thumbnail|A Kippah Serugá (de crochet) é um dos símbolos do sionismo religioso O sionismo religioso ou movimento religioso sionista () é uma ideologia que combina o sionismo com o judaísmo religioso, baseando o sionismo nos princípios da Torá, Talmude e outros, e do patrimônio considerado autêntico.
O sionismo religioso é uma denominação genérica dada a todas as correntes religiosas judaicas que se auto-definiram como participantes do movimento sionista, apoiando a imigração ao Estado de Israel. O argumento comum entre as várias correntes do sionismo religioso é que o nacionalismo judaico e a criação de um Estado, são obrigações impostas pela Torá (a Bíblia Hebraica). Este argumento contrapõe a posição de uma parte dos judeus ultra-ortodoxos, que vêm a volta do povo judeu à Terra de Israel, e a criação de um Estado judaico - como parte da era messiânica, portanto não deram seu apoio ao movimento sionista.
O Sionismo religioso tem como lema: "O povo de Israel, com a Torá de Israel, na Terra de Israel", e vê a criação do Estado de Israel como o princípio da consumação deste lema e da redenção do povo judeu.
Hoje em dia em Israel, os religosos sionistas podem ser identificados pelo seu principal símbolo externo: a 'Kipá Serugá' (o solidéu de Crochet). Pessoas religiosas usando este símbolo são caracterizadas por sua integração com a sociedade secular Israelense, ocupando funções e cargos em todo o espectro de profissões, participando no IDF (Forças de Defesa de Israel), cargos políticos ligados a vários partidos diferentes, e ativos em centros acadêmicos e de pesquisa. Em paralelo esta pessoa mantém a observação aos estatutos e leis religiosas provenientes da Torá, e o envolvimento com estudos religiosos em Yeshivot (centro de estudos judaicos), seja em sua formação escolar ou depois dela.
Os idealizadores espirituais do sionismo religioso
A ideia do retorno dos judeus à Terra de Israel e o despertar do nacionalismo religioso apareceram antes ainda do movimento sionista, em meados do século XIX. Estes estão presentes nos livros dos rabinos Judah Alkalai,Biografia do Rabino Alkalai – em inglês Eliyahu Gutmacher e Zvi Hirsch Kalischer.Item KALISCHER, ẒEBI HIRSCH JewishEnciclopedia.com – em inglês Ao contrário da opinião da maior parte dos rabinos na diáspora judaica, eles frisavam que o povo judeu não deveria esperar passivamente pela era messiânica e a redenção, senão, é de vital importância a cooperação ativa dos membros das comunidades judaicas em prol do retorno aos lugares sagrados, ao trabalho agrícola lá, ao uso da língua hebraica no cotidiano e a imigração (aliá) à Terra de Israel (então sob domínio do Império Turco-Otomano). Há inclusive pesquisadores e escritores que dizem que Theodor Herzl baseou seu livro O Estado Judeu na filosofia de Judah Alkalai, já que seu avô era integrante ativo na sinagoga onde o rabino oficiava os serviços religiosos e dava aulas.Andrew Handler - The life and times of Theodor Herzl - em inglês Eles argumentavam que estes atos levam à consolidação das profecias do Tanakh, e futuramente ajudam inclusive na vinda do Mashiach (Messias). O melhoramento da classe dos judeus da Europa Ocidental, como consequência da emancipação, era visto por eles como o primeiro passo da redenção futura.Ideias presentes nos livros: * Michtav Meeliyahu – Rabino Gutmacher – Editora Machon Yerushalaim; * Shivat Zion – Rabino Kalisher; * Carta ao rabino Hayim Eliezer Vaks – publicada no livro Nefesh Haya.
