thumb|Paisagem vista do início da estrada da Serrinha do Alambarithumb|A Serrinha é uma Área de Proteção Ambiental situada em Resende, RJ

A Área de Proteção Ambiental (APA) da Serrinha do Alambari está situada no município de Resende, no Rio de Janeiro, na encosta leste do Parque Nacional de Itatiaia, na Serra da Mantiqueira, a oeste da estrada para Visconde de Mauá (Resende) (RJ-163). Ela abrange as comunidades de Serrinha e Capelinha, protegendo a parte alta das microbacias dos rios Alambari e Pirapitinga. Sua área total corresponde a 4.500 hectares. Está localizada na Região das Agulhas Negras e é admirada por sua paisagem montanhosa e belas cachoeiras de águas frias e cristalinas, além de ser considerada uma importante Estância Climática do estado do Rio de Janeiro. A APA da Serrinha foi criada pela Lei Municipal nº 1.726 de 1991. O Plano Diretor para o Ecodesenvolvimento da APA (Lei nº 1.845 de 1994) é a principal ferramenta para o seu desenvolvimento harmonioso.

thumb|Vale da Capelinha visto do alto da Serrinha do Alambari

História Capelinha do Pirapitinga No século XIX, a região da Capelinha foi ocupada por fazendas produtoras de café, durante o período áureo do "ouro verde" em Resende. Na década de 1870, com o esgotamento das terras e a falta de mão-de-obra escrava, acentuou-se a decadência da cafeicultura na região e as fazendas passaram a investir cada vez mais na pecuária leiteira. Muitos fazendeiros do Vale do Paraíba, principalmente de Resende, buscaram novas terras no oeste paulista. Em meados da década de 1880, os cafeicultores de São Paulo já eram os maiores produtores de café do Brasil.

É neste contexto que chegam os patriarcas dos Menandro, uma família que marcou profundamente a história local. Elias Birbeire conta em seu livro "Capelinha de todos os tempos", de 1992, que seus avós vieram da região de Conservatória e chegaram na Capelinha por volta de 1887, um pouco antes da instalação da primeira tentativa de colonização do vale do Rio Preto - iniciada em 1889 e que, no final de 1890, foi dada como fracassada. Segundo Elias, os seus antepassados "escolheram a Capelinha por considerarem o local um ponto estratégico: a última etapa do caminho em direção a Mauá, antes da subida da serra". Até hoje existe uma placa que diz "Capelinha - parada quase obrigatória".

Entre 1908 e 1916, houve uma segunda tentativa de colonização no Rio Preto, com a criação do Núcleo Colonial Visconde de Mauá e a vinda de imigrantes alemães e suíços para trabalharem na produção de alimentos. Nesta época, a Capelinha alcançou um grande desenvolvimento: "Com toda essa movimentação em Mauá, CAPELINHA progrediu muito. Conforme estava previsto em 1889, tornou-se um ponto estratégico. Não havia outro caminho e tudo que se destinasse ao Núcleo Mauá teria que passar por CAPELINHA que, naquela época, chegou a contar com nove casas comerciais", escreve Elias. Durante este período, o núcleo funcionou sob subvenção do Governo Federal. Buscava-se a produção de frutas europeias, cereais, tubérculos e a criação de bovinos originários do clima temperado. Entretanto, os resultados ficaram muito abaixo do esperado. A precariedade das estradas foi apontada como o principal problema do núcleo. Com o fracasso da empreitada e suspensão de todo o apoio oficial, os imigrantes, que insistiram em permanecer no local, dedicaram-se ao turismo. Hoje, Visconde de Mauá é um importante e bem sucedido pólo turístico.

