"Ray of Light" é uma canção da artista musical estadunidense Madonna, contida em seu sétimo álbum de estúdio de mesmo nome (1998). Foi composta e produzida pela própria com o auxílio de William Orbit, com escrita adicional por Clive Muldoon, Dave Curtiss e Christine Leach. A sua gravação ocorreu em 1997 nos Larrabee Studios North em Universal City, Califórnia. O seu lançamento como o segundo single do disco ocorreu em 6 de maio do mesmo ano, através das gravadoras Maverick e Warner Bros., sendo comercializada em CD single, fita cassete e vinis de sete e doze polegadas. Baseada em "Sepheryn", de Curtiss Maldoon, é uma faixa musicalmente derivada do EDM com influências do techno, do trance, do eurodance e da música disco, apresentando efeitos sonoros como assobios, bipes e sinos, o uso da guitarra elétrica e sintetizadores dentro de sua composição. Liricamente, apresenta um tema de liberdade.

A obra foi aclamada pela mídia especializada, a qual prezou a sua composição, sua produção e seu "calor emocional". A maturidade e os vocais de Madonna no número também foram elogiados. A canção foi nomeada nas categorias de Gravação do Ano, Melhor Gravação de Dance e Melhor Vídeo Musical durante os Grammy Awards de 1999, conquistando as duas últimas, obtendo também os prêmios de Maior Música Dance e Canção Mais Tocada nos ASCAP Rhythm and Soul Awards e ASCAP Pop Awards, respectivamente, e sendo reconhecida como uma das melhores da década de 1990. O single obteve êxito comercial ao liderar as tabelas da Escócia e da Espanha, classificando-se entre as dez melhores colocações na Austrália, no Canadá, na Europa e em outras quatro nações. Nos Estados Unidos, registrou o maior debute de Madonna na tabela estadunidense Billboard Hot 100, estreando no número cinco — sua posição de pico —, além de converter-se no vigésimo terceiro tema da cantora a culminar no periódico Hot Dance Club Songs.

Lançado em 12 de maio de 1998 na série MTV Live, o vídeo musical correspondente foi dirigido por Jonas Åkerlund e retrata o cotidiano de pessoas em cidades ao redor do mundo, como Londres e Estocolmo. Posteriormente disponibilizada em VHS single, a produção foi criticamente aclamada e indicada em oito categorias durante os MTV Video Music Awards de 1998, vencendo cinco delas, incluindo a principal da noite, de Vídeo do Ano. Entretanto, Stefano Salvati acusou a artista de plagiar o conceito de um vídeo dirigido por ele para Biagio Antonacci quatro anos antes. Madonna apresentou "Ray of Light" em eventos como os MTV Video Music Awards de 1998 — acompanhada por Lenny Kravitz na guitarra — e Live 8, bem como nas turnês Drowned World Tour (2001), Confessions Tour (2006), Sticky & Sweet Tour (2008-09) e Celebration Tour (2023-24). A faixa também foi regravada por artistas como Adam Lambert e Natasha Bedingfield, e utilizada diversas vezes na mídia, como nas séries Family Guy, Glee e na campanha publicitária de lançamento do Windows XP.

Antecedentes e lançamento thumb|Madonna apresentando "Ray of Light" na turnê Sticky & Sweet Tour (2008-09). Desde 1996, Madonna passou por uma série de "experiências de mudanças de vida", o que incluiu o nascimento de sua filha Lourdes, o seu crescimento no interesse pelo misticismo e a Cabala e a interpretação da protagonista do filme Evita (1996), adaptação do musical de mesmo nome. Um ano depois, ela começou a trabalhar em seu sexto álbum de estúdio Ray of Light, para o qual realizou sessões de composição com William Orbit, Patrick Leonard, Rick Nowels e Babyface. O disco refletiu as mudanças de perspectiva da cantora sobre a vida. A escritora Carol Benson notou que este era "um álbum dançante profundamente espiritual" essencialmente baseado na carreira e jornada de Madonna e nas muitas identidades que ela adotou ao longo dos anos. A maternidade suavizou a artista emocionalmente, o que acabou sendo refletido nas canções. A cantora começou a falar sobre ideias e a usar palavras que tratassem de pensamentos profundos e pessoais, ao invés de elaborar sons para pistas de dança como antes.

Madonna trabalhou principalmente com Orbit após Guy Oseary, sócio da Maverick Records, ter sugerido ao músico por telefone que enviasse algumas faixas para a cantora. Orbit então enviou uma fita digital de treze faixas para Madonna, na qual "Ray of Light" estava incluída. Ele baseou-se na obra depois de ouvir "Sepheryn", lançada pelo duo Curtiss Maldoon (formado por Dave Curtiss e Clive Maldoon) em 1971. Em 1996, Christine Leach, sobrinha de Maldoon, gravou sua versão para a faixa. Leach disse que sempre amou o trabalho do duo, afirmando que "Sepheryn" era a sua favorita. Ela trabalhou com Orbit por um tempo e gravou uma demo de "Sepheryn" por cima de uma melodia na qual ele estava trabalho. Leach reescreveu o refrão e também removeu alguns extratos da composição original. Orbit incluiu-a na fita pensando que Leach havia escrito a música. Após ouvir a demo, Madonna gostou e retrabalhou as letras para criar "Ray of Light".

