Esse artigo oferece uma análise sobre a situação das religiões e sua relação com o governo na Alemanha Nazista. O censo alemão de maio de 1939 indica que 54% dos alemães se consideravam Protestantes, 40% se consideravam Católicos, 3,5% afirmando serem Neopagãos (praticantes das religiões tradicionais europeias, ou de derivações das mesmas), e 1,5% de Ateus. Esse censo foi gerado após mais de seis anos desde a ascensão de HitlerJohnson, Eric (2000). Nazi terror: the Gestapo, Jews, and ordinary Germans. New York: Basic Books, p. 10. (ver: Ascensão de Hitler ao poder).
Religiões organizadas na Alemanha 1933-1945
+ Kirchenaustritte 1932-1944Em milhares arrendondado para baixo. Número aproximado de Católicos e Protestantes que deixaram a igreja. Fonte: Granzow et al. 2006: 40, 207 Ano Cato. Protest. Total 1932 52 000 225 000 277 000 1933 34 000 57 000 91 000 1934 27 000 29 000 56 000 1935 34 000 53 000 87 000 1936 46 000 98 000 144 000 1937 104 000 338 000 442 000 1938 97 000 343 000 430 000 1939 95 000 395 000 480 000 1940 52 000 160 000 212 000 1941 52 000 195 000 247 000 1942 37 000 105 000 142 000 1943 12 000 35 000 49 000 1944 6 000 17 000 23 000
A religião Cristã na Alemanha, desde a Reforma Protestante, está dividida entre Católicos e Protestantes. De forma peculiar, a Reforma na Alemanha deu origem às Landeskirchen (igrejas locais), uma organização utilizada pelas denominações protestantes. A palavra alemã para denominação é konfession, porém a tradução dessa palavra pode ser enganosa, já que pode sugerir que o contexto religioso na Alemanha pode ser descrito pela parábola do mercado religioso, o que não é o caso.Steigmann-Gall, Richard (2003). The Holy Reich. Cambridge: Cambridge University Press, p. XV.Na Alemanha, "A religião permanece um assunto de estado". Para as grandes igrejas, Católica e Evangélica, o governo coleta as taxas da igreja, que então é entregue as próprias igrejas. Por esse motivo, a associação dos cidadãos nas igrejas Católica e Protestante (Evangélica) é registrada oficialmente pelo governo. É importante manter esse aspecto em mente quando se discute questões como a crença religiosa de Adolf Hitler ou Joseph Goebbels. Os dois deixaram de participar congregações Católicas ou ir a confissões muito antes de 1933, porém, nenhum dos dois deixou oficialmente a igreja, ou recusou efetuar o pagamento de taxas para a mesma. Por esse motivo, o historiador Richard Steigmann-Gall diz que: "a quantidade de membros nas igrejas não é uma fonte confiável para se utilizar como análise nesse contexto" Steigmann-Gall, Richard (2007). "Christianity and the Nazi Movement: A Response." Journal of Contemporary History 42 (2): 205. e diz que, para se determinar a real convicção religiosa de um individuo, é necessária à utilização de outros critérios.
Outros historiadores discordam dessa afirmação e realizaram uma observaram do número de pessoas que deixaram a igreja na Alemanha de 1933-1945.Granzow et al. 2006: 39 Essa opção, de deixar a igreja (Kirchenaustritt), existe na Alemanha desde 1873, quando Otto von Bismarck introduziu a ideia como parte do Kulturkampf focando contra o Catolicismo. Essa opção também possível para os Protestantes, e nos próximos 40 anos, tomaram vantagem disso. Estatísticas existem desde 1884 e 1917, para os protestantes e católicos, respectivamente.
Uma análise dessa informação durante o domínio Nazista esta disponível no artigo de Sven Granzow et al., publicado numa coleção editada por Götz Aly. No geral, mais Protestantes do que Católicos deixaram a igreja, porém, os dois são muito similares. O número de Kirchenaustritte chegou ao seu auge histórico em 1939 Granzow et al. 2006: 50 The number of Kirchenaustritte reached its "historical high",Granzow et al. 2006: 58 quando atingiu o pico de 480,000. Granzow et al. Não só mostra os números em relação a política Nazista com as igrejas, que se modificou muito depois de 1935,Granzow et al. 2006: 42-46 mas também como um indicador a confiança no Führer e a liderança Nazista. O declínio no numero de pessoas que deixam a igreja depois de 1942 é explicado como resultado pela perda de confiança no futuro da Alemanha Nazista. As pessoas tenderam a manter seus laços com a igreja, por causa do medo em relação a um futuro incerto.
