O assassinato de Eliza Samudio refere-se à morte de Eliza Silva Samudio em 2010. Durante as investigações, uma das testemunhas relatou aos investigadores do caso que a moça teria sido morta por estrangulamento. Em seguida, o cadáver teria sido esquartejado e enterrado sob uma camada de concreto. O caso obteve repercussão nacional e internacional em razão de Bruno Fernandes, então goleiro do Clube de Regatas do Flamengo, ter sido um de seus autores.https://ultimosegundo.ig.com.br/goleirobruno/bruno-planejou-tudo-diz-delegado/n1237733193686.html
O julgamento estava marcado para acontecer em 19 de novembro de 2012 às 9h, no Tribunal do Júri de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, porém, foi adiado e remarcado para 4 de março de 2013.
Em 2013, Bruno foi sentenciado a 17 anos e meio de prisão, enquanto "Bola" foi condenado a 22 anos de prisão. Em 2017, Bruno foi temporariamente liberado por habeas corpus, mas voltou à prisão após decisão do STF. Em 2018, "Macarrão" conseguiu liberdade condicional, e em 2024, "Bola" foi novamente condenado por outro homicídio ocorrido em 2009.
Antecedentes A vítima thumb|Fotografia de Eliza Samudio cedida para domínio público pela própria família para o site Repórter Brasil Online.
Eliza Silva Samudio nasceu em Foz do Iguaçu, Paraná, em 22 de fevereiro de 1985, filha do arquiteto Luiz Carlos Samudio e da agricultora Sônia Fátima Silva Moura. Seus pais viveram juntos em Foz do Iguaçu por um ano. Frequentemente agredida pelo marido, e também por questões financeiras, Sônia Fátima deixou Eliza com o pai e não pôde ficar com a filha, que na época tinha seis meses. A partir daí, ela a via às vezes. Passado o tempo, Sônia foi viver no Mato Grosso do Sul, onde se casou novamente e teve outro filho. Com seu marido, explorava uma pequena propriedade agrícola de produção de pimenta. Ao completar dez anos, Eliza foi morar com a mãe, em Campo Grande, onde permaneceu por um ano, voltando então para a casa do pai. Quando Eliza desapareceu, Sônia não via sua filha havia seis anos e se comunicava com ela apenas por telefone.
Desde os 13 anos Eliza desejava sair de sua cidade natal para tornar-se modelo no eixo Rio-São Paulo, o que fez aos dezoito anos, mudando-se para a capital paulista. Não conhecendo ninguém na cidade e passando por dificuldades financeiras, Eliza começou a trabalhar como garota de programa para se sustentar até conseguir se tornar modelo. O advogado Jader Marques confirmou em entrevista que Eliza, mesmo participando de desfiles e editoriais de moda, atuou em filmes pornográficos, de 2005 a 2009, além de participar de ensaios sensuais para a produtora erótica Brasileirinhas com o nome artístico de Fernanda Farias.
Relacionamento de Eliza e Bruno Segundo testemunhas, Eliza e Bruno se conheciam desde 2008. Bruno, entretanto, afirma que conheceu Eliza em maio de 2009, num churrasco na cidade do Rio de Janeiro. Segundo relatos de Bruno, ele conheceu Eliza numa festa e manteve relações sexuais com ela numa orgia na casa de um outro jogador do Flamengo. Bruno disse que o preservativo rompeu no ato sexual. O goleiro afirmou que festas desse tipo são comuns entre os jogadores de futebol.
Após essa festa ambos passaram a se encontrar frequentemente, e ela deixou a vida de programas para ficar com Bruno, a pedido deste que, mesmo sendo casado, prometeu que se separaria de sua esposa para ficar com Eliza. Em agosto de 2009, Bruno terminou o relacionamento após Eliza anunciar que estava grávida dele, e de se recusar a fazer o aborto, que teria sido proposto por ele.