"Ray of Light" foi lançada como o segundo single do álbum em 6 de maio de 1998 nos Estados Unidos. A capa foi fotografada por Mario Testino, com design de Kevin Reagan. Curtiss não estava ciente do fato de que Madonna havia gravado "Sepheryn" como "Ray of Light" e a ouviu pela primeira vez na rádio. Ele "não conseguiu acreditar" e ficou inicialmente irritado, mas gostou do que Madonna havia feito com sua composição original. Curtiss também ficou satisfeito com os 15% de royalties que recebeu com o crédito de compositor. Madonna recebeu 30% dos royalties, 15% foi dado ao espólio de Maldoon e o resto foi recebido pela gravadora de Madonna. Sobre a canção, Madonna disse: "É totalmente fora de controle. A versão original tem mais de 10 minutos de duração. Foi completamente indulgente, mas eu adorei. Foi de partir o coração cortá-la para uma duração gerenciável". Sua versão original foi criada para ser incluído em um álbum de remixes intitulado Veronica Electronica, que não foi lançado. Em entrevista ao jornal The Australian em janeiro de 2017, Curtiss comentou ter gravado uma versão de "Sepheryn" em jazz contemporâneo.

Gravação e composição "Ray of Light" foi gravada, junto com o resto do álbum, nos Larrabee Studios North em Universal City, Califórnia. Foi masterizada por Ted Jensen nos Sterling Sound Studios em Nova Iorque. A fita digital continha a porção principal das gravações da canções, bem como sessões demo preliminares feitas na casa de Madonna em Nova Iorque e no The Hit Factory, onde ela cantou a música pela primeira vez. Assim como grande parte do disco, a faixa foi gravada em um Roland Juno-106. A cantora e o produtor regeram uma sessão de bateria em Los Angeles, mas não obtiveram grandes resultados. Assim, Orbit contatou Fergus Gerrand, que tocou demonstrações de bateria para ele em Londres. Orbit as aprimorou em sua workstation e as selecionou manualmente, em vez de usar softwares de auto-edição como ReCycle.

Musicalmente derivada do EDM, "Ray of Light" contém fortes influências do techno, do trance, do eurodance e da música disco e recebeu comparações estilísticas à música rave, psicadélica e ao acid rock. De acordo com a autora Lucy O'Brien, em seu livro Madonna: Like an Icon, Orbit criou um som semelhante ao sensurround na faixa, que apresenta Madonna aprofundando suas raízes da música dance, transitando para um som mais eletrônico. De acordo com a partitura publicada pelo portal Muscinotes.com, a canção é definida na assinatura de tempo comum, com um ritmo de andamento acelerado formado por 126 batidas por minuto. É composta no tom de si bemol maior, com o alcance vocal de Madonna abrangendo-se desde Si♭3 até Fá5, com a última nota sendo cantada sobre a vocalização "ah-ah" perto do fim da canção. A composição possui uma sequência básica formada pelas notas si bemol maior, mi bemol maior, si maior e mi maior como sua progressão harmônica.

A música começa com um riff de guitarra elétrica comparável com os trabalhos da banda inglesa de rock alternativo e britpop Oasis. Os acordes se harmonizam uns com os outros, continuando por 22 segundos. Em seguida a melodia techno começa, constituída por um sintetizador principal oscilando na nota musical primária, com o equalizador movendo-se entre o grave e o agudo. A batida "inquieta" é acompanhada por um riff inspirado pelo rock, com a altura de Madonna sendo mais alta do que nas outras músicas do álbum. Os vocais "ofegantes" da intérprete na faixa foram notados por diferirem-se de seus singles anteriores. Durante a gravação, Orbit manteve "Ray of Light" em um semitom mais alto do que o limite da cantora, resultando em uma adição de tensão aos vocais. Ele lembrou: "Ela ficou frustrada quando nós estávamos gravando mas você quer aquele pedaço de limite com cantoras, aquela coisa de alcance. Você não pode fingir, e você pode ouvir isso quando ela racha na gravação". Ao longo da composição, são ouvidos diversos efeitos sonoros, incluindo assobios, sinos e bipes. Antes do refrão final há mais um solo de sintetizadores, reminiscente a músicas pró-rock dos anos 1970. De acordo com Rikky Rooksby, autor de The Complete Guide to the Music of Madonna, isso foi uma ligação à origem da canção de "Sepheryn".

Liricamente, a obra é animada, mantendo o tema com a melodia, e possui um tema de liberdade e mostra um lado mais espiritual da cantora. De acordo com a própria, "Ray of Light" é "um olhar místico no universo e [do] quão somos pequenos [comparado a ele]". Ela quis capturar uma sensação de "deslumbramento" com as letras, como se alguém tivesse acabado de abrir os olhos e olhado para o mundo pela primeira vez. Com a NME, a artista esclareceu que as letras transmitem o sentimento de ser pequeno em comparação ao vasto universo, e também fala sobre como a vida normal passa mais rápido "do que a velocidade da luz", mas alguém pode sair dessa jornada e olhar para si mesmos com uma perspectiva externa. Ela explicou:

Recepção Crítica profissional

Analisando o álbum Ray of Light, Stephen Thomas Erlewine, do portal Allmusic, descreveu a canção como um "turbilhão". Em uma resenha da canção, Liana Jonas, da mesma página, definiu a faixa como uma "canção dançante perversamente boa", alegando que era "sonoramente progressiva, mas simpática para o ouvinte". Jonas também elogiou os vocais de Madonna, comparando-os com os de uma "diva de boates a uma deusa celestial". Larry Flick, da Billboard, descreveu "Ray of Light" como Madonna no seu melhor. Rob Sheffield, da revista musical Rolling Stone, observou que, ao lado de outras faixas como "Swim" e "Drowned World/Substitute For Love", Madonna está "positivamente feroz". Sal Cinquemani, da Slant Magazine, analisou que a música era uma "comemoração techno-delirante", e notou a "euforia" de Madonna na musica. Michael R. Smith, do The Daily Vault elogiou a canção como um dos melhores singles de Madonna, explicando: