A Classe Deutschland foi uma classe de cruzadores pesados operados pela Reichsmarine e depois pela Kriegsmarine, composta pelo , e Admiral Graf Spee. Suas construções começaram entre 1929 e 1932 nos estaleiros da Deutsche Werke e Reichsmarinewerft Wilhelmshaven, sendo lançados ao mar entre 1931 e 1934 e comissionados na frota alemã entre 1933 e 1936. O projeto da Classe Deutschland começou em meados da década de 1920 e foi influenciado pelos termos do Tratado de Versalhes, que limitava os navios de guerra alemães a no máximo dez mil toneladas de deslocamento, porém não havia limitações quanto ao tamanho do armamento.

Os cruzadores da Classe Deutschland eram armados com uma bateria principal formada por seis canhões de 283 milímetros montados em duas torres de artilharia triplas. Tinham um comprimento de fora a fora de 186 metros, boca entre vinte e 21 metros, calado de mais de sete metros e um deslocamento carregado que ficava entre catorze e dezesseis mil toneladas. Seus sistemas de propulsão eram compostos oito motores a diesel dois tempos de ação dupla que giravam duas hélices triplas até uma velocidade máxima de 28 nós (52 quilômetros por hora). Por fim, os navios tinham um cinturão principal de blindagem que ficava entre sessenta e oitenta milímetros de espessura.

Os navios realizaram visitas diplomáticas a portos estrangeiros no início de suas carreiras e atuaram em patrulhas de não-intervenção durante a Guerra Civil Espanhola. O Deutschland foi atacado em uma dessas patrulhas por aeronaves republicanas, com o Admiral Scheer bombardeando Almería em retaliação. O Deutschland e o Admiral Graf Spee foram colocados no Oceano Atlântico pouco antes do início da Segunda Guerra Mundial para atacarem navios mercantes assim que a guerra começasse. O Deutschland teve pouco sucesso, porém o Admiral Graf Spee afundou nove navios até enfrentar os britânicos na Batalha do Rio da Prata, sendo deliberadamente afundado em seguida.

O Deutschland foi renomeado para Lützow em 1940 e participou da invasão da Noruega em abril, enquanto o Admiral Scheer fez uma surtida bem-sucedida contra embarcações mercantes no Atlântico e no Oceano Índico na virada de 1940 e 1941. Ambos foram para a Noruega em 1942 para tentarem interceptar comboios para a União Soviética, com o Lützow participando da Batalha do Mar de Barents em dezembro. Voltaram depois para Alemanha e no final da guerra bombardearam forças soviéticas na Frente Oriental. Foram ambos afundados por ataques aéreos britânicos, com o Admiral Scheer sendo desmontado e o Lützow reflutuado pelos soviéticos e usado como alvo de tiro.

Desenvolvimento O tamanho da Reichsmarine foi limitado pelo Tratado de Versalhes depois da derrota alemã na Primeira Guerra Mundial. Os alemães tiveram permissão de operar uma força de apenas seis couraçados pré-dreadnoughts e seis cruzadores rápidos; estes navios não poderiam ser substituídos até que tivesse vinte anos de idade. Novas embarcações para substituírem os couraçados deveriam ter uma deslocamento de no máximo dez mil toneladas. Os adversários em potencial da Alemanha estavam limitados nessa época a construírem navios de no máximo 36 mil toneladas pelos termos do Tratado Naval de Washington e acordos posteriores. Não havia regulamentações para o tamanho das armas de qualquer novo navio, porém a Comissão Naval Inter-Aliada de Controle criada pelo tratado tinha autoridade para regular o armamento de qualquer nova embarcação. Os Aliados presumiram que apenas navios de defesa de costa similares a aqueles operados pelas marinhas escandinavas poderiam ser construídos sob essas limitações.

