Salvador Ferdinando de Ferrante (São José dos Pinhais, 22 de dezembro de 1892 – Curitiba, 23 de agosto de 1935) foi um ator e diretor de teatro brasileiro.
Biografia Vida e legado Salvador de Ferrante nasceu na quinta-feira, dia 22 de dezembro de 1892, em Campo Largo da Roseira, distrito da cidade de São José dos Pinhais. Filho dos italianos Ferdinando de Ferrante e d. Eugênia Ordine de Ferrante, originários de Diamante, província de Cosenza, Calábria.
Sua educação ocorreu na pequena cidade em que nasceu, ao lado de Curitiba, e desde pequeno Salvador evidenciava o seu futuro ao criar e encenar peças para os amigos na sala da casa dos seus pais; porém, em uma família de imigrantes sem muitos recursos para bancar o sonho do jovem filho em desenvolver-se nas artes cênicas o jovem Ferrante teve que ajudar a família desde cedo e aos 12 anos de idade já trabalhava numa firma comercial. Entre os 13 e 14 anos transferiu-se para a firma do português e futuro provedor da Santa Casa de Misericórdia de Curitiba, Manoel Martins de Abreu.
O salário do jovem Ferrante, além de ajudar a família, era quase todo destinado à compra de livros, pois era leitor voraz, e para assistir a todas as peças teatrais dos grupos que passavam por Curitiba, pois no início do século XX, na capital paranaense, bons espetáculos teatrais somente surgiam com companhias itinerantes, evidenciando a falta de incentivo ao teatro amador em Curitiba. Dos espetáculos aos quais assistia, Ferrante copiava as peças e tudo o que pudesse observar destas companhias com a intenção de futuramente escrever, dirigir e atuar nos seus próprios espetáculos.
Autodidata e teatrólogo por vocação, como diziam os mais próximos, Salvador criou, em 1910 com um pequeno grupo de amigos, o esboço que uma companhia de teatro, realizando algumas modestas apresentações aonde fosse possível existir um palco improvisado e espaço destinado aos espectadores.
Em 13 de março de 1913, Salvador de Ferrante foi nomeado para o quadro de funcionários dos Correios e Telégrafos em Curitiba, departamento vinculado ao então Ministério das Indústrias. Mesmo como empregado dos Correios, Salvador nunca deixou de lado o sonho de desenvolver o teatro amador na cidade e isto começou a ganhar corpo quando em 1920 fundou a Sociedade Teatral Renascença (STR), que é considerada a pioneira do teatro amador no Paraná. Salvador tinha como objetivo ao fundar a STR, difundir as artes cênicas aos jovens e levar entretenimento de qualidade aos curitibanos.
Como fundador, presidente, diretor, ator, secretário, tesoureiro, figurinista, cenarista e mantenedor (com o seu salário dos Correios), Salvador foi um gigante ao vencer todas as dificuldades para organizar um corpo cênico e produções adequadas aos espetáculos; espetáculos estes que levou ao palco do velho Theatro Guayra, quando este se encontrava na Rua Dr. Muricy. Nesta época o Guayra apresentava a ameaça de desmoronamento de algumas paredes, mas mesmo assim os seus primeiros espetáculos foram para uma casa cheia e quando a escassez de espectadores se fazia presente, e também como forma de incentivar ao curitibano em habituar-se ao teatro, suas peças eram abertas ao público, gratuitamente.
Salvador de Ferrante tornou-se um ícone para o teatro nesta época, pois além de manter a “Renascença”, o seu salário também ajudava os grupos que por Curitiba passavam, pagando despesas com a alimentação e estadia, além de ajudar a criar novos grupos amadores de teatro.
Duas outras conquistas de Salvador de Ferrante foram: a criação, em 1929, da Escola Teatral Paraná e em 1930 ajudou a fundar a Sociedade Orquestral Paranaense.
Dinâmico e atuando em várias frentes para o reconhecimento do teatro curitibano, Salvador sempre aspirava algo mais. Seu sonho de infância já era uma realidade e não por isso deixou de devanear. Idealista a toda prova, já nos anos de 1930 imaginava para a cidade de Curitiba o “Palácio das Artes”, um lugar aonde várias vertentes das artes fossem desenvolvidas e apresentadas à população. Mas naquele ano de 1935 sua preocupação era com o destino do principal teatro curitibano que não recebia, há anos, qualquer investimento em reforma.
