A Baía do Porto Pim é uma baía localizada no concelho da Horta, ilha do Faial, Açores. Integra o Parque Natural do Faial.

Situada junto ao centro urbano da Horta e delimitada a sul pelo Monte da Guia, a baía alberga uma praia e um conjunto de estruturas de valor histórico e patrimonial, entre as quais o Forte de São Sebastião da Horta, o Forte de Porto Pim, a Torre de Vigia do Porto Pim, o Portão do Mar de Porto-Pim e a Antiga Fábrica da Baleia do Porto Pim.

Nas últimas décadas, a baía tem sido objeto de intervenções de requalificação e de reforço da proteção costeira, motivadas em parte pelos danos causados pela passagem do furacão Lorenzo, em 2019.

História miniaturadaimagem|220x220px|Antiga Fábrica da Baleia do Porto Pim, em 2011

Povoamento e baleação No século XV, foi nesta baía que desembarcaram os primeiros povoadores da ilha do Faial.

Em 1939 foi constituída a SIMAL – Sociedade Industrial Marítima Açoriana, Lda., com o objeto de explorar o aproveitamento integral da baleia e de outras espécies marinhas, bem como o comércio dos respetivos subprodutos. A construção da fábrica no Monte da Guia teve início em 1941, tendo a laboração experimental começado em 1942. A unidade funcionou cerca de trinta anos, até 1974, tendo processado 1940 cachalotes, dos quais resultaram aproximadamente 44 000 barris de óleo. miniaturadaimagem|220x220px|O interior do museu, em 2019 O conjunto foi adquirido pelo Governo Regional dos Açores em 1980 e classificado como imóvel de interesse público em 1984. Após obras de recuperação, reabriu em 2000 como Centro do Mar e, desde 2004, acolhe o Observatório do Mar dos Açores. Em 2010 passou a integrar o Complexo do Monte da Guia do Parque Natural do Faial. O antigo complexo industrial, hoje musealizado, conserva a maquinaria original e recebe cerca de 12 000 visitantes por ano. miniaturadaimagem|220x220px|A Casa dos Dabney, em 2016 Em dezembro de 2025 foi ali instalado um novo espaço interpretativo dedicado ao património cultural e natural subaquático da Região, iniciativa do Observatório do Mar dos Açores destinada a reforçar a literacia do oceano e a promover modelos de turismo sustentável assentes no conhecimento do meio marinho.

Junto à antiga fábrica da baleia situa-se a Casa dos Dabney, adquirida em 1854 por Charles Dabney, membro da família norte-americana que exerceu funções consulares na Horta e cuja presença marcou a vida da ilha no século XIX.

Naufrágios A nau Nossa Senhora da Luz, que partira de Goa em fevereiro de 1615, afundou-se a 7 de novembro do mesmo ano nas imediações do Porto Pim, dando à costa destroços nos dias seguintes; estima-se que mais de 150 pessoas tenham perdido a vida no sinistro. A Coroa portuguesa organizou uma operação de salvamento da carga. miniaturadaimagem|220x220px|A praia de Porto Pim, em 2010 Em agosto de 2022, identificou-se na areia parte do casco de uma embarcação até então desconhecida, apontada como exemplar de um tipo de navio característico da época moderna. A missão foi coordenada pelo Observatório do Mar dos Açores e pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, com apoio da Escola do Mar dos Açores e da Direção Regional da Cultura, no âmbito do projeto CONCHA, financiado pela Comissão Europeia e dedicado às cidades portuárias atlânticas da época moderna.

A mesma campanha incluiu a prospeção arqueológica do vapor inglês Main, igualmente afundado na baía do Porto Pim, em 1892.

Geografia miniaturadaimagem|220x220px|O Monte da Guia, ligado à restante ilha do Faial por um istmo, em 2010 A baía localiza-se na costa sudeste da ilha do Faial, na freguesia das Angústias, próxima da cidade da Horta.

Encontra-se abrigada da ondulação e é dominada, no seu extremo meridional, pelo Monte da Guia, antigo aparelho vulcânico ligado ao restante da ilha por um istmo de areia.

