thumb|350px|A Isáuria aparece à direita neste mapa de 1903 Isáuria () é o nome antigo de uma zona acidentada e isolada no sul da Ásia Menor cujas fronteiras variaram muito, mas geralmente cobrindo grande parte do que é hoje a parte sul da província de Cônia da Turquia, na parte norte dos Montes Tauro e terras adjacentes.

Etimologia e língua Deriva seu nome de uma contenciosa tribo isáuria (provavelmente os luvitas) e dos assentamentos gêmeos de Antiga Isáuria (; ) e Isáuria Nova (; ). Os isauros eram um povo montanhês ferozmente independente que provocaram o caos nos distritos vizinhos durante os períodos romano e macedônio.

O isauro é uma língua extinta que foi falada na Isáuria. Os nomes próprios dos isauros parecem ser derivados do luvita e por isso é provável que fosse uma língua indo-europeia. Há provas epigráficas do seu uso, nomeadamente inscrições funerárias, que vão até ao

Geografia e período pré-romano O núcleo permanente da Isáuria estava ao norte dos Montes Tauro, diretamente ao sul de Icônio (Cônia) e Listra. A Licônia tinha todas as planícies icônias, mas a Isáuria começava logo no sopé das montanhas. Suas duas cidades originais, Antiga Isáuria e Nova Isáuria, localizavam-se uma entre os montes (Doria) e outra na bacia (Zengibar Kalesi).

No , a Isáuria começou como terminaria, e tornou-se um distrito selvagem na região de Antiga Isáuria e na fonte do Calicádno (Calicadnus; atual Rio Göksu). Quando sua capital, Isáuria (a Isauria Vetus), uma cidade fortemente fortificada no sopé do monte Tauro, foi cercada por Pérdicas, o regente macedônico depois da morte de Alexandre, o Grande, os isauros preferiram incendiá-la a ter que se submeter.

Dominação romana

Quando os romanos se encontraram pela primeira vez com os isauros no início do , eles consideraram a Cilícia Trachea como parte da Isáuria, estendendo-a desta forma até o mar Mediterrâneo e esta ampliação do nome da região continuou a ser usada por mais dois séculos. Toda a bacia do Calicádno (Calicadnus) era considerada parte da Isáuria e as cidades no vale de seu ramo meridional formavam o que ficou conhecida como a "Decápolis Isáuria".

Os isauros foram parcialmente dominados pelos romanos. Durante a guerra da Cilícia e outros piratas contra Roma, eles tiveram um papel tão ativo que o procônsul Públio Servílio considerou necessário segui-los até seus redutos acidentados para conseguir submetê-los, uma façanha que lhe valeu o título de Isáurico ().

Os isauros foram posteriormente submetidos a Amintas, rei da Galácia, mas é evidente que eles continuaram a manter seus hábitos predatórios além de uma virtual independência. No , eles abrigaram o imperador rebelde Treboniano Galo.

No inicio do toda a Cilícia foi dividida por ordem de Diocleciano por motivos administrativos, da encosta norte do Tauro, e encontramos uma província chamada inicialmente de Isáuria-Licônia e, mais tarde, somente Isáuria, que se estendia até os limites da Galácia, mas que não passava do Tauro para o sul. A Pisídia, que até então estava unida à Isáuria, também foi separada e recebeu Icônio. Em compensação, a Isáuria recebeu a parte oriental da Panfília.

No a Isáuria ainda foi descrita por Amiano Marcelino como o flagelo das províncias vizinhas da Ásia Menor e relata uma grande campanha de raides entre 404 e 409, seguida de uma campanha para erradicá-los liderada pelo general Arbazácio, mas os isauros só seriam efetivamente subjugados no reinado de Justiniano I

Este povo relativamente obscuro, produziu dois imperadores bizantinos, Zenão, cujo nome nativo era Trascalisseu Rusumbladeota (Traskalisseus Rousoumbladeotes) e , que ascendeu ao trono de Constantinopla, em 717 e reinou até 741, fundando uma dinastia de três gerações. O império utilizou isauros como soldados, generais e, em certo momento, eles chegaram até mesmo a compor a guarda pessoal do imperador, os excubitores. Contudo, a população de Constantinopla sempre os considerou bárbaros e o imperador Anastácio I Dicoro teve que lutar uma longa guerra contra rebeldes isauros, a Guerra Isaura .

Apesar da resistência, a Isáuria foi conquistada em 1071 pelo Sultanato Seljúcida de Rum ("romanos" em turco, que é como eles chamavam os bizantinos). Quando ele ruiu, o território passou para o controle do Beilhique da Caramânia. Finalmente, a região foi conquistada em 1390 pelo emergente Emirado Otomano. A Isáuria foi uma das primeiras regiões assentadas pelos turcos na Anatólia e a população local, já bastante esparsa por causa das constantes guerras turco-bizantinas e pelos repetidos saques durante as Cruzadas, se converteu ao islamismoBescherelle: Dicionário Enciclopédico.

História posterior A Isáuria tem muitas ruínas de cidades e suas fortificações. As de Antiga Isáuria são notavelmente importantes graças ao seu excelente estado de conservação e por suas importantes fortificações e tumbas. As de Isáuria Nova desapareceram por completo, mas diversas inscrições e monólitos esculpidos nas casas de Dorla nos revelam sua posição. Foi esta última e não a primeira que Públio Servílio conquistou cortando o abastecimento de água. John Robert Sitlington Sterrett explorou o planalto em 1885, mas sua busca não foi exaustiva. O local foi identificado por William Mitchell Ramsay em 1901.

Ramsay descobriu ali mais de cinquenta inscrições em grego, a maioria da era cristã, bem como magníficos túmulos Ramsay, Studies in the History and Art of the Eastern Provinces of the Roman Empire (Aberdeen, 1906), 25-58 dos séculos III, IV e V. Epitáfios de três bispos foram encontrados, Teófilo, Sisamoas e Mamas, que viveram entre os anos 250 e 400. Três outros bispos também são conhecidos, Hilário (381), Calístrato (um pouco mais tarde) e Aécio (451).Lequien, "Oriens christ.", I, 1085, este último também ostentando o título de Isaurópolis, o nome de uma cidade que também figurava no "Synecdemus" de Hiérocles.ed. Parthey, 675, 12 Como nenhuma "Notitiae episcopatuum" menciona Isáuria ou Isaurópolis, Ramsay supõe que a diocese da Nova Isáuria teria se juntado com a de Leontopolis, um nome mais recente de Antiga Isáuria mencionada em todos os "Notitiae".

Sés episcopais As sés episcopais da província e que aparecem no Annuario Pontificio como sés titulares sãoAnnuario Pontificio 2013 (Libreria Editrice Vaticana 2013 ISBN 978-88-209-9070-1), "Sedi titolari", pp. 819-1013:

Adrasos (Meluos? Balabolu?)

Antioquia Parva Cardabunta Celenderis (Aydıncık, Mersin) Claudiópolis na Isáuria (Mut) Codaca Corópisso Dalisando na Isáuria (em Sinabiç) Diocesareia na Isáuria (cidade antiga de Olba) Domeciópolis Filadélfia Menor (na região de Cetis) Germanicópolis Heliosebasteia (Ayaş) Hierápolis na Isáuria Irenópolis na Isáuria Jotapa na Isáuria (Beysekci kalesi) Lamo Lauzado (Lavdhâ) Meloë na Isáuria (Agaliman, Melstepe?) Musbanda Neápolis na Isáuria (ruínas de Kannedeli Fol?) Néfelis (ruínas de Sebast-Güsle? Sevasti-Yayla?)