Todos os Olhos é um álbum do cantor brasileiro Tom Zé, lançado em 1973.

Recepção Todos os Olhos é um dos dois álbuns lançados por Tom Zé na década de 1970, juntamente com Estudando o Samba. Apesar de inserido no movimento do tropicalismo, o álbum foi considerado experimental demais, levando Tom Zé ao esquecimento pela mídia e pelo público. Somente no final da década de 2000 o álbum passou a ter reconhecimento.

Capa O conceito da capa do álbum partiu de Décio Pignatari, poeta e sócio da agência de publicidade E=mc2, e amigo próximo de Tom Zé. A ideia original era fotografar um ânus feminino com uma bola de gude no centro, como uma afronta à censura imposta, na época, pela ditadura militar. Reinaldo Moraes, então com 22 anos, era sócio de Décio na agência, onde também trabalhava como assistente de estúdio, e coube a ele encontrar a modelo e realizar as fotos. Reinaldo entrou em contato com uma namorada ocasional que era fã do tropicalismo, e ela topou servir de modelo. Tom Zé, ao saber de Décio que tinham conseguido uma modelo, ficou aflito com a situação por sequer cogitar a ideia de pedir algo do tipo a uma moça.

Reinaldo e a moça foram, num Fusca, a um motel de caminhoneiros – sob a placa de "Retiro Rodoviário" – nas margens da Rodovia Raposo Tavares, e com uma câmera fotográfica Praktika com lente 50mm e duas lâmpadas de 100W, tentaram realizar as fotos durante vários minutos e em diversas posições, dada a dificuldade em manter a bolinha de gude parada em seu ânus. Após várias tentativas, ela ficou constrangida, mas Reinaldo insistiu contra a vontade dela até obter as fotos. Por fim, foram embora sem se falar.

De volta ao estúdio, Décio e Marcão, diretor de arte da agência, viram que as fotos estavam explícitas demais. Chico Andrade, também sócio de Décio, chegou a realizar fotografias com uma prostituta, na própria agência, onde testaram a bola de gude na boca e no ânus, mas estas fotos não fizeram parte da arte final. Foi pedida uma nova tentativa a Reinaldo, que teve que entrar em contato novamente com a moça. Foram à casa de uma amiga para fotografar, mas ao invés de colocar a bola de gude no ânus, pediu que a moça deitasse no chão e a colocasse na boca, com uma leve maquiagem, contraindo ligeiramente os lábios. As fotos ficaram perfeitas logo na primeira tentativa, e foram impressas na capa do álbum. Tom Zé só soube que se tratava de uma boca algum tempo depois.

Polêmica sobre a foto real Chico Andrade publicou uma das fotos originais da época, tiradas da prostituta, em seu blog em 2011, alegando que a imagem da capa era mesmo a de um ânus, e não de uma boca de mulher. A imagem postada por ele, entretanto, mostra que a bola de gude no ânus não teria como ficar na mesma posição em que é mostrada na capa do álbum, onde ela fica envolvida pela pele como em uma boca. O próprio Tom Zé, em entrevista a Charles Gavin, confirmou que a foto final foi a de uma boca, apesar da ideia original ser de um ânus:

Legado Em 2000, o álbum foi laçado pela primeira vez no formato CD junto do álbum Se o Caso é Chorar (1972) como parte da serie Dois Momentos. Em 2017, o álbum foi relançado em CD no box set Tom Zé – Anos 70.

Em uma enquete de 162 especialistas musicais conduzida pelo podcast Discoteca Básica, o álbum classificou em 84º.

Faixas Todas as músicas compostas por Tom Zé, exceto onde indicado:

Ligações externas

Categoria:Álbuns de música popular brasileira Categoria:Álbuns de 1973 Categoria:Álbuns de Tom Zé Categoria:Álbuns lançados pela Warner Music Brasil Categoria:Álbuns de capas controversas