Escorbuto é uma doença causada pela falta de vitamina C (ácido ascórbico). Os sintomas iniciais mais comuns são fraqueza, cansaço e pernas e braços doridos. Se a doença não for tratada na fase inicial, podem-se começar a manifestar sintomas como diminuição do número de glóbulos vermelhos, inflamação das gengivas, alterações no cabelo e hemorragias na pele. À medida que a doença avança, podem ocorrer dificuldades de cicatrização das feridas, alterações na personalidade da pessoa e, por fim, morte causada por infeção ou hemorragia.
O escorbuto é geralmente causado por insuficiência de vitamina C na dieta. Até que se manifestem os primeiros sintomas é necessário que pelo menos durante um mês não seja ingerida ou seja ingerida muito pouca quantidade de vitamina C. Na época contemporânea, a doença é mais comum entre pessoas com perturbações mentais, hábitos alimentares invulgares, alcoolismo e pessoas idosas que vivem sozinhas. Entre outros fatores de risco estão a má-absorção intestinal e diálise. Os seres humanos, entre outros animais, necessitam de vitamina C na dieta para produzir colagénio. O diagnóstico geralmente baseia-se nos sinais físicos, radiografias e na resposta ao tratamento.
O tratamento é feito com a administração de suplementos de vitamina C por via oral. Após alguns dias os sintomas começam a melhorar e a doença geralmente resolve-se em poucas semanas. Entre as principais fontes de vitamina C estão os citrinos e diversos legumes, como os tomates e as batatas. Cozinhar os alimentos geralmente faz diminuir o seu teor de vitamina C.
Na época contemporânea o escorbuto é uma doença rara. É mais comum em países em vias de desenvolvimento e está associado à desnutrição. Entre refugiados estima-se que a frequência da doença seja de 5 a 45%. O escorbuto tem sido descrito desde pelo menos o Antigo Egito. A doença foi um factor limitativo nas grandes navegações marítimas, nas quais era frequente causar um grande número de vítimas mortais. Entre os séculos XVI e XIX, assumia-se que em cada viagem cerca de metade dos marinheiros morreria de escorbuto. A descoberta de que o escorbuto pode ser tratado com a ingestão de citrinos é geralmente atribuída ao cirurgião escocês da Marinha Real Britânica James Lind, em 1753. No entanto, só em 1795 é que os reformistas de saúde pública como Gilbert Blane convenceram a marinha a disponibilizar rotineiramente sumo de limão aos seus marinheiros.
Sinais e sintomas
O escorbuto manifesta-se com uma variedade de sintomas que progridem ao longo do tempo e podem variar entre indivíduos. Clinicamente, as características da doença são principalmente de carácter comportamental e de alterações nos tecidos moles. As características comportamentais vão desde fadiga, a perda de força e alternância emocional. Ao nível dos tecidos moles, destaca-se a hipertrofia inflamatória das gengivas e o sangramento periodontal. A fraqueza no sistema vascular pode levar ainda a um sangramento pontual da pele a nível dérmico, diferenciável graças ao aparecimento de hematomas na superfície cutânea. Outro sintoma que usualmente ocorre, é o edema. Este verifica-se quando os líquidos se acumulam no tecido com sangramento significativo, e no caso dos espaços articulares, como hemartroses e músculos com hematoma, verifica-se a conjugação entre a dor (artralgia) e a dor muscular (mialgia). A região capilar pode também sofrer alterações, como é o caso da hiperceratose folicular e folículos congestionados. Quando doença atinge estágios mais avançados, estes são caracterizados por feridas supurativas produtores de pus até algumas neuropatias que podem provocar a morte do indivíduo. O escorbuto não tratado é invariavelmente fatal, porém o falecimento é raro na atualidade.
A maioria dos animais, à exceção dos seres humanos, primatas maiores, morcegos, porquinhos-da-índia e peixes sintetizam metabolicamente a l-gulonolactona oxidase, necessária para conversão da glicose em vitamina C. A vitamina C ou ácido ascórbico é uma das grandes responsáveis pela síntese de colagénio, sendo a principal proteína estrutural do tecido conjuntivo. Quando a sua deficiência – o escorbuto – se começa a manifestar, as paredes dos vasos sanguíneos debilitam-se e adelgaçam, produzindo fortes hemorragias. Talvez por esta razão, o sintoma mais representativo da doença é o sangramento e a inflamação das gengivas que, por sua vez, podem levar a alterações inflamatórias no osso alveolar e enfraquecimento e eventual perda dentária.
Causas O escorbuto é geralmente causado por insuficiência de vitamina C na dieta. Até que se manifestem os primeiros sintomas é necessário que pelo menos durante um mês não seja ingerida ou seja ingerida muito pouca quantidade de vitamina C. Os seres humanos, entre outros animais, necessitam de vitamina C na dieta para produzir colagénio.
O escorbuto nos adultos foi reconhecido mundialmente como uma doença grave, com elevada mortalidade ao longo da história, particularmente em pessoas privadas de frutas e legumes frescos devido a guerras, fome ou viagens marítimas prolongadas. No caso das crianças, o autor refere, que o escorbuto não foi verificado até o século XIX. Como a vitamina C é destruída por altas temperaturas e pela exposição ao ar, as deficiências são mais notórias em populações que consomem principalmente alimentos cozidos, ao contrário das sociedades mais tradicionais, onde são ingeridas quantidades consideráveis de alimentos crus. Os seres humanos saudáveis possuem reservas de vitamina C que lhes permite suportar a sua privação total entre 160 a 200 dias, após este período os sintomas do escorbuto começam a manifestar-se.
