Chantal Akerman (Bruxelas, 6 de junho de 1950 – Paris, 5 de outubro de 2015), foi uma diretora belga. Era também artista, atriz, roteirista, produtora e professora de cinema. Segundo a pesquisadora Gwendolyn Audrey, teve grande influência para o cinema feminista e Avant-Garde. Seu filme mais conhecido é Jeanne Dielman (1975).

Biografia

Chantal nasceu em Bruxelas, Bélgica, em 6 de junho de 1950. Filha de uma família judeus que foram vítimas do Holocausto Polonês, sua mãe, Nathalia, foi a única sobrevivente. Tinha uma irmã mais velha, Sylviane Akerman. Era extremamente próxima de sua mãe, que a incentivava a ter uma carreira ao invés de ser apenas dona de casa. Entra na faculdade de cinema belga Institut national supérieur des arts du spectacle et des techniques de diffusion aos 18 anos, porém sai em seu primeiro período para fazer o curta-experimental Saute ma ville, no qual ela mesma atua e que serve como estudo para seu filme posterior Jeanne Dielman.

A relação de Akerman com a mãe é retratada em alguns de seus filmes. Em seu filme News from Home (1976), as cartas escritas pela mãe servem como narração. Já em No Home Movie (2015), seu último filme, faz uma homenagem à morte da mãe retratando as conversas que tiveram poucos meses antes.

Akerman admitia que a mãe era o centro de seus trabalhos. Após sua morte, a diretora se sente desnorteada e começa a ter recaídas. Se suicida em 5 de outubro de 2015, em Paris. Estava hospitalizada por depressão, e havia retornado para sua casa em Paris 10 dias antes de sua morte, segundo sua irmã.

Carreira

Trabalhos e influências Sua primeira influência foi o filme Pierrot le fou, de Jean-Luc Godard. Após assisti-lo, aos 15 anos, decide se tornar cineasta. Seu primeiro filme, Saute ma ville, estreia em 1971 no festival de curta-metragem de Oberhausen. No mesmo ano, muda-se para Nova York, onde permanece por um ano. Ao voltar para a Europa, faz seu primeiro longa-metragem, Hotel Monterey (1972), e os curtas experimentais La Chambre 1 (1972) e La Chambre 2 (1972). Através desses filmes, seu trabalho começa a criar o estilo que vai aderir até o fim de sua carreira, com sequências longas e repetição de tarefas ordinárias. Apesar de lésbica, não se considera como uma cineasta queer, tendo seu único filme com referência ao tema Je, tu, il, elle (1974). Faz seu próximo filme, Jeanne Dielman (1975), com apenas 25 anos, o qual é considerado uma obra-prima do cinema femininista.

Akerman fez parte da segunda onda do feminismo, e seus trabalhos refletiam sobre a presença feminina no cinema, tanto atrás das câmeras quanto na frente. Ela acreditava que a visão feminista estava mais em como os filmes eram feitos do que as histórias que eram contadas nos filmes; a visão feminina sobre a mulher não retratava uma presença ordinária, o trabalho de câmera feminino mostrava a mulher vista pelos olhos de outra mulher.

Também foi influenciada por filósofos como Gilles Deleuze e Felix Guattari e suas literaturas menores. As três características da literatura menor são a desterritorialização da língua, a ligação do indivíduo no imediato político, o agenciamento coletivo de enunciação. Essa literatura menor nos filmes de Akerman aparece frequentemente em forma de cartas, músicas ou piadas. As cartas que freqüentemente cruzam sua obra falam de sua busca por ressonâncias entre sua própria história pessoal e outros problemas e deslocamentos atuais. Uma das mais pungentes dessas cartas é lida em uma reunião improvisada em torno de uma tabela em Do outro Lado (2002). Depois de conhecer alguns mexicanos que foram abandonados no meio de sua tentativa de atravessar a fronteira, Akerman os convida para uma refeição. Em agradecimento, eles lêem uma carta assinada coletivamente à câmera.

Apesar de ser constantemente relacionada às características de uma cineasta mulher, judia e lésbica, Akerman reduz esses rótulos pessoais e se distancia de um cinema essencialmente feminista. Ela vê o cinema como um "campo gerador de liberdade dos limites da identidade", e é contra a expressão "cinema feminista" porque "quando as pessoas dizem que há uma linguagem de cinema feminista, é como dizer só existe uma maneira para as mulheres se expressarem".