A organização Amantes de Sião (Hovevei Zion) foi fundada com base nestas ideias, por todo o território Russo – dando início ao sionismo prático. Enquanto muitos rabinos viam com bons olhos o movimento de assentamento judaico na terra sagrada, outros se opuseram a esse movimento – mesmo entre os rabinos considerados modernos, como Shimshon Refael Hirsch.Rabino Shimshon Refael Hirsh - em Cartas para o Norte P.9,15Chaim Weizmann defendeu o nacionalismo judeu como um desvio de foco do socialismo internacionalista da classe média judaico-europeia.From Left to Right: Israel’s Repositioning in the WorldFrom Left to Right: Israel’s Repositioning in the WorldFrom Left to Right: Israel’s Repositioning in the World
Abraão Isaac Kook
thumb|140px|direita|Abraão Isaac Kook
Uma das principais personalidades que moldaram e emolduraram o sionismo religioso, Abraão Isaac Kook atuou como rabino chefe da cidade de Jafa e em suas periferias (incluindo Tel Aviv na época), e posteriormente como o primeiro Rabino Chefe de Israel (ainda no Mandato Britânico). Ele fundou a Yeshivat Merkaz Harav, que forma rabinos, e ensina a filosofia do Rav Kook a jovens e adultos da comunidade sionista religiosa em Israel. Seus alunos e alunos de seus alunos se tornaram uma das principais forças no ativismo do sionismo religioso e no envolvimento com a sociedade israelense geral.Site da Yeshivat Merkaz Harav - Histórico (em Hebraico)
O Rabino Kook desenvolveu uma argumentação teológica a qual via de forma muito positiva o sionismo, em termos religiosos. Ele dizia que o assentamento judaico na Terra de Israel é "o início da redenção" (Atchalta deGueula - em aramaico). A Aliá (imigração de judeus a Israel) era visto por ele como uma obrigação religiosa. Um de seus argumentos era que o sionismo faz parte do "plano Divino", não podendo ser considerado heresia, mesmo tendo como líderes, judeus que não observavam a lei judaica religiosa.Maamar Hador (Um Artigo sobre a nossa Geração)- artigo escrito pelo Rav Kook - editado e compilado no livro 'Ikvei Hatzon', primeira edição em 1906 - no qual descreve sua filosofia com relação a Israel e a geração judaica anterior a criação do estado de Israel
Zvi Yehuda Kook
thumb|140px|direita|Zvi Yehuda Kook Filho do rabino Abraão Isaac Kook, recebeu do sucessor de seu pai a função de rabino chefe da yeshivá Merkaz Harav em Jerusalém, que exerceu por 30 anos até o seu falecimento em 1982. Ele exercera anteriormente a função de coordenação espiritual da yeshivá desde sua fundação, e parte do tempo foi também seu diretor administrativo.
A partir de 1935 dedicou-se intensivamente à pesquisa, ordem e edição das escrituras de seu pai. Sua maior contribuição para o sionismo religioso foi transformar a filosofia do pai em livros organizados e acessíveis ao público em geral. Os ensinamentos de Abraão Isaac Kook viraram aulas que podiam ser acompanhadas mesmo por pessoas que não tinham formação em uma yeshivá. A yeshivá Merkaz Harav cresceu e se tornou o centro espiritual de todos os religiosos sionistas de sua época, atraindo muitos jovens – principalmente participantes do movimento juvenil sionista Bnei Akiva.
Com a criação do Estado de Israel ele se filiou ao movimento político Hapoel HaMizrahi, inclusive entrando na lista de candidatos do partido nas eleições de 1951 (inclusão esta feita no lugar simbólico 119º para frisar seu apoio ao partido).
Em sua filosofia, ele via a criação do Estado de Israel uma etapa na redenção da nação judaica. Ele tentou fortificar os elementos que compunham deste Estado por um lado, e por outro agia pela implementação de elementos mais religiosos na política e no governo.Torat Eretz Yisrael - Jerusalem 1991 - Rav Zvi Yehuda Kook - Livro no qual descreve sua relação com o Estado e a Terra de Israel
Hoje em dia se formaram muitas yeshivot que tomam como base em sua filosofia e no modelo da yeshivá Merkaz Harav.
Yosef Dov Soloveitchik
thumb|140px|direita|Yosef Dov Soloveitchik
Nascido de uma família tradicional de rabinos importantes da comunidade de judeus ultra-ortodoxos internacional, salientou-se muito cedo nos estudos religiosos, e se tornou um novo integrante da Agudat Israel (congregação dos rabinos ultra-ortodoxos) nos EUA, a qual foi fiel mesmo depois de deixar de ser integrante. Em 1935 ele visitou Israel com o propósito de se candidatar ao rabinato chefe da cidade de Tel-Aviv, não sendo eleito no final. Nesta visita teve contato com o rabino Kook e foi palestrante na yeshivá Merkaz Harav.
