Rubens Francisco Lucchetti, mais conhecido como R. F. Lucchetti (Santa Rita do Passa Quatro, 29 de janeiro de 1930 – Ribeirão Preto, 4 de abril de 2024) foi um ficcionista, desenhista, articulista e roteirista de filmes, histórias em quadrinhos e fotonovelas. Era considerado o "Papa da Pulp fiction" no Brasil.

Biografia Seu pai, Américo Lucchetti, era fotógrafo profissional e calígrafo. Fã de literatura policial, o escritor afirma ter tido contato aos onze ou doze anos com duas edições da revista Mistérios da Editorial Lu que trazia histórias do herói pulp O Sombra.O Escorpião Escarlate - do script radiofônico ao roteiro cinematográfico

Autodidata. Frequentou até o quarto ano primário, estudando no Grupo Escolar "Tomas Galhardo", em Vila Romana, na capital paulista. Além de sua intensa atividade literária e artística, exerceu as mais variadas profissões. Foi desde almoxarife até chefe de escritório.

Pai do professor universitário e escritor Marco Aurélio Lucchetti, autor de diversos livros sobre histórias em quadrinhos (A Ficção Científica nos Quadrinhos, As Sedutoras dos Quadrinhos, Desnudando Valentina: Realidade e Fantasia no Universo de Guido Crepax) e editor de uma publicação on line, Jornal do Cinema. E foi casado durante 54 anos com Teresa Pereira Lima, que morreu em 2011.

Morou em São Paulo (1933-1945 e 1966-1972), Ribeirão Preto (1945-1966 e 1982-1995) e Rio de Janeiro (1972-1982). E, desde o final de 1995, residia em Jardinópolis, que fica a cerca de vinte quilômetros distante de Ribeirão Preto.

Morreu em 4 de abril de 2024, após ser hospitalizado em Ribeirão Preto com um quadro grave de insuficiência respiratória.

Vida profissional Aos 12 anos, publica o conto A Única Testemunha, em um jornal de bairro chamado O Lapiano, escrito sob a influência e o impacto da leitura dos contos "O Gato Preto" e "O Coração Revelador", de Edgar Allan Poe.

Aos 13 anos de idade, começou a trabalhar como office boy numa loja de autopeças pertencente a parentes de sua mãe.

A partir de 1948 iniciou sua atividade jornalística; e, durante quinze anos (1948-1963), colaborou em todos os jornais existentes na época em Ribeirão Preto: Diário da Manhã, A Tribuna, A Cidade, O Diário, Diário de Notícias e A Palavra. Escrevia folhetins, contos, poemas e textos sobre Cinema e Literatura. Também publicou na revista pulp X-9, publicada pelo jornal O Globo e depois assumida pela Rio Gráfica Editora de Roberto Marinho.César Nardelli Cambraia e Manoel Mourivaldo Santiago-Almeida (Dezembro de 2014). No mundo da espionagem. Revista Língua Portuguesa. Editora Segmento

Entre 1953 e 1962, foi proprietário de uma loja, a Monroe Auto Peças Ltda., localizada na Avenida Saudade, em Ribeirão Preto, uma cidade do interior do estado de São Paulo.

Em 1956, atendendo a um pedido de Aloysio Silva Araújo, famoso homem da radiofonia brasileira que, na época, era diretor de broadcasting da PRA-7 Rádio Clube de Ribeirão Preto, criou: o Grande Teatro de Aventuras, que era apresentado diariamente, de segunda a sexta-feira, nos finais de tarde; e o Grande Teatro A-7, que ia ar nas noites de domingo e que uma vez por mês era substituído pelo Grande Teatro de Mistério.

Foi um dos fundadores do Clube de Cinema de Ribeirão Preto. Entre 1960 e 1962, realizou, em parceria com o artista plástico e cenógrafo Bassano Vaccarini, uma série de filmes de animação (alguns desses filmes foram pintados na própria película; outros, filmados quadro a quadro), que projetaram nacional e internacionalmente o nome de Ribeirão Preto no cenário cultural.

Entre 1960 e 1965 idealizou, organizou e realizou, sob suas expensas, uma série de manifestações culturais.

A partir de 1960, começou a publicar esporadicamente na imprensa paulistana, escrevendo artigos para os jornais O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo e Shopping News, entre outros.

Em 1961, foi gerente de um dos principais cinemas de Ribeirão Preto: o Cine Centenário, que ficava no centro da cidade.