Na baía situa-se uma das maiores praias de areia da ilha do Faial, bem como o Forte de Porto Pim e a Torre de Vigia do Porto Pim. Ao longo da orla localizam-se ainda o Forte de São Sebastião e o Portão do Mar de Porto-Pim, que balizam o trecho da muralha marginal sujeito a intervenções de proteção costeira. miniaturadaimagem|220x220px|O Portão do Mar de Porto Pim, em 2010 Em março de 2019, o deputado do PCP João Paulo Corvelo apresentou no parlamento regional um requerimento sobre as derrocadas ocorridas na via pedonal e viária que circunda o Monte Queimado, alertando para a insuficiência das medidas adotadas na estrada de acesso ao Monte da Guia, ao Aquário e à Fábrica da Baleia de Porto Pim, onde havia sido cortada uma das faixas de rodagem.

Toponímia O topónimo figura na cartografia portuguesa pelo menos desde meados do século XVI.

A origem do elemento «Pim» não se encontra documentada. O linguista José Pedro Machado aventou a hipótese de o mesmo estar relacionado com o apelido inglês «Pym», que ocorre também nas variantes «Pymm», «Pim» e «Pimm». O apelido inglês, admite-se que possa derivar do nome feminino «Euphemia», sendo, no entanto, mais aceite uma origem masculina a partir do inglês antigo «Pymma».

Zona balnear miniaturadaimagem|220x220px|Vista aérea da praia, em 2010 A praia do Porto Pim situa-se junto ao centro da cidade da Horta, na baía com o mesmo nome.

A zona balnear dispõe de balneários e é vigiada durante a época balnear e foi distinguida com a Bandeira Azul.

A gestão da zona balnear, contígua à Paisagem Protegida do Monte da Guia, cabe à Secretaria Regional do Ambiente.

Em 2024, na sequência do alerta de um popular, a Polícia Marítima retirou da água, na baía, uma mulher de 46 anos, residente na ilha do Faial, que viria a ser declarada morta no hospital; a investigação das circunstâncias da morte foi entregue à Polícia Judiciária.

Aquário de Porto Pim miniaturadaimagem|220x220px|O aquário (ao fundo), em 2010 Na baía funciona o Aquário de Porto Pim – Estação de Peixes Vivos, que dá a conhecer a biodiversidade marinha do arquipélago e integra a rede de centros ambientais da Região.

Em 2015, foi noticiado o tratamento de uma tartaruga-comum (Caretta caretta) recolhida com várias lesões, num processo que envolveu o Parque Natural do Faial, o Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores e a empresa Flying Sharks.

Em 2019, o aquário encerrou, na sequência dos danos provocados pelo furacão Lorenzo, tendo a sua recuperação sido integrada nas obras posteriormente realizadas na baía.

Em agosto de 2026, o aquário reabriu ao público na sequência da requalificação do complexo, que representou um investimento de cerca de 800 mil euros e abrangeu a reparação estrutural do edifício, a substituição de coberturas e pavimentos, a recuperação de paredes e de equipamentos eletromecânicos e a reconstrução do paredão de defesa costeira.

Conservação e ambiente miniaturadaimagem|220x220px|Vista aérea sobre a praia e a baía, em 2011 A baía integra o Parque Natural do Faial.

Qualidade da água Em julho de 2019, a prática balnear foi interditada, em articulação com a Direção Regional dos Assuntos do Mar, após a deteção de contaminação bacteriológica na areia. As amostras foram recolhidas pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge. A monitorização da qualidade da água passou a ser semanal, tendo as entidades regionais e municipais procurado identificar a origem da contaminação.

Em agosto de 2023, a deteção de uma mancha de poluição junto à Antiga Fábrica da Baleia do Porto Pim levou à interdição parcial da praia até à realização de análises. A Secretaria Regional do Ambiente admitiu as hipóteses de contaminação por bactérias fecais ou de precipitação de proteínas associada à acumulação de fitoplâncton. A Capitania do Porto da Horta e o delegado de saúde levantaram as restrições, depois de as análises da Secretaria Regional do Ambiente não terem confirmado a presença de bactérias acima dos limites legais. Segundo a RTP Açores, foram então repostas as bandeiras verde e azul, mantendo-se interditada uma pequena zona junto à Antiga Fábrica da Baleia do Porto Pim. Na sequência deste episódio, o Governo Regional anunciou uma obra de recuperação incidindo sobre cinco áreas distintas, que incluía a reparação das fossas sépticas dos balneários e do bar da praia e a recuperação do aquário, com conclusão prevista para o primeiro trimestre de 2024.

