Antão José Maria de Almada (Angra, 22 de novembro de 1801 – Santarém, 5 de abril de 1834), foi o 2.º conde de Almada, miguelista, mestre-sala da Casa Real, cavaleiro da Ordem de Cristo, e militar da Marinha (1820~1823ÍNDICE 40 e 40 A - (Oficiais da Armada - Classe Marinha).pdf) e da Cavalaria portuguesa, alcaide-mor e senhor do Reino de Portugal.

Recebeu oficialmente o título de conde, com apenas 4 anos de idade incompletos, mesmo antes da morte de seu pai, por Decreto de 15Albano da Silveira Pinto, Resenha das famílias titulares Grandes de Portugal, Empreza Editora de Francisco Arthur da Silva, Lisboa, 1883., pág. 36. ou de 20 de Agosto de 1805.O 2.º conde de Almada, Os nossos Arquivos, Revista da Associação dos Antigos alunos do Colégio Militar, p. 27O seu pai, apesar de vigoroso, com a morte prematura da sua mulher e mãe desta criança, associando-se a isso uma política governativa que tinha levado à transferência da corte portuguesa para o Brasil e em que a restante que ficou no Reino se ter assumido "pró francesa", com a qual lealmente discordava abertamente e que inclusive lhe chegou a mover alguma momentânea perseguição por isso, foi o bastante para que se refugiasse numa depressão e numa angústia demente profunda, que o fez abster-se de tudo, tomando o rei a seu cargo à distancia.

Sendo um tradicionalista convicto, na sua época, D. Antão foi sempre visto como o 14.º representante de conde de Avranches em França (Abranches em Portugal).

"Acompanhou de perto o senhor D. Miguel, sendo sempre o primeiro a aparecer em sua defesa, tomando parte muito activa na guerra que se desencadeouAffonso de Ornellas, «Os Almadas na História de Portugal», Lisboa, 1942, p. 27".

Biografia Teve como seu educador o desembargador de Lisboa, Joaquim António de Araújo.ATESTAÇÃO do desembargador Joaquim António de Araújo dando conta das ajudas de custo que recebeu pelas várias diligências efectuadas para o Real Serviço. (Documento incompleto), 1802 Abril 3, ATESTAÇÃO do desembargador Joaquim António de Araújo dando conta das ajudas de custo que recebeu pelas várias diligências efectuadas para o Real Serviço, Biblioteca Digital Luso-Brasileira, Rede Memória, 2016-04-14 E isso, por ter ficado órfão de mãe à nascença e seu pai ter ficado psiquicamente doente após essa tragédia também quase no final da vida dele. Depois, ao o pai ter morrido cedo, teve como tutor o Visconde de Asseca, seu parente próximo.

Foi dos primeiros alunos do Real Colégio Militar, logo no primeiro ano com o n.º 94, admitido em 1815 até 1817.«Meninos da Luz - Quem é Quem II», Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar, Lisboa, 2008, pág. 448. Mais tarde, em 2 de Outubro de 1824, obteve o curso de bacharelato em Matemática da Academia Real da MarinhaO 2.º conde de Almada, Os nossos Arquivos, Revista da Associação dos Antigos alunos do Colégio Militar, p. 26, 27 e 34 e tendo ascendido ao posto de capitão de cavalaria. Há informação que tinha sido segundo tenente na Brigada Real da Marinha do rei D. Miguel I, além de seu ajudante de ordens (ajudante-de-campo).Miguel Vaz de Almada, Album Legitimista, n.º 27, 3.º Anno, Lisboa, 1888.Marquês de Ávila e Bolama, "Nova Carta Chorografica de Portugal", composto e impresso na Imprensa Lucas, Lisboa, 1914, pág. 438Foi nomeado ajudante-de-campo por despacho, em 27 de maio de 1828, pela secretaria d´Estado dos Negócios da Guerra, despachado pelo Conde do Rio Pardo - Chronica da Rainha a Senhora Dona Maria Segunda: comprehendendo os documentos do seu reinado de direito e de facto desde 2 de Maio de 1826 até 15 de Novembro de 1853, Volume 2, por Francesco Duarte de Almeida Lopes, 1861, pág. 41Ordem régia relativa à escala de serviço dos ajudantes de ordenanças e de campo (Aviso do rei D. Miguel, assinado por visconde de Veiros e barão de Albufeira. para que a escala seja alterada da seguinte maneira: que o conde de Belmonte entre de serviço a 23 e 27, o conde de Almada a 24 e 28, o conde de Redondo a 25 e 29 e José de Almada a 26 e 30.), 1829-06-23 a 1829-07-06, ANTT, ref. PT/AHM/DIV/3/50/01/24 Recebendo dele a "medalha de ouro" a 27 de Maio de 1823.Gazeta de Lisboa, Edições 132-309, pág. 1191