Em 1964, publicou sua primeira história em quadrinhos, uma adaptação do conto A Única Testemunha, ilustrada por Paulo Hamasaki,publicada na segunda edição da revista O Corvo, da Editora Outubro.O Escorpião Escarlate - do roteiro à tela Escreveu inúmeros roteiros de histórias em quadrinhos para alguns dos maiores desenhistas do Brasil, como Nico Rosso, Eugênio Colonnese, Rodolfo Zalla, Julio Shimamoto, Sérgio Lima, José Menezes, Osvaldo Talo, Juarez Odilon, Wilson Fernandes, Sampa (Francisco Ferreira Sampaio), Flávio Colin e Edmundo Rodrigues. Na maioria das vezes, assinava com pseudônimos (sugeridos quase sempre pelos próprios editores, que não acreditavam num nome latino assinando histórias de Mistério e Horror) ou heterônimos, como Theodore Field, Terence Gray, Mary Shelby, Peter L. Brady, Christine Gray, R. Bava, Isadora Highsmith, Helen Barton, Frank Luke, Brian Stockler e Vincent Lugosi. Escreveu e publicou ao todo 1.547 livros, trezentas histórias em quadrinhos, 25 roteiros de filmes e centenas de programas de rádio e televisão e inúmeros contos para revistas pulp. EPTV Criou dois reality shows (A Mansão dos 13 Condenados e Jogo das Palavras) e escreveu duas peças de teatro. Um de seus livros, Noite Diabólica, publicado em 1963, é considerado "o primeiro livro de Terror escrito no Brasil".

Correspondeu-se, nas décadas de 1960 e 1970, com os críticos e pesquisadores Vasco Granja (de Portugal) e Luis Gasca (da Espanha). Colaborou, durante muitos anos, no jornal A República (de Lisboa), nas revistas portuguesas Celulóide, Plateia e Tintin e na revista norte-americana CTVD: Cinema - Tv - Digest.

Em 1966, poucos meses após haver se mudado para a cidade de São Paulo, iniciou uma parceria com o cineasta José Mojica Marins, para o qual escreveu quase duas dezenas de roteiros de longas-metragens e, entre outras coisas, os scripts dos programas de tevê Além, Muito Além do Além e O Estranho Mundo de Zé do Caixão.

Com o ilustrador, desenhista e quadrinista Nico Rosso, criou diversas revistas de histórias em quadrinhos (A Cripta, O Estranho Mundo de Zé do Caixão, Zé do Caixão no Reino Terror, A Sombra, entre outras), que renovaram os quadrinhos brasileiros de Horror. Em A Cripta, o personagem principal era o vampiro Nosferatu, criado por Lucchetti e ilustrado por Nico Rosso, a revista durou cinco edições, nosferatu é uma palavra que significa vampiro e foi popularizada pelo filme de 1922.

Entre junho de 1968 e julho de 1970, foi redator-chefe da Projeção, uma revista destinada aos exibidores cinematográficos.

No final da década de 1960, criou três revistas pulp: Série Negra, Aventura e Mistério e Mistérios.

Para a Editora Prelúdio, fez roteiros de uma revista em quadrinhos de Zé Caixão ilustrada por Nico Rosso, além de roteiros para Juvêncio, o justiceiro do sertão, baseada em uma série de rádio de mesmo nome do gênero nordestern (um western ambientado no Nordeste brasileiro), além de criar diversas revistas masculinas em pequeno formato: Mulheres em Preto e Branco, Mulheres para Fim de Semana, Mulheres Só para Homens, Show de Mulheres e Show Girl. Logo em seguida, roteirizou a biografia em quadrinhos do apresentador e empresário Silvio Santos, Silvio Santos - Vida Luta e Glória, ilustrada por Sérgio M. Lima.Vida de Silvio Santos em história em quadrinhos de 1969 é relançada O quadrinho foi feito para auxiliar a Editora Prelúdio da crise financeira após Mojica transferir os direitos das revistas do Zé do Caixão para outra editora. Esta é a única biografia autorizada por Silvio Santos, e a tiragem de 200 mil exemplares foi esgotada rapidamente.

Para a editora carioca Cedibra (Companhia Editora Brasileira), que pertencia à espanhola Bruguera, produziu novelas de bolso de horror e de detetive & mistério, além de traduzir autores espanhóis.

De 1972 a 1981 foi um dos editores da Cedibra (filial brasileira da editora espanhola Editorial Bruguera). Em 1974, para a Cedibra, criou uma série do gênero space opera chamada Equipe Aquarius para Coleção SOS - Ficção Científica, onde usou o pseudônimo K. L. Munro.