Em julho de 2026, a praia foi interditada a banhos, por decisão do delegado de saúde da Horta e da Direção Regional das Políticas Marítimas, após a deteção de uma bactéria nas análises efetuadas à água. A interdição foi levantada a 27 do mesmo mês, depois de novas análises terem apresentado valores dentro dos parâmetros normais, sem que a origem da contaminação tenha sido identificada. No mês seguinte, a praia foi de novo interditada, por decisão da delegada de saúde, após análises terem detetado valores bacteriológicos acima do limite legal, tratando-se da segunda interdição pelo mesmo motivo no espaço de um mês.

Poluição marinha e ações de limpeza Em abril de 2017, o Observatório do Mar dos Açores e dois movimentos de cidadãos, a Brigada do Mar e o No More Plastics for the Azores, promoveram uma ação de limpeza da praia do Porto Pim, com recolha e triagem de resíduos por voluntários.

Em setembro de 2020, a baía foi uma das três zonas de intervenção de uma ação de limpeza costeira e subaquática realizada na ilha do Faial. A iniciativa mobilizou 105 voluntários e permitiu recolher cerca de 1600 quilogramas de resíduos, tendo sido coordenada no âmbito do projeto Life IP Azores Natura, com o apoio da Capitania do Porto da Horta e da Estação Salva-vidas da Horta.

Em dezembro de 2025, foram divulgados resultados de um estudo sobre a incidência de microplásticos em 19 ilhas da Macaronésia, segundo o qual mais de 80% da poluição detetada nas águas dos Açores tem origem externa. A praia do Porto Pim foi apontada como um dos pontos críticos identificados.

Em setembro de 2026, foram divulgados os resultados de um estudo da Universidade dos Açores sobre resíduos da pesca de lagosta arrojados nas praias do Faial e do Pico. Entre 2017 e 2025 foram recolhidos mais de 1500 objetos, provenientes dos Estados Unidos e do Canadá, a mais de 3000 quilómetros de distância. A praia do Porto Pim contou-se entre os locais de recolha.

Algas invasoras miniaturadaimagem|220x220px|A praia coberta com algas, em 2020 A alga invasora Rugulopteryx okamurae, originária do Pacífico asiático, foi detetada nos Açores em 2019, junto ao porto de Ponta Delgada, admitindo-se que tenha sido introduzida por cascos de navios ou águas de lastro. Em julho de 2021 foi identificada na praia do Porto Pim, tendo a zona balnear perdido a Bandeira Azul. Ainda em 2021, a acumulação de algas no areal motivou requerimentos parlamentares que questionaram o Governo Regional sobre as causas do arrojamento, a suficiência dos meios disponíveis e a existência de um plano de monitorização.

Os arrojamentos tornaram-se recorrentes, obrigando a operações regulares de limpeza do areal. Em maio de 2022, após uma dessas operações de remoção, realizada em articulação com a Câmara Municipal da Horta, o Governo Regional anunciou a intenção de protocolar com a Universidade dos Açores um estudo destinado a confirmar geneticamente a espécie, compreender o seu ciclo de vida e avaliar o potencial de valorização económica da biomassa.

Em março de 2023, a Secretaria Regional do Ambiente investiu 200 mil euros na aquisição de maquinaria adequada à limpeza do areal, entregue à gestão do Parque Natural do Faial. Em maio desse ano, o Serviço de Ambiente e Alterações Climáticas do Faial estimava terem sido já removidas da baía cerca de 10 000 toneladas de algas desde o início desse ano.

Em abril de 2026, teve início na baía do Porto Pim um projeto-piloto promovido pela Direção Regional das Políticas Marítimas e pela Direção Regional do Ambiente, em parceria com uma empresa especializada, para testar barreiras flutuantes de contenção.