Esporte Clube Mogiana, conhecido popularmente como Mogiana e cujo acrônimo é ECM, foi um clube brasileiro de futebol da cidade de Campinas, no estado de São Paulo. Fundado em 7 de junho de 1933, o clube tinha as mesmas cores da ferrovia: azul, vermelho e amarelo, além do branco. A equipe jogou a divisão intermediária do futebol paulista seis vezes em 1947, 1948, 1949, 1950, 1958 e 1959.

História Fundação miniaturadaimagem|esquerda|Funcionários do setor de Contadoria da Mogiana em 1933. miniaturadaimagem|esquerda|Pastinho, estádio onde ocorreu a primeira partida do clube. A relação dos operários da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro com o futebol remonta ao início do século XX. Muito antes da fundação definitiva do clube, funcionários da ferrovia já haviam ensaiado a formação de diversas equipes amadoras em Campinas. A árvore genealógica do clube inclui agremiações formadas por ferroviários, como o Esporte Clube Mogiana "primitivo" (1907), o Internacional Futebol Clube Mogiana (1912), a Aposentadoria Mogiana (1919) e o União Mogiana Futebol Clube (1923).

No entanto, a semente da instituição definitiva foi plantada no primeiro semestre de 1933, a partir de uma rivalidade no trabalho. Funcionários do setor de Contadoria da Mogiana montaram um time amador para enfrentar os do setor de Tráfego da rival, a Companhia Paulista de Estradas de Ferro. O jogo histórico ocorreu em 20 de maio de 1933 e terminou com a vitória da "Contadoria" mogiana por 2 a 1.

O entusiasmo gerado por esse e por outros amistosos fez com que os ferroviários decidissem aglutinar os talentos de todos os departamentos da empresa, unindo trabalhadores da contadoria, da funilaria e da montagem de máquinas. O objetivo era claro: criar uma potência esportiva estruturada capaz de fazer frente aos dois gigantes da cidade, Guarani e Ponte Preta.

Assim, no dia 7 de junho de 1933, em uma assembleia realizada em um prédio cedido na Rua Benjamin Constant, foi fundado oficialmente o Esporte Clube Mogyana (grafia original da época), elegendo-se Joaquim Guedes como seu primeiro presidente. O primeiro jogo aconteceu apenas três meses após sua fundação, tendo sido uma vitória por 2 a 0 sobre o 8º B.C.P..

Inauguração do estádio

miniaturadaimagem|direita|Mogiana e Uberaba Sport Club durante o jogo inaugural do estádio em 1940. Em seus primeiros anos, o Esporte Clube Mogiana não possuía campo próprio e atuava como "nômade" em praças esportivas alugadas ou cedidas em Campinas. O clube estreou no antigo campo do Guarani, conhecido como "Pastinho", e utilizou o Hipódromo Campineiro para os primeiros clássicos contra a Ponte Preta, além dos campos do Auto Athletico Clube e do Pátria Futebol Clube.

O projeto da sede própria iniciou-se em junho de 1933, quando a Companhia Mogiana de Estradas de Ferro cedeu um terreno de 26 mil m² em frente à Estação Guanabara. Sob a condução do engenheiro e, então, presidente do clube, Dr. Edgar Ariani, as obras tiveram a pedra fundamental lançada em 1936. Uma característica arquitetônica singular da construção foi o uso de sucatas e trilhos de trem descartados pela ferrovia na sustentação das colunas e das arquibancadas. O nome oficial, Estádio Dr. Horácio Antônio da Costa, foi definido em 1935 em homenagem ao inspetor-geral da companhia.

Embora no dia 21 de abril de 1939, o estádio tenha recebido uma partida ainda em campo de terra, a inauguração oficial ocorreu apenas em 14 de julho de 1940, tendo o Mogiana empatado o jogo contra o Uberaba Sport Club em 1 a 1. Na época, o complexo foi considerado o mais completo do interior paulista e um dos principais do país, comparável em infraestrutura ao Pacaembu e ao São Januário. O estádio destacava-se por recursos avançados para o período, como sistema de drenagem de alta eficiência, placar com engrenagem mecânica, tribunas de honra e cabines de rádio, alojamentos e refeitórios instalados sob as arquibancadas.

Profissionalização miniaturadaimagem|direita|Fundadores do Esporte Clube Mogiana em 1948. Em 1947, o time se profissionalizou para disputar a divisão de acesso do futebol paulista, marco consolidado pela maior vitória de sua história: o triunfo sobre o em 26 de abril daquele ano. No duelo que serviu de batismo profissional da equipe, o Mogiana recebeu o então campeão carioca de 1946 e venceu de virada pelo placar de 2 a 1, com dois gols do atacante Pedrinho.

Já em 1948, na Divisão de Acesso, o Tricolor da Estrada acabou marcando 68 gols, o ataque mais produtivo da competição. Como exemplos, o Botafogo Futebol Clube de Ribeirão Preto tomou de 9 a 1 e o Barretos Futebol Clube, de 7 a 2. Também ganhou a Taça Cidade de Campinas, disputada contra Ponte Preta e Guarani, sendo que no torneio a Ponte Preta empatou por 1 a 1, e o Guarani tomou uma goleada de 6 a 3.

Em 1950, a diretoria do Mogiana enviou uma comunicação à Confederação Brasileira de Desportos (atual CBF) oferecendo todas as instalações do clube, incluindo o estádio, para a Copa do Mundo FIFA de 1950, caso a entidade precisasse de um local adicional para os jogos.

Em 1953, o clube de Campinas foi o primeiro time do interior paulista a jogar no Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro. A equipe juvenil participou de uma partida preliminar do Torneio Quadrangular Internacional do Rio de Janeiro contra o . Apesar da derrota por 3 a 1, o Mogiana fez história ao ser o primeiro time do interior a atuar no famoso estádio.

