thumb|220px|Uma família de imigrantes italianos A migração de italianos para a Paraíba ocorreu entre as décadas de 1870 e 1920, quando várias famílias italianas escolheram o território paraibano para se fixar. As primeiras levas coincidiram com a época da grande recessão que atingiu a Europa no século XIX, assim como com a independência e a abolição da escravatura no Brasil, que trouxeram a crescente necessidade de realocação de mão-de-obra.
Dos italianos que chegaram precisamente à Paraíba, a maioria veio primeiramente para outros estados, sobretudo Pernambuco, para depois se estabelecer em solo paraibano. Um número menor veio diretamente, visto que os governos da época viam com bons olhos a vinda dessa mão-de-obra em muitos casos bem qualificada.
Histórico Antecedentes A partir do século XVI, com a vinda de portugueses da metrópole para o Brasil colonial, vários comerciantes italianos começaram a vir esparçadamente para o Brasil, sem contudo representar uma migração organizada. No livro A Itália no Nordeste: contribuição italiana ao Nordeste do Brasil, de 1992, há a seguinte citação corroborando tal afirmação:
thumb|200px|Sul da Itália, origem da maior parte dos imigrantes chegados à Paraíba.
Uma migração mais organizada começou a ocorrer, porém, quando nos fins do século XIX famílias italianas em busca de paz e condições de vida que não encontravam na Europa emigram para muitas partes do mundo e várias regiões do Brasil, entre elas o Nordeste. Dessa região, os imigrantes escolheram principalmente a Bahia e Pernambuco, sobretudo pelo fato de estes serem os estados nordestinos com os maiores índices de desenvolvimento econômico na época. Entretanto, outros estados — sobretudo a Paraíba, Ceará e Alagoas — também atraíram peninsulares, que viriam a formar núcleos importantes e de expressiva influência social, política e econômica nas sociedades locais. Os que chegavam ao estado preferiam se estabelecer nos maiores centros econômicos, João Pessoa e Campina Grande, mas houve também núcleos em Mamanguape, Pilar e cidades do Brejo, como Areia, solânea, Alagoa Grande e Bananeiras, região de clima mais ameno, em razão das altas altitudes do Planalto da Borborema, das chuvas regulares e dos solos férteis.
Entretanto, as condições econômicas pouco viáveis no estado na época não favoreceram a vinda de maior quantidade desses imigrantes, como aconteceu no Sul e Sudeste, que seriam palco da «Grade Imigração» no Brasil.
Estatísticas O Centro Cultural Dante Alighieri, de João Pessoa, realizou um levantamento cujo resultado revelou que havia 326 famílias descendentes desses imigrantes residindo no estado no início dos anos 2000. Já no começo do século passado, por volta de 1920, havia 600 italianos vivendo na Paraíba, segundo o levantamento de feito por Franco Cenni no livro Italianos no Brasil: andiamo in 'Merica, o que demonstra que o estado acabou se tornando o terceiro destino preferido por peninsulares para se estabelecer no nordeste brasileiro, após a Bahia e Pernambuco.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) também demonstram que cidadãos vivos nascidos na Itália eram 207 em 1920 e 85 em 1940, residindo sobretudo em João Pessoa.
Estimativa dos italianos natos chegados ao Norte e Nordeste no começo do século XX EstadoImigrantes Pará 2.000 Amazonas 2.000Bahia 1.500 Pernambuco 700 Paraíba600Ceará350Alagoas150Maranhão100Rio Grande do Norte70Piauí30 Total 7.500
Influência social Contribuição cultural Apesar de a presença italiana não ter deixado marcas étnicas arelevantes no povo paraibano, a comunidade local trouxe várias mudanças positivas na vida social, política, cultural, religiosa e econômica do estado, já que ela e seus descendentes sempre ocuparam postos-chave na sociedade do estado, como comerciantes, médicos, arquitetos, engenheiros, artistas e políticos.
Tal influência social pode ser observada em vários aspectos, como nos prédios antigos da capital, a exemplo da Academia de Comércio Epitácio Pessoa, do coreto da Praça da Independência, da Associação Comercial da Paraíba ou da Loja Maçônica Branca Dias, assim como em construções da avenida General Osório. Para além da arquitetura, houve agremiações sociais efervescentes, como a Società Italiana de Beneficenza XX de Settembre, situada na rua Barão do Triunfo, e até uma representação da Cruz Vermelha italiana em João Pessoa, no início dos anos 1930, localizada precisamente no Liceu Paraibano, onde também funcionava um curso gratuito de italiano, mantido pela seção do «fáscio» local, os apoiadores de Mussolini.
No livro A Presença Italiana no Brasil, de 1996, há a seguinte citação sobre o progresso trazido pela comunidade para a capital paraibana:
As atividades fascistas nos estados nordestinos foram movimentadas, apesar de as comunidades italianas locais serem numericamente pouco expressivas, se comparadas às do Sul—Sudeste do país. Na Paraíba, um fascio foi fundado em 1929 e reunia 34 sócios.
Em 1902, quando do congresso de fundação do Partido Socialista Brasileiro, os socialistas italianos da Paraíba enviaram seus representantes.
Memória apagada Em 1995, sob as ordens do então governador Antônio Mariz, os azulejos que reproduziam suásticas nazistas na sede do Governo do Estado foram removidos. A medida gerou polêmica de alguns intelectuais do estado, que viram nesse ato uma forma de apagar resquícios arquitetônicos importantes da presença italiana no estado, especialmente na capital.
Um artigo do historiador José Octávio de Arruda Mello ganhou repercussão até no jornal francês Le Monde, ao argumentar que o governador «não podia destruir um patrimônio histórico que pertence ao estado e não a um governo ou coronel isolado, que decide despoticamente o que pode ou não existir no território que governa efemeramente, como se visse em si um deus dono de todas as decisões. O importante não é retirar esse símbolo dos monumentos, mas do coração dos homens», isso como réplica à declaração de Mariz de que seu governo não é nazista e ele também não o era. A decisão do então governador havia recebido o aval do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (Iphaep).
Os ladrilhos retirados haviam sido colocados no terraço dos fundos do Palácio da Redenção na década de 1930 pelo engenheiro Giuseppe Gióia, durante o governo de Argemiro de Figueiredo.
Famílias Sobrenomes de parte das famílias que imigraram para o Nordeste oriental entre 1870 e 1930, segundo o livro de Alfio Ponzi e outros autores:
Abenante D'Andrea Doia Apratto Belli Bichieri Bocarelli Cahino Cantalice Cantisani Carbone Cariolo Castor Cesarino Celerino Chiacchio Chianca Ciraulo Cirne Congliere Conte Cosentino Cozza Creosola Crudo Dalia D'Andrea Di Lascio Di Lorenzo Di Pace Dore Espinola Falcone Faraco Franca Finizola Fiorentino Gerbasi Germoglio Giacomo Gibelli Gioia Grillo Grisi Grecca Guadagni Guarnieri Iaceli Imbelloni Iorio Italio Lauria Lascio Lianza Lombardi Lorentino Magliano Mariano Marsicano Pavan Pecorelli Perazzo Petrucci Picorelli Pizza Poggetti Ponzi Protto Primola Prota Rattacaso Ricucci Ritondale Rivello Sabella Scarano Sibelino Sorrentino Spinelli Timoteo Troccoli Valentino Visani Zaccara
Ver também Imigração italiana nas regiões Norte e Nordeste do Brasil Imigração italiana no Brasil Japoneses na Paraíba
Ligações externas Mapa de ocorrências dos sobrenomes italianos – Situ Ufficiale
Paraiba Categoria:História da Paraíba