O Preussen, que teve seu batimento de quilha em 1902, era o couraçado mais antigo da Reichsmarine e assim poderia ser legalmente substituído em 1922. Estudos de projeto foram considerados a partir de 1920 com duas opções básicas: uma embarcação pequena, lenta e bem protegida similar a um monitor, ou uma grande, rápida e pouco blindada similar a um cruzador. Trabalhos de projeto para um novo navio blindado começaram em 1923, mas a economia alemã entrou em colapso no ano seguinte, forçando uma paralisação temporária nos trabalhos. O almirante Hans Zenker, o comandante da Reichsmarine, fez muita pressão para que a marinha retomasse os trabalhos de projeto, com três novas propostas sendo rascunhadas em 1925. Somados aos dois rascunhos preparados em 1923, haviam cinco projetos diferentes. Dos dois primeiros projetos, o I/10 era para um cruzador com 32 nós (59 quilômetros por hora) de velocidade e armado com oito canhões de 205 milímetros, enquanto II/10 era para um navio com 22 nós (41 quilômetros por hora), blindagem pesada e quatro canhões de 380 milímetros. Os três projetos preparados em 1925 foram designados II/30, IV/30 e V/30 e tinham seis canhões de 300 milímetros e diferentes níveis de proteção. A Reichsmarine acabou optando por armas de 283 milímetros a fim de evitar provocar os Aliados e aliviar as pressões da equipe de projeto.

A Reichsmarine realizou uma conferência em maio de 1925 para avaliar os projetos, porém os resultados foram inconclusivos. De grande importância era a contínua ocupação francesa da região do Vale do Ruhr, que era uma área industrial, o que impedia a Alemanha de construir peças de artilharia de grande calibre rapidamente. Mesmo assim, a equipe de projeto preparou novas propostas; o I/35 era para um navio bem protegido com uma única torre de artilharia tripla na dianteira, já VIII/30 era para um navio com menos blindagem e duas torres triplas. A intenção inicial da Reichsmarine era iniciar a construção da primeira embarcação em 1926, porém os projetos ainda não tinham sido finalizados. As manobras de frota de 1926 mostraram para a equipe de projeto que uma velocidade elevada era mais desejável, com mais dois projetos sendo apresentados a Zenker ainda no mesmo ano. O projeto do que se tornaria os cruzadores foi preparado em 1926 e finalizado dois anos depois. O almirante anunciou em 11 de junho de 1927 que a Reichsmarine tinha escolhido uma de várias propostas. Também foi decidido na mesma época que os novos navios seriam armados com duas torres triplas de 283 milímetros.

Oposição política aos navios foi significativa. A Reichsmarine então decidiu adiar a encomenda da primeira embarcação até depois das eleições federais de 1928. A questão sobre a construção dos navios foi uma grande tópico nas eleições, particularmente com o Partido Social-Democrata, que era veementemente contra e fez campanha com o slogan "comida, não navios blindados". As eleições ocorreram em maio e terminaram com uma maioria suficiente em favor da construção, incluindo doze deputados eleitos pelo Partido Nazista. O Partido Comunista tentou em outubro iniciar um referendo contra as construções, mas fracassou. O primeiro navio foi autorizado em novembro.

Os Aliados, ao descobrirem sobre as particularidades e especificações dos projeto, tentaram impedir que a Alemanha os construísse. A Reichsmarine se ofereceu para paralisar a construção do primeiro navio em troca do país ser aceito no Tratado Naval de Washington com a proporção de 127 mil toneladas para navios capitais em relação às 533 mil toneladas do Reino Unido. Isto teria efetivamente revogado as cláusulas do Tratado de Versalhes que limitavam o poderio naval alemão. O Reino Unido e os Estados Unidos eram a favor de fazer concessões à Alemanha, porém a França se recusou a permitir quaisquer revisões ao Tratado de Versalhes. Uma tentativa de negociar um acordo mostrou-se inatingível, com os Aliados não podendo impedir que a Alemanha construísse as embarcações pois estas não chegavam a violar os termos do tratado.

