Correndo o Risco é o terceiro álbum de estúdio da banda brasileira Camisa de Vênus, gravado em agosto e setembro de 1986, no Estúdio RAC, em São Paulo, e lançado pela gravadora WEA, em 7 de novembro de 1986, com distribuição pela RCA Victor.

Antecedentes

O lançamento do primeiro álbum ao vivo da banda - Viva - havia sido resultado de um acordo entre a banda, a gravadora deles na época - a RGE, e a nova gravadora deles - a WEA. Como a banda devia mais um álbum à RGE por força de contrato, ficou acordado o lançamento de um álbum ao vivo, considerado o meio mais rápido de cumprir tal acordo. O álbum foi um sucesso, vendendo 180 mil cópias no ano do seu lançamento e ajudando a estabelecer a imagem da banda entre público e crítica.Dapieve, 1995, pp. 160-164.Barcinski e Nova, 2017.

Gravação e produção A produção transcorreu nos meses de agosto e outubro de 1986, sendo o álbum gravado e mixado no Estúdio RAC, em São Paulo, com o comando de Pena Schmidt: a banda inaugurou a nova aparelhagem de 24 canais do estúdio.Villas, 1986. As gravações contaram com diversas participações de músicos, como: Armando Ferrante Júnior, nos Teclados; Sérgio Kaffa e Constant Papineanu, no piano; Manito, no Saxofone e no órgão Hammond; Mica, na harmônica; Papete, na Tumbadora; Ricardo Henrique, na guitarra elétrica; e Álvaro Gonçalves, na guitarra e, também, no violão. Além desses músicos, a banda resolveu arranjar para orquestra uma de suas músicas: "A Ferro e Fogo" contou com arranjos e regência de Armando Ferrante Junior, e com uma pequena orquestra de mais de 30 músicos.Bahiana, 1986.CAMISA corre o risco e lança um novo disco. Folha de S. Paulo, São Paulo, 11 nov. 1986. Ilustrada, p. 54.

Resenha musical O álbum abre com "Simca Chambord", um dos grandes sucessos desse disco, que é um "rock autêntico", tendo como tema a deterioração da classe média durante os anos de ditadura militar no Brasil.Souza, 1986. Em seguida, "Mão Católica" fala sobre a culpa cristã, ecoando a experiência de Marcelo Nova em semi-internato, quando novo. Então, temos a bem-humorada "Deus me Dê Grana", que foi outra dos grandes sucessos do disco.Dias, 1986. O primeiro lado fecha com uma versão punk rock de "Ouro de Tolo", de Raul Seixas, que foi considerada absolutamente atual na época do seu lançamento, do que é demonstração a atualização mínima feita pela banda na letra: "Corcel 73", por "Monza 86"; "tobogã", por "videogame"; "cidade maravilhosa", por "cidade marabichosa"; etc.

O lado B inicia com "Só o Fim" - mais um dos sucessos do álbum - que tem a letra elogiada, falando do apocalipse, e cujo refrão faz menção à canção dos The Rolling Stones, "Gimme Shelter". Em seguida, temos a direta "O que É que Eu Tenho de Fazer?", na qual a banda brinca com Reagan, os punks e os críticos musicais. Por fim, o disco termina com o canto épico "A Ferro e Fogo", que conta com uma orquestra tocando o arranjo do maestro Armando Ferrante Júnior.

Recepção Lançamento O álbum foi lançado pela gravadora WEA em 07 de novembro de 1986, com distribuição pela RCA Victor. Antes do seu lançamento, o disco já tinha 200 mil cópias encomendadas e, com a forte divulgação da gravadora, o álbum acabaria vendendo mais de 300 mil cópias, rendendo um disco de platina para a banda. Para a promoção do disco, foi feita uma festa de lançamento em um prostíbulo, que continuou funcionando enquanto a festa ocorria, com a banda tocando entre as garotas de programa que subiam para fazer performances - como "pole dance", por exemplo - no palco. Além disso, foram lançados 3 singles do disco: Simca Chambord e Só o Fim, em novembro de 1986; e Deus me Dê Grana, em 1987. Essas 3 canções também geraram videoclipes para veiculação nas estações de TV. Apesar disso, o álbum sofreu com a proibição da execução radiofônica de "Mâo Católica", pelo Departamento de Censura.

