miniatura|Microcontrolador STM32 fabricado pela STMicroelectronics

STMicroelectronics N.V. (geralmente chamada de ST ou STMicro) é uma multinacional europeia de projeto e fabricação sob contrato de semicondutores. É a maior empresa europeia desse tipo. Constituída nos Países Baixos, tem sede em Plan-les-Ouates, na Suíça. Fabrica componentes microeletrônicos, entre eles os microcontroladores STM8 e STM32, amplamente utilizados.

A ST foi criada em 1987 pela fusão de duas empresas estatais de semicondutores, a italiana SGS Microelettronica e a francesa Thomson Semiconducteurs, com a intenção de formar uma empresa capaz de competir com fabricantes internacionais. Desde os primeiros anos, a direção buscou nichos pouco atendidos no mercado mundial, como microcontroladores, circuitos integrados de aplicação específica (ASICs) e chips analógicos, e adotou a integração vertical da fabricação. Outra parte da estratégia foi firmar parcerias com empresas como Nokia e Seagate Technology. A ST chegou a participar de 31 alianças estratégicas em seus primeiros 14 anos. Em 1994, abriu seu capital nas bolsas de Paris e Nova Iorque. Quatro anos depois, passou a ser negociada também na Borsa Italiana, ocasião em que a Thomson vendeu sua participação. Aquisições feitas na década de 1990 ampliaram as operações da ST, que em 2001 era a terceira maior fabricante de chips do mundo em vendas.

O crescimento perdeu ritmo na década de 2000. Nesse período foram criadas parcerias como a Numonyx, uma empresa conjunta de memórias formada pela Intel e pela ST, a Crolles 2 Alliance, que reuniu Motorola, TSMC, Philips e a ST, e a ST-Ericsson, formada a partir da ST-NXP Wireless e da Ericsson Mobile Platforms. A partir de 2015, a empresa tornou-se fornecedora da rede de comunicações por satélite Starlink, da SpaceX. Em 2023, trabalhou com a Synopsys no projeto de um chip funcional na plataforma de computação em nuvem da Microsoft, no primeiro uso de software de inteligência artificial para projetar um chip. Em 2025, lançou um novo chip para o setor de centros de dados de inteligência artificial, desenvolvido com a Amazon Web Services (AWS).

História

Antecedentes A ST foi formada em 1987 pela fusão de duas empresas estatais de semicondutores, a italiana SGS Microelettronica, cuja sigla SGS vinha de Società Generale Semiconduttori, "Companhia Geral de Semicondutores", e a francesa Thomson Semiconducteurs, divisão de semicondutores da Thomson.

A SGS Microelettronica surgiu em 1972 da fusão da ATES, fabricante de válvulas termiônicas e semicondutores sediada em L'Aquila, com a Società Generale Semiconduttori, especializada em semicondutores e sediada em Agrate Brianza. Em meados da década de 1980, a SGS enfrentava forte pressão de concorrentes norte-americanas maiores, entre elas a Texas Instruments e a Motorola.

A Thomson Semiconducteurs foi criada em 1982 após a ampla nacionalização de setores da economia promovida pelo governo francês depois da eleição de François Mitterrand à presidência. Reunia as atividades de semicondutores da Thomson, a norte-americana Mostek, comprada da United Technologies em 1985, a Silec, criada em 1977, a Eurotechnique, criada em 1979 como empresa conjunta da francesa Saint-Gobain com a norte-americana National Semiconductor, a EFCIS, anteriormente parte do CEA-Leti, e a SESCOSEM, fundada em 1969. A Thomson Semiconducteurs tinha prejuízos e uma estrutura burocrática, mas realizava pesquisas avançadas em novas tecnologias de chips.

A fusão transfronteiriça que originou a ST teve motivações políticas e econômicas. Políticos franceses e italianos pretendiam criar, com a SGS-Thomson Microelectronics e sua sede em Genebra, uma empresa europeia capaz de enfrentar o domínio norte-americano do setor e reduzir a dependência europeia de tecnologia importada. SGS e Thomson já cooperavam em algumas áreas, entre elas uma aliança para desenvolver e produzir memória não volátil. A nova empresa recebeu o nome SGS-THOMSON e passou a ser dirigida por Pasquale Pistorio.