Protestantismo
thumb|180px|direita|THIS IS THE ENEMY ("este é o inimigo", o nazismo apunhalando a Bíblia). Propaganda estadunidense da II Guerra Mundial, associando o nazismo ao anticristianismo.
O relação entre Nazismo e as Igrejas protestantes tem sido assunto de discussão constante nas últimas décadas. Um grande problema é que o protestantismo inclui várias vertentes religiosas que tinham poucas relações umas com as outras. Além desse fato, o protestantismo permite mais variações entre congregações individuais que o catolicismo ou a igreja Cristã Ortodoxa, o que faz com que afirmação sobre "posicionamento oficial" sejam problemáticas. Mesmo assim, muitas organizações ou denominações protestantes eram fortemente contra o Nazismo, depois que a natureza do movimento foi compreendida. O Reverendo Martin Niemöller, que foi preso em 1937, foi acusado de "Mau uso do púlpito para vilanizar o Estado e o Partido, além de atacar a autoridade do governo."[http://www.time.com/time/magazine/article/0,9171,759113,00.htm
l Dynamite - TIME] As formas de protestantismo que professavam pacifismo, antinacionalismo, ou igualdade racial, tendiam a opor o Estado Nazista no mais forte dos termos.
Diferentes estados Alemães possuíam variações regionais na densidade social e na denominação religiosa.see Jackson J. Spielvogel, Hitler and Nazi Germany ISBN 0-13-189877-9 Richard Steigmann-Gall alega uma ligação entre a igreja protestante e o Nazismo,Steigmann-Gall, R., The Holy Reich: Nazi Conceptions of Christianity, 1919-1945 ISBN 0-521-82371-4 sendo o principal aspecto, as citações de Martinho Lutero nos panfletos antissemitas de Hitler, e a acusação de que os Luteranos apoiavam Hitler. Exceto os metodistas todas as igrejas protestantes da Alemanha na época sofreram algum grau de interferência estatal e perseguição aos seus pastores.Protestant Churchs
Martinho Lutero
Durante a primeira e segunda guerra mundial, os lideres alemães usaram os escritos de Martinho Lutero para dar suporte a causa do nacionalismo alemão. No 450º aniversario de Lutero, que ocorreu alguns meses após a tomada do poder pelos Nazistas em 1933, ouve grandes celebrações tanto pelas igrejas protestantes como pelo partido Nazista.Steigmann-Gall 2003:1 Em uma celebração em Königsberg, Erich koch naquele tempo Gauleiter da Prússia Oriental, fez um discurso que, além de outras coisas, comparava Adolf Hitler com Martinho Lutero e afirmou que os Nazistas lutavam com o espírito de Lutero. Tal discurso pode ser descartado como mera propaganda, porem, como Steigmann-Gall apontou: "Contemporâneos consideravam Koch como um cristão de boa-fé, que tinha alcançado a sua posição de presidente eleito de uma região provincial da Igreja] por meio de um compromisso genuíno com o protestantismo e suas instituições."Steigmann-Gall 2003:2
O teólogo protestante Karl Barth (ver: Teologia de Karl Barth), era contra essa apropriação de Lutero pelo Império Alemão e a Alemanha Nazista, quando apontou em 1939 que os escritos de Lutero foram usados pelos Nazistas para glorificar o Estado e o absolutismo do estado: "O povo alemão sofre com o erro da relação entre a lei e a bíblia, entre o poder secular e espiritual",Karl Barth, Eine Schweizer Stimme, Zürich 1939, 113 já que Lutero dividiu o Estado e o foco interno do espirito, assim limitando a habilidade do individuo ou da igreja de questionar o estado, que era visto como um instrumento ordenado de Deus.
