Esporotricose é uma micose provocada por fungos patogênicos do gênero Sporothrix. É uma zoonose que afeta inúmeras espécies animais como felinos, caninos, primatas entre outros animais.
Os sintomas variam de acordo com o estágio da infecção. A forma mais simples se apresenta como uma lesão cutânea úlcerosa restrita ao local onde foi inoculado o Sporothix.Lutz A, Splendore A. Sobre uma mycose observada em homens e ratos: contribuição para o conhecimento das assim chamadas sporotrichoses. Revista Médica de São Paulo. Jornal Pratico de Medicina, Cirurgia e Hygiene. 1907. Ano X, Número 21, páginas 433–450. Nos casos mais graves, se apresenta na forma sistêmica com o fungo atingindo o sistema nervoso podendo levar ao óbito.
É conhecida popularmente como doença do jardineiro, porque o fungo é encontrado naturalmente na vegetação e no solo. Inicialmente, as infecções apareciam com mais frequência em pessoas que trabalhavam com jardinagem ou lidavam com plantas que tinham espinhos. Atualmente, está sendo associada diretamente ao contato direto com felinos contaminados.
A prevenção é feita com o uso dos equipamentos de proteção individual (EPI) em trabalhos que envolvam o manuseio da vegetação e solo. A manipulação de animais contaminados deve sempre ser feita com estes equipamentos.
A esporotricose humana é de notificação compulsória e deve ser registrada no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). Em casos de animais contaminados deve ser reportado às autoridades sanitárias.
O diagnóstico é feito por meio de culturas de Sporotrhix. Exames citológicos e histopatológicos auxiliam na distinção de outras infecções comuns nos exames de rotina. O tratamento é feito com antifúngicos como o itraconazol e iodeto de potássio e varia de três à doze meses de tratamento até que o paciente esteja completamente curado.
Causa e transmissão A esporotricose é causada por fungos do gênero constituído por algumas dezenas de espécies. No Brasil, as espécies de destaque etiológico são S. brasiliensis e S. schenckii. A zoonose afeta humanos, mamíferos domésticos e silvestres, especialmente nos climas tropicais e subtropicais.
Estes fungos são dimórficos. A forma filamentosa é encontrada no ambiente, no solo e na matéria orgânica vegetal em decomposição. A forma leveduriforme é o patógeno que afeta humanos e animais.
A transmissão da doença resulta da inoculação do fungo por meio de arranhadura ou mordedura de animais afetados, principalmente felinos. Também resulta de feridas causadas por pequenos traumas em atividades com contato direto com o solo e materiais contaminados, especialmente floricultura, jardinagem e horticultura.
Sinais e sintomas
miniaturadaimagem|200x200px|Braço humano com úlceras Os sintomas da esporotricose variam dependendo da espécie animal afetada, da imunidade do indivíduo, do estágio de avanço da doença, da profundidade da inoculação e até mesmo da capacidade de adaptação à temperatura da cepa fúngica. A apresentação mais comum da doença é a forma cutânea, afetando também os vasos linfáticos próximos. Em ocasiões de agravamento as lesões se tornarão sistêmicas.
Clinicamente a doença evolui em quatro fases, de acordo com o grau de agravamento. A fase inicial, denominada cutânia localizada, caracterizada por lesões únicas ou múltiplas, às vezes restritas ao local da inoculação ou disseminadas em mais de uma região do corpo. Apresentam características granulomatosas, nodulares, ulcerosas e pustulares. Já na fase cutânea linfática são formados pequenos nódulos, localizados na camada da pele mais profunda, seguindo o sistema linfático da região corporal afetada. As lesões afetam principalmente os membros, causando edemas e as úlceras se tornam necrosadas, chamadas de cranco esporotricótico. Na forma clínica extracutânea, a doença acomete outros locais do corpo, como ossos, articulações, mucosas, dentre outros. A forma cutânea disseminada ou sistêmica é menos comum, contudo, bastante grave. Ocorre principalmente em pacientes imunossuprimidos e nos casos de tratameto tardio. O fungo pode se espalhar pelo sistema nervoso central e nesta fase levar a óbito.
Prevenção A melhor forma de evitar a doença é impedir a inoculação do fungo em lesões na pele. Em atividades que envolvam o manuseio de material vegetal em decomposição é importante o uso de equipamentos de proteção individual (EPI). Médicos dermatologistas e infectologistas são os especialistas indicados para diagnóstico e tratamento da doença.
O manejo dos felinos tem um papel fundamental na prevenção da doença. Gatos sem dono ou com livre acesso as ruas correm mais riscos de contaminação. A maior prevalência em gatos machos decorre das lesões em brigas territoriais, levando à disseminação da doença em centros urbanos. Animais contaminados devem ser sempre manuseados com o uso de EPIs. Deve-se também evitar o contato com animais desconhecidos que apresentem suspeitas da doença.
Epidemiologia miniaturadaimagem|270x270px|Distribuição espacial da esporotricose em Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil 2016-2022. A esporotricose é comum em países das Américas Central e do Sul, África do Sul, Japão, Austrália e China. No Brasil sua distribuição se destaca no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas gerais, da Região Sudeste. Com destaque também na Região Nordeste, completando os estados Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. Além da Região Sul, destaque no Paraná e no Rio Grande do Sul.
Tratamento
Iodeto de potássio (comprimidos de 3-6g por dia em adultos) é o medicamento de primeira escolha, além de antimicóticos como itraconazol (100-200mg por dia) por via oral por 3 a 6 meses. MANZUR, Julian. et. al. Dermatología. La Habana: Editorial Ciências Médicas, 2002 Em caso de infecção disseminada ou sistêmica o tratamento com itraconazol ou anfotericina B dura 12 meses .
Categoria:Micoses