Por intermédio de José Mojica Marins, conheceu, em 1977, o cineasta Ivan Cardoso, especialista no terrir (comédia e terror), para quem escreveu os roteiros dos filmes O Segredo da Múmia, As Sete Vampiras, O Escorpião Escarlate e Um Lobisomem na Amazônia. Ainda no final da década de 1970, roteirizou quadrinhos de terror para o selo Capitão Mistério da Bloch Editores: Frankenstein (ilustrada por José Menezes), Drácula e A Múmia Viva, trazendo Kharis, múmia da Universal Pictures, na década seguinte, roteirizou histórias para Calafrio e Mestres do Terror, dois gibis de Terror publicados pela Editora D-Arte, de Rodolfo Zalla, que chegou a ilustrar uma quadrinização de O Segredo da Múmia, escrita pelo próprio Lucchetti. Lucchetti participou da tentativa de adaptação cinematográfica de Naiara, a Filha de Drácula, personagem dos quadrinhos de horror brasileiros dos anos 1960, ilustrada por Nico Rosso e publicada pela Editora Taika. O projeto, idealizado por Cardoso, que adquiriu os direitos da personagem e iniciou o roteiro em parceria com o produtor Diler Trindade, teve seu primeiro tratamento escrito por Lucchetti — contudo, o filme nunca saiu do papel.

Em 2000, publicou o conto Vinte e dois de abril de 2500 no caderno Folhateen da Folha de S.Paulo.

Em 2003, com o lançamento do filme A Liga Extraordinária, publica pela Opera Graphica, o livro Os Extraordinários, onde reconta as seguintes histórias: As Minas do Rei Salomão de Henry Rider Haggard, Drácula de Bram Stoker, 20 Mil Léguas Submarinas de Júlio Verne, O Médico e o Monstro de Robert Louis Stevenson, Os Assassinatos da Rua Morgue de Edgar Allan Poe, Sherlock Holmes de Arthur Conan Doyle, além de um texto sobre Jack, o Estripador.Os Extraordinários apresenta heróis clássicos da literatura Também pela editora publicou o livro de bolso O Guerreiro do Espaço (2003), usando o pseudônimo de “J. C. Lenehan”.

Em 2014, a Editorial Corvo, uma empresa do grupo Editorial ACP, lançou a Coleção R. F. Lucchetti, que irá publicar quinze de seus livros. O primeiro título da coleção é As Máscaras do Pavor.

Em 2015 o radialista e escritor Rafael Spaca lançou o livro Conversações com R.F.Lucchetti (Editora Verve).

Ainda em 2015, publicou pela Editora Laços a romantização de seu roteiro original de O Escorpião Escarlate. No ano seguinte, lança a romantização de As Sete Vampiras.

Atualmente, está escrevendo um roteiro de longa-metragem: O Lago das Mortas-Vivas, cujas protagonistas, cinco jovens zumbis, aterrorizam uma pequena cidade do interior do Brasil.

Em 2016 é lançado o curta-metragem R.F.Lucchetti, a Multiplicidade da Linguagem, de Rafael Spaca.

Em 2018 pela Editora Sebo Clepsidra, publicou Poemas de Vampiros, ilustrado por Anasor e organizado por seu filho Marco Aurélio Lucchetti, que reúne poemas escritos em várias épocas. No mesmo ano, a editora faz um financiamento coletivo no Catarse de uma biografia em quadrinhos de Edgar Allan Poe, escrita por Lucchetti com desenhos de Eduardo Schloesser.A Vida e os Amores de Edgar Allan Poe (HQ)

Prêmios Em 1956, no Concurso dos Melhores do Rádio do I Centenário de Ribeirão Preto, concurso esse promovido pela Prefeitura de Ribeirão Preto e o jornal A Cidade, ganhou como Melhor Novelista. Pelo roteiro de O Segredo da Múmia, ganhou o Kikito de Melhor Roteiro no Festival de Gramado de 1982. Pelo roteiro de O Despertar da Besta, ganhou o troféu Sol de Prata de Melhor Roteiro no Rio-Cine-Festival de 1986. Recebeu em 1990 o Prêmio Angelo Agostini na categoria Mestre do Quadrinho Nacional. Ganhou em 2013 o troféu HQ Mix na categoria Grande Mestre. O livro Emir Ribeiro Ilustra Fantasmagorias de R. F. Lucchetti foi finalista em 2014 ao Prêmio Jabuti, na categoria Ilustração.

Frases

"Eu tenho horror à realidade. Por isso, sou um ficcionista." R. F. Lucchetti