|} thumb|Automotora da série 592 da CP, estacionada na estação de Vigo-Guixar junto a automotora do serviço regional da RENFE, em 2016 O Celta, anteriormente conhecido como Comboio Internacional Porto-Vigo, é um serviço ferroviário prestado pela operadora Comboios de Portugal, que une as cidades do Porto, em Portugal, e de Vigo, na Galiza.

Caracterização O serviço Celta efectua-se duas vezes por dia em cada sentido, ligando as Estações de Porto-Campanhã e Vigo-Guixar, com paragem em Nine, Valença e Viana do Castelo. O serviço é prestado por automotoras da série 592 da CP, e a duração de cada viagem é de cerca de 2 horas e 15 minutos.

Ligações com transbordo Na estação de Vigo-Guixar, términus dos serviços internacionais (Celta e Regional Internacional), é possível efectuar transbordo para os regionais da RENFE com destino às cidades de Pontevedra, Santiago de Compostela, Corunha e para os comboios do tipo Regional com destino a Ourense, Alvia com destino a Madrid-Chamartín e Trenhotel com destino a Madrid-Chamartín e Barcelona-Sants.

Na estação de Redondela, é possível efectuar transbordo entre o Regional Internacional (Valença-Vigo) e os comboios regionais da RENFE com destino a Pontevedra, Santiago de Compostela e Corunha, bem como para os comboios com destino a Ourense.

Na estação de Guillarei é possível efectuar transbordo entre o Regional Internacional (Valença-Vigo) e os comboios com destino a Ourense.

Na estação de Nine é possível efectuar transbordo entre o Celta e os suburbanos da CP Porto com destino a Braga e ao Porto, que servem estações como Famalicão e Trofa.

Na estação de Porto-Campanhã é possível efectuar transbordo entre o Celta e os comboios Alfa Pendular e Intercidades com destino a Lisboa-Santa Apolónia, Coimbra-B e Faro, bem como para os interregionais com destino à Régua e ao Pocinho, e para os urbanos da CP Porto com destino a Aveiro, Braga, Guimarães e Marco de Canaveses

História thumb|Automotora da Série 0450 da CP, na antiga Estação de Vigo, em 2008. Antecedentes e operação Sucede a um antigo serviço que se iniciou em 10 de Janeiro de 1868, que ligava Vigo a Lisboa, que se realizava três vezes por semana, e que pouco depois passou a circular diariamente; o serviço entre Porto e Vigo iniciou-se em 1913, sendo em 1952 utilizada uma carruagem, que era rebocada desde Campanhã pelo comboio internacional para a Corunha.

Entre 1980 e 1984, a frequência deste serviço, com o nome Lisboa-Porto-Galiza, foi aumentado de duas para três composições. Em 1989, o percurso já tinha sido truncado, unindo apenas o Porto a Vigo, e o número diário de composições em cada sentido foi de novo reduzido para apenas duas.

esquerda|thumb|Automotoras em serviço regional e internacional, em Caminha, 1998. Em 1994, este serviço era assegurado por automotoras da Série 0600/0650.

Em 2001, era realizado duas vezes por dia, demorando cerca de 3 horas e 15 minutos; utilizava material circulante espanhol ou português, e tinha paragens em Viana do Castelo, Valença, Tui, Guillarei, O Porriño, e Redondela.

Suspensão programada de 2005 Em 2005, o operador Comboios de Portugal pretendeu suspender o Comboio Internacional Porto-Vigo, devido à queda na procura, resultante da melhoria nas ligações rodoviárias entre a Galiza e o Minho, e a falta de qualidade na viagem. Esta decisão foi, no entanto, contestada por vários autarcas da região, pelos passageiros, e por várias partes em território espanhol, pelo que a transportadora decidiu não suspender o serviço.