Em 16 de Junho de 1820 passa a ser cavaleiro da Ordem de Cristo, onde lhe são cedidas as comendas dos seus antepassados e antecessoresDiligência de habilitação para a Ordem de Cristo de Conde de Almada, Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Código de ref: PT/TT/MCO/A-C/002-003/0010/00055.

Nesse mesmo ano, a 7 de Dezembro de 1820, a corte no Rio de Janeiro de D. João IV de Portugal promove-o a Segundo Tenente do Destacamento da Brigada Real da Marinha, em Lisboa, onde estava servindo como "Praça de Soldado Nobre"O 2.º conde de Almada, Os nossos Arquivos, Revista da Associação dos Antigos alunos do Colégio Militar, p. 30 (o ofício chega a Lisboa a 15 de Janeiro do ano seguinte«OFÍCIO do brigadeiro comandante do Quartel da Boavista, José Jacinto Ferreira Picão, ao (tenente general dos Reais Exércitos e secretário do Governo da repartição da Guerra e Marinha) Matias José Dias Azedo, informando a chegada do ofício do tenente general e comandante da Marinha da corte do Rio de Janeiro, Joaquim José da Silva, a respeito da promoção do conde de Almada no posto de 2º tenente da Brigada Real em Lisboa», 15 jan. 1821 (Produção), Ministério da Cultura. Direção-Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas. Arquivo Histórico Ultramarino (AHU). Portugal, ref.: BR_SPAPESP_PRESGATE_G017_S000_D020199_TXT_MAN).

O mesmo rei, 2 de Maio de 1823, nomeia-o membro do seu Conselho de Estado (Conselho Régio). Meses mais tarde, a 31 de Julho, por decreto real passou a exercer o posto de Alferes do Regimento de Cavalaria n.º 4, o que particularmente havia solicitado ao príncipe Infante D. Miguel na altura do movimento de Vilafrancada em que tomou parte. Tendo recebido a condecoração da Medalha de Fidelidade ao Rei e à Pátria.O 2.º conde de Almada, Os nossos Arquivos, Revista da Associação dos Antigos alunos do Colégio Militar, p. 30

A 30 de Abril de 1826, assume o lugar de Par do Reino,Gazeta de Lisboa, Edições 152-307, pág. 650 de que prestou juramento e tomou posse na respectiva câmara a 23 de Novembro do mesmo ano.EdP (Estatystica do pariato Português, 1836-1905). Carta Regia de 30-IV e posse em 23-XI.1836, in Resenha da Nobreza Portuguesa, por Miguel Vaz Pinto, Chiadobooks, 2025, pág. 50

Exerceu o cargo de mestre-sala da Casa Real, com carta de ofício passado em 29 de Dezembro de 1818.(D.) Antão José de Almada, Registo Geral de Mercês, D.João VI, liv.21, fl.204v, ANTT Constando esse direito definido pelo "Congresso", com a presença do rei, em 1 de Outubro de 1822, para ser editado em portaria no dia seguinte como consta.Diário do governo, Edições 1-76, pág. 1752 Mais tarde foi assegurado pelo próprio juramento da Carta Constitucional, no artigo 5.º, datado de 26 de Julho de 1826, durante o governo de Maria II de Portugal.Gazeta de Lisboa, Edições 152-307, num. 171, pág. 685 Já no período que decorre o dia 1 de Novembro de 1832 até 1 de Junho de 1833, desloca-se para o Minho, do seu Palácio do Rossio em Lisboa para Lanheses onde tinha casa, para melhor exercer essa sua função da corte na Casa Real que D. Miguel tinha instalado nessa altura em Braga.Miguelismo em Braga - Factos e ideias para o Estudo da Contra-Revolução, por Armando B. Malheiro da Silva, Bracara Augusta - Revista da Câmara Municipal de Braga, Vol. XL N." 89/90 (102/103) Anos de 1986187, pág, 392 Na verdade, em 9 de Setembro de 1833, aparece aos olhos da governação liberal como "rebelde".Gazeta de Lisboa, Parte 2, Edições 1-135, pág.s 213 e 582

