Serra é um município brasileiro no estado do Espírito Santo, Região Sudeste do país. Pertence à Região Metropolitana da Grande Vitória, estando situado a cerca de da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente , sendo que estão em área urbana, e sua população foi estimada em habitantes em 2025, o que faz do município o mais populoso do Espírito Santo. Possui ainda um IDH de 0,739, o sétimo maior do estado, além do maior Produto Interno Bruto entre as cidades capixabas em 2023.

A cidade foi fundada em 1556, porém o período de maior desenvolvimento teve início na segunda metade do , seguindo o crescimento da Grande Vitória. A macroeconomia é baseada sobretudo nos setores secundário e terciário. Fica localizado na Serra o TIMS, que é um dos maiores condomínios logísticos do Espírito Santo. Com um litoral de cerca de e lagoas, áreas de preservação e bens históricos visitáveis, como as igrejas dos Reis Magos, Nossa Senhora da Conceição, São João Batista de Carapina e São José do Queimado (esta em ruínas), o município figura ainda como um destino turístico relevante.

História Período pré-colonial e colonização Antes da colonização europeia, a faixa litorânea hoje correspondente a Serra integrava território de povos indígenas do tronco tupi, com destaque para os tupiniquins e grupos aliados, que mantiveram contato e conflito com colonos desde o século XVI no âmbito da Capitania do Espírito Santo. A data de fundação da cidade, 8 de dezembro de 1556, remete ao reconhecimento da Vila de Nossa Senhora da Conceição da Serra pelo padre jesuíta Brás Lourenço e o cacique temiminó Maracajá-Guaçu. A presença missionária jesuítica estruturou aldeamentos como o de Nova Almeida, onde se ergueu a Igreja e Residência dos Reis Magos, exemplar arquitetônico associado à catequese e à ocupação litorânea setecentista.

Formação administrativa e desenvolvimento thumb|esquerda|Ruínas da Igreja São José de Queimado A ordenação civil avançou no século XVIII: a freguesia da Serra foi criada por Carta Régia em 24 de maio de 1752; em 2 de abril de 1833, elevou-se a vila (desmembrada de Vitória), e em 6 de novembro de 1875 alcançou a categoria de cidade, pela Lei Provincial nº 06.

Um episódio que marcou o foi a Insurreição do Queimado, que consistiu em um movimento contra a escravidão ocorrido em 1849, a favor da alforria de negros escravizados. Uma marca desse episódio foi a destruição da Igreja São José do atual distrito de Queimado, da qual restaram ruínas, atualmente preservadas. A depredação da igreja foi motivada pela não libertação de escravizados que ajudaram na construção do templo, ao contrário do que fora prometido pelo frei italiano Gregório José Maria de Bene. A maioria dos revoltosos foram presos, com cinco condenados à morte.

Ao longo do século XX, o território passou por sucessivas redefinições distritais: criação de Itapocu (1921), incorporação de Nova Almeida (1938) e anexação de Carapina e Queimado (1943), conformando, em 1960, cinco distritos (Serra, Calogi, Carapina, Nova Almeida e Queimado).

Ciclos econômicos e demografia thumb|esquerda|Orla de Jacaraípe Durante o período colonial e imperial, engenhos de açúcar e lavouras de subsistência marcaram a economia litorânea capixaba, enquanto o café se expandiu no século XIX e estruturou redes de colonização e circulação na província. A integração territorial foi dinamizada pela Estrada de Ferro Vitória a Minas, cuja implantação no início do século XX conectou o litoral capixaba ao interior mineiro, reforçando o papel logístico da capital e de seu entorno.

A partir dos anos 1960–1980, políticas de industrialização e “grandes projetos” no entorno do Porto de Tubarão (inaugurado em 1º de abril de 1966) e dos terminais de Praia Mole aceleraram a urbanização, com criação do Centro Industrial de Vitória (CIVIT) e instalação do parque siderúrgico da ArcelorMittal Tubarão (antiga Companhia Siderúrgica de Tubarão, cuja implantação se iniciou em 1976 e as operações em 1983).

Tais transformações implicaram forte crescimento populacional e expansão de bairros operários e conjuntos habitacionais contíguos ao CIVIT nas décadas de 1970–1980, conforme séries censitárias do IBGE analisadas por estudos acadêmicos locais. No plano demográfico e cultural, a metrópole capixaba também recebeu fluxos de imigrantes italianos e pomeranos desde o fim do século XIX, cuja presença se projetou sobre a Grande Vitória e regiões próximas, influenciando formas de ocupação e trabalho.

Integração metropolitana e transformações recentes A institucionalização da Região Metropolitana da Grande Vitória ocorreu em 1995, pela Lei Complementar estadual nº 58, incluindo, entre outros, Vitória, Vila Velha, Cariacica, Viana e Serra; nos anos seguintes, alterações legais incorporaram Guarapari e Fundão, consolidando a escala metropolitana de planejamento (COMDEVIT e PDUI). Na faixa costeira serrana, balneários como Jacaraípe e Manguinhos — historicamente núcleos pesqueiros — foram intensamente loteados e urbanizados na segunda metade do século XX, acompanhando a expansão da malha urbana metropolitana.

Geografia thumb|esquerda|Morro Mestre Álvaro na zona rural da Serra O município da Serra está localizado na região central do estado e integra a Região Metropolitana da Grande Vitória, possuindo uma costa de cerca de . Limita-se com Fundão (a norte), Santa Leopoldina (a oeste), Cariacica (a sudoeste), Vitória (a sul) e o oceano Atlântico (a leste).