Projeto Características thumb|esquerda|240px|Desenho da Classe Deutschland Os três navios da Classe Deutschland variavam ligeiramente em suas dimensões. Todos tinham 181,7 metros de comprimento da linha de flutuação e 186 metros de comprimento de fora a fora. O Deutschland e o Admiral Scheer tiveram proas clipper instaladas entre 1940 e 1941 para melhorar suas navegabilidades, o que aumentou seus comprimentos de fora a fora para 187,9 metros. O boca do Deutschland era de 20,69 metros, a do Admiral Scheer de 21,34 metros e do Admiral Graf Spee de 21,65 metros. Tanto o Deutschland quanto o Admiral Scheer tinham um calado padrão de 5,78 metros e um carregado de 7,25 metros, enquanto do Admiral Graf Spee ficava em 5,8 e 7,34 metros, respectivamente. O deslocamento das embarcações aumentou no decorrer da classe. O deslocamento padrão cresceu de 10,8 mil toneladas no Deutschland para 11 740 toneladas no Admiral Scheer e toneladas no Admiral Graf Spee. Os deslocamentos carregados eram significativamente maiores, sendo de toneladas para o Deutschland, toneladas para o Admiral Scheer e 16 280 toneladas para o Admiral Graf Spee. Entretanto, a Alemanha afirmou oficialmente que os três estavam dentro dos limites de dez mil toneladas do Tratado de Versalhes.

Os cascos foram construídos com armações de aço transversais; mais de noventa por cento dos cascos usaram soldagem em vez da tradicional rebitagem, o que economizou quinze por cento no peso total de seus cascos. Estas economias permitiram que os armamentos e blindagens aumentassem. Os cascos eram subdivididos em doze compartimentos estanques e foram equipados com fundos duplos que estendiam-se por 92 por cento do comprimento da quilha. Como originalmente projetados, a tripulação das embarcações consistia em 33 oficiais e 586 marinheiros. Estes números foram aumentados significativamente após 1935, passando a ser trinta oficiais e entre 921 e 1 040 marinheiros. Mais dezessete oficiais e 85 marinheiros complementavam a tripulação quando atuavam como capitânia de esquadra. Como segunda capitânias tinham treze oficiais e 59 marinheiros a mais. Os navios também carregavam vários barcos menores, incluindo dois barcos de piquete, duas barcas, um escaler, uma lancha e dois botes.

A marinha considerou que os três navios tinham uma boa navegabilidade, porém com uma pequena rolagem. Eles molhavam muito na proa em sua configuração original, porém isso foi melhorado significativamente após a instalação de uma proa clipper entre 1940 e 1941. As embarcações eram muito manobráveis, particularmente quando a configuração de manobra dos motores a diesel era usada, em que metade dos motores para cada eixo de hélice era rodado em reverso. Os navios chegavam a inclinar em até treze graus com o leme totalmente virado para um dos lados. A popa baixa deixava a área de ré muito molhada e equipamentos guardados ali costumavam ser varridos pelas ondas.

Propulsão A Classe Deutschland tinha oito motores a diesel dois tempos de ação dupla com nove cilindros fabricados pela MAN. A adoção de um sistema a diesel foi uma inovação radical para a época e contribuiu para as economias de peso. Cada conjunto era controlado por transmissões construídas pela AG Vulcan. Os motores giravam dois eixos acoplados a hélices de três lâminas com 4,4 metros de diâmetro. O Deutschland foi originalmente equipado com hélices de 3,7 metros de diâmetro antes de serem substituídas pelas hélices maiores. Os motores tinham uma potência indicada de 54 mil cavalos-vapor ( quilowatts) para uma velocidade máxima de 26 nós (48 quilômetros por hora). As embarcações não conseguiram alcançar a potência de eixo esperada em seus testes marítimos, mas conseguiram exceder suas velocidades projetadas. O Deutschland conseguiu cavalos-vapor ( quilowatts) para 28 nós (52 quilômetros por hora), enquanto o Admiral Scheer conseguiu cavalos-vapor ( quilowatts) para 28,3 nós (52,4 quilômetros por hora). Números para o Admiral Graf Spee são desconhecidos, porém ele alcançou 29,5 nós (54,6 quilômetros por hora) durante os testes marítimos.