Foi provedor da Real Irmandade da Santa Cruz e Passos da Graça (ano 1823-1824)Senhor dos Passos da Graça, Lista de Provedores e alcaide-mor ou comendador de Proença-a-Velha.Resenha das familias titulares do Reino de Portugal acompanhada das noticias ..., João Carlos Feo Cardozo de Castello Branco e Torres e Manuel de Castro Pereira de Mesquita, Imprensa nacional, 1838, pág. 9

Teve igualmente o senhorio dos Lagares d´El-Rei, de Pombalinho. Assim como, através dos bens da família de sua mulher, o senhorio de Lanheses, o morgadio do "Paço Velho em Guimarães" e as comendas de S. Pedro de Fins de Ferreira (Paços de Ferreira),Alvará. Comenda de S. Pedro Fins de Ferreira da Ordem de Cristo, ANTT de S. Miguel de Vila Franca,Alvará. Administração, por um ano, da Comenda de S. Miguel de Vila Franca da Ordem de Cristo, 5 de Novembro de 1821, ANTT de Santa Maria de Airães,Gazeta de Lisboa, Edições 1-152, pág. 194 de São Vicente de Vimioso(D.) Antão José de Almada, Registo Geral de Mercês, D.João VI, liv.14, fl.110v, ANTT(D.) Antão José de Almada, Registo Geral de Mercês, D.João VI, liv.14, fl.111, ANTT e de Vila de Ferreira (Zêzere) com sua alcaidariaRegisto Geral de Mercês de D. José I, liv. 7, f. 395, ANTTA Vila e Concelho de Ferreira do Zêzere, O Arqueólogo Português, vol: XX, nº 217, pág. 30, nota: Provedoria de TomarFreguesia de Ferreira do Zêzere, História como de sua alcaidaria em 29 de Janeiro de 1822.Diario das Cortes Geraes e Extraordinarias da Nação Portugueza, Portugal Cortes Geraes e Extraordinarias, Volume 6, 1822, pág. 184.

Falecimento no decurso da Guerra Civil Próximo do Ano Novo de Dezembro de 1833, que sempre acompanhara o rei D. Miguel, está em Santarém com o grosso do exército realista já sob o comando do General Póvoas, decide ir visitar a sua família que se encontrava mo Paço de Lanheses, na Vila de Lanheses da qual era seu senhorio. Mas, logo que pode, correu para mais uma vez para a frente da batalha, sem fazer caso da carta que recebera do seu amigo Conde de Belmonte, também ajudante de campo como ele, na qual lhe dizia da parte do Rei que se deixasse ficar onde estava em virtude do exercito deles estar a morrer de tifo.

Assim aconteceu também com ele essa desgraça, pois faleceu em Santarém, a 5 de Abril de 1834, após uma noite que voltava da quinta do Conde da LapaSabe-se que chegou lá a Lanheses em 1 de Janeiro de 1834 e que só de lá saiu em 5 de Março. Nessa altura o tifo que grassavam entre as próprias fileiras da guarnição da cidade e que em três meses, de Dezembro de 1833 a Fevereiro seguinte, vitimou cinco mil soldados e trezentos oficiais legitimistas. Foi esta das última páginas das lutas liberais, que finalizaram em 16 de Maio de 1824, dois meses e meio depois da saída do Conde de Almada, de Lanheses. - O Palácio Almada, por Luís Pastor Macedo e António Rodrigues Cavalheiro, in Anais da Academia Portuguesa da História, vol. VIII, 1944. . No dia seguinte foi sepultado no cruzeiro da Igreja de Santo Estêvão do Milagre, por ordem expressa de D. Miguel.

Dados genealógicos Antão José Maria de Almada, 2.º conde de Almada nasceu na noite de 22 de Novembro de 1801, nos Açores quando seu pai superintendia essa Capitania.Francisco Ferreira Drummond, Anais da Ilha Terceira, Tomo III, Capítulo V Ao serviço "Real" morreu em 5 de Abril de 1834, de tifo, em Santarém.D. Miguel Vaz de Almada, Album Legitimista, n.º 27, 3.º Anno, Lisboa, 1888.