A História da Checoslováquia começa com o colapso do Império Austro-Húngaro após o fim da Primeira Guerra Mundial, o que levou à criação do Estado independente da TchecoslováquiaSword, Keith. The Times Guide to Eastern Europe: The Changing Face of the Warsaw Pact. Londres: Times, 1990, p. 53. ISBN 0-7230-0348-3 (em eslovaco: Československá; em checo: Československá). Este país foi formado com o apoio, entre outros, do presidente dos EUA Woodrow Wilson.
Os tchecos e eslovacos não estavam no mesmo nível de desenvolvimento econômico e tecnológico, entretanto a liberdade e oportunidade encontrada em uma Tchecoslováquia independentemente possibilitou a superação dessas desigualdades. A diferença cultural, por sua vez, nunca foi totalmente superada e desempenhou um papel contínuo por mais de setenta e cinco anos de união.
Assim, a criação da Checoslováquia em 28 de outubro de 1918, foi o culminar de uma longa luta dos tchecos contra seus governantes austríacos e dos eslovacos contra os seus governantes húngaros.
Origens da Checoslováquia
thumb|Tomáš Masaryk, primeiro presidente da Checoslováquia.
Embora os tchecos e eslovacos tenham línguas similares, no final do século XIX, a situação era muito diferente, devido aos diferentes níveis de desenvolvimento dos seus governantes - os austríacos na Boêmia e Morávia, e os húngaros na Eslováquia - no interior do Império Austro-Húngaro. A Boêmia era a parte mais industrializada da Áustria e Eslováquia da Hungria, embora a um nível diferente. Apesar das diferenças culturais, os eslovacos compartilham com os checos aspirações semelhantes para a independência do Estado Habsburgo. Ao final do século XIX, a ideia de uma "entidade Tcheco-Eslováquia" começou a ser defendida por alguns dirigentes checos e eslovacos.
Durante a Primeira Guerra Mundial em 1916, juntamente com Edvard Benes e Milan Rastislav Štefánik (um astrônomo e herói de guerra eslovaco), Tomáš Masaryk criaram o Conselho Nacional da Checoslováquia. Embora Masaryk estivesse nos Estados Unidos, Benes e Štefánik na França e no Reino Unido, trabalharam incansavelmente para conquistar o reconhecimento das potências aliadas. No verão de 1918, quando as negociações secretas entre os Aliados e o imperador da Áustria-Hungria Carlos I desmoraram, os aliados concordaram que a Conselho Nacional Checoslovaco seria o principal agente do futuro governo checoslovaco.
A Primeira República (1918-1938)
left|Manifestação na Praça de Wenceslao (Praga), no dia da proclamação da independência.|thumb A independência da Checoslováquia foi oficialmente proclamada em Praga, em 28 de outubro de 1918Stuart Hughes Contemporary Europe: a History Prentice-Hall, 1961, p. 108 no Salão Smetana do Palácio Municipal, um espaço físico fortemente associado com o sentimento nacionalista. Os eslovacos se juntaram oficialmente ao Estado dois dias depois na cidade de Martin. O Conselho aprovou uma Constituição temporária e Tomáš Masaryk foi nomeado presidente em 14 de novembro. O Tratado de Saint-Germain-en-Laye, assinado em 10 de setembro de 1919 entre os Aliados e a Áustria reconheceu formalmente a nova república.Niall Ferguson The War of the World Allen Lane, 2006, p. 161. ISBN 0-7139-9708-7 Mais tarde, acrescentou a Rutênia ao território tcheco e a Eslováquia pelo Tratado de Trianon, celebrado em 4 de junho de 1920,Stuart Hughes Contemporary Europe: a History Prentice-Hall, 1961, p. 129 embora tenha ocorrido vários conflitos de fronteira entre a Polônia e a Checoslováquia.
O novo Estado foi caracterizado por problemas causados por sua origem étnica, histórias separadas e diferentes tradições religiosas, aspectos culturais e sociais dos checos e eslovacos. Os alemães e magiares da Checoslováquia abertamente demonstraram-se contra os assentamentos territoriais.
