Iorubá ou ioruba (èdè Yorùbá),Yoruba-English Bilingualism in Central Lagos – Nigéria por vezes referida como yorubá ou yorubaCurso Cultura Africana e Educação USP é um idioma da família linguística nígero-congolesa falado secularmente pelos iorubás em diversos países ao sul do Saara, principalmente na Nigéria e por minorias em Benim, Togo e Serra Leoa, dentro de um contínuo cultural-linguístico composto por 50 milhõesMetzler Lexikon Sprache. de falantes. No continente americano, o iorubá é usado em ritos religiosos afro-brasileiros (onde é chamado de nagô) e afro-cubanosLa fiesta de Changó (Cuento afrocubano), por Rómulo Lachatañeré (onde é conhecido também por lucumí).Vocabulario Lucumí, 2007 miniaturadaimagem|Exemplo de Iorubá

Classificações linguísticas O iorubá faz parte da subfamília linguística benue-congo, pertencente à família nígero-congolesa. No tocante à fonética, o iorubá é um idioma tonal, isto é, a frequência sonora na pronúncia das vogais serve de parâmetro para diferenciar dois fonemas. A ordem básica dos constituintes é Sujeito-Verbo-Objeto (SVO). Propriamente, a língua iorubá consiste em mais de quinze variedades que podem ser classificadas em cinco áreas dialetais principais: Noroeste, Nordeste, Central, Sudeste e Sudoeste.

Iorubá do Noroeste: Ebá, Ibadã, Ebadô/Ieuá, Oió, Ogum Ocidental, Lagos/Ecô. Iorubá do Nordeste: Iaba, Ouê, Ijumu, Ouoro, Bede, Abunu. Iorubá Central: Ibomina, Ijexá, Ifé, Equiti, Acurê, Ẹfọm. Iorubá do Sudeste: Icalê, Ilajé, Ondô, Ouô, Idanrê, Acocô, Remo, Ijẹbu. Iorubá do Sudoeste: Queto, Auori, Saquetê, Ifé (Togo), Idaxá, Ipoquia/Anagô.

Origem e história miniaturadaimagem|Primeira YORUBA BIBLE-BSAM A partir da localização dos falantes do iorubá existentes na Nigéria, é natural supor que a língua se originou da população iorubá local. Porém, existem várias versões da origem do iorubá.

Algumas hipóteses antigas já refutadas diziam que essa língua tinha suas raízes em algumas línguas do Oriente Médio. Essa ideia foi criada pelos colonos britânicos para trazer mais consolidação e unidade entre os numerosos grupos étnicos com suas próprias línguas.

Outras hipóteses dizem que há certa influência árabe no desenvolvimento e na lexicologia do iorubá. Isso pode ser embasado pela existência de várias palavras árabes que se parecem com as iorubás e vice-versa. O amplo contato com outras religiões e civilizações, como o islamismo e o cristianismo, teve um impacto tanto na escrita quanto na fala iorubá.

Finalmente, há evidências de que existiu um dialeto antigo chamado canuri, que tem muitas palavras emprestadas do árabe. O canuri mais tarde se transformou em hauçá, e também emprestou uma parte do árabe à língua iorubá. Essas interações entre tais línguas aconteceram pelo .

Distribuição Geográfica Apesar de não ser língua oficial de nenhum país, é uma das principais línguas da Nigéria (principalmente em seu sudoeste) e é falada em alguns países da costa da África Ocidental: Benim, Togo e Serra Leoa. Com uma participação de cerca de 21% da população, é bem comum na Nigéria. É estimado que 44,4 milhões de pessoas em todo o mundo falam iorubá como língua materna ou secundária.

Além disso, a língua iorubá se faz presente em comunidades brasileiras, principalmente a partir da sua história com algumas religiões afro-brasileiras, como o Candomblé. Também se deve mencionar que em Cuba há comunidades praticantes da religião Santería — que falam lucumi, uma língua ioruboide que divide muitas similaridades com o iorubá.

