Who's Nailin' Paylin? é um filme pornográfico satírico lançado em 4 de novembro de 2008 nos Estados Unidos da América. Dirigido por Jerome Tanner e com roteiro de Roger Krypton, o filme satiriza a então candidata a vice-presidente dos Estados Unidos da América, Sarah Palin, por meio da personagem "Serra Paylin" interpretada por Lisa Ann. Completam o elenco as atrizes Holly West, Nina Hartley e Jada Fire — as duas últimas interpretando paródias de Hillary Clinton e Condoleezza Rice, respectivamente. No cast masculino, constam os atores Alec Knight, Evan Stone.

Produzido pela Hustler Video, a produção foi rodada em dois dias e inclui cinco cenas de sexo, cobrindo os dias de Paylin como universitária, sua vida no Alasca e sua participação na eleição presidencial de 2008, além de satirizar o comentarista político Bill O'Reilly. Após seu lançamento, foram produzidas cinco diferentes sequências: Obama is Nailin' Palin, Letterman's Nailin' Palin, You're Nailin' Palin, Hollywood's Nailin' Palin e Who's Nailin' Palin? 2. A primeira foi anunciada pela Hustler em 31 de outubro de 2008, antes mesmo do lançamento do primeiro filme, e incluiu Barack Obama no rol de parodiados. Além de Obama, a segunda sequência parodiou ainda o apresentador David Letterman e o político Mark Sanford. A terceira retratou apenas uma paródia de Palin e da ex-Miss California USA, Carrie Prejean.

Filmagens Durante a Convenção Nacional Republicana de 2008, Palin foi anunciada como candidata do partido à vice-presidência, fato que motivou um anúncio anônimo por parte de produtores da Larry Flynt Publications, buscando sósias da candidata para atuar num filme pornográfico que seria rodado ainda naquele mês de setembro ou no início do seguinte. Pagavam-se US$3.000,00 pelo trabalho, valor visto como "chocante" pela colunista Violet Blue para papel sem cenas de sexo anal.

A atriz Lisa Ann foi convidada para protagonizar o filme em 2 de outubro — no mesmo dia em que foi realizado o debate entre os candidatos a vice-presidente — e, após aceitá-lo, teve apenas quatro dias para se preparar. Para incorporar a personagem, Ann estudou os tiques e maneirismos de Palin em sua participação no debate, assim como as paródias feitas pela comediante Tina Fey no humorístico Saturday Night Live. A caracterização foi completada com a compra de roupas semelhantes às usadas por Palin, escolhidas após Ann consultar amigos próximos e adquiridas pelo site de vendas da rede de lojas de departamentos Macy's, alteradas pela própria atriz para se adequarem aos propósitos do filme. As filmagens tiveram início em 11 de outubro de 2010, e duraram dois dias.

Enredo

thumb|180px|esquerda|Serra Paylin, durante a polêmica cena de abertura do filme O filme tem início na sala de estar de Serra Paylin, no momento em que dois soldados russos batem à porta, pedindo para usar o telefone. Os russos, impressionados com Paylin, iniciam uma rápida conversa, com flertes e uma piada que faz com que ingressem numa cena de sexo a três.Krypton, 2008, p. 1-3.

Um interlúdio faz referência à primeira cena, mostrando um exemplar de um jornal que, em sua manchete, anuncia: "Paylin apoia a penetração russa!" e, no interior do estúdio de gravação da emissora Faux News, o apresentador Bill Orally tece elogios à "política externa" de Paylin, criticando o que ele caracteriza como "a esquerda hipócrita".Krypton, 2008, p. 3. Após esses comentários, começa a segunda cena, em um hotel em Washington: uma estagiária está tentando ensinar Paylin a substituir a expressão "You betcha" por "Absolutely", mas, ao ver que tais esforços se mostram improdutivos, desiste das lições de gramática e passa a lhe dar lições de História dos Estados Unidos. Quando estas também falham, Serra se retira da sala. Assim que ela sai, a estagiária comenta consigo mesma: "Que cabeça de vento". Neste momento, o marido de Serra sai debaixo da cama, onde estava escondido, declarando à estagiária: "Tente viver com ela". A estagiária começa a ser despida pelo marido de Paylin, que lhe sugere incorporar certos trejeitos de Paylin, como os óculos e o sotaque. Em seguida, a estagiária tem com ele a segunda cena de sexo do filme, uma cena de sexo anal que faz referência à política externa de Paylin.Krypton, 2008, p. 7.

Tanto a terceira como a quarta cenas começam no quarto de Paylin, que se acha dormindo, passando-se assim num universo onírico. No início da terceira cena, Serra está em seu quarto, pensando nos próximos dias da campanha presidencial, quando adormece. Nesse primeiro sonho, seduz um sócio de seu marido; A cena se encerra com os dois fazendo sexo, e, após terminar, Paylin continua a ser mostrada dormindo e se remexendo durante o sono,Krypton, 2008, p. 8. quando outro sonho é, então, encenado: Serra — aqui interpretada por Sindee Jennings — está cursando sua faculdade na "The International University of I-DA-HO" em 1987, e, durante uma aula, participa ativamente de uma discussão sobre pseudociência, em que argumenta que a Terra teria somente 10 000 anos de idade, e que os fósseis seriam um truque elaborado por Satã para ludibriar a humanidade.Krypton, 2008, p. 9-11. Após a aula, Serra pergunta ao professor se ele poderia recomendar-lhe algum ritual capaz de protegê-la de bruxarias, ao que ele lhe assegura que um cunilíngua lhe daria toda a proteção de que pudesse precisar.Krypton, 2008, p. 11

A quinta e última cena começa com um monólogo de Bill Orally a Faux News, que anuncia uma entrevista coletiva de imprensa convocada por Paylin para defender-se de acusações de adultério. Sem responder, em momento algum, diretamente às questões feitas, Serra discursa defendendo-se das acusações com respostas evasivas.Krypton, 2008, p. 11-14. Após a imprensa retirar-se da sala, um ménage à trois lésbico tem início, com Serra e as personagens Hilly e Condi.Krypton, 2008, p. 14.