Primeiras atividades Pouco depois de sua criação, a SGS-Thomson era a 14.ª maior fornecedora mundial de semicondutores, com vendas de US$ 850 milhões. Em vez de disputar diretamente os mesmos mercados das maiores concorrentes, a ST concentrou seus primeiros esforços em nichos com alto potencial de crescimento, entre eles sensores, microcontroladores, eletrônica de potência e ASICs. Em 1989, produziu para a finlandesa Nokia um chip que reunia funções de alimentação e gerenciamento de energia e melhorava o desempenho de seus telefones celulares. Muitas fabricantes norte-americanas e japonesas haviam abandonado os chips analógicos em favor dos digitais durante a década de 1980. A ST manteve sua capacidade analógica, necessária para gerenciamento de energia, transmissão por radiofrequência, som e gráficos. Essa capacidade passou a ser procurada em grandes volumes na década seguinte, com a expansão dos telefones celulares, computadores com comunicação sem fio e aparelhos de consumo, como reprodutores de DVD.

A ST firmou cedo alianças com as francesas Thomson Multimedia e Alcatel, nos setores de eletrônica de consumo e telecomunicações. A direção via as maiores oportunidades de crescimento fora do mercado europeu e conseguiu estabelecer sua primeira grande aliança internacional com a Seagate Technology, então a maior fabricante mundial de discos rígidos. A ST desenvolveu chips personalizados que permitiram à Seagate produzir unidades menores, mais baratas e de menor consumo de energia. A Seagate tornou-se uma das maiores clientes da empresa. A ST costumava aprofundar suas relações comerciais de forma gradual. Em cerca de dez anos, a Nokia passou de cliente comum a fornecedora preferencial e, depois, parceira.

Durante a década de 1990, a ST adotou a integração vertical, realizando internamente o projeto, a fabricação e os testes de seus semicondutores. Muitas empresas europeias de eletrônica, em sentido diferente, reduziam sua produção própria ou recorriam à terceirização. A ST teve crescimento anual de dois dígitos no início da década.

Em 8 de dezembro de 1994, a empresa concluiu sua oferta pública inicial nas bolsas de Paris e Nova Iorque. A Thomson vendeu sua participação em 1998, quando a empresa também passou a ser negociada na Borsa Italiana, em Milão. A partir daí adotou o nome STMicroelectronics.

miniatura|Periférico 4 programável em campo para microcontroladores PSD311, da Wafer Scale Integration

A ST participou ativamente da consolidação do setor de semicondutores. Entre 1989 e 2000, adquiriu outras empresas. Em 1989, comprou da Thorn EMI a britânica Inmos, fabricante dos microprocessadores Transputer. Em 1999, adquiriu a empresa britânica de pesquisa e desenvolvimento VLSI-Vision CMOS Image Sensor, que havia surgido como uma empresa derivada da Universidade de Edimburgo. Após a compra, a empresa tornou-se a Divisão de Imagem da STMicroelectronics. Em 2000, a ST comprou as atividades de semicondutores da canadense Nortel. No mesmo ano, comprou a WaferScale Integration Inc. (WSI), de Fremont (Califórnia), fornecedora de chips de sistemas programáveis baseados em EPROM e memória flash.

Década de 2000 Em 2001, a ST era a terceira maior fabricante de chips do mundo em vendas, atrás da Intel e da Toshiba, e tinha operações em 27 países. Com 31 alianças estratégicas, a empresa registrara uma taxa composta média de crescimento da receita de 20,3% entre 1998 e 2001. Sua organização era descentralizada, com pouca estrutura administrativa e menos níveis hierárquicos, deixando muitas decisões nas mãos de gestores próximos às operações. A base de clientes reunia fabricantes de eletrônicos de consumo, equipamentos de telecomunicações, periféricos de computador, automóveis e produtos de segurança.