Em 1956, depois de ter passado o Holocausto e a fundação do Estado de Israel, filiou-se ao movimento sionista, e tornou-se Presidente de Honra do movimento Mizrahi mundial até seu falecimento em 1993. Seu tio, o rabino Meir Bar-Ilan foi de grande influência nesta decisão. Seus dilemas e conclusões foram descritos num discurso que proferiu na comemoração do dia da independência de Israel em 1957 – editada posteriormente e chamada pelo título Kol Dodi Dofek ("A voz de teu amado chama" - retirado de um versículo do livro Shir HaShirim - "Cântigo dos Cântigos").
Segundo sua filosofia, o Estado de Israel não recebe a santidade automática da Terra de Israel (diferente da filosofia do Rav Kook e seus seguidores), mas faz parte das escolhas feitas a cada etapa, por isso os judeus devem ser ativos no desenrolar dos fatos em Israel e no sionismo. E, sem dúvida, os fatos relacionados com a criação do Estado de Israel e seu desenvolvimento até os dias de hoje são milagres que afirmam a tese de que um judeu observante deve tomar parte deles.Kol Dodi Dofek, Rav Soloveitchik
O rabino Soloveitchik herdou o lugar de seu pai como rabino chefe da Yeshivá Rabi Ytzhak Elchanan, conhecida como Yeshiva University (ou pela sigla Y.U.), e se tornou também o reitor da faculdade de filosofia judaica neste mesmo estabelecimento. A partir deste estabelecimento de ensino difundiu sua filosofia sobre o sionismo e a vida moderna de um judeu. Com seu carisma e sua inteligência ele reuniu um número muito grande de alunos e seguidores, mesmo entre aqueles que não o conheceram diretamente. Ele é considerado o pai da ortodoxia moderna () nos EUA, corrente paralela aos sionistas religiosos em Israel.
Um dos alunos mais ligados a ele, seu genro, o rabino Aharon Lichtenstein imigrou a Israel, concretizando sua filosofia sionista, e se tornou rabino chefe de uma das maiores Yeshivot sionistas em Israel, Yeshivat Har Etzion, junto ao rabino Yehuda Amital. Com isso sua filosofia sionista se difunde em Israel também, já tendo formado vários rabinos e várias outras Yeshivot. O tenente Asael Lubotzky no serviço IDF ora com tefilin|thumb|200px
Partidos Políticos Religiosos
Com a organização do Primeiro Congresso sionista por Theodor Herzl, muitos judeus religiosos se uniram ao movimento sionista. A maior parte dos rabinos que participaram do congresso tinham mais afinidade com o sionismo político, onde viram a possibilidade de uma ação conjunta entre sionistas religiosos e seculares, evitando problemas em torno da fiosofia cultural e educacional. Na conferência sionista russa de 1898, participaram 14 rabinos dentre os 140 presentes.
O movimento político do sionismo religioso, em todas as suas diversas correntes, sempre teve como lema "O povo de Israel, com a Torá de Israel, na Terra de Israel".
Mizrahi
No ano de 1902 os religiosos se juntaram no Movimento Sionista Mizrahi devido a adversidades com relação a tópicos da educação divulgados pela Agência Judaica Sionista. O movimento foi fundado pela iniciativa do rabino Shemuel Mohaliver, com o objetivo de defender as características judaicas nos assentamentos da Terra de Israel.
Após a fundação do Estado de Israel, o Mizrahi se tornou um partido político que concorreu nas eleições parlamentares três vezes em Israel conseguindo consecutivamente 4, 2 e 2 mandatos no KnessetSite do Knesset - Parlamento Israelense - Histórico (em inglês) (parlamento de Israel).
Hapoel HaMizrahi
Formado por um grupo discidente do Mizrahi, que optou por um caminho mais ligado ao sionismo prático, de pioneirismo, trabalho agícola e fundação do Kibutz Hadati (kibutzreligioso).
Após a fundação do Estado de Israel, o Hapoel HaMizrahi se tornou um partido político que concorreu nas eleições parlamentares três vezes em Israel conseguindo consecutivamente 7, 8 e 9 mandatos no Knesset (parlamento de Israel).
Mafdal (hoje em dia chamado de HaBaith Hayehudi)