De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária e Imediata de Vitória. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Vitória, que por sua vez estava incluída na mesorregião Central Espírito-Santense.

O bioma original predominante é a Mata Atlântica, com presença significativa de restingas litorâneas e manguezais. A área municipal abrange áreas de preservação relevantes, como a APA Estadual de Praia Mole, APA Estadual do Mestre Álvaro, APA Municipal da Lagoa Jacuném, APA Municipal Manguezal Sul, APA Municipal do Morro do Vilante e o Parque Natural Municipal de Bicanga. thumb|direita|Lagoa Juara no interior do município

O relevo é predominantemente plano a ondulado, porém apresenta alguns afloramentos rochosos. O Morro Mestre Álvaro, por exemplo, atinge os 833 metros de altitude. O município está situado nas bacias dos rios Santa Maria da Vitória e Reis Magos, que são os principais cursos hídricos que banham Serra. Entretanto, o território municipal é banhado por diversos mananciais de menor porte que vertem para esses leitos principais ou para o oceano. Além disso, são comuns as lagoas.

Clima O clima serrano é caracterizado, segundo o IBGE, como tropical quente úmido (tipo Aw segundo Köppen), com diminuição de chuvas no inverno e temperatura média anual em torno dos , tendo invernos amenos e verões úmidos com temperaturas altas. O mês mais quente, fevereiro, tem temperatura média de , enquanto que o mês mais frio, julho, possui média de .

Outono e primavera são estações de transição, embora condições de umidade relativa elevada prevaleçam na maior parte do ano. O índice pluviométrico anual é de aproximadamente , sendo junho o mês mais seco e novembro o mais chuvoso. As precipitações caem principalmente sob a forma de chuva e, esporadicamente, de granizo. As chuvas podem ainda vir acompanhadas de descargas elétricas e fortes rajadas de vento.

Demografia e política

Em 2022, a população foi estimada em habitantes pelo censo daquele ano, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sendo então o município mais populoso do Espírito Santo. Segundo o censo de 2022, habitantes viviam na zona urbana (99,54% do total) e na zona rural (0,46%). Da população total em 2022, habitantes (21,09%) tinham menos de 15 anos de idade, (14,64%) tinham de 15 a 24 anos, (25,18%) tinham de 25 a 39 anos, (30,77%) tinham de 40 a 64 anos e (8,33%) possuíam 65 anos ou mais.

Também em 2022, a população era composta por pardos (56,39%), brancos (28,59%), negros (14,61%), 849 amarelos (0,16%) e indígenas (0,25%). Com relação aos credos religiosos, a população municipal com dez anos de idade ou mais está composta por evangélicos (40,11% do total), católicos (35,67%), pessoas sem religião (15,76%), espíritas (0,73%), da umbanda e candomblé (0,58%), 82 das tradições indígenas (0,02%) e 7,14% estão divididos entre outras religiões.

A administração do município é feita a partir dos poderes Executivo, representado pelo prefeito e seus secretários, e Legislativo, constituído pela câmara de vereadores, composta por 23 vereadores, eleitos para mandatos de quatro anos. Serra abriga uma comarca do Poder Judiciário estadual. O município possuía, em junho de 2026, eleitores, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Serra é composta por quatro distritos, além da sede, sendo eles Calogi, Carapina, Nova Almeida e Queimado. O distrito de Carapina era o mais populoso em 2022, com habitantes (60,38% da população municipal), seguido pelo distrito-sede, com moradores (25,38%). Calogi e Queimado estão situados na zona rural, enquanto que Carapina e Nova Almeida ficam na faixa litorânea. A sede municipal, por sua vez, encontra-se no interior do município e a maior parte de sua área é rural, embora 99,73% de sua população resida na zona urbana. Essa divisão é fruto de uma série de alterações feitas na configuração do território serrano ao longo dos séculos XIX e XX. A lei municipal nº 4.514 de 2016 reconhece ainda a existência de 129 bairros.

+Distritos da Serra (IBGE/2022) Distrito Código IBGE Habitantes (2022) Calogi 320500210 Carapina 320500215 Nova Almeida 320500220 Queimado 320500225 Serra (sede) 320500205

Economia thumb|direita|Placa "Turismo e Negócios" na cidade thumb|direita|Litoral de Nova Almeida O município contava com o maior Produto Interno Bruto (PIB) do Espírito Santo em 2023, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), alcançando uma marca de R$ 37,65 bilhões naquele ano. A maior parte desse rendimento é concentrado nos setores secundário e terciário da macroeconomia. Serra possui uma certa vantagem pelo fato de ser cortado pela BR-101, além de ter acesso facilitado ao Aeroporto Internacional de Vitória e à Estrada de Ferro Vitória Minas, meios que acabam contribuindo para uma presença significativa de empresas de logística na cidade. No município fica localizado o TIMS, polo industrial que é um dos maiores condomínios logísticos do Espírito Santo, implantado em 1991.

Em 2022 foi feito um levantamento pelo Índice de Concorrência dos Municípios (ICM) sobre a ordem burocrática de alguns municípios brasileiros ao lidar com o seguimento empresarial, no qual Serra acabou levando a melhor colocação do estado em segurança jurídica, colocando a cidade em uma posição favorável para se investir. Em 2025, de acordo com o SEBRAE, havia empresas ativas, a maior parte das quais representada pelo comércio varejista (18%), seguido pelo setor de transporte terrestre (8,43%) e pela alimentação (8,1%). No mesmo ano, pessoas estavam empregadas, sendo que os setores que mais empregavam eram o comércio varejista (10,4%), comércio por atacado, exceto veículos automotores (8,4%), e a administração pública (7%).