Fortuna crítica

Alberto Villas, escrevendo para O Estado de S. Paulo, vaticina que este é o álbum mais bem produzido do Camisa até o momento do seu lançamento. Elogia muito o disco, escrevendo que a banda lança "um disco para balançar o coreto", indo contra "um mar de água com açúcar" e "contra a maré dos modismos". Assim, é um disco coerente, que mostra que a banda é capaz de tudo, mostrando um rock and roll nervoso e que incomoda muita gente. Mauro Dias, em texto assinado para o diário carioca O Globo, analisa disco e banda, elogiando as qualidades técnicas e as letras instigantes do primeiro, e a performance explosiva no palco da segunda. Em compensação, o jornalista chama a sonoridade de "morna": conclui que "o Camisa de Vênus está sempre no palco, nunca no vinil". Ainda assim, elogia o uso de metáforas para simbolizar o momento em que vivia-se, com a euforia da classe média com o Plano Cruzado. Okky de Souza, escrevendo para a Revista Veja, elogia o álbum dizendo tratar-se do "mais comercial e inteligente" trabalho do grupo até então, no qual tocam um rock básico, em que "a urgência e a espontaneidade compensam a ausência de técnica". Elogia, especialmente, as letras de Marcelo Nova, chamando-as de "mais elaboradas".

Relançamentos

Faixas

Certificações País Provedor Certificação Vendas Brasil ABPD : mais de 300 mil

Créditos Créditos dados pelo Discogs e pelo IMMUB.

Músicos Camisa de Vênus Marcelo Nova: Vocal Karl Hummel: Guitarra base Gustavo Mullem: Guitarra solo Robério Santana: Baixo elétrico Aldo Machado: Bateria

Músicos adicionais Teclado: Armando Ferrante Júnior Piano: Sérgio Kaffa (faixa 1), Constant Papineanu (faixa 6) Saxofone: Manito (faixa 1) Órgão Hammond: Manito (faixa 4) Harmônica (faixa 2): Mica Tumbadora: Papete (faixa 6) Guitarra elétrica: Ricardo Henrique (faixa 3) e Álvaro Gonçalves (faixa 9) Violão: Álvaro Gonçalves (faixa 9)

Orquestra Violino: Elias Slon (Spalla), Jorge Izquerda, Audina Nunez, Germano, John Spindler, Tânia Camargo, Caetano Domingos, Alberta Jaffé Viola: Newton Servulo, Michel Verebes, Alwin Delsner e Marcelo Jaffé Violoncelo: Robert Svetholz e Julio Ortiz Contrabaixo: Jorge Oscar Flauta: Toninho Carrasqueira e Rogério Zerlotti Clarinete: Nailor Azevedo (Proveta) Oboé: Kátia Trompete: Francês, Donizeti, Azevedo Coral masculino: Clóvis, Paulinho, Rubens, Caio Flávio Coral feminino: Cláudia, Tânia, Cidinha, Vera

Ficha Técnica Direção artística: Liminha Produção: Pena Schmidt Arranjos e regência: Armando Ferrante Junior Cópias e arregimentação: Sérgio Porto Engenheiro de gravação e mixagem: Ricardo Carvalheira (Franjinha) Assistentes de gravação e mixagem: Mica, Cacá e Walter Direção de arte gráfica: CVS Concepção da capa: Marcelo Nova Fotos: Bob Wolfenson Produção de figurino: Teca Costa Neto Vestuário: Universo em Desfile Maquiagem: Affonsso de Gouveia Cabeleireiro: Murilo Souza (Della Lastra)

Bibliografia

. Do front e adjacências. Publicado em O Globo, em 28 de agosto de 1986, p. 3. e . O galope do tempo: conversas com André Barcinski. São Paulo: Benvirá, 2017. . BRock: o rock brasileiro dos anos 80. São Paulo: Editora 34, 1995. . Nada escapa ao Camisa de Vênus. Publicado em O Globo, em 17 de novembro de 1986, p. . O estouro do camisa de vênus. Publicado em O Globo, em 08 de abril de 1987, p. 4. 1. . Postura radical. Publicado em Revista Veja, edição 951, de 26 de novembro de 1986, p. 146. . Os filhos de Raul Seixas. Publicado em O Estado de S. Paulo, em 11 de novembro de 1986, p. 1. CAMISA corre o risco e lança um novo disco. Folha de S. Paulo, São Paulo, 11 nov. 1986. Ilustrada, p. 54.

Categoria:Álbuns de 1986 Categoria:Álbuns de Camisa de Vênus Categoria:Álbuns lançados pela Warner Music Brasil Categoria:Álbuns de rock Categoria:Álbuns de punk rock Categoria:Álbuns produzidos por Pena Schmidt