Filmografia

Cinema 1968 : Saute ma ville 1971 : L'Enfant aimé ou Je joue à être une femme mariée 1972 : La Chambre 1972 : Hôtel Monterey 1973 : Hanging Out Yonkers 1973 : Le 15/8 1974 ; Je, tu, il, elle 1975 : Jeanne Dielman, 23, Quai du Commerce, 1080 Bruxelles 1977 : News from Home 1978 : Les rendez-vous d'Anna 1982 : Toute une nuit 1983 : les années 80 1984: J'ai faim, j'ai froid (episódio que faz parte de Paris vu par... 20 ans après : filme colectivo de 6 realizadores : Chantal Akerman, Bernard Dubois, Philippe Garrel, Frédéric Mitterrand, Vincent Nordon e Philippe Venault ) 1984 : New York, New York bis 1986 : Le marteau 1986 : Letters Home 1986 : Rue Mallet-Stevens 1986 : Portrait d'une paresseuse (episódio que faz parte de Seven Women, Seven Sins : filme colectivo de 7 realizadores : Chantal Akerman, Maxi Cohen, Valie Export, Laurence Gavron, Bette Gordon, Ulrike Ottinger e Helke Sander) 1986 : Golden Eighties 1989 : Les trois dernières sonates de Franz Schubert 1989 : Trois strophes sur le nom de Sacher 1989 : Histoires d'Amérique 1991 : Pour Febe Elisabeth Velasquez, El Salvador (episódio que faz parte de Contre l'oubli : filme colectivo de mais 30 realizadores : Chantal Akerman, Bertrand Blier, Costa-Gavras, Raymond Depardon, Bernard Giraudeau, Jean-Luc Godard, Alain Resnais, Coline Serreau, Bertand Tavernier, e.a.) 1991 : Nuit et jour 1993 : D'Est 1996 : Un divan à New York 1997 : Le jour où 1999 : Le Sud 2000 : La Captive 2002 : De l'autre côté 2004 : Demain on déménage 2006 : Là-bas 2007 : Tombée de nuit sur Shanghaï, (episódio que faz parte de L'État du monde - O estado do mundo - filme colectivo de 6 realizadores : Chantal Akerman, Ayisha Abraham, Pedro Costa, Vincent Ferraz, Bing Wang e Apichatpong Weerasethakul) 2008 : Women from Antwerp in November 2012 : La folie Almayer 2015 : No home movie

Televisão 1980 : Aujourd'hui, dis-moi 1983 : Un jour Pina m'a demandé 1983 : L'Homme à la valise 1984 : Lettre d'un cinéaste: Chantal Akerman 1984 : Family Business: Chantal Akerman Speaks About Film 1992 : Le Déménagement (episódio que faz parte de Monologues) 1994 : Portrait d'une jeune fille de la fin des années 60 à Bruxelles 1997 : Chantal Akerman par Chantal Akerman (reportagem : Cinéma, de notre temps) 2003 : Avec Sonia Wieder-Atherton 2009 : À l'Est avec Sonia Wieder-Atherton

Publicações 1997 : Hall de nuit, Paris, L'Arche Éditeur 1998 : Une famille à Bruxelles, Paris, L'Arche Éditeur 2004 : Chantal Akerman : autoportrait en cinéaste, Paris, Centre Pompidou : livro publicado para a exposição sobre a realizadora 2013 : Ma mère rit, Paris, Mercure de France: é uma narração autobiográfica

Ligações externas The Director’s Director: Chantal Akerman – artigo no NY Times, março de 2016

Categoria:Cineastas da Bélgica Categoria:Cineastas LGBT Categoria:Artistas lésbicas Categoria:Artistas LGBT da Bélgica Categoria:Roteiristas da Bélgica Categoria:Roteiristas LGBT Categoria:Mulheres roteiristas Categoria:Acadêmicos LGBT Categoria:Professores da Universidade da Cidade de Nova Iorque Categoria:Suicidas da Bélgica Categoria:Suicidas LGBT Categoria:Judeus da Bélgica Categoria:Judias lésbicas