Extinção miniaturadaimagem|direita|Equipe do Mogiana em 1968. O futuro do Mogiana era promissor, mas o clube não resistiu à crise financeira da empresa, que acabou sendo apropriada pela Ferrovia Paulista S/A (FEPASA). No dia 18 de outubro de 1959, o Mogiana faria seu último jogo profissional, contra o Clube Atlético Bragantino, perdendo por 2 a 1 em pleno Estádio da Mogiana. Permaneceu no amadorismo até os anos 60.

Já a última partida de toda a história do clube ocorreu em 1969, ano em que a equipe se despediu dos gramados com uma vitória por 1 a 0 sobre o Corinthians da General Osório. A extinção da agremiação ocorreu em uma terça-feira, 8 de junho de 1971, com o leilão judicial de bens, como mesas de bilhar e eletrodomésticos, no Palácio da Justiça de Campinas. O ato, motivado por dívidas previdenciárias junto ao Instituto Nacional de Previdência Social, marcou a penhora definitiva de todo o patrimônio restante do clube.

Símbolos Evolução do Escudo do Esporte Clube Mogiana 120px 120px 120px 120px Ao longo dos anos, o Esporte Clube Mogiana adotou diferentes modelos de escudos, todos com formato circular e monograma estilizado com as iniciais "ECM" no centro, que representam o nome do clube. As cores predominantes nos distintivos eram azul, vermelho e amarelo, remetendo à Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, à qual o clube estava ligado. miniaturadaimagem|center|Trem da Companhia Mogiana nas mesmas cores adotadas pelo clube.

Título MUNICIPAIS CompetiçãoTítulosTemporadas 45x45px Taça Cidade de Campinas 1 1948 miniaturadaimagem|direita|Equipe do Mogiana em 1948. Em 1948, o Esporte Clube Mogiana sagrou-se campeão da Taça Cidade de Campinas, um feito que consolidou seu legado no futebol campineiro. O torneio, promovido pela Liga Campineira de Futebol, era uma disputa local que reunia as principais equipes da cidade, funcionando como um tira-teima entre os clubes que haviam profissionalizado suas divisões estaduais, mas mantinham elencos amadores na competição municipal.

Além desse título, o Esporte Clube Mogiana teve uma participação marcante no Campeonato Campineiro de Futebol, destacando-se como uma das equipes mais competitivas da época. Embora nunca tenha conquistado o campeonato, foi vice-campeão em cinco ocasiões (1939, 1940, 1942, 1944 e 1945), demonstrando sua força no cenário municipal.

Rivalidades miniaturadaimagem|direita|Equipes do Guarani e da Ponte Preta, durante um Derby Campineiro no Estádio da Mogiana. Semelhante ao que ocorria na capital paulista, o cenário esportivo de Campinas era dominado pelo chamado "Trio de Ferro" (ou Big Three), termo empregado pela imprensa local para designar o grupo formado por Esporte Clube Mogiana, Guarani Futebol Clube e Associação Atlética Ponte Preta. Entre as décadas de 1930 e 1950, essas agremiações foram as principais responsáveis pela projeção do futebol campineiro no estado.

No retrospecto dos confrontos diretos, o Tricolor da Estrada posicionou-se como um adversário de alta competitividade em relação aos demais integrantes do "Trio de Ferro". Durante a coexistência das três agremiações no cenário profissional e municipal, o Mogiana notabilizou-se ao impor derrotas contundentes aos rivais, consolidando-se como uma força capaz de desafiar a hegemonia do Guarani e da Ponte Preta em períodos de grande equilíbrio técnico.

Mogiana vs. Guarani

O primeiro embate oficial entre as equipes principais ocorreu em 26 de maio de 1935, válido pelo 1º Campeonato Campineiro da Liga Campineira de Futebol, com vitória bugrina por 2 a 1. Ao longo da história, o Mogiana registrou feitos expressivos no clássico, como a vitória por 6 a 3 em 18 de abril de 1948, válida pela 1ª Taça Cidade de Campinas.

A rivalidade profissional entre os clubes encerrou-se oficialmente com um amistoso noturno em 9 de abril de 1958. A partida, que terminou empatada em 3 a 3, foi realizada no Estádio da Mogiana a convite do clube ferroviário, servindo como evento de reinauguração do sistema de iluminação da praça esportiva.

Mogiana Guarani Vitórias 11 27 Empates 7 Partidas 45 Gols marcados 61 95 Total de gols 156

Mogiana vs. Ponte Preta

O primeiro registro oficial entre as equipes principais data de 29 de julho de 1934. A partida, um amistoso que terminou em 5 a 2 para a Ponte Preta, foi realizada no Hipódromo Campineiro para celebrar a admissão do Mogiana na Associação Paulista de Esportes Atléticos. Entre os resultados mais expressivos do Mogiana no clássico, destaca-se a vitória por 6 a 3 em 8 de agosto de 1948, válida pelo Campeonato da Segunda Divisão de Profissionais.

O último encontro oficial entre os dois clubes ocorreu em 11 de maio de 1952. A partida, válida pela 5ª Taça Cidade de Campinas e disputada no Estádio da Mogiana, terminou em empate sem gols.

Mogiana Ponte Preta Vitórias 16 32 Empates 11 Partidas 59 Gols marcados 74 121 Total de gols 195

Bibliografia

Ligações externas

Categoria:Clubes de futebol de Campinas Categoria:Clubes de futebol de origem ferroviária Categoria:Fundações em São Paulo em 1933 Categoria:Clubes de futebol fundados em 1933 Categoria:Clubes de futebol extintos da Região Metropolitana de Campinas