Em 2002, Motorola e TSMC juntaram-se à ST e à Philips em uma nova parceria tecnológica. A Crolles 2 Alliance recebeu o nome de uma nova fábrica de wafers de 300 mm em Crolles, na França. Também em 2002, a ST adquiriu a divisão de microeletrônica da Alcatel e empresas menores, entre elas a britânica Synad Ltd. As compras ampliaram sua presença no mercado de redes locais sem fio. Em 2007, comprou a norte-americana Genesis Microchip, especializada em processamento de vídeo.

Em 2005, Pasquale Pistorio deixou o cargo de diretor-executivo e foi sucedido por Carlo Bozotti, que havia chefiado a divisão de produtos de memória e trabalhava para uma das antecessoras da ST desde 1977. No mesmo ano, a ST ocupava o quinto lugar entre as fabricantes de semicondutores, atrás de Intel, Samsung, Texas Instruments e Toshiba, e à frente de Infineon Technologies, Renesas, NEC, NXP Semiconductors e Freescale Semiconductor. Era a maior fornecedora europeia de semicondutores, à frente de Infineon e NXP.

No início de 2007, NXP Semiconductors, anteriormente Philips Semiconductors, e Freescale, anteriormente Motorola Semiconductors, decidiram deixar a Crolles 2 Alliance. A aliança encerrou suas atividades em 31 de dezembro de 2007. Em 22 de maio de 2007, ST e Intel criaram a empresa conjunta Numonyx na área de memórias, reunindo suas atividades de memória flash. A consolidação do setor prosseguiu em 10 de abril de 2008, quando ST e NXP anunciaram uma empresa conjunta para suas atividades de telefonia móvel, com 80% do capital pertencente à ST e 20% à NXP. A empresa começou a operar em 20 de agosto de 2008. Em 10 de fevereiro de 2009, foi criada a ST-Ericsson, reunindo a ST-NXP Wireless e a Ericsson Mobile Platforms.

Década de 2010 Nos primeiros anos da década de 2010, a ST-Ericsson, empresa conjunta controlada em partes iguais pela STMicroelectronics e pela Ericsson, fabricava produtos sem fio e semicondutores para fabricantes de dispositivos móveis. Sediada em Genebra, não possuía fábricas próprias e terceirizava a produção de semicondutores para fundições especializadas. Em março de 2013, foi anunciado o encerramento da ST-Ericsson. A ST assumiu todos os produtos da empresa, exceto o modem multimodo LTE, transferido para a Ericsson.

miniatura|ST90E40ZL1, microcontrolador HCMOS com 16 kbytes de EPROM, 512 bytes de EEPROM, 256 bytes de RAM e conversor A/D em encapsulamento cerâmico QFP de 68 terminais com janela

Em 2011, a ST anunciou a criação de um laboratório conjunto com a Escola Superior Sant'Anna para pesquisas em biorrobótica, sistemas inteligentes e microeletrônica. Colaborações anteriores com a escola incluíram o DustBot, uma plataforma de robôs de serviço autônomos voltada à coleta de resíduos.

Em 2012, a ST tinha o terceiro maior orçamento de pesquisa e desenvolvimento da indústria mundial de semicondutores, atrás apenas da Intel e da Samsung. Três anos depois, a divisão de MEMS da empresa era a maior concorrente europeia da Silex Microsystems.

A partir de 2015, ST e SpaceX passaram a trabalhar juntas no projeto de componentes personalizados para comunicações por satélite. Produtos da Starlink foram projetados em conjunto com engenheiros da ST na França e na Itália, fabricados em unidades francesas e depois encapsulados e testados na Malásia e em Malta. Entre outros componentes, a ST fabrica peças usadas nos terminais de usuário da Starlink.

Em 2018, Carlo Bozotti deixou o cargo de diretor-executivo e foi sucedido por Jean-Marc Chery.

Década de 2020 Em 2023, a ST trabalhou com a Synopsys para projetar um chip funcional na plataforma de computação em nuvem da Microsoft, no primeiro uso de software de inteligência artificial para projetar um chip.

Em 2024, a ST tornou-se a sexta acionista da Quintauris, empresa conjunta criada para padronizar o ecossistema RISC-V.