Gal Maria da Graça Penna Burgos Costa (nascida Maria da Graça Costa Penna Burgos; Salvador, – São Paulo, ) ( foi uma cantora e compositora brasileira. Considerada uma das cantoras mais plurais do Brasil e do mundo, Gal transitou em diversos gêneros musicais e foi a cantora brasileira mais bem colocada na lista de 200 maiores cantores e cantoras de todos os tempos pela revista Rolling Stone, bem como foi eleita, pela revista Time, uma das 10 maiores cantoras do mundo.

Biografia Primeiros anos e início de carreira Maria da Graça Costa Penna Burgos era filha de Mariah Costa Penna, sua grande incentivadora, falecida em 1993, e de Arnaldo Burgos.Gal Costa no Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Sua mãe contava que durante a gravidez passava horas concentrada ouvindo música clássica, como num ritual, com a intenção de que esse procedimento influenciasse na gestação e fizesse que a criança que estava por nascer fosse, de alguma forma, uma pessoa musical. O pai de Gal, morto quando ela tinha quatorze anos, sempre foi uma figura ausente, um vazio plenamente preenchido pelo amor de sua mãe, além dos parentes. Em certo momento, se torna amiga das irmãs Sandra e Dedé (Andreia) Gadelha, futuras esposas dos compositores Gilberto Gil e Caetano Veloso, respectivamente. As duas a apelidaram "Gau", nome comum na Bahia como diminutivo de Maria da Graça. Em 1959, ouviu pela primeira vez o cantor João Gilberto cantando Chega de Saudade (Tom Jobim/Vinicius de Morais) no rádio; João também exerceu uma influência muito grande na carreira da cantora, que também trabalhou como balconista da principal loja de discos de Salvador da época, a Roni Discos. Em 1963, foi apresentada a Caetano Veloso por Dedé Gadelha, iniciando-se a partir daí uma grande amizade e profunda admiração mútua.

Década de 1960 miniatura|upright|Gal Costa em 1969. Arquivo Nacional.Gal estreou ao lado de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Tom Zé e outros, o espetáculo Nós, Por Exemplo... (22 de agosto de 1964), que inaugurou o Teatro Vila Velha, em Salvador. Neste mesmo ano participou de Nova Bossa Velha, Velha Bossa Nova, no mesmo local e com os mesmos parceiros. Deixou Salvador para viver na casa da prima Nívea, no Rio de Janeiro, seguindo os passos de Maria Bethânia, que havia estourado como cantora no espetáculo Opinião. A primeira gravação em disco se deu no disco de estreia de Maria Bethânia (1965): o duo Sol Negro (Caetano Veloso), seguido do primeiro compacto, com as canções Eu vim da Bahia, de Gilberto Gil, e Sim, foi você, de Caetano Veloso - ambos lançados pela RCA, que posteriormente transformou-se em BMG (atualmente Sony BMG) — gravadora à qual Gal retornaria em 1984, com o álbum Profana. No fim do ano conheceu João Gilberto pessoalmente.

No início da carreira e no primeiro compacto, a cantora se apresentava como Maria da Graça. Por sugestão do produtor Guilherme Araújo, no entanto, adotou o nome artístico Gal, derivado de seu apelido e soletrado seguindo a sugestão jocosa GAL: Guilherme Araújo Limitada. Caetano Veloso não gostou da mudança, argumentando que Gal é abreviatura de general, de modo que o nome Gal Costa a fazia parecer homônima do então Presidente da República, o Gal. Costa e Silva. Em entrevista concedida a Jô Soares, em 2013, a cantora revelou que havia alterado o registro civil para incluir o apelido pelo qual ficou conhecida nacionalmente, passando a se chamar oficialmente Gal Maria da Graça Penna Burgos Costa.

Participou do I Festival Internacional da Canção, em 1966, interpretando a canção Minha Senhora (Gilberto Gil e Torquato Neto), que não emplacou. O primeiro LP foi lançado em 1967, ao lado do também estreante Caetano Veloso, Domingo, pela gravadora Philips, que posteriormente transformou-se em Polygram (atualmente Universal Music), permanecendo neste selo até 1983. Deste disco fez grande sucesso a canção Coração Vagabundo, de Caetano Veloso. Participou também do III Festival de Música Popular Brasileira defendendo as canções Bom Dia (Gilberto Gil/Nana Caymmi) e Dadá Maria (Renato Teixeira), esta última em dueto com Sílvio César no festival e com Renato Teixeira na gravação.