Iorubá literário O iorubá literário, também conhecido como iorubá padrão, koiné iorubá e iorubá comum, é um membro separado do grupo de dialetos. É a forma escrita da língua, a variedade-padrão aprendida na escola e a falada pelos jornalistas. O iorubá padrão tem sua origem na década de 1850, quando Samuel A. Crowther, o primeiro bispo anglicano africano nativo, publicou uma gramática iorubá e iniciou sua tradução da Bíblia. Embora em grande parte baseado nos dialetos Ọyọ e Ibadan, o iorubá padrão incorpora vários recursos de outros dialetos. Cf. por exemplo, a seguinte observação de Adetugbọ (1967, conforme citado em Fagborun 1994: 25): "Embora a ortografia acordada pelos missionários representasse em grande parte os fonemas do dialeto Abẹokuta, a morfo-sintaxe refletia os dialetos Ọyọ-Ibadan". Ele também possui algumas características peculiares a si mesmo, por exemplo, o sistema simplificado de harmonia vocálica, bem como estruturas estrangeiras, como calques do inglês que se originaram nas primeiras traduções de obras religiosas.

O iorubá padrão, a variedade aprendida na escola e usada na mídia, tem sido um poderoso fator de consolidação no surgimento de uma identidade iorubá comum.

Iorubá como segunda língua thumb|upright=1.07|Distribuição geográfica das línguas faladas na Nigéria, Benim e Camarões

O idioma oficial da Nigéria é o inglês. No entanto, muitas pessoas também falam outros idiomas, os principais deles sendo o ibo e o hauçá. O inglês funciona mais como língua franca no país, e possui características próprias bem distintas. Portanto, falantes de iorubá da Nigéria muitas vezes utilizam curtas expressões em inglês, intercaladamente, em suas conversações no idioma materno. Praticantes de Santería frequentemente têm conhecimento do iorubá através da variedade lucumi, com níveis de pureza e fluência diversificados.

A maior parte das publicações e projetos online, como dicionários e gramáticas, visando a auxiliar as pessoas interessadas no aprendizado do idioma iorubá se encontram nas combinações linguísticas iorubá-inglês e iorubá-francês (e vice-versa). No entanto, existem vários projetos similares de português-iorubá, especialmente dicionários, sendo estes reconhecidos por instituições culturais nacionais renomadas, como a Fundação Cultural Palmares. As referidas obras, por serem produzidas no Brasil, geralmente abordam este idioma africano dentro do contexto da experiência cultural-religiosa afro-brasileira.

Iorubá no Brasil No , três grandes grupos foram trazidos para o Brasil: iorubá, culturas africanas islamizadas e tribos Bantu. Com isso, o Brasil recebeu uma gama de novas possibilidades linguísticas, sendo que o iorubá era apenas mais um idioma da família linguística nigero-congolesa. Mas, a língua ganhou destaque no estado baiano por ser a língua adotada pela Nação Queto. A maioria dos negros que chegaram à Bahia vieram da Nação Queto e o iorubá é mais falado nas regiões originárias dessa nação.

A presença da língua no Brasil também vem acompanhada da cultura. Não há nenhum outro grupo étnico africano tão amplamente disperso pelas Américas como os iorubás. Enquanto o povo iorubá da África Ocidental constitui um dos maiores grupos étnicos da África Subsaariana que foram levados à força para o Brasil durante a escravidão, a influência cultural e religiosa dos iorubás no Brasil é incrivelmente extensa. Encontra-se na centralidade dos ritos religiosos iorubás hibridizados no Candomblé e na Umbanda, onde os cantos de louvor litúrgico iorubá (Oriqui) ainda são prestados às divindades; materializados em termos como orixá, ialorixá, babalaô, babalorixá, Olorum; deuses africandos (orixás) como Odudua, Xangô, Oxum, Iemanjá, Iansã, Oxóssi, Nanã, Oxalá, Omolu, Ogum, Oxumarê, Yewá; nas manifestações culturais como nos grupos carnavalescos de origem iorubá como Olodum, Ilê Aiyê, Okambi, Didá; e, também, na culinária brasileira, como em Acarajé (originalmente Akara), Abará (originalmente Moin-Moin), além de angu, xinxim, vatapá, ekuru, acaçá etc.CUNHA, A. G. Dicionário etimológico Nova Fronteira da língua portuguesa. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1982. Assim, as evidências quantitativas e qualitativas de que o povo iorubá e sua cultura sobreviveu estão visivelmente no vocabulário do Português do Brasil, na culinária de origem africanas e nos usos litúrgicos do Candomblé.