Falecimento e homenagens A preocupação com o “Guayra” e a aproximação da centésima apresentação da Sociedade Teatral Renascença, talvez tenham contribuído para um incidente e ao mesmo tempo o descuido da saúde do teatrólogo.
Num dia de expediente dentro dos arquivos dos Correios e Telégrafos, Salvador não percebeu uma picada de aranha-marrom e sem os devidos cuidados iniciais desta picada uma enfermidade se abateu em Ferrante e que se transformou em fatalidade às 22h30min. da sexta-feira, 23 de agosto de 1935. Nesta hora faleceu, em sua modesta casa na Rua Pedro Ivo, Salvador Ferdinando de Ferrante aos 42 anos e 08 meses de idade.
Até a data do seu falecimento a Sociedade Teatral Renascença tinha efetuado 98 apresentações. Entre os registros destas 98 apresentações, encontramos espetáculos de óperas e também peças teatrais com texto de Benedito Nicolau dos Santos e José Cadilhe, entre outros autores e quase todas as apresentações foram realizadas no Theatro Guayra.
Ainda consternados com a perda de Salvador, os integrantes da STR esforçaram-se para realizar o sonho da centésima apresentação e para tanto, em uma semana, foram encenadas as peças: “Quando quer Fugir a Felicidade” de J. Cadilhe e “Pena de Morte” no palco da Sociedade Operária e assim cumprir o desejo de Ferrante da 100° apresentação, além de prestar as devidas homenagens ao homem que viveu intensamente o teatro.
Infelizmente a Sociedade Teatral Renascença não sobreviveu à falta de seu principal líder e mantenedor e após a marca alcançada o STR cerrou as cortinas para nunca mais reabri-las.
Após o fechamento do Theatro Guayra para grandes públicos em 1935 e a sua demolição em 1937, foi inaugurada em 1954, em um novo endereço, o palco do “Guairinha”, como sendo parte integrante do novo Teatro Guaíra. Este novo teatro quando concluído a partir dos anos de 1970, tornou-se o local que Salvador de Ferrante idealizava nos anos de 1930 e que ele chamava de “Palácio das Artes”.
Com a Lei Estadual n° 73 de 7 de novembro de 1955 o auditório do Guairinha ganhou como patrono e denominação o nome do filho de imigrantes italianos que sonhou, lutou e realizou o pioneirismo do teatro amador em Curitiba, ficando, a partir daquela data, conhecido como “Auditório Salvador de Ferrante”.
thumb|right|500px|Neste Teatro (antigo Theatro Guayra) a Sociedade Teatral Renascença, de Salvador de Ferrante, apresentou quase todas as 98 peças do qual o seu fundador criou, dirigiu e em algumas também atuou. Este prédio foi demolido em 1937.
Ligações externas Teatro Guaíra. S/D. Artigo selecionado. Disponível em: Sociedade Teatral Renascença. Acesso em 11 jan. 2010 Teatro Guaíra. S/D. Artigo selecionado. Disponível em: Biografia – Teatro – Salvador de Ferrante. Acesso em 29 jan. 2010 FERRANTE, Ceres de. “Salvador de Ferrante”. Diário Popular, Curitiba, 11 mar. 1979 Redação. “Salvador de Ferrante e Lembrado no 43° Aniversário de sua Morte”. Gazeta do Povo, Curitiba, 26 ago. 1978 Redação. Seção Porta Retrato. “Salvador de Ferrante”. Gazeta do Povo, Curitiba, 24 dez. 1996 GEMBA, Oraci. Terceiro Caderno, pag 3. “Sociedade Teatral Renascença”. Diário do Paraná, Curitiba, 23 ago. 1970 Redação, pag 23. “Salvador de Ferrante – 35 Anos Depois”.O Estado do Paraná, Curitiba, 23 ago. 1970 LEAL, Ferreira. 2° caderno, pag. 15. “Salvador de Ferrante”. Gazeta do Povo, Curitiba, 23 ago. 1970
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