A vitamina C deve ser obtida inteiramente da dieta, a partir principalmente do consumo de frutas, legumes e até carnes, que contêm quantidades suficientes desta vitamina. O entendimento das condições sob as quais ocorrem deficiências de vitamina C informa sobre questões muito maiores que envolvem temas relacionados com a adaptação, economia de subsistência, ecologia humana, sinergismos, urbanismo e desigualdade socioeconómica.
Diagnóstico
O diagnóstico geralmente baseia-se nos sinais físicos, radiografias e na resposta ao tratamento.
O diagnostico diferencial do escorbuto é muito extenso, tanto a nível clínico como paleopatológico. Uma história completa, o exame físico, a avaliação laboratorial básica e radiografias podem rapidamente reduzi-lo. Segundo este autor, para pacientes não agudos ou gravemente doentes, verificam-se frequentemente a sepse, a coagulação intravascular disseminada e a meningococcemia. O diagnóstico dependerá dos níveis de vitamina C e da resposta ao tratamento. O diagnóstico diferencial mais comum inclui patologias como a artrite séptica, tumores hematológicos e dos tecidos moles, doenças autoimunes (ex.: síndroma de Sjogren), gengivite, coagulação intravascular disseminada, entre outros.
Osteologicamente, o escorbuto não é uma doença de reconhecimento fácil. Uma das chaves para a ligação entre os métodos clínicos e paleopatológicos é determinar em que ponto os dois métodos se sobrepõem e fornecem informações comuns.
Os métodos clínicos utilizados na identificação da doença dependem muito da história do paciente, concentração sérica de ácido ascórbico e radiologia. Como estes métodos não podem ser examinados em contextos paleopatológicos, permanecem os indicadores radiológicos clínicos para identificação de escorbuto em osso seco. As manifestações clínicas do escorbuto desenvolvem-se, no caso das crianças, 6 a 10 meses após o défice de vitamina C, no entanto, foi sugerido que as condições poderiam aparecer em menos de 2 a 4 meses. Se o crescimento proporcional mais rápido ocorrer na infância e na primeira infância, a probabilidade de formar vasos sanguíneos defeituosos nessa idade é maior. Portanto, espera-se que as evidências esqueléticas do escorbuto sejam mais exuberantes durante a primeira infância.
Múltiplas condições patológicas podem produzir lesões comparáveis à hemorragia subperiosteal produzida pelo escorbuto, como é o caso de lesões traumáticas com inflamação periosteal relacionada com a infeção e a mineralização anormal de osteoide em casos de raquitismo e processos neoplásicos. Contudo, a semelhança morfológica entre lesões anémicas e o escorbuto tem sido uma fonte de ambiguidade observacional e diagnóstica para os paleopatólogos. Provavelmente, muitos casos de deficiência de vitamina C foram identificados no passado como anemia, pela similitude na formação de lesões porosas, como a criba orbitalia quando na verdade, a morfologia da lesão continha características sutis, porém distintas, inerentes à fisiologia da hipotrofia medular.
Tratamento O tratamento é feito com a administração de suplementos de vitamina C por via oral. Após alguns dias os sintomas começam a melhorar e a doença geralmente resolve-se em poucas semanas. Entre as principais fontes de vitamina C estão os citrinos e diversos legumes, como os tomates e as batatas. Cozinhar os alimentos geralmente faz diminuir o seu teor de vitamina C.
Apesar dos sintomas poderem ser generalizados e dramáticos nalguns casos, o tratamento é direto. Para uma recuperação completa, é apenas necessário ingerir cerca de 6,5 mg vitamina C, para apresentar resultados positivos. Embora a recuperação seja lenta, é constante e dimunuem os sintomas a longo prazo. É importante assinalar que os sintomas da doença começam a melhorar quase de forma imediata com o consumo de alimentos frescos, especialmente cítricos.
Epidemiologia Na época contemporânea o escorbuto é uma doença rara. É mais comum em países em vias de desenvolvimento e está associado à desnutrição. Entre refugiados estima-se que a frequência da doença seja de 5 a 45%.
Na época contemporânea, a doença é mais comum entre pessoas com perturbações mentais, hábitos alimentares invulgares, alcoolismo e pessoas idosas que vivem sozinhas. Entre outros fatores de risco estão a má-absorção intestinal e diálise.
História O escorbuto tem sido descrito desde pelo menos o Antigo Egito. A doença foi um factor limitativo nas grandes navegações marítimas, nas quais era frequente causar um grande número de vítimas mortais. Entre os séculos XVI e XIX, assumia-se que em cada viagem cerca de metade dos marinheiros morreria de escorbuto. A descoberta de que o escorbuto pode ser tratado com a ingestão de citrinos é geralmente atribuída ao cirurgião escocês da Marinha Real Britânica James Lind, em 1753. No entanto, só em 1795 é que os reformistas de saúde pública como Gilbert Blane convenceram a marinha a disponibilizar rotineiramente sumo de limão aos seus marinheiros.
A palavra chegou ao português do castelhano e este a tirou do francês: "scorbut", que existe desde meados do século XVI, advinda do latim medieval: “ scorbutus ", latinização do alemão " scharbock ", corruptela de “scharfpocke” (pústula acentuada). O alemão a tomou do russo (dialeto arcangelquiano) “скробот” (skrobot: "leite ou manteiga rançosa"), sendo a doença então dita própria dos povos do norte. Os russos tomaram "skrobot" dos viquingues, que usavam a expressão islandesa "skyrbjugr" por pensarem que os marinheiros tinham a gengivas inchadas (bjurgr) por tomar leite coalhado e rançoso (Skyr).