No Brasil, em 2018, o iorubá foi oficializado como patrimônio imaterial do estado do Rio de Janeiro.Lei nº 8085 de 28 de agosto de 2018 do Rio de janeiroA partir de agora o idioma Iorubá é patrimônio imaterial do RioIdioma iorubá é declarado patrimônio imaterial do Rio de JaneiroIdioma Iorubá é oficialmente patrimônio imaterial do Rio Em 11 de setembro de 2019, um projeto de lei do vereador Edvaldo Brito (do PSD) que torna a língua iorubá patrimônio cultural imaterial de Salvador foi aprovado no plenário da Câmara Municipal, após um acordo entre o Legislativo e o Executivo.Projeto que torna iorubá patrimônio de Salvador é aprovado na Câmara, CorreioDepois do Rio, iorubá vira patrimônio imaterial de Salvador, Hypeness O prefeito ACM Neto sancionou a lei no dia 29 de novembro.Idioma Iorubá se torna patrimônio imaterial de Salvador, Alô Alô BahiaNeto sanciona lei que torna Iorubá patrimônio imaterial de Salvador, Bahia Notícias Esses projetos de lei reforçam a importância da preservação da cultura africana como elemento fundamental para a luta contra discriminação racial.

Fonética e Fonologia

Vogais e tons

As vogais são sete: A, E, Ẹ, I, O, Ọ e U. Quando seguidas de N, terão som nasal, o que ocorrerá com Ẹ, I, Ọ E U.

Orais Nasais Anteriores Posteriores Anteriores Posteriores Fechada Semifechada Semiaberta Aberta

A acentuação é utilizada da seguinte forma: o A é pronunciado com som aberto (agudo); o Ẹ é pronunciado com som aberto (agudo); o E é pronunciado com som fechado (grave); o Ọ é pronunciado com som aberto (agudo); o O é pronunciado com som fechado (grave); o U é pronunciado com som aberto (agudo); o acento agudo é pronunciado em tom alto; o acento grave é pronunciado em tom baixo; a ausência de acentuação é pronunciada em tom médio (às vezes, um mácron é adicionado); o til significa a repetição da vogal (ã = aa, õ = oo); o sublinhado sob uma vogal indica que seu som é aberto; o sublinhado sob a consoante S indica o som de "ch".

Uma mesma palavra depende do tom para ser distinguida: Ọkò = carro, espada Ọko = marido Ọkó = enxada

Consoantes LabialAlveolarPós-alveolar/PalatalVelarGlotalsimpleslabialNasal Oclusiva Fricative Aproximante Rótica

As plosivas surdas e são um pouco aspiradas. Em algumas variedades, e são dentais. A consoante ⟨r⟩ costuma ser pronunciada como , ou, em algumas variedades (como em Lagos), como .

Ortografia No , a língua iorubá era escrita com a escrita ajami, uma forma caligráfica do alfabeto árabe."Yoruba...written in a version of the Arabic script known as Ajami (or Ajamiyya)." A ortografia iorubá moderna originou-se no trabalho inicial dos missionários da Sociedade Missionária da Igreja que trabalhavam entre os Acus (iorubás) de Freetown. Um de seus informantes foi Crowther, que mais tarde continuaria a trabalhar em sua própria língua nativa. Nas primeiras cartilhas gramaticais e traduções de partes da Bíblia em inglês, Crowther usava o alfabeto latino em grande parte sem marcações de tom. O único diacrítico usado foi um ponto abaixo de certas vogais para significar suas variantes abertas [ɛ] e [ɔ] - /Ẹ/ e /ọ/. Com o passar dos anos, a ortografia foi revisada para representar os tons da língua. Em 1875, a Church Missionary Society (CMS) organizou uma conferência sobre a ortografia iorubá; o padrão ali planejado foi a base para a ortografia constantemente usada na literatura religiosa e educacional ao longo dos setenta anos seguintes.

O iorubá apresenta dois alfabetos latinos usados ​​para escrever a língua, um da Nigéria e outro de Benin. O alfabeto iorubá nigeriano é composto de 25 letras, sem /c/, /q/, /v/, /x/, /z/, mas com as adições de /ẹ/, ⟨ọ/, /ṣ/ e /gb/. A letra /p/ geralmente representa o som [k͜p], mas também pode representar [p] em situações restritas como onomatopeias. O alfabeto beninês tem os fones [Ɛ] e [Ɔ], e anteriormente tinha a letra /c/ — em sinalizações mais antigas, /c/ podia ser visto no lugar do sh. +Alfabeto iorubá (Nigéria)Letra maiúsculaABDEẸFGGBHIJKLMNOỌPRSṢTUWYLetra minúsculaabdeẹfggbhijklmnoọprsṣtuwyIPAabdeɛfgɡ͡bhid͡ʒklmn, ŋ̍oɔk͜p, pɾsʃtuwj