos a apoiar os nazis contra a União Soviética.

Em 1944, o exército alemão mudou a família para o continente, receando uma invasão costeira. Os alemães estavam a levá-los para Paris quando surgiu uma ordem para mudar para Wittel. No entanto até Wittel provou ser pouco segura, por isso eles foram mudados para a Alemanha. Vladimir viveu num castelo pertencente ao marido da sua irmã mais velha Maria Kirillovna, em Amorbach, Baviera até 1945. Após a derrota da Alemanha, Vladimir decidiu não continuar a viver na Alemanha, temendo vir a ser capturado pelos soviéticos. O czar pretendente mudou-se depois para a Áustria, perto da fronteira com o Liechtenstein. Depois tentou mudar-se com o exército do general Smyslovsky para atravessar a fronteira, mas nem o Liechtenstein nem a Suíça lhe permitiram visto para entrar, por isso ele permaneceu na Áustria, vivendo numa zona ocupada pelos Estados Unidos.

A tia materna de Vladimir, a infanta Beatriz de Saxe-Coburgo-Gota, conseguiu finalmente um visto espanhol. Subsequentemente viveu em San Lucar.

Vida depois da guerra e casamento

Depois da guerra, Vladimir passou a viver a maior parte do tempo em Madrid, mas com visitas frequentes à sua propriedade na Bretanha, bem como em Paris.

Vladimir casou-se com a princesa Leonida Georgievna Bagration-Moukhransky a 13 de agosto de 1948 em Lausanne. As leis paulinas que regiam a família imperial ditavam que apenas os filhos resultantes de “casamentos igualitários”, ou seja, entre um Romanov e uma princesa vinda de uma casa real do mesmo estatuto dos Romanov, podiam ser incluídos na linha de sucessão. Filhos de casamentos morganáticos estão excluídos da sucessão. Apesar de a dinastia de Leonida, os Bagrationi, ter sido reinante na Geórgia desde a Idade Média, os seus representantes não tinham um trono desde 1505, altura em que tinham passado a ser simplesmente nobreza russa desde então. Alguma controvérsia ergue-se desde então sobre a questão de o casamento de Vladimir ser ou não igualitário, e, por isso, se os seus direitos a pretendente do trono russo passaram realmente para a sua única filha, Maria, ou então para outro ramo da família após a sua morte. A posição que tanto Vladimir como Maria tomaram foi a de que o casamento era igualitário e, por isso, os direitos são naturalmente de Maria. O estatuto real da Casa de Begration foi reconhecido permanentemente pela Rússia no Tratado de Georgievsk de 1783 e foi confirmado por um decreto de 1946 redigido por Vladimir.

Os chefes de outros ramos da família imperial, o príncipe Vsevolod Ioannovich (Constantinovich), Roman Petrovich (Nikolaevich) e Andrei Alexandrovich (Mikhailovich) escreveram a Vladimir em 1969 para o informar de que ele se tinha casado de forma desigual e que a sua esposa não tinha origens mais nobres do que outras esposas de príncipes Romanov.

Em 1952, ele apelou às potências ocidentais para entrarem numa guerra contra a União Soviética. A 23 de dezembro de 1969, Vladimir escreveu um decreto controverso em que, na eventualidade da sua morte, tornaria a sua única filha Maria "curadora do trono imperial". Isto foi visto como uma tentativa por parte de Vladimir para se certificar de que o trono permaneceria no seu ramo da família, mas os outros ramos sempre consideraram a acção ilegal.

Vladimir conseguiu visitar a Rússia pela primeira e única vez em novembro de 1991, quando foi convidado do presidente da câmara de São Petersburgo, Anatoly Sobchak.

Em 21 de abril de 1992, o Grão-Duque discursou para 1.500 líderes empresariais em Miami. Em uma coletiva de imprensa após o discurso, ele desabou em sua cadeira, falecendo pouco depois. Boris Iéltsin assinou um decreto permitindo o primeiro funeral de um Romanov em São Petersburgo em 75 anos. Em 29 de maio, Vladimir foi sepultado em um jazigo da Catedral de São Pedro e São Paulo. A imprensa observou que o funeral "foi considerado pelas autoridades civis e russas como uma obrigação para com a família Romanov, e não como um passo rumo à restauração da monarquia". Como ele era apenas bisneto de um imperador russo reconhecido, seu título reivindicado de "Grão-Duque da Rússia" causou problemas quanto ao que deveria ser gravado em sua lápide.

Após sua morte, sua filha Maria Vladimirovna assumiu a chefia da Família Imperial da Rússia de acordo com a interpretação de seu ramo das leis da casa russa. Isso foi contestado por Nicolau Romanov, Príncipe da Rússia, que havia sido escolhido presidente da autodenominada "Associação da Família Romanov" antes da morte do Grão-Duque Vladimir.

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