Elenco thumb|140px|Lisa Ann caracterizada como Serra Paylin. Lisa Ann interpreta Serra Paylin, paródia de Sarah Palin. Ann interpretaria a personagem não apenas nas sequências do filme, mas também no videoclipe da canção "We Made You", do rapper Eminem, para o qual foi convidada por sugestão do diretor Joseph Kahn. Nina Hartley interpreta "Hilly", paródia de Hillary Clinton. Holly West interpreta uma estagiária da Casa Branca. Contracena com Alec Knight, na única cena de sexo anal do filme. Sua personagem não chega a ter nome no filme. Jada Fire interpreta "Condi", paródia de Condoleezza Rice, Secretária de Estado dos Estados Unidos durante a administração de George W. Bush. Jada já sentia uma forte admiração por Condoleezza Rice na vida real, e sua interpretação foi elogiada pela crítica. Sindee Jennings interpreta Serra Paylin numa sequência de flashback, quando Paylin era estudante universitária. Sua única cena do filme é com o ator Evan Stone. Alec Knight interpreta Todd, o "Sr. Serra Paylin". Marido de Paylin, figura em apenas uma das cenas do filme, sem contracenar com Lisa Ann, e sim com Holly West. Evan Stone interpreta o professor de Paylin na Universidade de I-DA-HO Mike Horner interpreta Bill Orally, um funcionário da Faux News. Orally é uma referência ao apresentador Bill O'Reilly e emissora fictícia em que ele trabalha, a Fox News.

Completam o elenco os atores Lee Stone, Sachsa e Mick Blue.

Repercussão thumb|150px|esquerda|Lisa Ann, caracterizada, durante a AVN Adult Expo Com o lançamento do filme, sua protagonista, Lisa Ann, passou a receber farta atenção da mídia. Numa entrevista à revista Marie Claire, Ann chegou a comentar que ter sido entrevistada tanto pela revista quanto por programas de rádio e televisão, como o Entertainment Tonight, demonstrava o impacto do filme, que recebeu a atenção de um público muito maior do que um filme pornográfico costuma atingir.

Quanto às reações do público, Ann comentou que seus fãs mostraram considerável apoio ao filme, e o viam como "engraçado" e "astuto", mas que havia também a possibilidade de algum "ativista louco de direita" mostrar-se ofendido com o filme e tentar queimar sua casa, o que, contudo, era uma consequência do trabalho e de se colocar à frente dos holofotes. Em novembro de 2009, a Hustler Video anunciou que o filme havia-se tornado o mais vendido de sua história.

Em 13 de outubro de 2008, o programa America's Newsroom, exibido pela Fox News, analisou a legalidade do filme, considerando a Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos e processos anteriores contra a Larry Flynt e contra a Hustler Video, sua produtora. O entendimento dos tribunais era de que celebridades não poderiam processar Flynt ou a Hustler por estarem sendo alvo de paródias, por serem as obras reflexo do direito de se expressar livremente, constitucionalmente protegido. A apresentadora, Megyn Kelly, chegou a chamar o filme de "nojento e sujo", afirmando que o povo americano não iria querer assisti-lo. O advogado consultado pela emissora afirmou que, salvo se caracterizado um ataque político, Palin não poderia processar a produtora.

Em 1º de novembro do mesmo ano, a dupla de comediantes canadenses Masked Avengers realizou um trote com Palin: fingindo ser o presidente francês Nicolas Sarkozy, um dos comediantes foi capaz de ligar para a linha telefônica pessoal de Palin, e com ela manter uma conversa na qual chegaram a discutir caça esportiva e política internacional. Num dado momento, o falso Sarkozy comentou ter visto "o documentário sobre sua vida, Nailin' Paylin da Hustler", com Palin agradecendo o gesto.

Análise da crítica

John Patterson, do jornal The Guardian, escreveu uma crítica negativa ao roteiro do filme, dizendo que seu "valor literário" era quase nulo, as piadas políticas, "infantis", e os diálogos, "ridículos", bem como questionando acerca da pesquisa do roteiro e seu subtexto político: "quem precisa de dever de casa quando se tem uma ereção?". William Bibbiani, do site Geekscape, apresentou visão completamente oposta, enaltecendo o subtexto do filme; para ele, cada uma das cenas pode ter interpretações políticas: a primeira cena, envolvendo a Rússia, parodiava a visão de relações exteriores que Palin tinha, mas foi prejudicada, na sua visão, pelo uso de "frases-feitas que mais pareciam ter sido tiradas de algum guia russo datado de 1975". A cena retratando "Paylin" durante a faculdade seria, então, competente crítica ao criacionismo, fazendo de suas teorias uma piada. Após analisar os vários possíveis subtextos do filme, encerrou sua crítica considerando o filme "uma adição interessante à cápsula do tempo de sátiras políticas do início do século 21, e um contraponto interessante a W de Oliver Stone e a That's My Bush!, de Trey Parker e Matt Stone, que procuraram humanizar figuras republicanas que tradicionalmente haviam sido demonizadas pela mídia" e que, embora o filme fosse mais direcionado àqueles ligados à política dos Estados Unidos, "espectadores casuais poderiam encontrar uma locação de valor".