O Estado checoslovaco foi concebido como uma democracia parlamentar. A Constituição identificou a "nação da Checoslováquia", como a criadora e principal componente do estado checoslovaco e estabeleceu o checo e o eslovaco como línguas oficiais. A gestão do novo governo checoslovaco se distinguiu pela sua estabilidade, o que foi conseguido através dos partidos políticos bem organizados que emergiram como os centros de poder real. Congresso do Partido dos Sudetos, majoritário entre a minoría alemã a finaia dos anos 30 e controlado pela Alemanha Nazi.|thumb A Segunda República (1938-1939)
Embora a Checoslováquia fosse o único país da Europa Central que manteve uma democracia parlamentar entre 1918 a 1938,Timothy Garton Ash The Uses of Adversity Granta Books, 1991, p. 60. ISBN 0-14-014038-7 teve que enfrentar problemas com as suas minorias étnicas, sendo a mais importante a grande população alemã do país. Alemães dos Sudetos somavam de 3 a 3,5 milhões da população de 14 milhões na Checoslováquia durante o período entre-guerrasPhilip Warner World War II: The Untold Story Coronet, 1990, p. 25. ISBN 0-340-51595-3 e estavam concentrados principalmente nas regiões de fronteira da Boêmia e da Moravia, na chamada região dos Sudetenland em alemão.
thumb|Perdas territoriais no inverno de 1938 e o território da Segunda República (Checo-Eslováquia)
A ascensão de Hitler na Alemanha, a anexação da Áustria (Anschluss), o resurgimento do nacionalismo resultante do revisionismo da Hungria e da agitação pela autonomia na Eslováquia e a política de apaziguamento das potências ocidentais (França e Reino Unido), deixou a Checoslováquia sem aliados, exposta a hostilidade da Alemanha e da Hungria em três frentes e de uma Polônia pouco amigável ao norte. Após o Anschluss, a Checoslováquia tornou-se o próximo alvo de Hitler. .Jozef Garlinski Poland in the Second World War Macmillan, 1985, p. 1. ISBN 0-333-39258-2Liddell Hart History of the Second World War Pan Book, 1973, p. 6. ISBN 0-330-23770-5 Seu pretexto foram as alegadas privações sofridas pelas populações alemãs que vivem nas regiões fronteiriças do norte e oeste da Checoslováquia. A minoria nacionalista alemã, liderado por Konrad HenleinIgor Lukes. The Munich Crisis, 1938 Frank Cass,2006 ISBN 0-7146-8056-7 e veementemente apoiado por Hitler, exigia a união dos distritos predominantemente alemães com a Alemanha nazista. Ameaçando com uma guerra, Hitler pediu pelo Acordo de Munique a transferência de territórios fronteiriços (Boêmia, Morávia e Silésia), onde toda a população checo seria expulsa. Os acordos foram assinados em 30 de setembro de 1938 pela Alemanha, Itália, França e Reino Unido.Jozef Garlinski Poland in the Second World War Macmillan, 1985, p. 2 ISBN 0-333-39258-2 O governo da checoslovaco concordo em acatar o acordo que estipula que a Checoslováquia deveria ceder os território dos Sudetos para a Alemanha. Benes renunciou ao cargo de presidente da República da Checoslováquia em 5 de outubro de 1938, ele fugiu para Londres e foi sucedido por Emil Hácha. A incorporação dos Sudetos pela Alemanha nazista iria deixar o resto da Checoslováquia, sem defesas para resistir à ocupação posterior. Como resultado, a Boêmia e a Morávia perderam cerca de 38% da sua superfície total para a Alemanha, com cerca de 3,2 milhões de habitantes sendo 750 000 checos.
thumb|left|A República da Eslováquia: as planícies do sul de maioria Magiar tiveram de ser transferidas para a Hungria pela Primeira Arbitragem de Viena, a Rutênia foi ocupada pela Hungria. Ao participar do ataque alemão à Polónia em 1939 ganhou dois enclaves no norte.
No início de novembro de 1938, sob a Primeira Arbitragem de Viena foi resultado do Acordo de Munique, a Checoslováquia foi forçada pela Alemanha e pela Itália a ceder sul da Eslováquia (um terço do território eslovaco) para a Hungria. Assim, a Hungria obteve 11 882 km² do sul da Eslováquia e do sul da Rutênia. Segundo um censo de 1941, cerca de 86,5% da população deste território era húngara.