Suspensão planeada de 2011 thumb|Estação Ferroviária de Porto-Campanhã, em 2008. thumb|Estação de Vigo-Guixar, 2011 Em Janeiro de 2011, a autarquia de Viana do Castelo criticou os horários e o conforto dos comboios na Linha do Minho, tendo defendido que esta ligação fosse modernizada, utilizando parte dos fundos destinados à construção da linha da alta velocidade entre Porto e Vigo.

A operadora Comboios de Portugal anunciou, nesse ano, que iria suspender este serviço em 10 de Julho, por motivos de obras, e devido ao reduzido volume de passageiros; esta decisão teve o apoio da operadora espanhola Renfe. Com efeito, os comboios transportavam apenas cerca de 15 500 passageiros por ano, o que fazia uma média de 11 passageiros por viagem. Esta reduzida procura ligava-se à falta de competitividade desta ligação ferroviária em relação ao transporte rodoviário no mesmo trajecto, principalmente devido à duração da viagem, em cerca de 3 horas e 20 minutos, contra 2 horas, por autocarro; por outro lado, a ausência de técnicos de revisão em território espanhol permitia a realização de viagens sem pagamento, o que resultava num agravamento do prejuízo, que atingia cerca de 232 mil euros por ano. Por outro lado, a empresa espanhola pretendia criar um serviço próprio entre Vigo e Tui, uma vez que aquela estação apenas era utilizada pelo comboio entre o Porto e Vigo. Em Julho, os deputados do Bloco Nacionalista Galego anunciaram que a transportadora portuguesa despendia cerca de 200 euros por noite, no alojamento dos funcionários que faziam o comboio até Vigo.

Esta medida foi criticada pelo autarca de Vigo, Abel Caballero, pela Associação de Utentes dos Comboios de Portugal, que apontaram que esta era a única ligação ferroviária entre o Norte do país e a Galiza, o que iria prejudicar a mobilidade nesta região, e pela Direcção da Organização Regional do Porto do Partido Comunista Português, que referiu a importância económica e histórica desta ligação. Ilda Figueiredo, eurodeputada deste partido, inquiriu a Comissão Europeia sobre se seria possível fornecer mais apoios para a modernização e valorização desta linha internacional, a sua integração com outras infra-estruturas de transporte em território nacional, como o Porto de Viana de Castelo e o Aeroporto Sá Carneiro, na cidade do Porto, e o aproveitamento da rede ferroviária do Minho na zona de influência do Porto de Leixões; este partido anunciou, igualmente, a apresentação de um Projecto de Resolução na Assembleia da República, com recomendações para a modernização da ligação internacional e dos serviços de passageiros e de mercadorias entre o Porto e Vigo. Também foi entregue um requerimento ao Ministério da Economia, de forma a solicitar mais informações sobre este assunto, da parte dos deputados do Partido Socialista. O alcaide de Tui, Moisés Rodriguez, alertou que, caso o comboio Porto-Vigo fosse suspenso, a população iria interromper a circulação na Ponte Internacional de Valença; este aviso foi feito durante um encontro promovido em Viana do Castelo por utentes daquele serviço, onde se discutiu a necessidade de o tornar mais competitivo, através da realização de investimentos em infra-estruturas na Linha do Minho.

A operadora garantiu que esta decisão apenas iria incidir sobre o transporte de passageiros, sem perturbar os serviços de mercadorias para a Galiza, pela Linha do Minho, e, no dia 6 de Julho, admitiu, após reunião com os deputados do Partido Social Democrata de Viana do Castelo, que, em vez de suspender o serviço, podia reduzir o seu percurso, de Vigo para Tui, de forma a se poderem realizar outras ligações em território Espanhol, e que iria aumentar para quatro o número de comboios por dia.