O caso Primeiras agressões Em 13 de outubro de 2009 a modelo prestou queixa à polícia dizendo que, na véspera, teria sido mantida em cárcere privado pelo goleiro e seus amigos "Russo" e "Macarrão", e obrigada a tomar substâncias abortivas. Também acusou-os de terem-na espancado, e ainda disse que teve uma arma apontada para sua cabeça pelo próprio Bruno. O Instituto Médico Legal do Rio de Janeiro e a polícia somente concluiriam os exames periciais em julho de 2010, quando o desaparecimento da modelo já era tratado como homicídio.
Proibido pela delegada Maria Aparecida Mallet, da Delegacia Especializada de Atendimento a Mulher (DEAM) de Jacarepaguá, de se aproximar da modelo por menos de 300 metros, o goleiro divulgou uma nota na qual negava a agressão:
Em 2009, a juíza Ana Paula Delduque Migueis Laviola de Freitas, responsável por atender ao pedido de proteção solicitado, negou-o, argumentando que Eliza não tinha relacionamento íntimo com o goleiro, e que a moça estava a "tentar punir o agressor sob pena de banalizar a finalidade da Lei Maria da Penha".
A juíza então encaminhou o caso para uma vara criminal. Em sua decisão, asseverou que a Lei Maria da Penha "tem como meta a proteção da família, seja ela proveniente de união estável ou do casamento, bem como objetiva a proteção da mulher na relação afetiva, e não na relação puramente de caráter eventual e sexual". A condição de Eliza, que grávida de cinco meses, não foi considerada.
O bebê nasceu em 10 de fevereiro de 2010 na cidade de São Paulo, quando Eliza estava morando na casa de uma amiga desde a descoberta da gravidez. Bruno recusou-se a reconhecer a paternidade, pois não mantinha um compromisso sério com ela, além de não saber se ela tinha outros relacionamentos enquanto estava com ele e também devido ao seu passado como prostituta, acusando-a de querer dar o "golpe da barriga" por ele ter dinheiro. Eliza ingressou, então, com uma ação de reconhecimento de paternidade, depois de chegar a morar com o filho na capital fluminense, em hotéis pagos por Bruno. Ela passou exigir pensão para o filho e o denunciou por agressão, o que trouxe complicações para a carreira de Bruno, por ele ter sido indiciado. Enfurecido com a ex-amante, ele prometeu vingança.
Em comunicado divulgado em 2 de julho, a polícia revela os encaminhamentos só então dados ao exame toxicológico:
Assassinato e investigação thumb|O ex-goleiro do Flamengo Bruno Fernandes de Souza falando sobre o caso à imprensa thumb|O delegado Edson Moreira falando sobre o caso
De acordo com as investigações policiais, Eliza estava, antes de desaparecer, no sítio do jogador em Esmeraldas, interior de Minas Gerais, a pedido dele, já que ela passou a gravidez em São Paulo na casa de amigas e chegou a morar em hotéis no Rio, pagos por Bruno. Ela teria ido para o sítio em 4 de junho de 2010, o que surpreendera os advogados da ação, uma vez que ele parecia disposto a negociar um acordo. O desaparecimento da modelo ocorreu durante essa viagem. Ela ainda tinha esperança de ter uma reconciliação com o goleiro. Bruno diz que ela foi embora do sítio porque quis, e que abandonou a criança com um colega em comum do ex-casal. O menino foi achado numa favela de Ribeirão das Neves e Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, esposa do goleiro, é suspeita de tê-lo deixado lá.
Em 26 de junho de 2010, a Polícia Civil de Minas Gerais declarou Bruno suspeito pelo desaparecimento de Eliza. Em 6 de julho de 2010, um adolescente de 17 anos de idade que foi apreendido no apartamento do Bruno, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, depõe na Delegacia de Homicídios da Barra da Tijuca. Ele afirma que participou do sequestro da ex-amante do jogador, e deu coronhadas na vítima. Nas quatro páginas do inquérito em que relatam um crime atroz, Eliza teve os braços amarrados com uma corda e foi estrangulada por Marcos Aparecido dos Santos, um ex-policial, conhecido como Bola. Ainda segundo o adolescente, após ter estrangulado Eliza, Bola pediu para que todos deixassem o local. Depois, seguiu em direção a um canil, carregando um saco que supostamente continha o cadáver esquartejado de Eliza. Ainda segundo o adolescente, a mão de Eliza foi jogada para cães da raça Rottweiler.