Após um ultimato em 30 de setembro de 1938, a Polónia adquiriu a cidade de Cesky Tesin (cerca de 906 quilômetros quadrados e 250 000 habitantes em sua maioria poloneses) e a cidade de Bohumín (tinha uma área de 801,5 km2 com uma população de 227 399 habitantes) e duas áreas de fronteira menor no norte da Eslováquia, mais precisamente nas regiões de Spiš (124,25 km2 com uma população de 1 009 habitantes) e Orava (226 km², com 4 280 habitantes, com apenas 0,3% polacos).
Logo após o Acordo de Munique, os 115.000 tchecos e 30.000 alemães fugiram da Tchecoslováquia. Segundo o Instituto de Assistência aos refugiados, o número real de refugiados chegou a quase 150 mil pessoas em 1 de março de 1939 .Forced displacement of Czech population under Nazis in 1938 and 1943, Radio Prague Os checos da enfraquecida República da Checoslováquia foram forçados a concessões importantes para os não tchecos. O comitê executivo do Partido Popular Eslovaco se reuniu em Žilina em 5 de outubro de 1938 e com o consentimento de todas os partidos eslovacos exceto os social-democratas formaram um governo autónomo eslovaco, sob a liderança de Jozef Tiso. Da mesma forma, as duas principais facções na Rutênia subcarpática, a russófila e a ucranófila, concordaram em estabelecer um governo autônomo, que se constituiu em 8 de outubro de 1938. No final de novembro de 1938, o estado truncado, rebatizado Tcheco-Eslováquia (a chamada Segunda República) foi reconstituído em três unidades autônomas: Checa (ou seja, Boemia e Moravia), Eslováquia e Rutênia.
A 4 de dezembro de 1938, foram realizadas eleições para o Reichsgau Sudetenland, na qual 97,32% da população adulta votou a favor do Partido Nazista. Cerca de meio milhão dos Sudetos se juntou ao Partido Nazista, o que significava 17,34% de alemães nos Sudetos (a percentagem média do NSDAP na Alemanha Nazista era de 7,85%). Como resultado, a região dos Sudetos era a região mais "pró-nazista" do Terceiro Reich..Zimmermann, Volker: Die Sudetendeutschen im NS-Staat. Politik und Stimmung der Bevölkerung im Reichsgau Sudetenland (1938-1945). Essen 1999. (ISBN 3-88474-770-3) Por causa de seu conhecimento da língua checa, muitos alemães dos Sudetos foram empregados na administração do Protetorado da Boêmia e Morávia, bem como às organizações nazistas, como a Gestapo. O mais conhecido deles foi Karl Hermann Frank, que ficou como o segundo no comando depois de Reinhard Heydrich do Protetorado da Boêmia e Morávia.
thumb|Refugiados checos chegam a Praga, inverno de 1938-1939.
Em 12 de março de 1939, os eslovacos declararam sua independência como um Estado fantocheLiddell Hart History of the Second World War Pan Book, 1973, p. 10. ISBN 0-330-23770-5 Hitler forçou Hacha a entregar o que restava da Boêmia e Morávia para o controle alemão em 15 de março de 1939, estabelecendo um protetorado alemão na Boémia e Moravia,Liddell Hart History of the Second World War Londres: Pan Book, 1973, págs. 10-11. ISBN 0-330-23770-5 que foi criado em 15 de março. No mesmo dia, a Rutênia subcarpatiana declarou a sua independência e foi imediatamente invadida e anexada pela Hungria. Finalmente, em 23 de março, a Hungria invade e ocupa outras regiões no leste da Eslováquia.
Segunda Guerra Mundial e a ocupação alemã
A Ocupação alemã thumb|200px|left|Jaroslav Krejčí, chanceler do protetorado da Boêmia e Morávia, sobre uma plataforma decorada com a bandeira do Reich, a águia nazi com suas asas "protetoras" implantado sobre os escudos que portam o leão da Boemia e a águia da Morávia e a bandeira do Protetorado.