Em 1968 participou do disco Tropicália ou Panis et Circencis (1968), com as canções Mamãe Coragem (Caetano Veloso e Torquato Neto), Parque Industrial (Tom Zé) e Enquanto seu lobo não vem (Caetano Veloso), além de Baby (Caetano Veloso), o primeiro grande sucesso solo, que se tornou um clássico. Em novembro participou do IV Festival da Record defendendo a canção Divino Maravilhoso (Caetano Veloso e Gilberto Gil). Lançou seu primeiro disco solo, Gal Costa (1969), que além de Baby e Divino Maravilhoso trouxe Que Pena (Ele já não gosta mais de mim) (Jorge Ben Jor) e Não Identificado (Caetano Veloso), todos grandes sucessos. No mesmo ano gravou o segundo disco solo, Gal, conhecido como o psicodélico, que trouxe os hits Meu Nome É Gal (Roberto e Erasmo Carlos) e Cinema Olympia (Caetano Veloso). Deste disco foi gerado o espetáculo Gal!, e o mesmo figura como um dos registros mais radicais já feito na história da música brasileira.

Década de 1970 miniatura|Gal Costa durante o emblemático show Fa-Tal - Gal a Todo Vapor, em 1971. Arquivo Nacional

Em 1973 gravou o disco Índia, dirigido por Gil, que trouxe os sucessos Índia (J. A. Flores - M. O. Guerreiro - versão José Fortuna) e Volta (Lupicínio Rodrigues), e desse disco faz outro show muito bem-sucedido, também dirigido por Waly Salomão, Índia. Nesse mesmo ano participou do festival Phono 73, que gerou três discos, onde Gal gravou com sucesso as músicas Trem das Onze (Adoniran Barbosa) e Oração de Mãe Menininha (Dorival Caymmi), em dueto com Maria Bethânia. Em 1974 Gal gravou o disco Cantar, dirigido por Caetano Veloso, que trouxe os sucessos Barato total (Gilberto Gil), Flor de maracujá e Até quem sabe (ambas de João Donato e Lysia Enio) e A Rã (João Donato e Caetano Veloso). Desse disco gerou o show Cantar, que não foi bem recebido pelo público de Gal, por se tratar de um disco muito suave, contrastando com a imagem forte que a cantora criara a partir do movimento tropicalista.

Década de 1980 miniaturadaimagem|200x200px|Capa do álbum Fantasia (1981), um dos maiores sucessos da carreira de Gal Costa. Em 1981, em seu especial produzido e exibido na TV Globo no programa Grandes Nomes, ao qual o nome do seu especial foi seu nome de batismo, Maria da Graça Costa Penna Burgos, ao qual no fim do especial usou uma roupa de franjas rosas, que foi comparado a um boneco infantil da época. No entanto, os críticos disseram que o que salvou o especial foi sua apresentação com a renomada cantora Elis Regina — o encontro de duas divas populares, além de uma aula de musicalidade. Nessa participação, Gal começou cantando Amor Até o Fim, música que fazia parte da discografia das duas, e ao meado da canção Elis Regina chegou fazendo um dueto com Gal. Em seguida Elis cantou uma música recém-lançada, Aprendendo a Jogar, e mais dois duetos: Ilusão À Toa e Estrada do Sol. Além disso, também teve outro encontro histórico de revisitar o repertório de Grande Otelo, música gravada originalmente por Carmen Miranda e depois regravada por ele e Eliana Macedo em 1952, sendo que dessa vez foi interpretada por ele e Gal numa interpretação bem-humorada de ambos.

Em 1982 Gal gravou outro disco de sucesso, Minha Voz, em que se destacaram as gravações de Azul (Djavan), Dom de Iludir, Luz do Sol (ambas de Caetano Veloso), Bloco do Prazer (Moraes Moreira - Fausto Nilo), Verbos do Amor (João Donato e Abel Silva) e Pegando Fogo (Francisco Mattoso - José Maria de Abreu). Em 1983 Gal gravou outro disco bem-sucedido comercialmente, Baby Gal, que também se tornou um show, e que trouxe os sucessos Eternamente (Tunai - Sérgio Natureza - Liliane), Mil Perdões (Chico Buarque), Rumba Louca (Moacyr Albuquerque - Tavinho Paes), além da regravação de Baby.

Originalmente idealizado para a montagem do ballet teatro do Balé Teatro Guaíra (Curitiba, 1982), o espetáculo O Grande Circo Místico foi lançado em 1983. Gal Costa integrou o grupo seleto de artistas da MPB que viajaram pelo país apresentando o projeto, um dos maiores e mais completos espetáculos teatrais, para uma plateia de mais de 200 mil pessoas, em quase 200 apresentações. Gal interpretou a canção A História de Lili Braun, musicado pela dupla Chico Buarque e Edu Lobo. O espetáculo conta a história de amor entre um aristocrata e uma acrobata e a saga da família austríaca proprietária do Circo Knie, que vagava pelo mundo nas primeiras décadas do século.

Em 1984, Gal deixou a gravadora Philips e assina contrato com a RCA, onde gravou o disco Profana, que trouxe os hits Chuva de Prata (Ed Wilson - Ronaldo Bastos), Nada Mais (Lately) (Stevie Wonder - versão: Ronaldo Bastos), Atrás da Luminosidade (tema do Programa de Domingo da Rede Manchete) e Vaca Profana (Caetano Veloso). Em 1985 grava o disco Bem Bom, com os sucessos Sorte (Celso Fonseca - Ronaldo Bastos), cantada em dueto com Caetano Veloso, e Um Dia de Domingo (Michael Sullivan - Paulo Massadas), em dueto com Tim Maia.

Valendo-se ainda do filão engajado da pós-ditadura e feminismo, cantou no coro da versão brasileira de We Are the World, o hit americano que juntou vozes e levantou fundos para a África no USA for Africa. O projeto Nordeste Já (1985) abraçou a causa da seca nordestina, unindo 155 vozes numa criação coletiva, com as canções Chega de Mágoa e Seca D'água. Elogiado pela competência das interpretações individuais, o disco foi, no entanto, criticado pela incapacidade de harmonizar as vozes e o enquadramento de cada uma delas no coro. Em atitude que surpreendeu muitos dos fãs, em fevereiro deste mesmo ano, a cantora posou nua para a edição 127 da extinta revista Status, poucos meses antes de completar 40 anos.

Lançou em 1987 o disco e o espetáculo Lua de Mel Como o Diabo Gosta, um fracasso de crítica, mas que trouxe mais alguns sucessos à carreira da cantora: Lua de mel (Lulu Santos), Me faz bem (Milton Nascimento - Fernando Brant) e Viver e reviver (Here, There and Everywhere) (Lennon - McCartney - versão: Fausto Nilo). Em 1988, Gal grava com grande sucesso a música Brasil (escrita por Cazuza, Nilo Romero e George Israel) para a abertura da telenovela da TV Globo, Vale Tudo.

Década de 1990 miniaturadaimagem|268x268px|Gal Costa no show O Sorriso do Gato de Alice em 1995. Em 1990 gravou o disco Plural, que trouxe os sucessos de Alguém me disse (Jair Amorim - Evaldo Gouveia), Nua ideia (João Donato - Caetano Veloso) e Cabelo (Jorge Ben Jor - Arnaldo Antunes). Em 1992 lançou o disco Gal, com repertório em boa parte extraído do show Plural, e do qual fez sucesso a música Caminhos cruzados (Tom Jobim - Newton Mendonça). Em 1993, Gal lançou o premiado disco O sorriso do gato de Alice, produzido por Arto Lindsay, com o sucesso Nuvem negra (Djavan). Desse disco gerou-se o show de mesmo nome, com direção de Gerald Thomas, que causou polêmica por Gal cantar a música Brasil com os seios nus. Em 1994, reuniu-se com Gil, Caetano e Bethânia, na quadra da escola de samba Mangueira, para o show Doces Bárbaros na Mangueira, que comemorou os 18 anos dos Doces Bárbaros.

Em 1995, lançou Mina d'água do meu canto, trazendo apenas composições de Chico Buarque e Caetano Veloso, e do qual fez sucesso a música Futuros amantes (Chico Buarque). Em 1997, gravou o CD Acústico MTV, sucesso de vendas, no qual cantou vários sucessos de sua carreira e lançou com sucesso uma nova versão de Lanterna dos Afogados, cantando ao lado do autor da canção, Herbert Vianna. Em 1998 gravou o CD Aquele frevo axé, com o hit Imunização racional (Que beleza) (Tim Maia). Em 1999, lançou um disco duplo ao vivo Gal Costa Canta Tom Jobim Ao Vivo, realizando o projeto do maestro, que era fazer um disco com a cantora, embora sozinha.

Década de 2000