Após o desaparecimento, a mãe de Eliza pediu a guarda da criança, concedida pela Justiça. O pai de Eliza também pleiteou na Justiça a guarda do neto e o reconhecimento da paternidade por Bruno. Porém, a guarda foi negada ao avô materno pois descobriu-se que ele estuprou uma menina de dez anos no Paraná, anos antes, e que também permitia que homens abusassem de sua filha durante a infância em troca de dinheiro.
Em 7 de julho de 2010, as prisões preventivas de Bruno e de mais 7 pessoas foram expedidas pela Justiça de Minas, e o mandado de internação do adolescente que prestou depoimento no dia anterior. A Justiça de Rio de Janeiro também havia expedido a prisão preventiva de Bruno e Luiz Henrique Romão, conhecido como Macarrão, por sequestro e cárcere privado de Eliza Silva Samudio, em outubro de 2009. Bruno e Macarrão se entregam à polícia no Rio de Janeiro. Ambos foram levados para Polinter do Andaraí. Antes das 14h30, os dois foram levados ao Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu. Segundo a Secretaria de estado de Administração Penitenciária (Seap), Bruno e Macarrão estão na Penitenciária Alfredo Tranjan Bangu 2. A Policia mineira pede a transferência imediata de Bruno e Macarrão para Minas Gerais. A 38ª Vara Criminal do Rio atendeu ao pedido e determinou na tarde de quinta a transferência do goleiro Bruno e de seu amigo Luiz Henrique Romão, o "Macarrão", para Minas Gerais.
Impedido de exercer sua função como jogador de futebol por estar à disposição da Justiça, o Flamengo suspendeu o contrato com Bruno um dia após sua detenção. Com isso, a partir de então, o clube passou a não mais pagar salário ao atleta. A Olympikus, marca fornecedora de material esportivo do clube e patrocinadora do jogador, também suspendeu o contrato de patrocínio de Bruno até que o caso fosse concluído. Em 15 de julho de 2010, o Flamengo decidiu, após reunião de sua comissão jurídica, demitir Bruno por justa causa.
Em 9 de julho de 2010, Bruno e os outros suspeitos no desaparecimento de Eliza Samudio são mantidos presos na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, Região Metropolitana de Belo Horizonte. Os presos estão em celas isoladas, de 6m², e sem comunicação entre eles.
Em 21 de junho de 2012, a mãe de Eliza recebe carta anônima falando sobre possível local onde foram deixados os restos mortais da filha. No dia 23, pela primeira vez um envolvido no caso "revelou" o local onde o corpo de Eliza foi ocultado.noticias.terra.com.br/ MG: primo de Bruno diz que ajudou a enterrar Eliza em sítio
Durante as fases de investigação policial e judicial, todos os suspeitos também negaram saber onde Bola havia escondido o corpo. O primo do goleiro Bruno Fernandes Jorge Rosa Sales disse em entrevista à Rádio Tupi, do Rio de Janeiro, que viu a ex-amante do atleta ser enterrada após ter sido morta pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola. Jorge, que na época tinha 17 anos, afirmou que, inclusive, ajudou Bola e Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, a jogar terra por cima do cadáver, enterrado, segundo ele, em um sítio próximo ao Aeroporto Internacional de Minas Gerais, situado na cidade de Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte. No dia seguinte, a polícia realizou, sem sucesso, uma nova busca pelos restos mortais de Eliza Samudio. A busca foi feita em um terreno localizado na rua Aranha, no bairro Santa Clara, em Vespasiano (MG), região metropolitana de Belo Horizonte, local onde Jorge Lisboa Rosa Sales, primo do goleiro Bruno, disse ter visto Eliza. Um buraco de 15 metros de largura por 10 metros de comprimento e 3 metros de profundidade foi aberto, onde foram encontrados somente restos de lixo sem relação com o crime. Em face do fracasso da busca, o primo de Bruno sugeriu que outros envolvidos no crime podem ter decidido tirar o corpo do local com base na premissa de que acabaria por entregar a informação à polícia.noticias.terra.com.br/ Polícia encerra busca sem encontrar corpo de Eliza em MG