No dia 8 de Julho, a operadora Comboios de Portugal declarou já ter entrado em acordo com a sua homóloga espanhola, depois desta ter prometido o pagamento dos custos de circulação das automotoras portuguesas em território espanhol, pelo que a suspensão do serviço foi cancelada; mantiveram-se, assim, as dois comboios diários, em cada sentido, entre o Porto e Vigo. Após a transportadora ter recuado na sua decisão, a Associação Portuguesa de Hotelaria, Restauração e Turismo defendeu a modernização deste serviço, de forma a se tornar uma alternativa viável às ligações rodoviárias internacionais.

Em Agosto do mesmo ano, todos os serviços ferroviários de passageiros para Vigo foram transferidos para a Estação de Vigo-Guixar, devido à demolição da antiga Estação de Vigo, para construir, no seu lugar, um terminal para os serviços de alta velocidade em Espanha.

Em Setembro, a operadora Comboios de Portugal garantiu que iria continuar a realizar este serviço, pelo menos até 31 de Janeiro de 2012; em Janeiro, a operadora Comboios de Portugal garantiu que este comboio iria ser continuado além do dia 31, encontrando-se em negociações com a Renfe Operadora. Naquele mês, o alcaide de Tui defendeu a manutenção do serviço, e elogiou a posição portuguesa, afirmando que se estava, a pressionar a Renfe, o Ministério do Fomento de Espanha e o Governo Espanhol para que assumam os custos relativos ao comboio, em território espanhol. Em Fevereiro, o presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Rio, criticou este serviço ferroviário, tendo afirmado que era necessária uma ligação mais eficaz para a integração no interior da Euro-região da Galiza-Norte de Portugal.

Alterações em 2013 Em 2 de Julho de 2013, verificaram-se várias alterações neste serviço, passando a denominar-se de Celta, e a ligar directamente Porto-Campanhã a Vigo, sem paragens intermédias. alt=Comboio de CP e RENFE en Vigo (Espanha)|miniaturadaimagem|O comboio celta da Renfe e Comboios de Portugal na estação de Vigo - Guixar (Espanha)

Alterações em 2014 Em 1 de Julho de 2014, o serviço Celta volta ter paragens em Nine, Viana do Castelo e Valença, sem que a duração da viagem seja penalizada.

Alterações em 2017 A partir do dia 17 de Novembro de 2017, o serviço Celta passou a contar com novas automotoras da série 592.2 alugadas à RENFE. Estas automotoras permitem melhores prestações (maior velocidade, aceleração e travagem) e um melhor conforto para os passageiros (possibilidade de transporte de bicicletas). Estas unidades substituem a antiga série 592 também ela alugada à RENFE.

Pandemia de covid-19 A pandemia suspendeu por duas vezes o serviço, entre 15 de março e 16 de agosto de 2020 e entre 31 de janeiro e 01 de maio de 2021, devido ao fecho das fronteiras.

Crescimento Em Julho de 2017, a CP - Comboios de Portugal anunciou que o número de passageiros mais do que triplicou nos últimos 4 anos [desde 2013], ou seja desde a criação do serviço 'Celta'. Em 2016 foi atingido um recorde histórico, tendo os passageiros transportados ultrapassado 80 000 pessoas. O presidente da câmara de Viana de Castelo mostrou-se satisfeito pelo desempenho da ligação : “ Isto dá ânimo àqueles que lutaram pela modernização da linha que esteve para encerrar. Estes números do Celta são a demonstração de que a modernização da Linha do Minho fazia todo o sentido e bastaram algumas pequenas melhorias no serviço e nos horários, para que nestes anos houvesse um aumento tão significativo no tráfego de passageiros”. O secretário-geral do Eixo Atlântico lembrou que o Celta já é "um comboio rentável" mas não esquece que "ainda não é um comboio competitivo, porque está muito longe dos patamares de competitividade que tem de ter.".

Em 2022, transportou mais de 110 mil passageiros.

Ver também Comboios de Portugal Infraestruturas de Portugal Transporte ferroviário em Portugal História do transporte ferroviário em Portugal

Ligações externas

Celta Categoria:Linha do Minho Categoria:Transporte ferroviário internacional em Portugal