A partir da segunda metade do século XX, a Capelinha progrediu através da pecuária e se beneficiou com o aumento do movimento turístico. Na década de 1960, iniciou-se um grande desenvolvimento baseado na produção de leite e de aguardente, principais fontes de renda do local. Atualmente, a Capelinha investe no desenvolvimento do turismo histórico e rural. Como atrativos, possui rios, cachoeiras, dois pesque-pagues e um Alambique centenário, de 1870, além de fazendas históricas cujo potencial turístico ainda não foi explorado.

thumb|A Serrinha está localizada no entorno (encosta leste) do Parque Nacional de Itatiaia - Foto Antonio Leão

Serrinha do Alambari thumb|Rio Santo Antônio|esquerdaAté o final do século XIX, grande parte da Serrinha do Alambari era coberta pela Mata Atlântica e constituía a parte menos explorada de algumas fazendas. Parte das terras foi aproveitada no auge do ciclo do café em Resende. Ao longo da primeira metade do século XX, as fazendas foram divididas em propriedades menores, dedicadas à lavoura. Plantava-se principalmente arroz, feijão, milho, mandioca e banana, além das frutíferas sempre presentes nos quintais brasileiros tais como jabuticabeiras, goiabeiras, tangerineiras, limoeiros e laranjeiras, entre muitas outras. Entretanto, os solos pobres não permitiam um maior desenvolvimento da agricultura no local. A partir da década de 1940, teve início uma ocupação desordenada, com extração de madeira, produção de carvão e desmembramento das terras. Nesta época, logo após a criação do Parque Nacional de Itatiaia - o primeiro do Brasil, intensificou-se o desmatamento na Serrinha. Não existiam ainda as estradas do Camping e do Top Club (estrada dos Artesãos). A madeira e o carvão eram transportados por trilhas em lombo de burro até o ponto onde hoje está a venda e a praça e ali eram embarcados em caminhões para Resende.

As famílias, originadas do sul de Minas Gerais, e também do Vale do Paraíba, plantavam visando principalmente a subsistência. Predominava o sistema da "terça" e da "meia", mas os colonos se sentiam como se fossem os proprietários. A pecuária extensiva já havia substituído os cafezais e se expandiu também pelos vales e encostas da Serrinha. Entretanto, a exemplo do que ocorreu com a lavoura, não encontrou ali o ambiente mais produtivo. Nos anos 1950 começaram a surgir, em escala bem reduzida, as primeiras construções e loteamentos para veranistas. A instalação do Camping Clube do Brasil, na década de 1970, confirmou a vocação turística da Serrinha e trouxe uma grande transformação para o local: a parte habitada que antes se limitava à vizinhança da venda se expandiu nos dois quilômetros das estradas acima, que, originadas das trilhas, foram lentamente ampliadas e alargadas na base da enxada e da picareta. A população local quase que triplicou e surgiram os problemas relacionados à contaminação dos mananciais, incluindo casos de hepatite. Hábitos oriundos das cidades: vestuário, gírias etc., foram aos poucos assimilados pela população local. thumb|Portal da APA da Serrinha do Alambari thumb|Mapa da cobertura vegetal da APA da Serrinha do Alambari

Nos anos 1980, o crescimento da procura por ambientes naturais pelos habitantes das grandes cidades, além do aumento da população, teve consequências graves sobre os recursos hídricos da região. Vizinha de Penedo, Visconde de Mauá e do Parque Nacional de Itatiaia, a Serrinha também sofre os efeitos da ocupação urbana e turística. Por outro lado, à medida que aumentava a demanda de serviços para o turismo e novas residências, a vegetação se regenerava nos pastos e lavouras abandonadas. Hoje é notável a presença de mata secundária com aspecto de mata primária.

No ano de 1989, a Associação de Moradores, AMOROSA, tendo em vista a degradação verificada nas localidades vizinhas, levou ao poder público a sua preocupação com a falta de uma política de ocupação sustentável do solo. A Prefeitura de Resende criou então o Grupo de Trabalho para o Desenvolvimento Integrado da Serrinha (GTS), coordenado pelo morador ambientalista Luis Felipe Cesar e composto por especialistas e moradores como Edgar Kuhlmann, Nelson Gumercindo, André Vieira, Ricardo Menescal, Maria Helena Fonseca da Conceição e Eliel Queiroz, representantes do poder público municipal, estadual e federal, e também por organizações da sociedade com interesse na área da defesa ambiental. Este processo culminou na implantação da Área de Proteção Ambiental (APA) da Serrinha, criada através da Lei Municipal 1.726 de 1991. Esta foi a primeira unidade de conservação municipal de Resende. Este trabalho foi consolidado com o Plano Diretor da APA (Lei nº 1.845 de 20 de maio de 1994), elaborado pelos arquitetos Ricardo Menescal e Renato Menescal.

