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O Palacete de Arsénio Morózov (em russo Особняк Арсения Морозова), sito na cêntrica rua Vozdvizhenka 16 de Moscovo, foi construído entre 1895 e 1899 pelo arquitecto Víctor Mazyrin para o milionário Arsénio Morózov. Ao combinar elementos do Art nouveau e o Ecletismo, o edifício representa, no contexto arquitectónico moscovita, uma exótica amostra sui generis da brilhante estilização inspirada no Manuelino e o Neomourisco.
História da criação do Palacete miniaturadaimagem|Selo CPA 2723 da União Soviética de 1962 (Casa do Povo da Amizade, Moscou) No início dos anos 1890, Arsénio Morózov (1873—1908), descendente de uma família rica de comerciantes russos, estava a viajar por Portugal e Espanha, acompanhado por seu amigo, Víctor Mazyrin (1859—1919). O milionário, bem como o arquitecto, ficaram tão profundamente impressionados com o Palácio da Pena, em Sintra, que Arsénio Morózov se entusiasmou com a ideia de erguer em Moscovo uma casa-castelo que recriasse em traços gerais o estilo do Castelo de Sintra.
Pouco tempo depois, sobre o terreno com o qual a mãe de Arsénio, Varvara Alekséyevna, presenteou o filho no seu vigésimo aniversário, em vez de uma casa neoclassicista dos princípios do século XIX elevou-se um edifício de aspecto estranho. Ainda em fase de construção, o palacete tornou-se alvo dos boatos e gracejos da população moscovita, assim como das críticas por parte dos jornais. A opinião pública da época recebeu o palacete extravagante com quatro pedras na mão, qualificando-o como expressão de uma exorbitante excentricidade. Essa situação foi reflectida, por exemplo, por Leão Tolstói no seu romance “Ressurreição” (publicado em 1899): o príncipe Nekhliúdov, passando por uma rua vizinha à mansão de Morózov, raciocina sobre a construção “de um palácio tolo e supérfluo para um ser humano estúpido e inútil.” Ainda existe uma lenda de que a mãe de Arsénio, uma senhora muito recta e satírica, logo após ter visitado, em Dezembro de 1899, a casa recém-construída do seu filho, exclamou desesperadamente: “Antes fui só eu quem conhecia que és parvo, mas agora todo Moscovo vai aperceber-se disso!”
O estilo neomourisco manifestou-se da maneira mais expressa na concepção do portal principal flanqueado por duas torres. O vão arqueado da entrada acentuado por duas colunas torsas, as conchas moldadas sobre as torres, a cornija e o ático rendilhados brindam ao palacete um colorido irrepetível. Noutras partes do edifício pode-se vislumbrar elementos de diferentes estilos. Assim, há janelas que estão ladeadas por colunas classicistas. O desenho geral da casa, com pronunciada assimetria das partes do edifício, remonta-se aos modelos típicos da arquitectura do Art nouveau.
O acabamento interior também reflectiu um amplo leque de interesses do propietário do palacete. A sala de jantar, o denominado Salão dos Cavaleiros, foi ornamentada em estilo do Revivalismo Gótico. O salão de gala, no qual se ofereciam bailes, estava concebido em estilo Império. O boudoir da esposa de Arsénio Morozov apresentava elementos do estilo Barroco. Igualmente, houve interiores decorados em estilos árabe e chinês.
Arsénio Morózov, afamado boémio e farrista, não teve sorte de viver durante muitos anos no luxo da sua residência exótica. Um dia, em 1908, apostou em que o ser humano é capaz de aguentar qualquer dor e, para prová-lo, deu-se um tiro na perna. Passados três dias, faleceu com a idade de 35 anos, vítima de uma septicemia.
O Palacete durante a época soviética Após a Revolução de Outubro de 1917, no palacete albergou-se, durante um curto espaço de tempo, o estado-maior dos anarquistas. Mas já em Maio de 1918, estabeleceu-se lá a Primeira companhia operária móvel do teatro Proletkult, com a qual, no início dos anos 1920, colaborou Serguéi Eisenstein, realizando na ex-mansão de Morózov vários espectáculos vanguardistas.
Em 1928, o edifício foi entregue ao Comissariado do Povo para as Relações Exteriores. Entre 1928 e 1940, era a sede da Embaixada do Japão; de 1943 a 1945, a redação do jornal inglês em russo “Britanski Soiuznik” ( “O Aliado Britânico” ); a partir de 1952 durante dois anos, a Embaixada da Índia. Em 1959, o palacete passou à União das Sociedades Soviéticas de Amizade e Relações Culturais com os Povos dos Países Estrangeiros. Na Casa da Amizade, como o palacete começou a ser chamado comummente, efectuavam-se conferências, encontros com personalidades do mundo da cultura estrangeiras, projectavam-se filmes, etc.
Estado actual do Palacete
Em 2003, a Direcção de Assuntos Gerais da Presidência da Rússia empreendeu a reconstrução, a restauração e o reequipamento do edifício. Em Janeiro de 2006, no palacete foi inaugurada a Casa de Recepções do Governo da Federação da Rússia.
Actualmente, a antiga mansão de Morózov utiliza-se para levar a efeito encontros entre delegações governamentais, negociações diplomáticas e outros eventos internacionais.
É um monumento arquitectónico inscrito no Registo de Património Cultural da Federação da Rússia sob o número 7710114000 (em russo).
Ligações externas http://premier.gov.ru/tours/2/ (em russo) http://mosved.com/index/dom_priemov_pravitelstva_rossijskoj_federacii/0-23 (em russo) http://www.world-art.ru/architecture/architecture.php?id=521 (em russo)
Categoria:Construções de Moscou