Noites do sertão é um livro de João Guimarães Rosa composto de duas novelas: Dão-Lalalão (o Devente) e Buriti, que têm em comum a sensualidade se sobrepondo a convenções e preconceitos e dominando totalmente o homem e a mulher. É o terceiro dos volumes em que foram divididas as histórias originalmente publicadas em Corpo de Baile. Estas edições menores saíram em 1965, pela Livraria José Olympio Editora.
O livro ganhou o Prêmio Jabuti de Produção Gráfica (menção honrosa) em 2002.Noites do Sertão Livraria da Folha - acessado em 22 de maio de 2016
Dão-Lalalão (o Devente) O protagonista de Dão-Lalalão é Soropita, que passa maior parte da trama em seus devaneios que pouco a pouco invadem a narrativa.Cristina Vianna Kuntz, M. (2008). Os desvaneios de soropita em dão-lalalão: Uma abordagem psicanalítica. Revista Da Anpoll, 2(24). https://doi.org/10.18309/anp.v2i24.41 Durante uma de suas incursões noturnas à cidade, se apaixona pela prostituta Doralda, vivendo um amor marcado pela clandestinidade e pelo conflito entre a vida "de dentro" da fazenda e as tentações "de fora".
A novela, segundo Northrop Frye, tem influência bíblica, quando mostra a relação de um ex-jagunço e de uma ex-"militriz", lembrando o amor arquetípico de Salomão e da Sulamita, o "Amado" e a "Amada" do "Cântico dos cânticos" bíblico.MENESES, Adélia Bezerra de. “Dãolalalão” de Guimarães Rosa ou o “Cântico dos cânticos” do sertão: um sino e seu badaladal. Estudos Avançados, São Paulo, v. 22, n. 64, p. 255-272, 2008. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ea/a/bMmfHcqmsgRfMC4p6m4ZyYx/ . Acesso em: 31 jan. 2026. Contem também paráfrases do Apocalipse e algumas referências a Afrodite Pandêmia, deusa do amor no panteão grego.
Buriti Buriti é a mais extensa das sete novelas de Corpo de Baile. Narra o retorno de Miguel (personagem que reaparece de Campo Geral) à fazenda Buriti Bom, onde havia trabalhado anos antes. A propriedade pertence a iô Liodoro, homem rico, autoritário e machista, pai de Maria da Glória e sogro de Lalinha, uma jovem de origem urbana que se sente prisioneira do sertão.
A narrativa se desenvolve em duas partes desiguais: a primeira acompanha a chegada de Miguel e suas lembranças da viagem anterior; a segunda, mais extensa, cobre o intervalo entre duas visitas do protagonista, tendo Lalinha como ponto de vista dos acontecimentos que agitam a calmaria da fazenda.
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