Geografia Localização A APA da Serrinha está situada no município de Resende/RJ, na encosta leste do Parque Nacional de Itatiaia, Serra da Mantiqueira, abrangendo a parte alta das microbacias dos rios Alambari e Pirapitinga, a oeste da estrada para Visconde de Mauá (RJ-163). A sua área total corresponde a mais de 4.500 hectares.

thumb|As montanhas da Serrinha ultrapassam os 2.000m de altitude

Relevo A Serrinha ocupa um extenso vale e parte das vertentes, onde se situa a sua divisa com o Parque Nacional de Itatiaia. De quase toda a Serrinha é possível avistar os maciços rochosos, que ultrapassam os 2.000 metros de altitude. As chuvas torrenciais, com auxílio dos ventos, esculpiram na muralha rochosa as formas curiosas que vemos hoje e desenharam os vales, por onde descem rios de águas cristalinas com inúmeras cachoeiras. O relevo é de encosta de serra, por onde descem encachoeirados, por gargantas muitas vezes profundas, os rios Alambari e Pirapitinga, e seus afluentes. A APA se estende por estas microbacias hidrográficas, delimitadas ao norte pela Serra do Marimbondo (Divisor de Águas), que separa a Serrinha da Região de Visconde de Mauá; e ao sul, por uma serra que é o limite natural com Penedo, distrito do município de Itatiaia, RJ. A maior parte da Serrinha é constituída por rochas alcalinas, originadas da enorme intrusão magmática que culminou com a formação do Maciço do Itatiaia, com predominância de foiaítos, sienito e nefelina sienitos.

Solos Com exceção da parte baixa da Serrinha, nas proximidades da estrada para Visconde de Mauá, as terras não são as mais adequadas para a agricultura, ainda mais se levarmos em conta o relevo acidentado. Os solos são muito rasos, argilosos, com pH muito baixo e alto teor de alumínio. São constituídos por camadas de rochas decompostas, recobertas pelo manto de matéria orgânica oriunda da própria floresta.

Clima Podemos notar que chove mais na Serrinha do que em outras regiões próximas. A serra costuma abraçar as nuvens, e não as deixa escapar facilmente, exercendo forte influência sobre as chuvas e a temperatura. A umidade retida nas encostas, e protegida pelas florestas, abastece importantes nascentes. O clima é Mesotérmico com verões brandos e chuvosos, sem estação seca muito pronunciada. A estação chuvosa ocorre de setembro a abril e a seca de maio a agosto. Segundo Edgar Kuhlmann, no informativo "O Tilinda", "é um clima tropical sob efeito da altitude. (…) O total anual de chuvas é superior a 2000 mm, atingindo por vezes mais de 3000 mm. As temperaturas oscilam entre o máximo de 33 °C e mínimo de 15 °C no verão e máximo de 22 °C e mínimo de 5 °C no inverno. Não há registros de temperaturas negativas. Nota: as observações são feitas a 850 m de altitude", escreveu Kuhlmann.

Hidrografia thumb|Poço dos Dinossauros

Do alto do Planalto do Itatiaia descem os rios Alambari, Pirapitinga e Santo Antônio, principais rios da Serrinha. As suas microbacias apresentam grande abundância de recursos hídricos e foi no seu seio que a comunidade nasceu e se desenvolveu. Note que Alambari é o sobrenome da Serrinha. O rio Pombo (afluente do Pirapitinga) e o córrego Medeiros (afluente do Alambari) atravessam considerável trecho da área habitada. O Santo Antônio, afluente do Pirapitinga, se destaca por sua água cristalina e pela sua coloração em tons azul e turquesa.