Em fevereiro de 1940, Barth acusou os Luteranos alemães de fazer a separação dos ensinamentos bíblicos dos ensinamentos do estado, assim legitimando a ideologia Nazista.Karl Barth, Eine Schweizer Stimme, Zürich 1940, 122 Ele não estava sozinho em seu ponto de vista. Alguns anos antes, em 5 de outubro de 1933, o pastor Wilhelm Rehm de Reutlingen declarou publicamente que “Hitler não seria possível sem Martinho Lutero”,in Heinonen, Anpassung und Identität 1933-1945 Göttingen 1978 p.150 apesar de vários terem feito essa mesma afirmação em relação a outras influencias sobre a ascensão de Hitler. O historiador anticomunista Paul Johnson, por exemplo, disse que "sem Lenin, Hitler nunca seria possível."TIME 100: Leaders & Revolutionaries - Historian Paul Johnson 4/8/98 Yahoo Chat
Movimento dos Cristãos Alemães
thumb|150px|esquerda|Bandeira do Movimento Cristão Alemão.
Os Cristãos Alemães (DC - Deutsche Christen ou Movimento Cristão Alemão) constituíam o mais forte movimento protestante na Alemanha depois das eleições da Igreja de 1932, com o objetivo de sintetizar o cristianismo com a ideologia do Nacional Socialismo (ver: Cristianismo positivo). Havia vários grupos entre a Igreja Evangélica Alemã, incluindo o Deutsche Christen e opositores, que depois se separaram sobre o nome de Igreja Confessante que em 1934 publicou a Declaração Teológica de Barmen rejeitando o nazismo.
As facções da Deutsche Christen foram unidas sobre o objetivo de estabelecer o Nacional Socialismo Protestante.Hans Buchheim, Glaubenskrise im 3. Reich,Stuttgart, 1953, 41-156 A Deutsche Christen aboliu o que eles consideravam tradição judaica no cristianismo, e alguns, porem não todos, rejeitaram o antigo testamento. Eles rejeitaram a teologia acadêmica como não sendo populista o suficiente, alem de, normalmente, serem anticatólicos. Em novembro de 1933, uma passeata protestante da Deutsche Christen, que fez um recorde de 20,000 pessoas, publicou três resoluções:
Adolf Hitler É um complemento da reforma., Judeus batizados seriam excomungados. O antigo testamento deveria ser excluído das escrituras.Buchheim, Glaubnskrise im 3.Reich,124-136
Existe uma afirmação de que Hitler se converteu ao protestantismo e se juntou aos Alemães Católicos, de acordo com o Secretário Nacional Klundt em 25 de abril de 1933, em Königsberg.Friedrich Baumgärtel, wider die Kirchenkampf Legenden, Neuendettelsau, 1959 54 Uma confirmação ou rejeição oficial nunca foi publicada.
Ludwig Müller
Ludwig Müller (1883-1945), depois de seu primeiro encontro com Hitler, ficou convencido que ele tinha uma responsabilidade divina de promover Hitler e seus ideais,Manfred Korschoke, Geschichte der bekennenden Kirche Göttingen, 1976 495 e junto de Hitler, ele favorecia uma Reichskirche (Igreja Nacional do Reich) unificado de protestantes e católicos. Essa Reichskirche deveria ser uma federação na forma de um conselho, mas subordinado do Nacional Socialismo.Hermann Rauschning, Gespräche mit Hitler, Zürich, 1940 54 Ludwig Müller liderava os Cristãos Alemães, que cresceu para quase 600,000 membros nos anos 30 e ganhou todas as eleições das Igrejas em 1932, depois que dissidentes foram silenciados por expulsão ou violência. Porem, ele não conseguida confortar todos os cristãos ao Nacional Socialismo, e a atitude de Hitler piorou em relação aos protestantes: "O clero Protestante, não acredita em mais nada alem de seu bem estar e oficio" Rauschning, Gespräche mit Hitler, 60 Rauschning, Gespräche mit Hitler, 61 Porem, a atitude pessoal entre Müller e Hitler permaneceu cordial até 1945, quando ambos cometeram suicídio. A última atitude válida de Müller foi o reconhecimento da Igreja Evangélica Alemã como uma entidade legal em 14 de julho de 1933, uma lei que prometia a junção de Estado, povo e igreja em uma mesma entidade.Reichsgesetzblatt des deutschen Reiches 1933, I,1, p.47
Testemunhas de Jeová
thumb|200px|direita|Declaração de renúncia à fé que as Testemunhas de Jeová eram obrigadas a assinar para ganharem a liberdade.